The Gray War
19 Capítulo 19 - O feitiço
Notas iniciais
“O quê?” Etihw gritou. “Grora, o que você está fazendo aqui? Você é do nosso lado!”
A deusa não entendia mais nada. Por que Grora mudaria de lado do nada? A não ser que fosse mais um feitiço de Siralos.
A sala em que eles estavam eram muito grande, com apenas duas portas, uma por onde Etihw e os outros tinham entrado, e outra do lado oposto, onde Grora e Wodahs estavam. Mas era uma sala vazia, sem decoração, e a única coisa diferente era um painel com vários botões e alavancas do lado da porta onde estavam os dois anjos com tapa-olhos. O piso era todo branco e as paredes amarelas.
“Desculpe, Etihw, mas eu prefiro escolher o lado de Wodahs.” Grora respondeu.
“E vocês não poderão passar daqui!” Wodahs ordenou. “A não ser que nos derrotem primeiro!”
“O quê? Não, nós não vamos lutar com vocês! Sem chance!” Kcalb disse.
“Rendam-se ou lutem!” Grora disse.
“Não. Se for preciso, voltamos e encontramos outro caminho!” Etihw disse, já se virando para sair da sala.
“Bom, vocês não têm escolha.”
Wodahs chegou perto de onde estava o painel com os botões e apertou um amarelo. Do nada, onde estava a porta por onde tinham entrado, subiu do chão uma parede de metal que impediu a saída. Etihw se afastou e virou-se para Wodahs e Grora, confusa.
Grora avançou em direção a Macarona, enquanto Wodahs continuava do lado do painel. Macarona desviou de um ataque e tentou acertar Grora com sua espada, mas ela também desviou e derrubou a anjo.
Kcalb correu em direção a Alela, mas antes que pudesse alcança-la, Wodahs apertou outro botão, que fez uma barreira se levantar do chão, impedindo que o diabo passasse.
Então, Grora voou por cima da barreira e chegou por cima de Kcalb, chutando sua cara. Ele ficou atordoado por alguns segundos, mas rapidamente pegou o colar de diamantes brancos de Etihw e transformou-o em uma lança. Então, avançou para Grora, mas ela chegou para o lado e recebeu apenas um pequeno corte no braço.
Etihw vinha atrás para ajudar, enquanto Dialo, Chelan e Rawberry iam em direção a Wodahs.
O anjo apertou mais um botão que fez uma das paredes se abrir, e então entraram dez robôs prontos para destruir seus inimigos.
As máquinas tinham formatos de humanos, e seus movimentos de ataque eram muito bons. Eles seguravam espadas que pareciam ser bem fortes. Eram todos cinzas, de metal, e não eram muito detalhados. Por exemplo, não tinham olhos, boca e cabelo.
Dialo, Chelan e Rawberry começaram a lutar com alguns robôs, enquanto Grora desviava de ataques de Kcalb e Etihw. Então, um dos robôs atacou Etihw por trás, com sua espada, e então a deusa se concentrou em destruí-lo antes de continuar lutando com Grora.
Macarona, que estava do outro lado da barreira, voou por cima e foi em direção a um dos robôs e cortou sua cabeça com a espada, fazendo-o desativar. Ela aproveitou e tirou a espada da mão dele, agora tendo duas armas.
Chelan também conseguiu destruir uma das máquinas, mas outra a segurou por trás, fazendo-a derrubar sua espada. Ela tentou sair dos braços do robô, mas ele a segurava firme, impossibilitando-a de fazer algo.
Dialo lutava contra mais dois desses inimigos e sem muito problema derrubou um em cima do outro, acabando com eles. Ainda restavam seis.
“Acho que vocês deviam ter feito robôs mais potentes!” Rawberry disse, confiante, enquanto derrubava um com seu Pégaso, que acabava sendo desativado também.
Etihw lutava com dois robôs, Macarona lutava com um, Dialo tentava acabar com o que estava segurando Chelan e Rawberry tentava destruir o quinto. Enquanto isso, Kcalb continuava sua luta com Grora.
Com sua lança, tentou pará-la, mas ela conseguia desviar de todos os ataques. A garota, então, tentou derrubar Kcalb no chão, mas ele foi mais rápido e esquivou. A batalha continuou e o diabo transformou sua lança em uma espada.
