The Gray War

20 Capítulo 20 - A Maldição da Destruição


Notas iniciais
Edit: 29/10/2017 (Olhe nas notas finais para saber o que foi editado)

A Maldição da Destruição. Um único feitiço devastador, feito há tanto tempo que ninguém sabe quando foi, nem quem o criou. Um feitiço que pode acabar com qualquer coisa em apenas um piscar de olhos.

Era isso que Siralos procurava. Era isso que ele queria, podendo assim ter certeza de que Ivlis morreria. Todo o seu plano, tudo que ele havia pensado, era uma maneira de explorar os limites da magia. Era descobrir algo que ninguém tinha feito por milênios ou até mais. Era um jeito de provar que ele tinha o poder.

E finalmente, depois de tanto esforço, ele o fizera.

Quando Ivlis foi jogado no portal verde, atravessou a passagem entre os dois mundos e chegou ao Mundo do Sol, com a vontade de correr o mais rápido o possível até o portal mais próximo para o Gray Garden.

Olhou em volta, vendo pedras. O céu estava congelado em um pôr-do-sol, o que dava ao diabo uma sensação de satisfação, por mais que estivesse literalmente no fim do mundo.

O céu estava todo alaranjado, com tons quentes, e apenas metade do sol era vista no horizonte, a oeste. Do lado oposto, já estava um pouco escuro, roxo e azul.

Em um segundo, cenas se passaram em sua mente, de quando ele vivia lá, feliz, com Igls, antes de tudo acontecer.

Observar o crepúsculo enquanto se lembrava daquelas memórias até lhe fazia um pouco feliz de estar vivo. Até lhe dava a vontade de ficar horas apenas observando a paisagem.

Mas, infelizmente, ele não podia. Tinha algo a fazer. Tinha que acabar de uma vez por todas com o homem que destruíra sua vida. Ele sabia de uma passagem perto dali que levava até o Flame World, e de lá, ele poderia encontrar o portal para o Gray Garden.

Quando já estava pronto para correr até lá, percebeu que seus demônios estavam também aparecendo pelo portal. Ele não poderia deixá-los ali para morrer. Precisava esperar todos para guiá-los até a saída. Era isso o que o diferenciava de Siralos, ele se importava com as outras pessoas.

“Certo, certo! Eu preciso ser rápido e direto! Precisamos esperar todos chegarem, e então todos sigam-me! Combinado? Precisamos sair daqui logo!”

Os demônios prestaram atenção nas palavras e então ficaram quietos, esperando. Quando outros chegavam pelo portal, aguns corriam para ajudar a levantá-los e davam as ordens. Mais alguns apareceram ali, foi quando Ivlis perguntou se tinha mais alguém faltando. Eles disseram que tinham sido os últimos.

Então, o diabo deu um sinal e começou a correr, com todos seguindo-o. Eles não andaram muito até chegar em um buraco que parecia ser muito profundo.

“Aqui foi o lugar em que Siralos me jogou, muitos anos atrás, me condenando ao sofrimento do inferno. Foi aqui que tudo começou. E é aqui que tudo terminará!” Ivlis gritou, fazendo com que todos ouvissem.

E então, a terra estremeceu. Algo estava acontecendo. Todos se viraram para um lugar e viram uma explosão. Os demônios começaram a gritar. A explosão era enorme e vinha do portal por onde tinham entrado.

Ela tinha o formato de uma enorme esfera vermelha.

E então, de onde ela aconteceu, começou a se espalhar uma fumaça, também vermelha, que parecia magia. Não, não só parecia. Era magia. A Maldição da Destruição. Ela consumiria o mundo todo, acabando com tudo que era vivo e queimando tudo que estava lá.

Não sobraria ninguém naquele lugar, a menos que entrassem no portal a tempo.

Todos os subordinados de Ivlis começaram a correr e pular no buraco, abrindo as asas para amortecer a quedra. Ivlis foi atrás, fazendo a mesma coisa.

