The Golden Hunter
9 Capítulo 7 - parte II
Pov EveDroga, eu estava assim tão feia? Por que nem o Dave queria dançar comigo? Eu o olhei novamente enquanto ele parecia estar muito concentrado em algo, seu maxilar estava trincado. Eu olhei para os lados disfarçadamente, será que ele tava de olho em alguma garota? Não tinha quase ninguém aqui desse lado, bom se ele não queria dançar, a minha função era tentar fazê-lo querer isso. E eu ia fazer justamente isto, provocá-lo. Eu sorri.- Dave, to indo...Eu andei em direção a pista sensualmente. E me xinguei internamente por não ter pego outro drink. Eu virei discretamente para trás e vi que ele estava me seguindo, isso ia ser demais.
Comecei a dançar quase no meio da pista e logo atrai olhares invejosos e cobiçosos. Era isso que eu tava precisando, uma festa de verdade, uma noite de irresponsabilidade.Logo um loiro veio em minha direção, ele parecia o Chad Murray, seus cabelos eram bem loiros e suas feições fortes. Eu podia ver seus músculos bem definidos por cima da pólo verde que ele vestia. Seus olhos percorrem todo o meu corpo e ele sorriu.A batida começou a mudar para algo mais eletrônico, e ele se aproximou de mim e eu dancei.Naquele momento eu podia sentir um olhar sobre mim, olhei por cima do ombro desse loiro e vi David me fuzilando com os olhos.Ele parecia mais lindo que antes, seus olhos azuis brilhavam. Eu vi que todas as garotas ao seu redor o olhavam com olhares cobiçosos e eu tive vontade de bater em todas elas.Mas que droga, ele era um irmãzinho pra mim. Ele tinha que se divertir também.Por incrível que pareça, eu não desejava tanto isso.Vi quando uma morena com um vestido extremamente curto e decotado se aproximou dele. Vaca, eu sabia que ele estava tentando me deixar com ciúmes. Seus olhos estavam e mim e nos movimentos que esse loiro faziam em minha direção.Eu sorri para ele e lancei um olhar sugestivo enquanto me virava de lado e mexia meus quadris.- Hey gata, qual é o teu nome? – o loiro me perguntou.- Eve.- Hmm Eve, o meu é Steve.Eu olhei para ele, até que era bonito. Mas eu não iria beijá-lo, eu só queria me divertir.Suas mãos agora estavam em minha cintura, mas não era nada parecido com o toque quente do Dave.Eu desviei meu olhar para David, que agora parecia querer fuzilar o Stevie.Meu sorriso se abriu mais ainda.A garota agora começou a dançar sensualmente com ele, e ele começou a ondular seu corpo junto com ela, porém seus olhos estavam sempre em mim.Eu vi a garota pegar suas mãos e fazer ele tocar sua cintura, eu lancei um olhar diabólico em sua direção enquanto ela sussurrava algo em seu ouvido. Ele sorriu. A garota virou de costas e praticamente se esfregou nele, as mãos dele que estavam em sua cintura agora deslizavam para os quadris.Droga, o que aquela vaca tava fazendo? Transando com ele em publico? Ele viu meu olhar de ódio e mandou um beijo pra mim. Idiota.Eu comecei a rebolar, eu digo, rebolar mesmo. Mas não deixei o Stevie percorrer suas mãos em mim, eu não era tão liberal assim. Eu o senti bem menos empolgado quando eu o fiz fechar seus braços em minha cintura.Eu olhei e David estava me encarando pasmo, eu sorri e mostrei a língua pra ele.A garota agora se virou de frente pra ele e passou a mão em seu peito e apertou sua virilha, O que diabos? Eu vi seus olhos se arregalarem enquanto ele olhava pra mim abismado. Até parece que ele não estava gostando.Ele virou a garota de costas pra ele novamente, de certo tentando esconder algo ali.Eu continuei dançando e detive a mão boba do Stevie mais uma vez.