The Gray War

16 Capítulo 16 - O Novo Gray Garden


Wodahs passou por uma porta e encontrou um grande salão no castelo de Siralos. Ele observou o local. Era bem grande, com paredes brancas. No teto, um enorme lustre se destacava. O chão era coberto por um tapete marrom com vários desenhos de sóis. Várias janelas cobriam as paredes, com cortinas brancas com vários desenhos amarelos de sóis.

Aquele salão com certeza lembrava o Castelo Blanc. As paredes brancas eram bem parecidas, e a posição das janelas o lembrava muito. Wodahs se lembrou das milhares de vezes que tinha estado naquele lugar durante a guerra, junto a Grora, sua melhor amiga. Que é uma traidora, ele pensou, afastando o pensamento sobre amizade. Tudo o que sabia é que agora ele a odiava.

Mas aquilo trouxe outras memórias. Ele lembrou-se da vez em que Etihw tinha encontrado uma caverna com uma passagem subterrânea que passava por baixo dos dois castelos e dava do outro lado do Castelo Black. Ela tinha chamado os seus anjos mais fiéis, como Wodahs e Grora, para tornar aquilo útil.

Foi um belo plano de ataque, mas não deu muito certo quando a caverna começou a parecer desabar. Eles desistiram, com medo de alguém morrer lá. Agora havia muito tempo que ninguém visitava o perigoso lugar.

Wodahs começou a afastar as lembranças e voltou a prestar atenção no local.

Siralos estava no fim da sala, esperando. Wodahs se aproximou. O anjo usava roupas escuras e suas asas eram pretas.

Siralos tinha longos cabelos castanhos e roupas femininas.

Quando o anjo chegou perto, o deus do sol começou a falar:

“Olá, Wodahs. Finalmente nos conhecemos.”

“Sim. Olá, Siralos.” Wodahs disse. Sua voz tinha um tom frio e sombrio, e seu olho quase não podia ser visto, pois uma névoa escura o cobria. “Eu queria uma explicação sobre o que está acontecendo, exatamente.”

“Sim, apenas siga-me.”

Siralos começou a andar em direção a uma porta que levava a uma pequena sala com uma mesa, uma janela em uma das paredes, quadros, plantas decorativas e uma estante com livros.

O deus do sol andou até o outro lado da mesa e sentou-se em uma cadeira. Depois fez um gesto indicando que Wodahs devia se sentar na cadeira do outro lado da mesa.

O anjo se sentou e aguardou Siralos começar a falar.

“Wodahs, você sempre ficou em dúvida sobre onde pertencia, não é? Você sempre foi obrigado a ter que escolher um dos lados. Mas seu verdadeiro poder é tão grande que eles, Etihw e Kcalb, só queriam se aproveitar. Eles nunca ofereceriam um verdadeiro lar. Por isso, eu quero que se junte a mim. Juntos, eu você e Igls dominaremos esse mundo, destruiremos seus ‘amigos’ e meu inimigo Ivlis. Uma era de glória reinará.”

“E por que você acha que eu me juntaria a você? E se você mesmo não está querendo aproveitar de meu poder?”

Siralos, um pouco mais sério, começou a falar:

"Porque você sabe que pode confiar em mim."

Siralos fechou os olhos e fez um gesto com a mão. Wodahs se sentiu como se estivesse adormecendo. Sua visão começou a escurecer, mas depois de alguns segundos, despertou.

“Claro. Eu vou te ajudar, vamos derrotar aqueles inimigos e...” Wodahs hesitou, se perguntou por que estava fazendo aquilo, mas depois continuou. “E finalmente dominar esse mundo.”

“Sim, exatamente!” Disse Siralos. Ele estava com um pequeno sorriso no rosto. “Eu preciso de sua ajuda para lançar um feitiço. Me chame quando estiver pronto. Apenas você conseguirá nos trazer paz.”

“Claro... Senhor Siralos.”

Wodahs tinha um sentimento estranho ao concordar com o deus. Na verdade era o mesmo sentimento que estava sentindo por bastante tempo, desde que tinha se lembrado de sua verdadeira história e se juntado a Kcalb. Um sentimento vazio, que agora parecia estar pior ainda. Siralos o dispensou e ele saiu da sala, andou até a porta do castelo e saiu. Ele precisava de um tempo para pensar.

Enquanto isso, Siralos continuava na pequena sala. Ele tinha uma expressão maligna no rosto. Tinha conseguido trazer Wodahs para seu lado e agora podia destruir seus inimigos para sempre.