Aquilo aconteceu muito rápido. Em um segundo, ele estava caindo, e logo depois, aterrissava no chão. Várias pessoas gritavam e corriam para todos os lados. Agora, estavam em um cenário diferente. Era um mundo todo vermelho, cheio de fogo com algumas casas de madeira. Tudo era quente e escuro. Ivlis foi correndo até onde estava o portal para o Gray Garden, não muito longe dali.

Ele estava sem ver nada, em meio à multidão. Só ouvia o barulho de coisas queimando e sentia o cheiro de fumaça.

A magia vinha atrás dele, entrando pelo buraco e se espalhando pelo Flame World. Ele corria mais rápido. E então, percebeu que estava em frente à prisão. E, pela porta da prisão, viu mais da magia vermelha entrando. Correu mais e mais, mas parecia que não iria conseguir. O feitiço agora parecia muito mais rápido do que ele.

Ao longe, viu o portal. Alguns dos demônios já o atravessavam. O cheiro da fumaça do fogo incomodava o diabo, por mais que tivesse ficado ali metade de sua vida.

E então, percebeu que iria conseguir. Faltavam cinquenta passos até o portal... Quarenta... Trinta... Vinte... Dez... Estava quase lá...

E a maldição, vindo logo atrás dele, numa velocidade suprema, alcançou-o, e o diabo perdeu os sentidos. Não sabia se estava vivo ou morto, não sabia se estava existindo ou se nunca tinha sido nada, não sabia se alcançara o portal ou se tinha sido engolido pelo feitiço. Ele não sabia de nada.

***

Enquanto isso, vários anjos e demônios estavam na Vila Escondida, o lugar do Mundo do Sol onde ficava o portal para o Gray Garden, por onde Etihw, Kcalb e os outros tinham entrado.

Todos aguardavam ansiosamente a volta de seus heróis, na esperança de boas notícias, na esperança de saber que Siralos tinha sido derrotado e que todos poderiam voltar para seu mundo.

Mas as coisas tinham complicado um pouco desde que um dos anjos de Siralos aparecera ali. Hanahata liderou todos para aprisionar o inimigo. Eles o trancaram no porão de uma das casas da Vila. Não fazia muito tempo desde que ele tinha chegado.

Hanahata, então, foi sozinha falar com o prisioneiro, deixando dois anjos de guarda caso algo acontecesse.

“Qual é seu nome?” A demônio perguntou.

O anjo a encarou, sem dizer nada.

Hanahata então pegou suas espadas duplas. Durante a guerra, ela era conhecida por usar esse tipo de arma. Então, encostou a arma na garganta do anjo.

“Peter, sou Peter!” Ele respondeu, rapidamente.

“E o que está fazendo aqui?”

“Eu estou... É...” Ele começou a falar.

Hanahata estava séria, ainda encarando-o. Então, ela disse:

“Escuta aqui. A única maneira de você ter uma chance de sair daqui vivo é respondendo as perguntas e falando a verdade. Não adianta inventar historinhas. Apenas fale.”

“Certo, certo...”

O demônio olhou rapidamente em volta. O porão não tinha nada demais, apenas algumas pequenas poças de água que apareceram devido a goteiras no teto. Ele era feito de pedra e tinha uma porta de madeira resistente. Não havia uma maneira de fugir.

“Bom... Siralos me mandou vir aqui para buscar uma pessoa. Na verdade, eu devia ter levado ela antes, mas eu... Esqueci.” Peter disse, hesitante.

Hanahata reparou que no começo ele estava tentando parecer forte e intimidador, mas ele era bastante inseguro e fraco.

“E quem era essa pessoa?”

“Você com certeza deve conhece-la. Ela estava perto, três celas ao lado. E vocês duas eram muito parecidas.”