- Qual é gata? – ele sussurrou- Eu não gosto. – rebati. Ele pareceu decepcionado mais ainda continuou dançando comigo.Eu subi meu olhar e notei surpresa o quanto nós tínhamos chegado perto um do outro, David agora estava apenas meio metro dançando com a garota.E por um segundo eu peguei um vislumbre do braço da garota.Voltei o olhar para o rosto do David que agora parecia não demonstrar nenhuma expressão e apenas encarar a vaca com os olhos vidrados. Vi quando ela passou sua mão esquerda no rosto dele e deu um pequeno tapinha, meus olhos congelaram ali naquela maldita marca. Uma espada flamejante, uma espada pegando fogo.Merda, merda, merda.Os olhos do David estavam vidrados nela e eu percebi o que ela estava fazendo.Eu sabia muito bem, por que eu também fazia.- Poxa gata, vamos dançar! Ele me puxou quando eu lutava para me libertar. David, david, david. Por que eu fui tão idiota! Se algo acontecer a culpa vai ser minha.Inteiramente minha.Esse cara apertou as mãos em volta do meu quadril enquanto eu tentava ver o que acontecia com o David.- Me solta. – eu avisei.- Mas você é muito marrentinha gata.- Eu. Falei. Pra. Você. Me. Soltar. – eu falei entre dentes.Ele apertou as mãos ao meu redor e eu dei uma joelhada em sua virilha com toda a minha força.
- Sua piranha! – ele berrou enquanto caia no chão com as mãos em sua virilha.Sem perder tempo eu me virei e eles não estavam mais ali.Lágrimas invadiram meus olhos, Não, por favor, meu deus, por favor não.Eu tropecei em minhas pernas e quase cai.Como eu iria atrás deles e enfrentar ela? Eu mal conseguia andar.Eu parei no canto em que eu estava antes com ele, eu tinha que me acalmar e ir atrás dos dois antes que fosse tarde demais. Burra, burra, burra! como eu pude ignorar o calafrio àquela hora? Eu nem tinha alguma arma em mãos para matar aquele demônio. E se fosse um nephilim? Eu coloquei a mão sob meu peito e respirei profundamente e lembrei do que Dom falou, que toda vez que eu deixava a raiva e os maus sentimentos me dominarem, meu sétimo sentido ficaria mais poderoso do que nunca, porém havia um risco. Quanto mais eu deixasse que a raiva me dominasse, mais fácil seria para Damon me atingir, me controlar e minha marca se modificaria. Mas eu estava disposta a correr esse risco para salvar o David, eu não podia ter mais uma morte em minha consciência. Eu não sobreviveria dessa vez. Eu deixei a raiva me invadir como uma bola maçante invadindo e entorpecendo meu sistema, fazendo o álcool evaporar do meu sangue, me deixando supersensível a tudo ao meu redor, eu senti o meu sétimo sentido irradiar todo o seu poder por meu corpo, agora eu não era mais a doce Eve de férias. Agora eu era uma hunter, uma golden hunter pronta para matar qualquer demônio que estivesse em meu caminho. POV DavidEu olhei mais um vez em sua direção, ela parecia estar se divertindo.- Hey Dave, vamos para o meu quarto?Eu olhei mais uma vez em seus olhos, ela era tão bela e tentadora, mas parecia ter algo errado. Algo muito errado.Seus olhos brilharam e a cor pareceu mudar e meus sentidos gritaram querendo que eu escapasse dali o mais rápido possível. Minhas pernas não me obedeciam e tudo o que eu pude fazer foi segui-la, e antes que eu pudesse piscar nós já estávamos se afastando de todos ali. Em um ultimo gesto eu tentei olhar para Eve, algo estranho estava acontecendo. Muito estranho. Eu não conseguia virar minha cabeça, era como se eu tivesse perdido todos os meus movimentos, eu me sentia hipnotizado por ela, mas ao mesmo tempo queria fugir, então no ultimo segundo de controle eu parei e fechei meus olhos, me obrigando a concentrar e combater aquela força que me oprimia querendo tomar conta de meu cérebro e suas funções. O escudo, fortaleça-o. Trinquei meus dentes, me obrigando a isolar todo o barulho e me controlar.E tão repentino como surgiu essa opressão, ela sumiu. Eu suspirei de alivio, abri meus olhos e algo muito estranho aconteceu.Eu olhei em direção a Eve, e ela não estava mais lá. No lugar dela estava a menina que estava dançando comigo, a Eve estava agora segurando minha mão com um sorriso promíscuo nos lábios.