The Gray War

18 Capítulo 18 - No Castelo Black


Notas iniciais
Eu realmente não tenho palavras pra me desculpar por ter demorado tanto. Bom, obrigado pela paciência, se você ainda lê a fanfic. Eu quero agradecer muito à Llobynna pelos comentários! Olha, eu tenho o resto da história todo planejado e eu vou fazer de tudo pra postar o mais breve o possível. Espero que gostem do capítulo!

Froze acordou em um chão frio de pedra. Ela levantou a cabeça e começou a olhar ao redor. Ela estava em uma cela com uma porta de metal e uma janela pequena em um canto. Yosafire estava lá também.

Rapidamente, se preparou para pegar sua arma, mas percebeu que não estava com ela.

“Yosafire, onde nós estamos?” Froze perguntou, chamando a atenção da amiga.

Yosafire, ao ouvir a voz da anjo, virou-se para ela e disse:

“Froze, você acordou!” Ela exclamou. “Bom... Estamos em uma cela no castelo do Siralos... Eu olhei pela janela e parece que estamos em um lugar alto.”

“O quê? Como a gente chegou aqui?” Perguntou Froze, assustada.

“A gente enfrentou aquela anjo, e quando íamos sair da prisão onde estavam os demônios de Siralos, aqueles dois anjos nos capturaram e nos trouxeram para cá. Aí eu estava dormindo, e você não vai acreditar no que eu vi!” Yosafire explicou.

Froze parecia interessada no que a demônio dizia.

“Eu vi uma lembrança de alguns anos atrás no Gray Garden! Foi de um dia em que os anjos e demônios fizeram as pazes!”

“Como assim? Isso nunca aconteceu!” Froze disse, intrigada.

Yosafire contou sobre a visão que tivera enquanto dormia. Quando ela terminou de contar, Froze ligou os pontos.

“Isso faz todo o sentido! Siralos jogou uma maldição que impedia portais para o Gray Garden por cinco anos, certo? Isso foi logo depois de ele ter capturado sua mãe, que provavelmente foi o último contato dele com esse mundo antes disso. E então, ele ficou por 5 anos sem poder vir para cá... Ou seja, até o inverno do ano passado. Por isso o plano dele só continuou a ser executado mais recentemente!” Froze explicou.

“Então, se isso não tivesse acontecido, o nosso mundo já teria sido tomado há muito tempo!” Yosafire disse, entendendo.

As duas começaram a discutir teorias e tentaram se lembrar de todas as histórias, e tudo cada vez fazia mais sentido. Elas ficaram algum tempo lá, discutindo as possibilidades.

“Mas uma coisa me intriga, Yosafire...” Froze disse. “É que o Siralos parece tão poderoso. Por que ele não podia simplesmente nos matar quando chegasse aqui? Por que ele não podia simplesmente montar uma armadilha que nos matasse quando fôssemos teleportados para o mundo dele?”

“Eu... eu não sei...” Yosafire disse. Ela realmente não tinha nenhuma ideia. Siralos não parecia tão piedoso assim.

Nesse momento, ouviram passos de alguém andando em direção à cela. Depois de alguns segundos, apareceu Igls Unth, mostrando sua cara pelas grades da porta de metal.

“Meus parabéns! Cela especial!” Ela disse, debochando.

Yosafire sentiu raiva quando viu a pessoa.

“Cela especial?” Ela perguntou.

“É, uma cela especial! Não podemos correr o risco de vocês serem libertadas. Temos vários guardas impedindo todas as entradas que trazem até aqui. Foi uma grande surpresa saber que tinham alguns de vocês aqui no nosso mundo.” Yosafire ficou com raiva quando ouviu a Igls dizer nosso mundo. “Não esperávamos por isso. Porém, já impedimos quatro de vocês. De qualquer jeito, Siralos vai adiantar o plano. A única coisa que faltava era alguém trazer você para cá.” Disse ela, apontando para Yosafire. “Mas já que você está aqui, está tudo pronto.”