Hanahata sentiu uma dor no coração ao saber que Siralos queria que alguém fosse levar a sua filha, mas não demonstrou nenhuma preocupação, pois não podia deixar o anjo saber que ela estava se sentindo mal.

“E por que Siralos precisava dela?” Hanahata perguntou. Agora, isso era mais um teste, pois ela sabia o motivo. Siralos precisava de Yosafire porque ela daria as visões do futuro a ele. Se o anjo respondesse errado, ela saberia que ele estava mentindo.

“Eu não sei” O anjo respondeu, calmamente. Não parecia que ele estava mentindo. “Eu realmente não sei.”

Hanahata fez mais algumas perguntas sobre o que estava acontecendo no Gray Garden, e sobre como o prisioneiro tinha chegado até a Vila Escondida.

Ele disse que viu a armadilha ativada na cidade sem ninguém preso dentro, falou que foi até a prisão e a encontrou vazia, e então voltou para a praça e encontrou o objeto que o fez teleportar até ali.

A história estava correta de acordo com a realidade do que Hanahata sabia. Então, a demônio saiu, fechou a porta e subiu as escadas da casa.

A Vila Escondida não era um dos melhores lugares, mas todos conseguiram se distrair ali. Em volta, havia uma floresta de carvalhos onde todos puderam relaxar um pouco enquanto tinham que continuar lá. Apenas para descontrair e diminuir a ansiedade.

Mas alguns estavam começando a ficar um pouco loucos. O tempo não fazia mais sentido. Não havia mais segundos, minutos, horas, dias. O tempo estava completamente congelado e todos faziam as coisas na hora que queriam.

Eles não faziam ideia de quanto tempo esperariam para checar o Gray Garden, e também não sabiam quanto tempo tinha passado por lá.

Hanahata voltou até o porão mais algumas vezes para interrogar o anjo, mas não obteve nenhuma informação especial. Ela imaginava como estavam os outros, que tinham ido derrotar Siralos. Será que já estavam quase vencendo? Ou será que ainda estavam apenas chegando lá, enquanto o tempo não passava onde ela estava? Ou será que estavam mortos? Não, ela preferia não pensar nisso. Ela acreditava que sua filha iria conseguir.

Uma das coisas que a mãe de Yosafire mais gostou de fazer foi ficar costurando, pois achou uma casa com uma máquina de costura que a permitiu fazer isso. Ela pretendia fazer roupas novas para sua filha, por mais que não tivesse as medidas corretas.

E, em um certo momento, estava tudo normal. Anjos e demônios conversavam e se conheciam melhor, alguns iam se aventurar na floresta, sem adentrá-la muito, Hanahata costurava, até que...

O chão tremeu.

Hanahata levantou-se rapidamente e saiu da casa onde estava. Todos tinham sentido aquilo e tinham parado o que estavam fazendo para saber o que estava acontecendo. Vários anjos e demônios vieram da floresta.

“O que está acontecendo?” Alguém gritava.

“Esperem, acalmem-se! Vamos ficar todos unidos! Se algo perigoso acontecer, nós corremos para o portal e vamos ao Gray Garden, certo?” Hanahata disse bem alto para todos ouvirem.

Eles ficaram observando todos os lados. A praça era bem pequena, com chão feito de tijolos de pedra e o portal verde e circular no meio. Em volta dela, estavam as maiores casas da vila, e várias ruas que se estendiam, com casas em volta. As construções eram todas feitas de pedras brancas e madeira, com telhados em formato de triângulo.

Não passou um minuto até que eles vissem o que tinha causado o pequeno terremoto. (Literalmente não passou um minuto, já que o tempo estava parado).

Ao longe, em grande velocidade vinha uma fumaça vermelha, feita de magia. Ninguém sabia o que era aquilo, e Hanahata simplesmente gritou “CORRAM!”, o que fez todos ficarem desesperados e pularem no portal verde, indo para o Gray Garden.