- E-Eve? - Ah, vamos logo Dave! Cansei de dançar com aquele idiota. – ela falou em um tom estranho.- Claro.Eu a segui, seu andar estava estranho. Ela parecia estranha.Nós fomos para fora da boate e andamos até um daqueles bancos que ficavam em volta da piscina.- Vamos sentar um pouco aqui Eve...- Não aqui, lá naqueles lá de trás.Eu a olhei, por que ela parecia tão estranha?- Tudo bem.Nós andamos até os divãs que ficavam praticamente escondidos em meio às árvores. Ela andou estranhamente, será que ela estava tão bêbada assim? Todo aquele jeito felino de andar dela parecia ter desaparecido. Ela sentou-se e deu um tapinha no lugar vago ao seu lado.- Senta Dave.Eu sentei sem falar nada, estranho. Muito estranho, eu nunca me senti desconfortável perto dela, e agora era isso o que eu mais sentia.- Dave, Dave... – ela passou a mão direita em minha – então, hoje é seu aniversário.- Como se você não soubesse disso em Eve! – eu sorri.- Eu tenho um presente pra você Dave.Eu olhei pra ela, seus olhos me fitavam intensamente. E todo o desejo que eu reprimi a noite inteira reapareceu, era impossível resistir, eu não conseguia mais. A atração que ela exercia sobre mim era quase palpável, um calafrio percorreu todo o meu corpo.Eu a queria, e o meu desejo era maior que minha consciência no momento.Mesmo que eu estivesse bêbado e ela também, eu não podia resistir mais. Droga quem mais resistiria? Eu queria, ela queria. Que se dane. - Nossa Dave, eu aqui falando que tenho um presente e você continua quieto – ela se inclinou em minha direção – não está nem um pouco curioso Dave?Eu não queria falar e gaguejar agora. Droga.- Claro – minha voz saiu estranhamente grossa – O que seria esse meu misterioso presente?Assim que eu falei ela se levantou e ficou na minha frente. Droga, droga, droga.Suas mãos deslizaram de sua cintura até a barra do seu vestido, ela o levantou e eu quase podia ver sua virilha.Ela sentou sensualmente em meu colo, deixando uma perna de cada lado de minha cintura. Suas mãos percorreram todo o meu abdômen e eu não conseguia fazer nada, seu toque assim como sua atitude me desarmaram, não havia controle no mundo que se opusesse a isso. Suas mãos pararam em minha nuca e ela se aproximou para sussurrar algo em meu ouvido.- Seus olhos são tão lindos Dave – ela mordeu minha orelha – Droga, você é tão quente.Eu estava sem ação, meu cérebro parecia estar pifado de vez. Ela beijou meu pescoço e eu senti um forte arrepio. - E o seu cheiro – ela inspirou fortemente – me dá água na boca.Ela estava querendo me enlouquecer? Inferno! Estava dando certo. Eu não conseguia ter um só pensamento coerente.- E sabe o que eu estive pensando Dave? – ela falou trilhando um rastro de beijos em meu maxilar – Que o seu gosto deve ser melhor ainda.Eu suspirei.- Para de ser envergonhado Dave...Ela pegou minhas mãos e as induziu até seu quadril, e foi aquele gesto que me fez perder o controle de vez. Que me fez esquecer de toda aquela merda que aconteceu hoje.Eu abaixei minha mão e percorri toda a suave pele de sua coxa.Eu olhei profundamente em seus olhos enquanto ela se afastava um pouco de mim, seus olhos continham um brilho selvagem agora.- Agora sim Dave... – ela lambeu seus lábios – está pronto para o meu presente?Eu soltei um gemido involuntário. - Mal posso esperar. POV Eve Eu olhei ao meu redor tentando encontrá-los. Dave, Dave, onde você está?Ele não era meu parceiro, eu não podia simplesmente chamá-lo. Um estranho aperto se alojou em meu estômago.Eu caminhei em direção a saída, e avistei uma daquelas gêmeas que nos convidaram pra essa merda de festa.- Hey, você viu o cara que estava comigo antes sair? Ela se virou em minha direção de má vontade e quando me viu seus olhos brilharam.- Ah oi, como é o seu nome?Eu dei mais alguns passos em sua direção.