Froze ficou assustada. Quatro já tinham sido capturados, então ainda só sobravam mais quatro pessoas para salvá-los.

“Você... Uh... Vocês nunca vão nos derrotar! Etihw e Kcalb vão acabar com vocês!” Froze disse.

Igls soltou uma risada, e então disse:

“Querida... Eu não sei se eu deveria dizer isso, mas... Kcalb está morto!” Ela deu um sorriso e começou a andar para longe, até desaparecer da vista de Yosafire e Froze.

“Kcalb? Morto?” Yosafire disse, preocupada. Froze também estava preocupada. “Como assim? Não... Só pode ser mentira... Ela só pode estar blefando! Kcalb não morreria fácil assim!”

“Calma, Yosafire...” Disse Froze, consolando-a. “Kcalb não é fraco, eu tenho certeza que ele está vivo.”

Yosafire estava pensando. Então criou coragem pra falar algo para Froze. Algo que ela sempre queria ter falado.

“Froze... É...” Yosafire chamou a amiga.

Froze olhou nos olhos da demônio. Yosafire imaginou que estava corando, mas continuou falando.

“Bom... Antes daquele dia... Antes de a gente se perder na floresta por causa da tempestade... Quer dizer...” Ela percebeu que estava hesitando muito.

Olhou para o rosto de Froze e pensou:

“Vamos lá, você precisa dizer isso!”

Respirou fundo e começou a falar:

“Na noite anterior eu estava em meu quarto, olhando para as estrelas. Eu não aguentava mais a guerra, eu não aguentava mais lutar. Estava tudo um lixo! Então eu meio que desejei algo diferente para as estrelas, tipo uma amiga que me entendesse. Eu tinha no máximo a Rawberry, mas ela sempre falava mais com a irmã e me deixava de lado. Eu queria alguém novo. Eu olhei para as estrelas pensando nisso, mas sem muitas esperanças.

No outro dia, quando amanheceu, estava nublado. Eu imaginei que fosse apenas o mundo se virando contra mim, então já perdi as esperanças de que algo acontecesse. Ia ser apenas um dia normal.

Então, começou a chover, e a chuva nos levou para aquela floresta, junto com Macarona e Rawberry. E nesse momento eu não queria mais te atacar. Eu achei que o universo estava colocando tudo a meu favor. Eu até imaginei que em um universo paralelo nós podíamos ter sido... amigas?”

Yosafire parou de falar um pouco e olhou para Froze. Será que tinha sido uma boa escolha falar aquilo?

“Eu só queria dizer que fico muito feliz de ter conhecido alguém como você. Você foi exatamente a pessoa que eu desejei, alguém novo, alguém diferente, mas alguém que me entendia e que não queria realmente lutar. Mas então o Siralos apareceu, aconteceu aquela briga, e talvez eu tenha errado, eu sei. E depois disso tudo você ainda me perdoou. Eu te amo, Froze.” Yosafire disse, sendo totalmente sincera.

Froze olhou para Yosafire e deu um pequeno sorriso. Depois virou para o lado e começou a falar, sorrindo.

“Eu fico realmente feliz em saber que você me considera tanto assim. Eu sempre fui meio esquentadinha, sabe? Eu tinha raiva da guerra e queria lutar e treinar pra acabar logo com tudo isso. Mas quando eu te conheci, surgiu outra alternativa: a paz. Eu me sentia meio idiota por ter começado a pensar assim. Agora eu vejo que idiota foi eu ter parado de pensar assim. Você me mostrou um novo mundo de possibilidades, Yosafire.”

Yosafire deu um grande sorriso e abraçou a amiga.

“E eu... Eu também te amo.” Froze completou, com um sorriso.

***

Etihw correu o mais rápido que podia em direção a onde Siralos, Grora, Wodahs e Kcalb estavam, enquanto eles desapareciam e eram teletransportados para outro lugar.

“Não!” A deusa gritou, quando percebeu que não chegara a tempo. “Macarona, você viu o que eu vi?”