“Haha. Manipulação... É tão fácil conseguir as coisas desse jeito...” Ele disse, tranquilamente.

Depois pegou alguns papéis e começou a ler. Aquele seria o feitiço que Wodahs teria que fazer.

***

Etihw, Kcalb, Yosafire, Froze, Dialo, Chelan, Macarona, Grora. Tudo girava enquanto passavam pelo portal. Eles viam figuras embaralhadas da Vila Secreta e do Gray Garden. Um castelo enorme, dois destruídos, demônios presos... Vários sóis iluminavam o túnel. Tudo girava.

Então, tudo voltou ao normal. Os oito ainda estavam de mãos dadas, mas agora em outro lugar. Eles soltaram as mãos e caíram no chão.

“Olha, essa viagem entre portais não pareceu tão horrível quando estávamos indo para o mundo de Siralos...” Etihw comentou.

“Sim... Essas imagens que vimos...” Kcalb disse.

“Ei, gente, vocês viram isso?” Froze disse, apontando para o campo de batalha. Ela, diferente de todos, tinha ficado de pé e estava observando o local.

O castelo Blanc e o castelo Black estavam em ruínas. Algumas das torres tinham sido destruídas e pedras estavam jogadas para todos os lados.

No céu, vários sóis brilhavam, criando uma luz imensa. Não havia nenhuma nuvem. Do outro lado do campo, bem ao centro, tinha um castelo maior do que os de Etihw e Kcalb. Era o castelo de Siralos, construído por meio de magia. Tinha várias torres e as pedras eram amareladas e brilhantes.

Vários guardas anjos cercavam o local.

Aquele cenário chegava até a ser impressionante, apesar de ser obra de um deus que queria matar todos eles.

“Quanta coisa mudou...” Yosafire disse. “Eu fiquei por fora por tanto tempo?”

Ninguém respondeu. Todos estavam ainda tentando processar aquilo. Tudo acontecera tão rápido... Agora precisavam de um plano. Aquilo precisava terminar. E o mais rápido o possível.

“Ei, pessoal!” Macarona chamou. “Cuidado, os guardas podem olhar para cá!”

Todos ouviram Macarona e correram para adentrar a floresta, ficando escondidos. Etihw pediu para que todos se sentassem em círculo para que pudessem discutir o que estava acontecendo e montar um plano.

“Olha que engraçado...” comentou Froze. “Quando uma guerra acaba, outra começa.”

Etihw aproveitou para recapitular o que estava acontecendo, com ajuda de Kcalb. Ela aproveitou e contou o que tinha acontecido, tudo, desde o começo.

Ela contou sobre a verdadeira história de Yarg, e sobre a decisão de Wodahs. A manipulação de Siralos, o acordo de Etihw com o deus sem saber quem era, para esconder a história de Wodahs. O início da guerra, tudo foi falado, e todos ouviram atentamente.

Eles contaram as partes do plano de Siralos, ou pelo menos o que sabiam: Sobre causar a guerra com o objetivo de distrair todos. Yosafire, Macarona e Froze também contaram sobre o que tinha acontecido quando se perderam.

Grora aproveitou e contou sobre o que tinha acontecido com Wodahs. O anjo tinha tentado ir salvar Etihw do castelo de Kcalb, mas acabou se lembrando de toda a sua verdadeira história e o motivo do início da guerra. Mas aquilo também trouxera escuridão para o anjo, e por isso agora ele não estava nem do lado de Etihw nem do de Kcalb, mas sim do de Siralos. No final, tudo fazia mais sentido.

O silêncio predominou por algum tempo. Todos pensaram em quão inútil tinha sido o tempo de guerra. Pensaram em cada morte, em cada perda. E principalmente Etihw e Kcalb.

“Como não percebi?” Etihw se perguntava, em pensamento. Ela não queria mostrar a ninguém, mas se culpava por tudo que tinha feito. Se culpava pelo início da guerra, pela maldição de Wodahs, pelo sofrimento de todos ali. Era uma dor que corroía sua alma.

Eles te odeiam por isso, diziam vozes em sua mente. Você nunca será realmente aceita. Desista.

“Cale a boca” Ela dizia mentalmente para as vozes.

Ela olhou para todos em volta. Imaginou se de alguma maneira eles a odiavam por aquilo.