- Não interessa a você, apenas diga se você viu ele sair daqui antes que eu faça alguma besteira.Ela deu uma passo pra trás.- whooa, tudo bem! Eu vi ele saindo de mãos dadas com uma vagaba ai e ir em direção á piscina.Eu sai rapidamente sem dar chance de ela falar mais alguma coisa.Ele tinha que estar vivo, droga, eu não podia perder ele.Eu apertei meus passos.Fui em direção a piscina e não tinha ninguém lá, o lugar estava deserto.Meu coração disparou, e eu contive minhas lagrimas, eu não podia chorar agora. Eu tinha que achá-lo. Apurei meus ouvidos, tentando ouvir qualquer movimento que entregasse algo, que me ajudasse.Cada batida de meu coração me avisava que era um segundo a menos de vida para ele, um segundo a mais de dor, meu estômago insistia em querer devolver toda aquela bebida que lhe foi imposta, minhas mãos tremiam ligeiramente. Até que eu ouvi algo.Um som parecido com alguma sucção e vinha de algum lugar no escuro, em meio às árvores. Eu andei o mais rápido que pude para lá e me deparei com uma cena um tanto quanto nojenta.Aquela morena estava sentada no colo de Dave e o beijando avidamente, as mãos dele percorriam todo o corpo dela deixando-a quase nua.- Dave – a vaca gemeu enquanto ele beijava o seu pescoço – Mais embaixo, assim...E descaradamente ela empurrou a cabeça dele em direção aos seus seios. Eu deveria interromper? E se tudo que eu vi foi o efeito da bebida? Droga! Eu tinha dito pra ele se divertir afinal, e ele o fez. Mas por que eu sentia uma vontade enorme de arrancar aquela vaca dali a tapas?
Eu estava quase me virando e indo embora quando um movimento capturou a minha atenção. Ela estava puxando de suas costas uma faca prateada. Então por puro instinto eu agi.Corri na direção deles, mas ela foi mais rápida. Em um piscar de olhos ela estava atrás dele com sua faca no pescoço dele. Ela perfurou ligeiramente a pele dele.- Até que enfim Eve Bourne pensei que você não viria nunca.Eu olhei para o David que agora tinha uma expressão confusa e logo se clareou, eu tentei alcançar o seu escudo mas algo o protegia.O que diabos?- Você não vai conseguir se comunicar com ele sem a minha interferência. Eu inspirei profundamente tentando descobrir que criatura era aquela, seu perfume era doce e amargo. Algo parecido com um nephilim e um vampiro. O que era aquela criatura? - Então não estamos para conversas? – ela sorriu e apertou a faca no pescoço de David e ele gemeu – Deixe eu me apresentar; meu nome é Lili e antes que você tente invadir meu escudo, ou descobrir a criatura que eu sou, deixe-me avisá-la, você nunca enfrentou algo como eu. Sua raça imunda acha que nós não existimos. Que lástima não Eve?- O que você quer? – eu rosnei vendo o olhar agoniado de David.- O que eu quero? – ela sorriu e por um instante parecia uma menina – Eu quero você, ó temida Eve Bourne, A golden Hunter que mandou o Damon em pessoa para o inferno. Você nem é tudo aquilo, é só mais uma jovem arrogante que tem mais fama do que merece.- O que você quer de mim Lili? – eu falei seu nome como um palavrão. - Sua vida Eve Bourne.- Lili – eu sorri – seu nome é algo que eu daria para a minha cadela se não fosse tão inofensivo. Você tem um nome apropriado, para uma cadela eu digo.Ela rosnou. - Isso mesmo Lili, agora seja uma boa garota e largue essa faca antes que aconteça algo que faça você se arrepender.- Errado Eve.Ela forçou a faca na garganta do David e eu voei para cima dela.Droga, a garota era forte eu tinha que admitir. Mas antes que ela pudesse cortar o David mais profundamente eu joguei a faca longe e dei uma seqüência de socos nela. Enquanto ela me chutava e murmurava coisas ininteligíveis. Eu senti uma mão em meu ombro e quando eu olhei a reconheci imediatamente, era Dave.Ele enfiou a faca na garganta de Lili e eu prontamente sai de cima dela vendo-a se dissolver na grama.