Dois anjos vieram falar com a mãe de Yosafire:

“Ei, Hanahata! O prisioneiro, Peter, devemos deixar ele ir também?”

Hanahata não tinha tempo para escolher a resposta, já que o feitiço estava vindo rapidamente, e ela não conseguia se concentrar, ainda mais com todos em volta gritando.

“Uh, sim, podemos levá-lo junto.”

Hanahata e os dois anjos correram até a casa onde estava o anjo e desceram até o porão, abrindo a porta.

“Ei, seu idiota! Vamos, é hora de ir!” Um dos anjos falou.

“O que está acontecendo?” Peter perguntou, gritando.

“Não há tempo para explicar, apenas venha!” Hanahata disse bem alto.

Os quatro saíram de lá correndo, Hanahata na frente, os dois anjos no meio e Peter por último. O feitiço já estava bem perto. Peter foi olhar o que estava vindo, e quando viu aquela enorme massa de magia chegando, ficou com muito medo, e não conseguiu nem se mover.

Mas como ele estava por último, os outros três não repararam que ele ficara para trás.

Logo, estavam chegando até o portal, e seriam os últimos a entrar. Antes de Hanahata entrar, olhou para trás, e viu o anjo parado, um pouco longe, com o feitiço chegando cada vez mais perto.

“O que aquele cara está fazendo?” Um dos anjos perguntou. “Ei, Peter! Você não vem?” Ele gritou, mas Peter continuou parado no lugar.

E então, o feitiço o alcançou. O anjo deu um grande grito e foi engolido pela fumaça. E como não tinham mais nada a fazer, os três restantes entraram no portal antes que a maldição os alcançasse.

***

Uma risada histérica saía da boca de Siralos. Ele ria tão alto que provavelmente todo o castelo conseguia ouvi-lo.

“Eu finalmente consegui! Eu ultrapassei os limites da magia! Eu com certeza sou o ser mais forte do universo!” Siralos dizia, rindo muito.

Agora o deus olhava para o outro lado. Em um canto estava Chelan com um guarda a segurando, na frente da janela. Um pouco ao lado estavam Etihw e Kcalb, parados, com determinação em seus rostos, enquanto vários dos raios de Siralos apontavam para eles.

Enquanto isso, Wodahs tinha acabado de dizer o feitiço, e agora estava sem a manipulação. Ele olhou para baixo e viu Grora, caída, após ser atingida por aquele raio. Rapidamente, sua mente assimilou o que tinha acabado de acontecer. Siralos tentou lançar um raio nele e... Grora tinha... entrado na frente do feitiço? É! Era isso que tinha acontecido! Ela tinha feito aquilo só para salvá-lo. E, nesse momento, ele se sentiu muito grato e culpado, pois imaginou que ela estava morta.

“Grora, não! Por favor, esteja viva, por favor, esteja viva! Se você tiver morrido para me salvar, eu nunca vou conseguir me perdoar!” Ele exclamou, se abaixando para ver como ela estava.

“Wodahs, não se preocupe! Siralos não pode ter matado ela! Ele não pode tirar vidas!” Etihw gritou, enquanto observava a cena.

Wodahs levantou a cabeça, atento. Olhou para a deusa, e uma lágrima saiu de seu olho. Ele precisava se desculpar pelo que tinha feito, por ter abandonado ela, por ter se juntado a Siralos. Mas ainda estava prestando mais atenção em Grora.

“O quê? Não! Como você soube?” Siralos gritou.

“Como você sabe? Isso é verdade?” Wodahs perguntou, enquanto virava Grora para ver se o coração dela ainda batia. Quando viu que ela ainda estava viva, ficou aliviado. “É verdade! Ela está viva!”

Siralos sentiu um pouco de raiva, mas aquilo não o atrapalharia mais. O feitiço tinha sido lançado e Ivlis logo seria morto.