Ao lado dela, Kcalb também pensava sobre aquilo. Ele na verdade não culpava Etihw. Ele sabia que tudo tinha sido manipulação de Siralos, e era só nisso que teriam que focar.

Grora só conseguia pensar em Wodahs. Ela se perguntava onde o anjo estava, e queria muito encontra-lo. Aquela maldição precisava ser quebrada o mais rápido o possível.

“Grora?” Etihw chamou. Ela parou de pensar e levantou a cabeça, olhando para a deusa.

“Sim, Etihw?” A anjo perguntou.

“Eu acho que vamos precisar fazer um plano. E você é a estrategista. Tem alguma ideia?”

Grora pensou. "Droga, não consigo me concentrar."

Os pensamentos sobre Wodahs a atrapalhavam.

“Ok, Grora, você precisa fazer isso ou não poderá salvar seu amigo.” Ela disse para si mesma.

Respirou fundo, e começou a falar.

“Bom, para um ataque estratégico, nós precisamos conhecer o cenário. Seria bom não atacarmos ainda. Talvez nós pudéssemos nos dividir em grupos e observar o castelo e seus guardas por algum tempo. Saber onde fica a entrada, onde os guardas estão posicionados, entenderam?”

Todos concordaram com a cabeça.

“Mas nós devemos tomar muito cuidado. Somos oito, podem ser quatro grupos de duas pessoas cada.”

“Eu aprovo a ideia.” Dialo foi a primeira a dizer. “E eu fico com a Chelan.”
Chelan balançou a cabeça, sorrindo.

Os outros também disseram que aprovavam.

“Bom, seria legal alguém vigiando daqui, onde estamos, alguém vigiando nas ruínas do castelo Blanc, outro grupo no castelo Black, e mais um do outro lado do castelo, do lado sul. Assim estaremos vigiando dos quatro pontos que cercam o local.”

"Certo. Então quando encontrarmos algo diferente, voltamos para cá?” Etihw perguntou, para confirmar.

“Sim. E mesmo se não encontrarmos nada, seria bom nos encontrarmos aqui de novo em meia hora.”

Todos concordaram e formaram os grupos: Yosafire e Froze; Dialo e Chelan; Etihw e Macarona; Grora e Kcalb.

Yosafire e Froze seguiram para as ruínas do Castelo Blanc. Dialo e Chelan foram para o castelo Black. Etihw e Macarona deram a volta no campo de batalha e foram para o outro lado, e Grora e Kcalb continuaram no mesmo lugar.

Não demorou muito para Yosafire e Froze chegarem às ruínas do Castelo Blanc. Apenas três torres estavam de pé, mas mesmo assim com vários buracos nas paredes. Pedras brancas estavam jogadas por todos os lados. Cacos de vidros das janelas também estavam espalhados.

“Esse lugar já foi melhor antes...” Yosafire comentou.

“É só eu ficar um pouquinho de tempo fora e olha o que fazem!” Froze disse, tentando criar humor.

Yosafire riu um pouco, mas continuou concentrada. Elas estavam andando escondidas, apenas para observar. Encontraram um bom ponto para olhar e ficaram lá.

Depois de um minuto...

“E agora?” Perguntou Yosafire.

“Agora você fica olhando para lá e... Espera.”

Yosafire ficou olhando por um tempo.

“Só isso?” Ela disse.

“É” respondeu Froze.

“Que chato...”

Cinco minutos tediosos se passaram, até que Yosafire ouviu alguém chamar. Ela olhou para trás, alerta, e se concentrou. Observou tudo a sua volta, e posicionou sua mão no sabre, pronta para tirá-lo a qualquer momento.

“Yosafire? O que foi?” Froze perguntou.

“Shh” foi a resposta da demônio, pedindo para que Froze ficasse quieta.

Nesse momento, Froze também começou a se concentrar e tentar ver se alguém estava lá. Então perceberam a presença de uma escada, que levava ao subterrâneo. As duas desceram os degraus e encontraram a prisão do castelo. Ela sempre estava vazia, mas agora a situação era diferente.

Elas ficaram horrorizadas com o número de pessoas nas celas. Estava tudo cheio. Todos usavam roupas vermelho escuras e as duas os reconheceram de primeira.

Eram os demônios de Ivlis, agora presos depois de derrotados por Siralos.

“Aaaah!” Gritaram Yosafire e Froze ao mesmo tempo.

“O-o que vocês estão fazendo aqui?” Froze perguntou, assustada.

“Fomos derrotados” um deles respondeu. “Mas se acalme, não precisa ter medo. Não de nós.”