- Droga David, nós vamos ter que ter uma conversinha! – eu murmurei.- A-acho que não Eve... – ele falou, seu olhar se focou em algo acima do meu ombro.Eu respirei fundo.Droga, droga, droga!Era um vampiro, eu tinha certeza. O aroma extremamente adocicado só pertencia a uma criatura odiosa, os malditos vampiros. Eu me virei lentamente, meus olhos fixos na faca que agora pendia no chão, era de prata, mas poderia fazer um bom estrago.- Então, creio que Lili já teve sua chance com a nossa grande golden hunter. – o vampiro loiro falou olhando para a faca no chão – Creio que agora é a minha vez.- O que diabos vocês querem? – eu o encarei – Merda, todos resolveram sair da toca hoje? - Oh querida, esqueci o quão bom estava a sua noite certo? – ele sorriu – O que eu quero? Você deve muito bem saber.Ele deu um passo em minha direção e vi uma corrente em sua mão que estava sangrando. Vampiro sádico? Aquela corrente só poderia ser de prata pra estar fazendo aquilo em sua mão.Eu ergui meu queixo, o encarando de frente.- Eu não sei. – eu o olhei com desdém – mas deve ser por que eu matei algum sanguessuga que era seu parente, parceiro, ou sei lá o que? Ou por que eu mandei o Damon com passagem direta para o inferno? São tantos, me dê uma dica. A minha provocação pareceu surtir algum efeito, ele avançou mais um pouco, e eu olhei profundamente em seus olhos, tentando adentrar em sua mente, mexer com seu escudo. Mas eu não conseguia me focar, a bebida alcoólica ainda tinha o seu efeito e a maldita dor de cabeça já começava a me assolar. Eu teria que derrubá-lo com minhas mãos, droga.- Deixe eu te dar uma dica. – ele correu em minha direção.E tudo aconteceu rápido demais, eu me joguei em direção á faca enquanto ele remexia a corrente com uma habilidade sinistra que a fazia parecer um chicote em suas mãos, enquanto eu pegava a faca ele mandou um golpe na posição que eu estava acertando o David. Merda, merda, merda. Por que ele não podia ao menos se mexer?Querendo acabar com aquilo logo, eu pulei no vampiro enquanto ele tentava me acertar. Com um movimento rápido eu subi em suas costas e passei a faca em sua garganta, eu pulei para trás enquanto ele passava a mão em seu pescoço sem ao menos cair.- E você acha mesmo que pode me derrotar com uma faquinha que prata?Eu realmente achava.- Você, sua hunter imunda matou o Pierre. – ele sorriu amargamente enquanto vinha em minha direção – Na França enquanto tentava pegar o Damon, você ta lembrada?- Ah – eu bati em minha testa teatralmente – Aquele que tinha medo de cobras? Oh, sim o matei. Por quê? Vocês eram amantes?Eu não sabia o que fazer, mas essas provocações era uma distração, eu estava tonta ainda, sem poder contar com meu sétimo sentido, e com um vampiro desenvolvido e sádico na minha frente. É, eu não podia estar melhor.- Sua vadia, ele era meu irmão.Ele soltou aquela corrente em minha direção, e eu me irritei. Eu odiava quando me xingavam. Odiava mesmo. Então senti a adrenalina correndo novamente em meu corpo, me fortalecendo, me dando equilíbrio. E sem hesitar eu segurei a corrente com a minha força sobre humana, eu não senti nada mesmo vendo o corte que ela fez em meu antebraço. Eu puxei sua corrente e ele veio com ela caindo em meus pés, eu passei a corrente por seu pescoço enquanto agarrava a outra ponta.- Ninguém. Me. Chama. De. Vadia. Sanguessuga. – eu falei estupefata e forcei as duas pontas da corrente de prata fazendo sua cabeça se desconectar de seu corpo.Observei ele se dissolver aos poucos.Merda, essa noite tinha como ficar pior? Primeiro o David com aquela vaca... E droga, onde ele estava?- David? – eu olhei em volta e o vi sentado no divã com os olhos fechados e a sua camisa branca encharcada de sangue.Eu corri em sua direção.