A anjo chegava logo atrás da deusa, correndo.

“Não... Desculpa, eu não vi nada, acabei tropeçando no caminho.”

“Eu vi... sangue! E se... Será que.... O Kcalb...” Etihw começou a dizer, assustada, com o coração batendo rápido. Ela não queria terminar de dizer. “Macarona, eu acho que o Kcalb está... morto.”

Macarona fez uma expressão de susto quando ouviu isso.

“Não, não pode ser! Kcalb é forte, ele não poderia morrer tão fácil!”

“Mas... Ele estava sem o diamante, não tinha defesa alguma! Se ele estiver morto, acabaram todas as nossas chances de salvar nosso mundo. Seria mais fácil... Desistir.”

Etihw se ajoelhou no chão e começou a chorar. A esperança dentro dela estava morrendo.

“Não, Etihw. Você nem tem certeza sobre isso. E-ele com certeza está bem...” Macarona começou a dizer, hesitando. “Vamos nos encontrar com a Froze, a Yosafire, a Chelan e a Dialo... Vai dar tudo certo.”

Nesse momento, elas ouviram barulhos vindo das ruínas do castelo Blanc. Então, as duas correram para a floresta, se esconderam e ficaram observando. Logo depois, dois anjos levavam Yosafire e Froze, desmaiadas, para o castelo de Siralos.

“Elas foram capturadas!” Etihw disse.

“Vamos lá, nós precisamos encontrar a Dialo e a Chelan antes que aconteça alguma coisa com elas.” Macarona falou. Ela e Etihw começaram a correr em direção às ruínas do castelo Black. Chegaram lá, e, por sorte, estava tudo bem com Chelan e Dialo.

As duas contaram o que tinham visto e disseram que agora apenas as quatro teriam que fazer de tudo para acabar com Siralos.

“É melhor ficarmos aqui mesmo. Siralos já sabe que viemos para cá e provavelmente está mandando anjos para nos capturar. Vamos entrar no castelo e nos esconder.” Etihw disse.

As quatro entraram no Castelo Black e, Dialo, por ser a única demônio e por conhecer o castelo muito bem, guiou-as. Depois de andar por alguns corredores, encontraram uma sala com a porta impedida por pedras que caíram lá. Dialo então mostrou um buraco na parede que permitiria que elas passassem.

As quatro se agacharam e uma por uma entro na sala e pegou sua pequena mochila com suprimentos.

“Eu sinto uma sensação de magia nesse lugar... Talvez eu possa fazer algo.” Etihw disse. Ela fechou os olhos, se concentrou e fez fogo aparecer no chão, no centro da sala.

O fogo aqueceu o lugar e parecia não se espalhar. Era perfeito para ser usado como uma fogueira.

Depois de um tempo, viram pela janela que já estava escurecendo.

As quatro estavam quietas, pensando. Talvez podiam bolar um plano. Etihw ainda estava muito preocupada com Kcalb. Ela tinha medo de ele realmente ter morrido.

Passado alguns minutos, elas começaram a conversar e a discutir planos, mas nada parecia que ia funcionar.

Enquanto conversavam, ouviram um barulho de passos vindo de fora da sala. Todas se calaram e começaram a observar atentamente o buraco por onde tinham entrado. Então, viram que alguém estava tentando passar.

“Quem é você?” Etihw gritou.

A pessoa terminou de passar pela fenda e entrou na sala.

“Não precisa ter medo Etihw, eu não vou te machucar. Eu não quero fazer mal a vocês.”

Quando a pessoa foi iluminada pela luz da fogueira, Etihw percebeu que aquele era Ivlis.

“Ivlis? O que está fazendo aqui?” A deusa perguntou.

“Eu estou tentando achar um jeito de derrotar Siralos. E já que estão aqui, escondidas, suponho que também queiram derrota-lo. Então eu quero trégua para podermos nos ajudar.”

“E é claro que eu vou confiar em você, após você ter feito um acordo com Kcalb para me derrotar.” Disse Etihw, sarcasticamente.