Elas observaram o lugar. A prisão se extendia por um longo corredor escuro, com uma pequena claridade vindo de cada cela.

E nesse momento, bem no fim, surgiu uma luz, mostrando a silhueta de um anjo.

Yosafire soltou um pequeno grito e se escondeu atrás de Froze, abraçando a amiga.

“Quem é aquele?” Froze perguntou, assustada. Por algum motivo não se incomodou com Yosafire atrás dela.

Ninguém respondeu. Na verdade todos tinham se afastado e ido para o fundo das celas. O anjo foi se aproximando, lentamente. Um passo de cada vez. Ele levantou o braço e fez pedras caírem na entrada da prisão. Elas estavam presas.

“Eu estava esperando por vocês” disse uma voz feminina. Então, ela iluminou-se e se revelou.

Era uma anjo com cabelos loiros e aparência jovem. Suas asas eram douradas e brilhantes.

“Eu sou Igls Unth. Eu sou a Anjo da Luz, anjo principal de Siralos.”

Yosafire e Froze encararam ela.

“Você estava esperando por nós. Então você... e Siralos... sabem que estamos aqui?” Yosafire perguntou.

“Siralos ainda não. Mas logo ele saberá. Eu estava esperando vocês desde que as vi chegando nessas ruínas.” Igls respondeu, sorrindo. “E agora é a hora que vocês são capturadas.“ A anjo riu um pouco.

Ela fez um movimento com as mãos e lançou um raio em direção a Froze. Yosafire, sem pensar duas vezes, saiu de trás da amiga e refletiu o raio com o sabre. O raio foi em direção a uma das celas e destruiu uma das barras de ferro.

“Yosafire... Como você fez isso?” Froze perguntou. “Foi... Incrível!” Ela disse, com os olhos brilhando.

“Wow... Eu nem sabia que podia fazer isso!” Yosafire disse, impressionada.

“O quê?” Igls disse, brava. “Agora você vai ver!”

Enquanto Igls conjurava o próximo raio, Froze pegou o martelo de guerra e correu até a inimiga, tentando acertá-la. Igls desviou e se desconcentrou do ataque. Froze tentou acertá-la novamente, mas Igls rapidamente voou para trás, e invocou uma espécie de escudo que durou até Froze acertá-lo com o martelo, com um ataque bem forte.

Yosafire veio correndo e a atingiu no braço direito com o sabre.

“Grr!” Igls disse. Ela então pensou rápido e invocou um raio e o mandou em direção a Froze. A anjo desviou e em seguida foi correndo em direção a Igls.
Rapidamente, levantou o martelo e o inevestiu com força em Igls, acertando-a nas costas. A anjo da luz caiu.

“Olha...” Ela começou a dizer. “Você não pode derrotar...” Ela disse, enquanto se levantava. “Alguém muito mais forte do que você.”

Igls se virou rapidamente e lançou um grande raio em direção a Froze e Yosafire. Elas nunca seriam rápidas o suficiente para desviar. O máximo que Froze pôde fazer foi movimentar um pouco seu martelo, bloqueando metade do ataque. A outra metade atingiu as duas e as derrubou. O ataque pelo menos fora reduzido.

Nesse momento, perceberam que Igls estava apontando a mão para cima. Ela iria lançar um sinal.

“Não posso...” Yosafire sussurrou, com poucas forças. “Deixar!”

A demônio se levantou, pulando em direção a Igls. Usou o sabre para um ataque no lado direito da anjo. Igls lançou um raio, que Yosafire desviou com facilidade.

Depois, a demônio atingiu Igls com o cabo do sabre, na cabeça, com a maior força possível. Igls estava quase desmaiando, mas usou mais um pouco de seu poder contra Yosafire. O poder a acertou em cheio, mas não causou nenhum efeito. Em vez disso, os olhos da demônio ficaram totalmente escuros.
“Quem é mais forte agora?” Ela disse, zombando da anjo. Um poder negro apareceu na mão de Yosafire.

Ela ia usá-lo contra Igls, quando Froze gritou:

“Yosafire, não!”

Yosafire parou no último segundo. Igls já estava desmaiada. Os olhos de Yosafire voltaram ao normal, e a demônio caiu, ajoelhada.

“O que eu fiz? O que foi aquilo?” Ela se perguntou, assustada.

“Yosafire, você está bem?” Froze perguntou, ao lado da amiga.