- David? Você está me ouvindo? Dave? – eu o fiz deitar e apoiei sua cabeça em meu colo – David? Por favor, não, não eu não posso perder você!Ele estava muito pálido, e o desespero tomou conta de mim, eu não podia perder ele. Não agora, nunca.Aquelas lágrimas idiotas brotaram em meus olhos e em um instante eu estava soluçando enquanto passava as minhas mãos em seus cabelos.- Por favor, por favor, acorde! – eu tentei ver seu pulso, mas estava tremendo tanto que não conseguia nem isso fazer.Em um ímpeto eu rasguei sua camisa para ver o ferimento, era horrível e tomava conta de todo o lado direto de seu ombro. Eu não sabia o que fazer, o desespero parecia me engolir.- Dave, me ouve, por favor! – eu passei a mão em seu rosto e suas pálpebras se mexeram – Vamos, acorde! Dave, por mim, acorde! Eu não posso ficar sem você! Ande Dave! Acorde! Suas pálpebras se mexeram mais uma vez e ele entreabriu seus olhos, estavam mais azuis do que nunca. - Ah, Dave, fique acordado! Por favor! Não durma, fique comigo Dave! – eu falei entre minhas lágrimas e soluços.- SOCORRO! – eu berrei – SOCORRO! AQUI! POR FAVOR!- E-eve – ele sussurrou.Não, por favor, ele não pode morrer. Eu não posso ver isso, eu não posso. Eu soluçava descontroladamente. Deus! Eu não posso perder ele também! É uma sina isso? É o meu karma? Tudo o que eu amo parece morrer! Ele é só um menino, ele é só um menino, meu deus! Eu não posso perdê-lo. Não posso.- E-eu t-to no c-céu? – ele sussurrou e eu sorri em meio há minhas lágrimas. - Não Dave – eu afaguei sua bochecha – você tem muito que fazer ainda antes de ir pra lá.Ele suspirou fracamente e mordeu seus lábios que agora estavam anormalmente brancos.- M-mais d-dói muito Eve.- Eu sei – eu afaguei seus cabelos – eu sei Dave, mas já vai passar. Já vai passar, mas você precisa ser forte, não feche seus olhos Dave, fique comigo.- C-como s-se eu q-quisesse fechar m-meus olhos c-com v-você aqui.Eu o olhei mais uma vez, seu rosto pálido, seus olhos brilhantes. Eu não o deixaria morrer, não o deixaria.- SOCORRO, POR FAVOR, ALGUÉM ME AJUDE! POR FAVOR! SOCORRO!Eu afaguei seus cabelos, e tentei controlar um pouco minhas lágrimas.E finalmente eu ouvia passos apressados em nossa direção, um segurança, graças a Deus.- O que está... – ele se interrompeu e correu para o divã em que estávamos sentados.- Meu deus! – ele pegou o radio em seu terno – Precisamos de uma ambulância! Rápido! Estamos aqui perto da piscina 3. Eu ouvi a confirmação do outro lado do rádio, e rapidamente formulei uma resposta para o que eu sabia que ele iria me perguntar.- O que aconteceu?- E-eu não sei! – eu olhei para o segurança – nós estávamos na festa e ele saiu, então eu vim atrás dele e ouvi um grito e quando cheguei aqui ele estava assim no chão.Rapidamente eu vi chegarem os paramedicos que montavam uma espécie de maca e vieram em minha direção tirar David de meus braços e relutante eu o soltei enquanto eles o imobilizavam e o levavam para o hall do hotel. - Hey, mocinha – o segurança me chamou – você tem que ficar.Eu nem vi quando meus pés começaram a se mexer indo atrás do David, mas eu iria com ele, não importa o que eles digam, eu iria.- Eu vou com ele – eu falei sem olhá-lo – Não me importa o que você quer agora, eu resolvo depois.Ele tentou pegar meu braço, eu me virei e o encarei.- Nem ao menos tente me impedir – eu falei antes de ele pronunciar algo e me virei indo para a porta da ambulância.- Venha – o paramedico me deu a mão – Deixe esse cara pra lá.Eu sorri e entrei na ambulância apertada, eu sentei em um cantinho e fiquei observando eles cuidarem do David.- Vamos sedá-lo para poder mexer nesse corte – o paramedico falou – ele perdeu muito sangue e a pulsação está um pouco fraca, Billy, oxigênio. O outro paramedico que me ajudou colocou uma máscara no Dave e ligou um aparelho.- Ele vai ficar bem? – eu questionei.O paramedico chamado Billy me olhou.