“Kcalb, Etihw, me desculpem. Por tudo, tudo que eu fiz, Siralos estava me controlando.” Ele aproveitou o momento para pedir desculpas. Enquanto falava, abraçava Grora, desacordada, ajoelhado no chão.

“Não é culpa sua, nós entendemos!” Etihw disse.

E, enquanto eles tinham aquela rápida conversa, Siralos começou a sentir uma sensação diferente. Algo que o deixou muito entusiasmado e feliz.

“Está acontecendo! Está finalmente acontecendo!” Ele disse, sorrindo. “Eu já consigo sentir isso novamente! Esse desejo, essa capacidade de matar! Agora, a questão é quem vai ser o primeiro. A deusa, a fraca deusa, tão fácil de manipular... Não, você foi bastante útil para mim. Em compensação, vou te dar o prêmio de ver seu inimigo morrer. O diabo que ‘voltou à vida’. Sim, você será o primeiro.”

Ele se preparou para lançar todos os raios em Kcalb.

“Não há nada mais me segurando, chegou o fim para você!” O deus disse, sorrindo. E, após um estalar de dedos, os raios começaram a se movimentar.

Etihw não teve escolha, então apenas pensou rápido. Esticou seu braço e segurou a mão de Kcalb, no exato momento em que os raios iam tocá-lo.

E então, em um feixe de luz e escuridão, dois diamantes apareceram flutuando, em frente a Kcalb: um branco e um preto. Quando eles apareceram, tanto Etihw quanto Kcalb sentiram uma grande força, que desapareceu quando os raios colidiram com os dois objetos e eles foram destruídos.

Tanto a deusa quanto o diabo se surpreenderam com o que tinha acontecido. Eles tinham criado novos diamantes, novas fontes de poder, iguais às que existiam antes nas torres mais altas de cada um dos castelos.

Nesse momento de intervalo antes de Siralos invocar mais raios, eles pegaram suas duas armas e as transformaram em revólveres. E então, começaram a atirar no deus, que desviava de cada bala.

Então, eles se deram as mãos novamente, fazendo aparecer mais dois diamantes, um branco e um preto, novamente. E, assim, sentiram suas forças muito maiores.

Etihw começou a falar palavras que serviam como magias de ataque. Vários jatos de luz saíam de sua mão, indo em direção a Siralos para destruí-lo. Kcalb começou a fazer a mesma coisa, e aproveitou para acertar o guarda que segurava Chelan, o que fez ele cair da janela.

A anjo também entrou na luta, preparada para qualquer coisa.

E, nesse momento, uma pessoa entrou pela porta. Chelan ficou muito feliz de ver ela. Dialo entrava lá para participar da batalha.

Ela correu até Chelan e a abraçou.

“Nunca mais me deixe preocupada assim!” A demônio disse.

Chelan sorriu para ela:

“Eu disse que ia sobreviver!”

Dialo pensou se devia beijar a amiga novamente ou não... Ela estava um pouco tímida...

Mas, então, beijou-a. O mundo em volta parecia desaparecer. Siralos não parecia mais existir. A guerra não existia, o mundo não existia. Não havia som. A única coisa que parecia real ali eram as duas. Depois de alguns segundos, elas se afastaram.

Então, Siralos jogou um raio na anjo, que atravessou a cabeça dela, fazendo com que sangue se espalhasse para todo lado. Ela caiu deitada, agora sem vida.

Dialo olhou para a cena sem querer acreditar naquilo. Era horrível.

“O quê? Não, não, não! O que eu fiz? Se eu não tivesse perdido tempo beijando ela... Ah, isso é tudo culpa minha!” Dialo pensou, preocupada, começando a chorar.

E então, tudo se apagou. E se acendeu novamente. Ela estava em outro lugar. Um lugar que parecia simplesmente... O vazio. Ela estava ajoelhada na profunda escuridão, no exato meio da não existência. Tudo em volta era sem cor, sem iluminação. Até que apareceu algo brilhante, escrito em sua frente.