Agora estava uma batalha de espada contra espada. A anjo tentou atacar o diabo, que bloqueou o ataque. Então, ele tentou ataca-la, mas também não conseguiu.
Uma série de movimentos foi feita, com todos sendo bloqueados antes de ferir alguém. A primeira a conseguir realmente fazer um ataque foi Grora, que acertou o braço esquerdo de Kcalb. Aquilo não o atrapalhou muito, e eles continuaram lutando.
Então, Alela conseguiu desferir outro golpe, agora no braço direito, que era o que Kcalb segurava a espada. Esse golpe fez um corte maior do que o do braço esquerdo. Ele tentou continuar lutando, mas ela o fez derrubar a espada. Ele correu para pegá-la, mas o piso onde ela estava se levantou, impedindo que ele a alcançasse.
Ele olhou para o lado e viu que Wodahs, por mais que agora estivesse lutando contra Dialo, continuava a apertar botões que controlavam várias coisas na sala.
O diabo, agora sem arma, começou a só desviar dos ataques. O que precisava agora era agilidade e astúcia. Então, com um chute, ele derrubou a espada de Grora, e quase se desequilibrou. Enquanto ela ia pegar a espada de volta, o diabo conseguiu dar um pulo bem alto e alcançar novamente sua arma.
E então, a batalha continuou, até que Kcalb derrubou novamente a espada da anjo, e antes que ela pudesse pegá-la dessa vez, ele encostou a própria espada na garganta dela.
“Acho melhor não se mover agora.” O diabo disse, sorrindo. Grora, por mais que não pudesse fazer nada, deu um sorriso.
O chão em baixo de Kcalb estremeceu, fazendo-o cair. Wodahs apertara outro botão. Grora correu até onde sua espada estava, e quando ia tocá-la...
Um dos robôs caiu em cima dela. Etihw, que lutava com ele, jogou-o em cima da anjo, que caiu desacordada.
Wodahs agora estava realmente com raiva. Só restavam três robôs.
“Wodahs, Siralos precisa de você agora!” Alguém gritou de fora da sala. E então, Igls Unth entrou pela porta e se deparou com a cena da batalha. “O que está acontecendo aqui? O que é que vocês estão fazendo? Como passaram por todos os guardas?”
“Eu acho que Siralos devia contratar alguns outros guardas... Aqueles lá não são muito bons não” Etihw disse, sorrindo.
“Wodahs, vá lá agora, Siralos precisa de você, é urgente. Eu acabo com os nossos inimigos” Igls disse.
Wodahs então saiu pela porta, e agora era Igls quem iria controlar o painel. Ela sorriu, subestimando seus adversários, enquanto levantava o braço para conjurar um feitiço. Um tipo de raio de sol apareceu em sua mão, que ela mirou em Kcalb e lançou em direção a ele.
Kcalb desviou e correu até Etihw.
“Nós precisamos impedir Wodahs de fazer o que é que ele tenha que fazer! E precisa ser agora!” Ele disse.
Etihw assentiu com a cabeça e correu até onde Macarona, Rawberry, Chelan e Dialo estavam, lutando contra os robôs restantes. Até chegar lá, precisou desviar de alguns dos ataques de Igls e de algumas das paredes que se levantavam do chão, tentando impedí-la.
“Ei, vocês podem segurar Igls aqui enquanto eu e Kcalb seguimos Wodahs?” Ela disse, rapidamente.
“Claro!” Dialo disse.
As quatro continuaram lutando. Quando Igls percebeu que a deusa e o diabo iriam passar correndo enquanto as outras ficavam segurando, ela apertou um botão vermelho com um aviso de perigo.
“Vocês sabem para que serve esse botão? É para acabar de vez com quem quer que esteja aqui!” Ela disse. Então, as paredes, o chão e o teto começaram a se fechar para o meio da sala, tornando-a menor. Não levaria muito para que eles fossem esmagados. Igls já estava se preparando para correr até Grora, desmaiada, e sair da sala em seguida, mas Macarona não ia deixar aquilo acabar daquele jeito.
Ela se concentrou totalmente, fechou os olhos, e quando abriu-os novamente, estava do lado do painel com os botões. Ela tinha se teletransportado para lá. Com o cabo da espada e usando sua maior força, atingiu o painel em seu centro. Ela fez um buraco, e algumas das luzes se apagaram. As paredes pararam e quando ela testou apertar os botões, eles não funcionaram.