- Sim, eu creio que sim, só precisamos fazer uma transfusão de sangue e os curativos, e tudo ficará bem.- Não omita os fatos Billy – o outro paramedico falou – Ele também deve ter quebrado algumas costelas e talvez a perna, mas nenhum risco de morte.Eu suspirei aliviada.- Então, vocês são parentes, namorados?- Nós somos amigos, resolvemos tirar férias juntos.. Nós somos de New Jersey.- Hmm, nós temos que ver o tipo sanguíneo dele e tudo mais, você sabe qual é? - Não. - Mas precisamos da autorização do acompanhante... - Pode fazer tudo o que tem que ser feito, eu vou pagar.- Tudo bem... Seguimos em silencio até o hospital, de vez em quando eles falavam entre si, e eu apenas fiquei observando o rosto pálido do David. Hoje foi por pouco que eu não o perco, uma noite que eu deixei me levar e tentei ser uma jovem normal eu quase perco meu melhor amigo. As palavras de Marco quando me ensinava, ecoaram em minha cabeça. Um hunter tem que estar sempre alerta, nós somos diferentes, especiais. Não existem férias para nós, um descuido pode custar a sua vida ou a de seu parceiro.Um descuido.Droga, eu não podia ter férias, eu não podia amar, todos a minha volta correm perigo. Mas que merda de vida! Eu senti uma imensa vontade de chutar algo com toda a minha força. Tantas perguntas sem respostas, tantas vidas perdidas. Eu não podia me dar ao luxo de ficar bêbada uma noite, minha sina sempre estava atrás de mim, me lembrando o porquê de eu ter nascido uma hunter, o porquê de toda a minha família ter morrido, o porquê de eu deixar o único amor de minha vida também morrer. Por que assim como aquelas bestas vindas do inferno não tinham sentimentos bons, eu também não poderia ter. Aquilo me deixava vulnerável. Eu não podia ser vulnerável, e nem ao menos as pessoas em minha volta. E iria ser assim sempre, pelo resto da minha vida.Por que isso não era um simples emprego ou um estilo de vida, era uma sina, um carma, você nasce sendo e morre sendo um matador de bestas. Eu pensava que já estava acostumada com isso, com essa vida e todo esse peso que eu carrego em minhas costas, mas é impossível. Eu não era como o Damon que sentia prazer em torturar os outros, e nem como os filhos dele. Eu me magoava, eu tinha sentimentos. Eles me destroçavam até o ultimo, tentando me deixar fria como uma pedra, e mesmo assim eu não aprendia. Eu não conseguia viver sem essas emoções. Nunca iria.- Moça? – o paramedico me chamou enquanto desciam à maca de David.Eu desci atrás dele e fui para a recepção.
- Olá, no que posso ajudar? – a enfermeira prestativa me lançou um sorriso.- Meu amigo acabou de entrar... – eu olhei e vi que estava somente com a carteira dele e o celular dele – eu tenho que acertar as coisas, o quarto e tudo que ele precisar.- Oh sim, um momento só. – ela remexeu nos papéis – eu vou arrumar aqui, pode demorar um pouco, sente-se e eu a chamo quando terminar. - Tudo bem.Eu sentei em um dos sofás extremamente brancos, aquele cheiro de éter me embrulhava o estomago. Eu sempre odiei hospitais, até mesmo enfermarias.Peguei o celular do David e disquei o numero do Dominic, ele atendeu no primeiro toque.- Alô? - Dom, sou eu a Eve. – eu suspirei – eu to aqui no hospital com o David, nós fomos atacados no hotel.- Eu sei! Já mandei um hunter atrás de vocês, na verdade um olheiro nos comunicou e disse que você tinha dado conta mais o David foi ferido.- Se esse maldito...- Dominic me interrompeu- Eles são olheiros Eve, ele não poderia te ajudar.- Ah Claro Dominic, ninguém nunca pode. – eu trinquei meus dentes – tive que matar uma vaca que eu nem sei que espécie é e um vampiro dotado com uma faquinha e uma corrente, essa merda de olheiro não podia ao menos me jogar uma arma descente? Ah vai toma...