“Isso foram tempos passados. Agora a guerra é outra. E você não pode negar que também faria um acordo com outro mundo para derrotar Kcalb.”

Etihw pensou naquilo. Era verdade. Os tempos eram outros agora.

“É... Sim.” Ela concordou com Ivlis. “Então, já que nossos interesses são os mesmos, acho que posso aceitar essa trégua. Mas lembre-se que estamos em número maior.”

“Eu não vou ataca-las. Prometo.” Ivlis disse, com as mãos abertas, mostrando que os dedos não estavam cruzados. “É... Posso me juntar a vocês?”

Etihw chegou para o lado e abriu um espaço em volta da fogueira, mas mesmo assim sem confiar muito.

Ivlis se sentou lá e cruzou as pernas. Ele achou melhor não pedir comida, pois poderia ser rude.

“Então... Vocês tem algum plano? Afinal, como chegaram aqui?” O diabo perguntou.

Etihw contou o que tinha acontecido no Reino do Sol e o que tinha visto desde que chegaram ao Gray Garden, tentando omitir algumas informações, pois ainda não confiava totalmente em Ivlis.

Enquanto isso, Macarona ofereceu um pouco de comida ao diabo, que aceitou dando um pequeno sorriso.

“...e eu não tenho certeza, mas acho que vi o Kcalb... sangrando” ela estava terminando de contar, mas quando chegou nessa parte hesitou um pouco. “Receio que ele esteja... morto.”

Etihw abaixou a cabeça quando disse isso.

“Morto? Não, impossível.” Ivlis disse.

“Como você sabe? Ele estava sem defesa, sem nada.”

“Siralos não poderia matar Kcalb. Tinha mais alguém junto?”

“Grora e Wodahs também estavam lá.” Etihw responde.

“Se ele foi morto, foi por Wodahs ou Grora. Algum deles teria feito isso?”

“Grora nunca teria o matado. E Wodahs, por mais que esteja enfeitiçado, provavelmente não faria isso com Kcalb.” Etihw disse.

“Então ele não está morto.” Ivlis afirmou.

“Por quê? Como você tem certeza que Siralos não pode ter matado ele?” Etihw perguntou.

“Foi uma das minhas maiores vigarices. Por minha causa, Siralos não pode tirar vidas.”

Etihw ficou realmente surpresa quando ouviu aquilo. Todos puderam ver pela expressão que ela fizera. As garotas que estavam junto também ficaram muito surpresas.

“Sério? Como assim?” Etihw disse, com voz alta, ansiosa.

“É uma longa história, mas eu acho que posso resumir” Ivlis disse, sério. Etihw olhava atentamente para ele. Agora que tinha ouvido aquilo, muita coisa fazia sentido em sua mente. Isso explicava porque Siralos hesitara tanto e não simplesmente matara todos desde o começo.

“Bom, tudo começou depois de Siralos me banir do Reino do Sol. Eu tinha questionado as ações dele, sobre todos sermos apenas escravos do Sol, pois dependíamos dele para viver. Meu castigo foi ser banido eternamente com os outros demônios para o subsolo do Mundo do Sol. Assim, eu criei o Flame World.

Desde o dia em que fui banido, o dia em que Siralos me atingiu com raios e me jogou em um buraco como se eu fosse lixo, eu busquei por vingança.

O Flame World não era um lugar muito agradável. Era quente, abafado e escuro. Sempre que penso naquele lugar eu imagino dor e sofrimento.

Enfim, para realizar minha vingança, eu comecei a procurar informações em livros de magia, e essas coisas. Comecei a explorar muito o lugar em busca de passagens para o mundo superior. Mas mesmo depois de muito tempo, não tive muito êxito.

Até que um dia, dois demônios me trouxeram um mapa que mostrava uma possível passagem para o mundo superior. Eu fui logo até o lugar para ter certeza, e, de fato, cheguei até um portal para a Cidade do Sol.