“Froze, me desculpa, eu não sei o que foi aquele poder que tomou conta de mim... Eu nunca mataria alguém.” Yosafire tampava o rosto.

Froze a abraçou. “Calma, está tudo bem.”

Froze a consolou por alguns minutos. Igls ainda estava viva, mas demoraria mais um pouco para acordar. Depois de um tempinho, Yosafire se acalmou.

“Certo... Vamos sair daqui.” A demônio disse.

O caminho estava bloqueado por pedras, mas não eram muito pesadas e logo as duas conseguiram sair. Elas iam observar como estava o local lá fora e depois voltariam para conversar com os demônios de Ivlis.

Mas foram surpreendidas ao ir novamente para a superfície. Lá, dois anjos já as esperavam. De algum jeito, Igls os tinha avisado. Os anjos usaram raios de luz para apagá-las, e então levaram as duas para outro lugar.

***

Junto ao portal que levava do Gray Garden ao Reino do Sol, estavam Kcalb e Grora, observando a parte de trás do castelo. Grora já estava deduzindo onde ficava cada cômodo da construção, observando a estrutura do castelo de Siralos, que não era muito diferente de outros castelos.

A anjo se sentia um pouco desconfortável perto do diabo. Eles nunca tinham tido uma relação, nunca tinham estado juntos. Uma parte dela o culpava pelo que tinha acontecido com Wodahs. Tudo tinha mudado quando o anjo tinha entrado no castelo de Kcalb e ouvido a verdadeira história do passado do Gray Garden.

“Aquela terrível maldição...” Grora pensou.

Eles passaram mais de vinte minutos observando o local. Alguns guardas tinham saído de seu posto e sido substituídos. O que mais chamou a atenção deles foi quando viram alguns anjos indo em direção às ruínas do castelo Blanc, onde estavam Yosafire e Froze.

“Kcalb! Olhe!” Grora chamou.

O diabo na verdade já estava olhando antes de Grora falar.

“Devemos segui-los?” Kcalb perguntou, aguardando confirmação.

“Sim, Yosafire e Froze devem estar em perigo. Mas nós devemos tomar muito cuidado.”

Eles se prepararam e começaram a correm em direção ao local. Mas, quando estavam chegando, alguém os surpreendeu. Grora parou de correr e ficou tremendo. Seu coração parecia estar saindo do peito. Ela ficou tão nervosa que podia desmaiar.

Era Wodahs. Ele ainda estava com as asas de anjo com penas escuras, mas revê-lo foi bom. Ele usava um tapa-olho igual ao de Grora, e tinha uma expressão bem séria no rosto, como se não tivesse sentimento algum. E logo atrás, vinha Siralos. Ele vinha com um sorriso no rosto, um sorriso malicioso, que ele sempre fazia.

“Olha quem está aqui!” O deus do sol disse. Grora não conseguia se concentrar nele. Só queria pensar em Wodahs. Queria achar um jeito de salvá-lo. Ela tinha a tentação de correr e abraçá-lo.

“Wodahs! Você... O que você está fazendo com Siralos?” Kcalb perguntou.
O anjo não respondeu. Ele apenas ficou parado, olhando com desprezo para o diabo. Depois, virou-se para Grora.

O coração da anjo batia em desespero, cada vez mais rápido. “Não, eu preciso me concentrar!” Ela pensou. “Eu não posso falhar agora. Ele não é o mesmo Wodahs, ele ainda está sob o feitiço.”

“O anjo agora é meu aliado” Siralos disse.

“Droga, aquele feitiço de manipulação...” Kcalb falou em voz baixa, depois de deduzir o que tinha acontecido.

Grora prestou atenção nas palavras. Siralos tinha usado manipulação no anjo. E se ela pudesse também? O deus tinha usado magia, mas a anjo já convivia com ele há bastante tempo. Não seria bem magia, mas sim verdade.

Mas para isso ela precisava se concentrar totalmente.

"Wodahs?" Grora chamou.

Wodahs olhou para ela. O olhar cheio de desprezo. Por um segundo, apenas um segundo, o olho se abriu completamente e pareceu assustado, mas logo depois voltou ao que estava antes.

Grora imaginou que agora era sua chance.

“Wodahs, eu sei que você está aí em algum lugar!” Grora começou a falar. Siralos olhou para ela, confiante de que não ia dar certo. “E eu sempre estarei com você. Eu sei que não deu certo antes, mas... Eu ainda te amo. Eu sei que você ainda é uma boa pessoa, lá no fundo.”