Igls agora estava impressionada, mas assustada.
“O quê?” Ela gritou. “Como?”
“Agora somos nós duas!” Macarona disse, enquanto lutava com a anjo do sol.
Etihw e Kcalb aproveitaram aquele exato momento e saíram pela porta, prontos para seguir Wodahs.
E então, Chelan percebeu algo no chão. Era um colar... de diamantes negros.
“É a arma que Etihw estava usando! Eu preciso levar para ela!” A anjo disse para Dialo, enquanto se agachava para pegar o objeto.
“O quê? Não, por favor, é muito perigoso!” Dialo disse.
“Eu vou sobreviver, prometo! Mas ela precisa disso! Além disso, com essa arma, ela poderá me proteger” Chelan disse.
“Não, por favor! Eu não quero te perder! Chelan... Eu te amo!” Dialo disse, agora gritando.
Chelan se aproximou da amiga e a beijou na boca. Seu coração bateu forte e ela teve um sensação que nunca tinha sentido antes, e imaginou se Dialo sentia o mesmo. Depois que beijo acabou, Chelan olhou para a demônio, sorrindo. Ela estava com uma expressão de surpresa, mas feliz. Depois que perceberam que já estavam há muito tempo olhando uma para a outra, a anjo disse:
“Eu também te amo. E é por isso que eu preciso entregar esse colar! Precisamos que Etihw vença, e só assim poderei te proteger! Eu voltarei para você, prometo.”
E então, ela acenou e saiu correndo em direção à saída, passando por Macarona, que estava em vantagem na luta contra Igls, e atravessou a porta.
Quando saiu, viu um corredor. Ela começou a andar por ele e não demorou muito até chegar numa escada em espiral. Então, se apressou e começou a subir. Depois de alguns segundos, chegou ao topo e viu uma porta. Ela esperava estar indo pelo caminho certo. Abriu-a e viu Etihw e Kcalb.
Demorou um pouco para ela assimilar tudo que estava acontecendo. Etihw e Kcalb estavam poucos passos à frente da porta, Kcalb segurando uma espada branca. A sala era bem grande. Atrás de uma mesa, na parede oposta à da porta, estava Siralos, seus grandes cabelos beges caindo sobre os ombros, e sua capa brilhando.
Em uma das paredes, estava Ivlis, ajoelhado e amarrado, do lado de dois guardas anjos, totalmente sérios. O diabo estava com uma expressão de raiva, olhando para Siralos.
E, atrás da mesa, um pouco ao lado de Siralos, estava Wodahs, com as mãos nas costas. Em sua frente, estava um livro aberto, e Chelan não conseguiu imaginar o que estava escrito lá.
A sala tinha algumas estantes de livros como decoração, feitas de madeira, e duas janelas em cada parede, exceto a da porta.
Siralos provavelmente estava tendo uma conversa com Etihw e Kcalb. Algo do tipo “vocês realmente são mais fortes do que eu esperava”, “como você está vivo?”, “vocês chegaram aqui, mas esse é o final de sua jornada!”, Chelan imaginou. Algo bem clichê de vilões.
Ao ouvir o barulho da porta, Etihw olhou para trás, e vendo Chelan, disse:
“Chelan, o que está fazendo aqui?”
“Etihw, você esqueceu o seu colar! Aqui, eu trouxe para você!” Disse Chelan, enquanto pegava o acessório de um bolso e entregava à deusa.
Siralos olhou a nova pessoa que acabava de entrar na sala. A anjo chamou uma especial atenção ao deus.
“Espera, você não era muda?” Ele disse, tentando entender.
Chelan se estranhou com a pergunta. Ela não imaginava que ele perguntaria isso, ainda mais porque ela não fazia ideia de que o deus sabia que ela era muda até pouco tempo atrás.
“Eu... Eu... Espera, como você sabe que eu era muda?” Ela disse, andando e ficando na frente de Etihw e Kcalb.
Siralos ficou irritado com a pergunta. Parecia que ele não podia responder.
E então, milhares de pensamentos vieram à tona. Suas horas de estudo de magia na biblioteca, depois que Dialo se mudara para o castelo dos anjos, vieram à sua mente e tudo fez sentido para ela.
