The Gray Eyes Puppy

1 Capítulo único - Color eyes?


Notas iniciais
Inspiração momentânea 8D

Era estranho. Muitas vezes eu ouvia as pessoas dizerem "Uau, que dia bonito!" ou "Uau, que flores mais coloridas!", e eu não entendia nada. Era tudo numa cor só, sem vida e sem graça. Pelo menos para mim...

A minha maior característica eram meus olhos. Cinzas, "como num dia de chuva", era o que diziam. Bom, eu via a cor dos meus olhos como a de todos os outros, então também não entendia muito o que queriam dizer. As vezes as pessoas me viam e perguntavam "Oh, você é cego?" e eu apenas as observava, me perguntando do que estavam falando. "Um cinza sem cor, e com a pupila tão clara que parecia inexistente."

Quando eu estava no primário, meus colegas chamavam-me de animal, ou cachorro, porque diziam que nossas vistas eram iguais. Acabei pegando o apelido de Puppy ou Doggy, e em pouco tempo todos já me chamavam assim.

Meu nome verdadeiro? Uau, faz tanto tempo que não o ouço que mal me lembro. Acho que era Peter? Não, não... Kelvin... Kevin. É, meu nome era Kevin. Kevin Stein. Bom, meu sobrenome, como podem ver, também já era motivo para muitos outros xingamentos, principalmente Frankenstein. Mas eu aprendi a não ligar para o que diziam.

Às vezes, em meus sonhos, eu via tudo em um tipo de tonalidade diferente. Não sei bem explicar... Será que é isso o que chamam de colorido?

Atualmente tenho 18 anos, e faço 19 daqui a dois meses. Os quase 19 anos de uma vida sem graça, e tudo do mesmo jeito. Às vezes eu ficava pensando, e preferia viver naqueles meus sonhos que chamo de 'coloridos' para sempre. Se as outras pessoas enxergavam tudo assim sempre, porquê eu não poderia?

De uns tempos pra cá, a caminho do trabalho, quando eu passava por um certo jardim de flores, eu tinha pequenos relances de cor. Às vezes era tudo meio fraco, mas na maioria era igual aos meus sonhos.

Já tentei ficar lá por um tempo, passar o dia lá, mas era sempre uma pequena piscada colorida.

Minha mãe havia me abandonado aos 12 anos, e, como não tinha nenhum parente que eu conhecesse desde então e sempre fugia de todos os orfanatos que me punham, eu vivi sozinho. Eu ia em uma escola pública do bairro, e morava em uma casa abandonada que encontrei. Comecei a trabalhar com 15 anos, saindo da vida de "entregador de panfletos" e indo trabalhar em um mercado. Desde então pude ir para uma escola melhor. O salário era baixo, mas dava para me alimentar e manter-me em um colégio barato.

Além de tudo, eu sofria de um tipo de alergia. Eu não sei bem o que a causava, mas muitas vezes me derrubava e acabava com minhas forças.

Um dia, eu estava na minha "casa", deitado, comendo um pão que acabara de comprar. Algo vinha voando pela minha janela, e me chamou a atenção. Parecia... uma pétala. Mas não era como as outras. Era uma pétala dos meus sonhos. E me transmitia um sentimento de alegria...

Olhei para fora. Uma garota estava sentada em frente à minha casa, na calçada, com uma flor na mão. As pétalas que ela tocava adquiriam o que eu julgava ser cor. Ela olhou para trás, e me escondi rapidamente. Que engraçado... Os olhos dela também tinham cor! Mas por quê? Por quê eu conseguia ver?

─ Quem está aí? ─ Uma voz serena e bonita falou, procurando-me. Revelei-me, com certa cautela, e um olhar curioso. ─ Ah, aí está você. Qual o seu nome?

Apoiei minha cabeça nas bordas da janela. Hesitante, só respondi depois de um tempo. ─ P-Pup. Puppy.

Ela riu um pouco, e depois voltou a falar. ─ É, você é como um cãozinho curioso. Meu nome é Elizabeth. Mas pode me chamar de Liz.

Observei-a por mais um tempo. Ela possuia cabelos longos e lisos, que iam até um pouco antes da cintura. Tinha um sorriso amigável e simpático e, não sei se era porque eu via suas cores, possuía um olhar penetrante e bonito.

─ Você... Como você faz isso? ─ Apontei para a flor, ainda me mantendo semi-escondido, atrás da janela.

─ Isso o quê? ─ Ela procurou pelo objeto, mas não encontrou nada.

─ Isso... De deixar mais bonito. Onde você toca fica mais bonito. ─ Levantei-me, dessa vez me mostrando por completo.

─ Isso é algum tipo de cantada? ─ Ela riu, e parecia envergonhada.

─ Ein? ─ A fitei, confuso. ─ Não, estou falando a verdade. Acho que é cor. A pétala que voou aqui dentro. Por quê está colorida? O que você fez?

Ela retornou o olhar, mais confusa ainda. ─ O que está dizendo? Tudo tem cor.

Balancei a cabeça, negativamente. ─ Não pra mim. Só os seus olhos e essa flor têm. Você a tirou daquele jardim, não foi?

─ Não, eu a tirei daqui mesmo... Você... Você não vê as cores do mundo? ─ Fiz que não com a cabeça. ─ Seus olhos... A cor deles é diferente, também. Bom, mas eu não sei o que fiz com essa rosa para que você possa vê-la de outra maneira. ─ Ela sorriu, e eu fitei o chão. Então era só o acaso?

Abri a porta, e fui até onde estava. Ela se levantou, meio assustada. Segurei a sua mão, eu queria testar uma coisa.

Foi incrível. Eu também estava diferente, como a flor. Ela também, ela estava diferente de tudo. Tomei um susto, e caí no chão. ─ Você está bem?

Não consegui falar nada, apenas fiquei ali, caído.

─ Olha, eu tenho que ir agora, mas eu volto outro dia, ok? Daí nos conversamos melhor. ─ Ela sorriu e acenou, e eu acenei de volta.

Como prometeu, ela voltou dois dias depois. E dois dias depois, e dois dias depois. A cada dois dias, ela vinha. O que ela tocava ficava colorido, por um certo tempo. Exceto eu, ela, e aquela flor, que eu havia guardado, tudo perdia a cor depois que ela ia embora. Várias vezes eu tentei fazer com que ficasse, mas ela sempre tinha que ir. Ela sempre vinha, ficava 10 minutos, e ia embora.

E foram aqueles 10 minutos, apenas 3 ou 4 vezes por semana, que me fizeram sentir algo diferente por ela. "Deve ser isso o que chamam de amor...", pensei.

E foi assim, por muito tempo, mas naquele pouco espaço de tempo por dia, que eu tinha meus pequenos momentos de alegria, com a única pessoa que eu amei.

Eu gostava de chamá-la de 'Liz, the color eyes Puppy.'



Notas finais
Reviews, plz? ^^
~Aya