Naquele dia, eu fui disfarçado até a biblioteca da cidade, um lugar muito grande. Fui escondido e comecei a procurar livros de magia avançada. Aquele lugar tinha realmente muita informação.

Consegui roubar os melhores livros que achei. Entre eles estava o Livro Proibido da Magia, que estava escondido em baixo de uma tábua do chão de madeira.

Voltei para o Flame World e depois de muito tempo procurando, encontrei uma maldição que me ajudaria muito. Era uma maldição realmente muito difícil de ser feita. Se ela fosse usada em alguém, serviria como uma trava que impediria a pessoa de tirar vidas.”

“Então você usou ela no Siralos. Nossa, isso explica muita coisa!” Macarona exclamou. “É... Desculpa interromper, pode continuar.”

Ivlis continuou a contar:

“Bom, eu montei um exército de demônios, e depois de anos eu finalmente aprendi a realizar a maldição. Eu também precisei encontrar vários objetos difíceis de achar que eram usados para fazer magia.

Foi uma tarefa muito difícil, mas eu consegui. Mas, depois de todo esse tempo, já tínhamos encontrado uma passagem que levava para a Cidade do Sol por um lugar mais próximo de onde eu morava. Era na nossa prisão, e se conectava com a prisão do mundo de Siralos.

O exército começou a subir as escadas e passamos pelas dezenas de andares, até que chegamos até a saída.

Foi um ataque surpresa. Todos ficaram assustados e se esconderam em suas casas. Alguns fujiram para o mais longe o possível. Mas encontrei Siralos sozinho no meio do salão principal de seu palácio. Tivemos uma conversa sobre injustiças. Eu disse minha opinião, sem medo. ‘Você é um tolo. Nunca irá me derrotar.’ O deus dizia. Ele estava me subestimando, e errou ao fazer isso.

Quando fui jogar a maldição, ele foi mais rápido e fez correntes surgirem para me prender. Era o momento certo para ele me matar. Mas quando ele estava pronto para acabar comigo, eu percebi que não tinha feito todo aquele esforço para nada. Aquilo não podia acabar daquele jeito. Juntei todas as minhas forças e arranquei as correntes sozinho. Desviei a tempo quando um raio veio em minha direção.

E então, rapidamente, falei as palavras corretas para lançar a maldição. E enquanto Siralos se preparava para lançar outro raio, ele foi atingido por uma luz roxa que saía de minha mão.

A única coisa que aconteceu foi que ele parou de conjurar o raio. Ele tentou novamente, mas simplesmente não conseguia mirar a mão para mim.

‘O que você fez comigo?’ Ele perguntou, assustado. Então, liberou todas as suas forças e criou um buraco em meus pés, que me fez cair novamente no Flame World. Todo o meu exército também foi levado para lá. Todos os meus demônios ficaram chateados por terem sido derrotados assim, do nada. Mas eu estava feliz, porque pelo menos a maldição eu tinha lançado. Infelizmente, depois disso, Siralos destruiu a passagem entre os nossos mundos pela prisão.”

“Mas mesmo assim, se Siralos não podia matar ninguém, por que Igls e os outros anjos não poderiam fazer isso por ele?” Etihw perguntou, ao perceber que Ivlis terminara de contar a história.

“Como todos os anjos eram como escravos do Sol, eles também foram atingidos pela maldição. O único jeito de acabar com isso seria Siralos libertando-os, e ele nunca fez isso.”

“Então quer dizer que podemos passar por todos e não teremos perigo de sermos mortos?”

“Mortos vocês não podem ser, mas sim capturados. De qualquer jeito, isso talvez não dure muito. Siralos quer me matar, porque se ele fizer isso, a maldição acaba. Por isso ele montou todo esse plano, envolvendo até o seu mundo” Ivlis explicou.

“Então se ele te matar...” Dialo começou a dizer.

“...Siralos vence e tudo acaba.” Macarona completou.

“Então precisamos de um plano o mais rápido o possível!” Etihw disse. “Nós podemos invadir ao amanhecer...”