“Espera... Eu era muda. Até você invadir o Gray Garden e trazer o sol para cá.” Ela começou a explicar. “E trazer o sol para cá... Eu mal consigo imginar o quão complicado isso deve ter sido. Foi um feitiço muito grande, com certeza. E quando você faz um feitiço assim, muitos dos outros feitiços que você fez antes apenas desaparecem, são anulados. Feitiços, maldições, como paralisar alguém, deixar alguém cego... Deixar alguém mudo.”
Chelan tinha entendido finalmente por que ela era muda. Não era algo de nascença, era um feitiço.
“Você, Siralos, me fez ficar muda, não é? Enquanto eu ainda era uma criança... E quando tentou trazer o sol para cá, o feitiço foi anulado, me permitindo falar. Mas por quê?”
Pela cara de desgosto do deus, ela percebeu que seu pensamento estava certo.
“Pelo jeito você sabe muito sobre magia, anjinh...” Siralos foi dizer, quando foi interrompido.
Chelan tinha corrido até o outro lado da sala, subido na mesa que estava na frente de Siralos, e agora estava segurando-o pela capa, enquanto o outro braço estava levantado, com o punho fechado, pronto para um soco.
“Eu perguntei por quê.”
Wodahs tentou impedir a anjo, mas sem nem olhar para o lado, ela o chutou, afastando-o.
“Me responda, ou conheça o Soco da Chelan.”
Chelan sentia real raiva. Ela nunca imaginara que tinha sido atingida daquele jeito por alguém que ela não conhecera até poucos dias atrás.
“Certo, certo” Siralos disse, nervoso. “Eu vi na visão do futuro, Etihw e Kcalb estavam quase se destruindo, até que você interferia a luta e dizia palavras motivadoras, fazendo com que eles fizessem as pazes! E então eu pensei que você fosse ser um dos meus obstáculos para ter o plano concluído, então o jeito mais fácil de te impedir foi colocando um feitiço de mudez quando você ainda era um pequeno bebê!”
Chelan ficou com muita raiva. Quem Siralos pensava que era? Mesmo depois da explicação, ela ainda deu o soco. E depois, chutou o deus e tentou ferí-lo o máximo possível, até um dos guardas vir e segurá-la pelo braço, e depois leva-la até o lado de Ivlis.
“Já perdemos tempo demais! Guardas, levem Ivlis até o portal, imediatamente!” Siralos ordenou, gritando.
Então, um dos guardas pegou um apito e soprou nele, fazendo um barulho muito alto, que deu para ouvir do castelo todo. Era um sinal. Então, vários anjos foram vistos das janelas, voando. Pelo jeito, estavam indo até o Castelo Blanc para pegar os demônios aprisionados e leva-los até o portal do Mundo do Sol.
O guarda que assoprara o apito agarrou Ivlis e saiu pela janela, voando e levando o diabo com ele. Depois de ele sair, Siralos ficou observando pela janela, olhando atentamente para os dois.
Etihw e Kcalb esperavam o momento certo para atacar. Quando Siralos viu Ivlis ser jogado no portal e levado para o Mundo do Sol, deu o aviso para Wodahs, sorrindo:
“Wodahs, está na hora de fazer o feitiço.”
Nem Etihw, nem Kcalb sabiam ao certo o que o feitiço faria, mas aquilo certamente mataria Ivlis, quebrando a maldição e permitindo que Siralos tirasse vidas novamente.
Wodahs olhou para o livro aberto e começou a recitar algumas palavras.
“Não! Wodahs, pare!” Etihw disse. Porém, o anjo continuava olhando fixamente para o livro.
E esse foi o momento em que a deusa e o diabo correram em sincronia, os dois com os colares transformados em espada. Eles correram em direção ao anjo, ainda parado. Siralos quis impedi-los, então conjurou alguns raios.
Porém, os dois conseguiram desviar. Quando viu isso, o deus correu e apareceu em frente a eles. E então, conjurou vários raios, pronto para definitivamente acabar com eles.
Não foi possível desviar, e Kcalb e Etihw foram atingidos por alguns dos raios, mas nada que fosse realmente um problema. Eles continuaram avançando, e chegaram até o deus, atacando-o e desviando de ataques.
Enquanto isso, Wodahs ainda estava recitando o feitiço. Siralos, quando viu que estava bem no final, sorriu. E antes da última palavra... Wodahs ficou quieto.