Wodahs girou a cabeça. Algo parecia estar mudando. Siralos agora tinha uma cara de desgosto. O plano de Grora estava funcionando.

“Wodahs. Você não deve acreditar nela” Siralos disse, se concentrando na manipulação. “Tudo o que você precisa está aqui, com o poder do sol.”

“Ah, é?” Grora disse, desafiando Siralos. “E quais argumentos você tem? O que o Wodahs realmente precisa?”

Siralos ouviu aquilo e se desconcentrou um pouco. Não era o que ele tinha planejado.

“Wodahs, eu sei que você sabe quem é o vilão aqui. Por favor, apenas volte!” Grora pediu.

Wodahs continuava quieto, mas mais confuso. Então, ele começou a andar em direção a Grora. Siralos, rapidamente, balançou uma das mãos e dez raios surgiram do céu e formaram um círculo em volta do anjo. Ele estava preso. Um décimo primeiro raio flutuava em cima de Wodahs, pronto para ser atirado. Ela olhou para o lado, e um círculo igual cercava Kcalb.

“Agora a escolha é sua, pequena anjo” Siralos disse, sorrindo. “Qual dos dois vai sobreviver?”

O deus jogou uma faca para ela. A faca parecia bem simples, mas poderia matar qualquer um. E agora era escolha de Grora quem iria sobreviver e quem seria morto. Ela não queria escolher, ela não merecia aquilo.

Ela começou a tremer um pouco. Estava com um sentimento de agonia. Tudo tinha começado a dar errado. Ouviu os gritos de susto de Kcalb, e olhou para Wodahs, agora com raiva. Ela sentia a falta daquele anjo quando tinha sentimentos. Sentia a falta de quando eram amigos.

Uma lágrima saiu de seu olho, mas ela a secou rapidamente.

Então ficou pensando em alguma solução. Era uma estrategista, precisava fazer um plano. Se qualquer um morresse, seria uma falha, seria um fracasso na missão. Ela precisava salvar todos.

“E se eu atacar... Siralos?” Pensou. Ela se preparou para um movimento rápido. Já tinha feito aquilo várias vezes, já tinha treinado para aquilo milhares de vezes.

Bem rapidamente, pulou em direção ao deus, com a faca na mão. Quando ia acertá-lo, ele se desmaterializou e apareceu atrás dela.

“Você não pode me derrotar.” Disse ele, sorrindo. Então, um raio surgiu em direção a ela. Não tinha como a anjo desviar, ela morreria de qualquer jeito. “Má escolha!” O deus disse, rindo.

E então, a única coisa que pôde fazer foi usar a pequena faca para se proteger, e por pura sorte ou obra do destino, conseguiu se defender. A lâmina da faca quase não aguentou, mas absorveu todo o raio.

Siralos parecia surpreso.

“Então você é bem forte... Eu acho que posso te dar outra chance de escolher algum dos dois...” Siralos disse.

Agora Grora estava de volta na mesma situação. Algum dos três morreria. Ela não queria matar Kcalb e definitivamente não iria matar Wodahs, mas não via nenhuma saída.

“Eu...” Ela começou a dizer. Então, pensou em algo.

Ela associou tudo o que tinha em sua volta. Prestou atenção na faca que segurava, nas prisões de raios feitas por Siralos...

Ela correu até Kcalb e sussurrou algumas coisas, que só ele pôde ouvir.

“Escolha logo!” Siralos gritou.

Grora então se preparou. Seu rosto parecia angustiado.

“Me desculpe, Kcalb.” Foram as últimas palavras que o diabo ouviu antes da faca perfurar seu peito. Sangue jorrava do lugar. Ela saiu de perto daquela pequena prisão, de cabeça baixa.

Ela parecia bastante decepcionada com o que tinha feito, mas um pequeno sentimento de alegria com maldade tinha surgido.

“Eu fiz o que você queria... Agora... Liberte o Cabeça de Anjo.”

Siralos desfez os raios e libertou o anjo. Grora o abraçou. Wodahs a abraçou também. Mas Grora agora não conseguia sentir quase mais nada. Apenas uma vontade ainda maior de matar alguém.

Era como uma maldição. E aquilo não era nem um pouco bom.

Enquanto Siralos teleportava todos, Grora viu Etihw e Macarona chegando ao local onde eles tinham sumido. Elas pareciam preocupadas, mas de algum modo Grora não dava a mínima para isso.