“Ao amanhecer? Não, melhor agora!” Ivlis disse, interrompendo a deusa.

“Agora? Mas está de noite, os monstros vão tentar nos atacar. É muito arriscado.” Etihw explicou.

“Mas é exatamente por isso. Os guardas de Siralos vão todos para dentro do castelo devido aos monstros aparecendo. Assim, fica mais difícil encontrar vocês. Se vão invadir, o momento é agora.”

Etihw pensou sobre aquilo.

“Certo.” Ela disse.

Então, os cinco começaram a discutir planos. Todos pensaram juntos, e, enfim, chegou a hora de realizar o que tinham planejado. Um a um, saíram pelo buraco na parede. Eles decidiram que Ivlis ficaria apenas vigiando, pois não podiam correr o risco de ele ser capturado por Siralos.

E, ao sair do Castelo Black, foram andando pela floresta, o mais escondidas o possível, para chegar até a entrada do Castelo de Siralos.

Naquele mesmo momento, Siralos estava em uma sala falando com Igls.

“Você tem certeza que não encontrou o Ivlis? Ele é a única coisa impedindo de o plano ser realizado! Precisamos encontrar ele, e logo!”

“Eu já olhei em vários lugares... Mas talvez alguém pode dar outra olhada no Castelo Black. Não olhei muito por lá.” Igls mentiu.

Igls se lembrou de quando se encontrou com Ivlis no Castelo Black e disse para ele que não ia tentar impedí-lo, em memória aos antigos anos que passaram juntos.

“Você deveria olhar lá de novo!” Siralos disse.

“Eu? Está de noite, está cheio de monstros!” Igls argumentou, apontando para a janela.

“Certo, certo. Vou mandar alguns anjos. Preisamos de Ivlis imediatamente! Eu vou continuar aqui, caso ele queira vir até mim.”

Siralos chamou alguns anjos, que vieram correndo até sua sala. Então, deu a ordem de procurarem Ivlis. Eles saíram voando pela janela e começaram a olhar em volta, evitando monstros.

“Ainda bem que aquela demônio de cabelo verde veio até mim. Mandei um anjo incompetente para busca-la, mas até agora ele não voltou.”

Os anjos de Siralos que saíram para procurar Ivlis, foram voando primeiro até o Castelo Black, sem perceber Etihw, Macarona, Chelan e Dialo andando pela floresta.

As quatro andaram devagar, no escuro, e pretendiam chegar até o ponto em frente ao portão do castelo. Mas quando estavam chegando lá, viram um monstro parecido com um leão observando-as, ao lado de uma árvore.

Etihw ficou preocupada. Elas precisariam enfrenta-lo ou correr. Todas ficaram paralisadas nas posições que estavam, tentando evitar que o monstro corresse até elas.

Mas o leão rosnava e estava pronto para correr em direção à sua presa. Etihw estava com muito medo. Talvez o plano acabasse ali, com a morte de todas nas mãos de um monstro.

E então, ele começou a correr em direção a elas. Macarona soltou um grito quando o leão pulou em cima da deusa.

E, por incrível que pareça, ele começou a lamber o rosto dela, após derrubá-la no chão.

“Sai de cima de mim!” Etihw disse, empurrando ele para o lado. Ela se levantou e viu-o se sentar e olhar para ela, sem parecer ser mau.

“Ele... Não está te atacando?” Dialo estranhou.

“Parece que não... Talvez ele seja bonzinho?” Etihw sugeriu.

Mas nesse momento, outros monstros surgiram em volta: ursos, coelhos, vários tipos. Etihw, que tinha se acalmado um pouco, voltou a ficar nervosa.

“Ou talvez ele estava esperando os amigos chegarem?” Macarona disse, preocupada.

Outro leão chegou do lado do primeiro, e ao chegar em frente à deusa, fez uma reverência. Ela, sem saber o que fazer, retribuiu o gesto.