“Por que parou?” Siralos disse, bravo.
“Eu... Eu não consigo dizer essa palavra. Eu simplesmente... Senti algo me impedindo” disse o anjo, agora olhando para o deus.
“Não! Droga, a manipulação! Você está sob meu domínio, então também não pode tirar vidas... Então você terá que fazer isso por conta própria...” Siralos disse, bem baixo, para que ninguém pudesse ouvir.
Ele olhou em volta, tentando encontrar uma solução, mas não foi muito fácil. Aquele era um furo enorme em seu plano, e ele precisava pensar rápido. E então, um grande sorriso abriu em seu rosto quando viu a solução para seu problema entrando pela porta daquela sala. Uma anjo vinha correndo, após subir as escadas.
Era Alela Grora, segurando sua espada de pedras brancas. Ela não estava mais sob o feitiço de manipulação de Siralos, afinal o feitiço dela era menor do que o de Wodahs, e o simples fato de ela ter desmaiado já fez ela voltar ao normal. A primeira coisa que ela fez ao entrar na sala foi correr até onde Wodahs estava, para ver se ele estava bem. E era exatamente isso que Siralos queria.
Quando amanhecer, ele irá esquecer.
“Wodahs, não faça o feitiço!” Ela gritou, chegando perto do anjo. “Eu já estava ouvindo vocês aqui, conversando, enquanto subia as escadas. Você não pode fazer isso! Por favor, me escute!”
As palavras reais o despertarão.
“Eu não consigo fazer o feitiço. Algo está me impedindo” Wodahs disse, seriamente, sem olhar diretamente nos olhos de Grora.
“Wodahs, tente novamente. Fale o feitiço” Siralos ordenou, e a ordem logo foi seguida pelo anjo.
Então, Siralos fez um movimente com as mãos e duas correntes douradas e brilhantes surgiram do chão. Elas se levantaram e prenderam os braços de Grora, que ficou impossibilitada de sair do lugar ou fazer movimentos com a mão. Enquanto isso, Wodahs ainda falava o feitiço.
E quando ele acordar, não será em vão.
Etihw e Kcalb continuaram lutando contra o deus do sol. Eles sabiam que Wodahs não tinha conseguido o feitiço da primeira vez, mas se Siralos o tinha mandado falá-lo novamente, era porque ele imaginava que daria certo.
Os olhos, antes limpos, serão encobertos pela escuridão.
Wodahs parecia estar chegando perto do final do feitiço. E, nesse momento, o deus do sol fez algo inesperado.
Ele se preparou para lançar um raio muito poderoso em Wodahs, que estava totalmente focado no livro e não viu o que estava para acontecer. Grora olhou aquilo, assustada. Ela não podia deixar Wodahs morrer, não assim, sem nem se lembrar de quem era. Precisava fazer algo. Na verdade, Alela nem entendia o porquê de o deus estar fazendo aquilo, mas precisava fazer algo. Movimentou os braços, tentando quebrar as correntes de alguma maneira.
E então, Siralos lançou o raio em direção a Wodahs. Grora sentiu as correntes em seus pulsos desaparecerem nesse instante, e, como um impulso de seu corpo, ela pulou em frente ao raio, sendo atingida totalmente por ele, levando um choque enorme e caindo no chão, ajoelhada. E, depois de alguns segundos, o peso de seu corpo fez com que ela caísse de cara no chão.
E só o amor destruirá a maldição.
Grora fizera aquilo apenas para salvar Wodahs. Desde a primeira coisa que fizera, desde que simplesmente evitara lutar contra ele, a maldição de manipulação, criada há muitos anos, no início da guerra do Gray Garden, tinha começado a ser quebrada. E agora, com uma prova final de amor, ela tinha sido completamente quebrada. As asas de Wodahs, rapidamente, passaram a ser brancas novamente. Seu olho que ainda restava não tinha mais uma névoa escura em volta. Ele podia pensar claramente agora, e se lembrava de quem era, tendo novamente a capacidade de sentir amor, compaixão, e outros sentimentos bons.
O problema é que só faltava uma última palavra, no fim da página. A última palavra do feitiço.
E por mais que Wodahs não estivesse mais com a manipulação do deus, por impulso, ele leu a essa palavra. E o feitiço foi lançado.
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