Grandes letras diziam “Final ruim – O Beijo”.

“O quê?” Dialo pensou, assustada. Ela não estava mais entendendo nada.

Duas opções apareceram em sua frente, uma escrito “Continuar” e outra escrito “Sair”. Dialo apertou na opção para continuar, e então estava novamente chegando à sala onde Siralos batalhava com Etihw, Kcalb e Chelan. Ela parecia ter voltado no tempo.

“O que acabou de acontecer?” Dialo disse, surpresa. Ela não entendia mais nada. Imaginou que talvez aquilo fosse o universo dando mais uma chance a ela. Então, correu até Chelan, novamente.

“Chelan, o que foi aquilo? Nunca mais me deixe preocupada assim!” Dialo disse, referindo-se ao que tinha acabado de acontecer. A demônio a abraçou.

Chelan sorriu para ela:

“Eu disse que ia sobreviver!”

A anjo não parecia ter nenhuma lembrança do que Dialo vira.

Desta vez, Dialo percebeu que não poderia cometer o mesmo erro. Não beijou Chelan.

“Certo, agora vamos derrotar Siralos, porque se você morrer, eu juro que volto no tempo pra te salvar!” Dialo disse, sorrindo. E então, as duas começaram a lutar contra Siralos.

Enquanto isso, Grora acordava após o golpe que levara de Siralos, que a tinha ferido muito. Ela sentiu dor em todos os seus músculos, mas, com um pouco de esforço, conseguiu levantar as costas e se sentar. Wodahs estava ao seu lado, e pareceu surpreso quando viu ela acordando.

“Cabeça de Anjo, você está de volta!” Ela disse. Ela tinha reparado que agora ele não estava mais com as asas negras, mas sim com as asas de anjo normais, e percebeu que ele não estava mais sendo manipulado por Siralos.

Wodahs olhou para ela e não conseguiu evitar dar um sorriso.

“Grora?” Ele disse, vendo a amada.

“Seu idiota, por que demorou tanto tempo assim para voltar ao normal?” Ela disse, dando um tapa na cara do anjo.

“Me desculpe... Eu não queria fazer essas coisas. Bom, pelo menos agora estamos combinando... O tapa-olho...” Ele disse, com a voz um pouco rouca. “E... Obrigado por me curar.”

Grora pareceu não entender o que ele dissera.

“Te curar? Da maldição? Mas o que eu fiz?”

“Você estava pronta para morrer apenas para me salvar, para me ver voltar ao normal. Foi uma enorme prova de amor, e isso me fez voltar ao normal.” Ele explicou, se levantando.

Agora, ele e Grora estavam de frente um para o outro. E então, finalmente, os dois fecharam os olhos e se beijaram. Uma lágrima de felicidade saiu do olho de Grora. Mas, logo depois, eles se afastaram. Siralos ainda estava ali e eles não podiam se distrair.

“Vamos acabar logo com isso.”

“Sim, é agora ou nunca... Cabeça de Anjo.”

Eles avançaram para derrotar Siralos.

Enquanto todos cercavam-no, Wodahs correu até Etihw e chamou-a num canto. Eles começaram a conversar.

Wodahs contou sobre o seu plano, de acordo com algo que lembrara, e Etihw concordou que era um plano genial. Rapidamente, combinaram tudo e se prepararam para realiza-lo.

Os dois voltaram para a batalha e continuaram lutando. Em um certo momento, Etihw correu até Kcalb e explicou a ele as coisas básicas do plano. Ele agora também estava pronto. Eles deram as mãos e se concentraram para fazer o primeiro passo do plano, enquanto Siralos se concentrava em Grora e Wodahs. Mais dois diamantes, um branco e um preto, surgiram. Esses eram falsos, apenas cópias. Eles voaram e ficaram flutuando no lugar onde estavam os originais. Enquanto isso, os originais voaram para fora da sala e ficaram na entrada. Isso deu o exato tempo antes de Siralos se virar para eles, para alívio da deusa e do diabo.