E então, percebeu que todos os monstros em volta não pareciam querer atacar. Eles estavam calmos, apenas observando. E então, memórias vieram em sua mente, explicando tudo.

“Na época de Yarg, os monstros não nos atacavam. Eles apenas viviam separados, na floresta. E não havia perigo em sair à noite. A maioria era calma e não feria humanos. Se eu não me engano, tudo isso mudou com o início da guerra. Acho que eles se sentiram perturbados pela falta de equilíbrio entre os dois lados da magia.”

“Então, agora que você e Kcalb fizeram as pazes... Eles não querem te atacar?” Macarona disse.

“Sim, eu acho que é isso... A guerra acabou! Eles devem ter reconhecido!” Etihw disse, sorrindo. Até que outra possibilidade veio em sua mente. “Ou a guerra acabou porque talvez Kcalb morreu e, tecnicamente, eu venci...”

“Cale a boca, Etihw!” Dialo disse. “Você ouviu o que Ivlis disse, Kcalb não está morto!”

Os leões passavam a cabeça na perna de Etihw, como se fossem gatos. Então, ela teve uma ideia.

“Ei, amiguinhos!” Ela chamou. “Não sei se vocês vão entender, mas precisamos de vocês para distrair para afastar os guardas que estão nas janelas... Tentam correr até o castelo e entrar pelas janelas, apenas para amedrontar eles. Podem fazer isso por mim?”

O leão não pareceu entender, pois ficou parado. Mas, então, ele começou a andar em direção a castelo, sendo seguido pelos outros animais.

“Esperem por mim!” Uma voz gritou. Eles ouviram galopes e logo depois apareceu uma garota montada em um cavalo branco com asas. A garota tinha cabelos rosa e...

“RAWBERRY!” Macarona gritou, levantando os braços para o ar.

“MACARONA!” Rawberry exclamou, ao ver a amiga. “Eu não achei que te encontraria de novo depois do que... Aconteceu.”

Etihw parecia surpresa. Chelan se afastou e Dialo abriu um sorriso no rosto. Ela também conhecia Rawberry.

“Rawberry, eu estava super preocupada! Onde você esteve?”

“Bom... Depois que eu me separei da Macarona, Froze e Yosafire, eu saí correndo e me perdi na floresta. Depois de algum tempo, alguns monstros apareceram perto de mim. Achei que fosse meu fim. Mas quando eles iam me atacar, algo pareceu mudar. Os olhos deles se fecharam por algum tempo, e quando se abriram novamente, eles pareciam mais calmos. Eu não sei por que aconteceu isso, mas desde então estive com esse cavalo que parecia muito amigável. Então, ele me mostrou o caminho para o Campo de Batalha e acabamos de chegar aqui.”

“Talvez isso foi quando eu e Kcalb decidimos não lutar mais!” Etihw disse.

Rawyberry tinha alguns arranhões no rosto e alguns cortes nas roupas. Ela estava bem suja, provavelmente passara por muitos problemas.

Ela olhou parao Campo de Batalha e viu o castelo de Siralos sem entender nada.

“É... O que aconteceu aqui? Eu fiquei tanto tempo fora?” Ela perguntou.

“Longa história. Deus de outro mundo, diamantes destruídos, preciamos atacar. Você vem junto?” Etihw disse, rapidamente.

“Certo, farei o possível. Apenas... Me mostrem o que preciso fazer.”

Macarona explicou rapidamente o plano para Rawberry enquanto todas corriam até o portão principal do castelo. Quando chegaram lá, Etihw usou um feitiço simples para abrir a porta, e as cinco entraram. Encontraram seis guardas na primeira sala, todos carregando lanças.

Eles se prepararam para a batalha, Macarona pegou sua espada e avançou para cima de um. Dialo e Chelan fizeram o mesmo, enquanto Rawberry avançava com seu Pégaso. Etihw pegou o colar que Kcalb a tinha entregado e o transformou em uma grande espada, e correu para atacar um dos guardas.

Não demorou muito e elas deixaram os seis desacordados.

“Certo, tudo certo... Vamos, peguem logo as armaduras!” Etihw ordenou.

Elas pegaram as armaduras dos guardas e as vestiram, e agora poderiam agir um pouco mais camufladas. Elas entraram pela primeira porta visível e encontraram um corredor onde havia um guarda que corria do leão que entrava pela janela. Ele entrou em uma salinha para se esconder.

Etihw começou a correr pelo corredor até chegar ao seu final, onde havia uma porta. Ela a abriu rapidamente e esperou todas entrarem. Então, entrou por último, e se assustou com o que viu.

O tempo pareceu parar e sua reação foi horrível. A deusa fez uma cara de espanto e começou a chorar.

As meninas em volta também estavam horrorizadas.

Kcalb se encontrava deitado, de olhos fechados, em um caixão aberto.

“Não, não, não, não, não!” Etihw conseguiu dizer após cinco minutos tentando assimilar o que estava vendo. “Como assim, Ivlis disse que não tinha como ele ter morrido... Eu não acredito!”

A deusa soluçava enquanto falava. Lágrimas caíam de seus olhos.

“Será que Wodahs ou Grora mataram ele? Não, não pode ser! Não pode ser!” Ela gritou, secando as lágrimas com as mãos.

Ela se aproximou do caixão, tremendo um pouco, bem devagar, e quando chegou ao lado, levantou o braço e começou a movê-lo para segurar na mão de Kcalb pela última vez. Agora tudo estava praticamente perdido.

Mas, no momento em que ela encostou na mão de Kcalb, em seu toque com a pele dele, ele abriu o olhos. Etihw se assusto e se afastou, por impulso.

“K-Kcalb?” Etihw perguntou, levantando seus braços para se defender caso algo acontecesse.

Aos poucos, Kcalb se levantou e se sentou. Todas ficaram assustadas, até que ele perguntou:

“Onde eu estou?” O diabo olhou para o lado e viu a deusa. “Etihw? O que aconteceu? Onde nós estamos?”

Etihw não conseguiu fazer nada, ficou apenas paralisada. Depois de um minuto, ela finalmente conseguiu dizer, surpresa:

“Kcalb, você está vivo?”

“Acho que sim... Eu não morri... Eu acho...”

“Pera, mas o que aconteceu? Eu vi sangue, e eu te vi morto agora!”

“Espera... Ah, sim! Siralos mandou Grora escolher entre mim ou Wodahs. Ela foi esperta e tentou atacar o deus, mas ele desviou e jogou um raio nela, que ela protegeu com a adaga. E então, ela veio para meu lado, e me disse que tinha testado a adaga em sua própria mão. Por causa do raio de Siralos, a arma estava muito mais fraca e ruim para fazer cortes... E então, Grora perfurou meu peito, mas não foi o suficiente para me matar. E agora... Eu acordei aqui.”

Etihw estava tão feliz de ver Kcalb vivo que correu e deu-lhe um abraço. Ele saiu do caixão e a deusa disse que precisavam agir logo, pois tinham pouco tempo até mais guardas chegarem.

“Espera. E se o Siralos colocou você aqui, à vista, para eu ter um motivo para desistir?” Etihw sugeriu. Kcalb concordou com a hipótese.

As meninas falaram para Etihw coisas do tipo “Eu disse que ele estava vivo!”, e então todos foram em direção a outra porta, diferente da que tinham entrado. Havia mais um corredor. Eles correram por lá até chegarem a uma escada.

Depois de subir a escada, viram mais uma porta. Quando a abriram, encontraram as últimas pessoas que queriam encontrar.

“Nossa, Etihw, você é mesmo forte... Conseguiu chegar até aqui. Mas duvido que vocês vão conseguir passar por nós.”

Eles viram um anjo com um tapa-olho e asas negras, ao lado de uma anjo, também com um tapa-olho. Ambos usavam armaduras e seguravam espadas grandes com desenhos de sóis, que pareciam ser realmente muito fortes.

Wodahs e Grora impediam o caminho.