A batalha continuou, e Siralos estava começando a perder, quando Etihw usou sua arma para refletir o ataque dele em seu diamante falso.

“Sua idiota! Acabou de destruir sua própria defesa!”

Etihw fingiu uma expressão de desapontamento e tristeza, e então, se preparou para correr. Ela correu e pulou a janela, usando sua magia para criar as asas de borboleta e voar.

“Não! Volte aqui, sua covarde!” Siralos gritou. Todos olharam para Etihw, se distraindo. E então, Siralos aproveitou o momento para destruir também o falso diamante de Kcalb.

“Etihw, volte aqui! Precisamos de mais defesa!” O diabo gritou, mas como a deusa não parecia voltar, ele correu atrás dela, invocando asas de demônio e voando também.

Wodahs disse no ouvido de Grora para ela voar atrás do diabo e da deusa para alcança-los, enquanto ele dava as outras instruções para Chelan e Dialo.

Enquanto Grora ia até a janela, desviando dos ataques de Siralos, Wodahs correu até Chelan e Dialo e disse: “Encontrem algum jeito de fazer uma explosão, ou algo do tipo, certo? Não venham atrás da gente!”

As duas assentiram, e Wodahs também voou pela janela. E então, Siralos foi atrás dele, mordendo a isca. O deus deixou a anjo e a demônio para trás e começou a voar atrás dos quatro que tinham fugido. E quando ele saiu daquele lugar, viu Wodahs voando até o Castelo Black.

O deus do sol começou a voar atrás dele, e Wodahs guiou-o até a floresta atrás do Castelo Black. Lá estavam Grora, Etihw e Kcalb, do lado da entrada de uma caverna, escondida pelas árvores.

“Vocês não vão conseguir escapar desse ataque!” Siralos disse. Seus olhos começaram a brilhar, e um enorme raio saiu de sua mão, um raio potente para acabar com os quatro de uma vez.

Quando o ataque terminou, Wodahs e Grora tinham entrado na caverna, enquanto Etihw e Kcalb tinham recebido o ataque, mas ainda pareciam intactos.

“O quê? Como vocês sobreviveram a isso?” Siralos perguntou, surpreso.

“Da próxima vez que tentar destruir nossos diamantes, verifique se eles são os verdadeiros” Kcalb disse, sorrindo.

E então, os dois também entraram na caverna. Ela era grande o suficiente para eles poderem andar de pé. Eles correram enquanto Siralos ia atrás.

A deusa fez um feitiço de luz para poderem enxergar, e o diabo usou um feitiço para derrubar algumas pedras e impedir a passagem de Siralos por pelo menos alguns segundos.

A caverna era uma formação natural. Suas paredes eram de terra, com algumas pedras em alguns lugares. Avançaram um pouco e alcançaram Wodahs e Grora.

“Como vocês sabiam da existência desse lugar?” Kcalb perguntou, enquanto derrubava mais pedras pelo túnel, impedindo a passagem de Siralos.

“Eu e Wodahs descobrimos alguns anos atrás. Iríamos usá-lo para um ataque surpresa, pois ele conecta o Castelo Blanc ao Black, mas achamos melhor não continuar com a ideia quando ele começou a parecer desabar. E, desde então, ele esteve abandonado” Etihw explicou.

Kcalb se perguntou por que nunca soubera daquele lugar.

Eles continuaram correndo até chegarem em um lugar onde o caminho se dividia em dois. Etihw mostrou o correto e o grupo continuou prosseguindo. Passaram por mais encruzilhadas e finalmente chegaram ao outro lado, atrás do Castelo Blanc.

E quando saíram, ouviram o som de uma explosão. E o túnel desabou.

Notas finais
Edit: 29/10/2017 Editada um pouco a conversa entre Grora e Wodahs após Grora acordar.