- Eve – ele me repreendeu – James já está a caminho, ele passará no hotel e pegará toda a sua bagagem e a de David e levará para o hospital. Agora me diga o quão ferido David está? - Incrível, você ainda não sabe? – eu zombei amargamente – você sempre sabe de tudo.-Eve, por que.. – eu o interrompi.- Ele não corre risco de morte se é o que você quer saber. E agora eu tenho que desligar por que o James está chegando. Tchau.Eu desliguei antes mesmo de ele me responder.Eu sabia que estava sendo grossa, mas eu não estava no meu melhor humor hoje, se é que me entendem.Eu me encostei no sofá apoiei minha cabeça e fechei meus olhos. Eu precisava dormir, precisava de um banho. Ainda sentia o cheiro do sangue de David misturado com o daquelas criaturas impregnado em minha roupa.Acho que fiquei ali um vinte minutos até sentir alguém me cutucando.- Eve, sou eu o James.Eu olhei pra cara do hunter ruivo que tinha um sorriso zombeteiro em seu rosto, ele era sempre tão antipático. - Ah, ta brincando? – eu murmurei sarcástica. - Nossa e o bom humor fica onde?- Na sua casa de certo – eu o encarei – eu não tive uma noite boa, se você veio aqui pra me entregar minhas coisas e zuar comigo, acho melhor deixar minhas malas ai e sair antes que eu me estresse.- Ok, ok, eu vou ficar quieto! – ele ergueu as duas mãos – mas acho que você iria gostar de um banho enquanto eu tomo conta aqui.- Ok, eu vou – peguei minha nécessaire que estava em sua mão e a minha mala pequena.- De nada – ele falou sarcasticamente.Eu o ignorei e fui em direção a uma das enfermeiras que passava por ali.- Hey, você sabe onde tem um banheiro com ducha aqui?- Quarta porta á esquerda – ela me indicou.- Obrigado. Eu fui o mais rápido que eu pude para o banheiro, coloquei minhas coisas em cima do vaso e comecei a me despir, aquele cheiro me fazia querer vomitar.Liguei o chuveiro bem quente e fiquei ali, deixando a água cair em minhas costas.Droga, hoje tinha sido por muito pouco. Eu tremi.O que eu ia fazer se o Damon resolvesse tirar o David de mim assim como ele fez com o Matt e minha família? Eu não sabia quanta dor eu podia mais suportar, o quanto desse jogo eu podia jogar. Eu matava os seus filhos, seus netos e todas as suas crias nojentas, mas e daí? Ele não os amava, pra ele tanto faz! E no final ele os via no Inferno mesmo então que importância tinha? Já no meu caso era muito diferente, eu não veria mais o Matt, minha família. Eu encostei a testa no azulejo e deixei minhas lagrimas caírem junto com a água.Não, eu não podia mais pensar assim, nem contestar o meu sofrimento. Por que se eu não tivesse acabado com aquele sanguessuga e aquela outra criatura, quem garante que eles não iriam fazer mais vitimas? Mais pessoas inocentes que nem sabiam da sua existência iriam morrer. E era eles, os humanos normais que eu protegia também. Era por isso, que de agora em diante eu iria superar e lutar pra valer. Fechei a ducha e peguei a toalha, quando fui secar meu corpo eu vi o corte que aquela maldita corrente fez em meu antebraço, eu precisaria de curativo.Coloquei meu habitual jeans preto, uma blusa cinza simples e um de meus all stars. Olhei no espelho que estava meio embaçado, meu cabelo estava um caos. Peguei minha escova e desembaracei-o, depois prendi em um habitual rabo de cavalo. Arrumei minhas coisas e sai.- Hey Eve – James falou – Me dá suas coisas que eu guardo no carro.Eu entreguei minhas coisas pra ele.- O médico falou alguma coisa do David? – perguntei preocupada.- Sim, ele perdeu muito sangue e é preciso fazer uma transfusão que eu já autorizei – ele suspirou – quebrou o pé e o braço esquerdo, fraturou algumas costelas e levou 16 pontos no corte que tinha no ombro.- Merda – eu murmurei – eu vou ter que ensinar ele a lutar.- É Bourne, se ele vai te acompanhar eu tenho certeza que vai ser preciso. – ele falou com um sorrisinho nojento no rosto.Idiota.Uma enfermeira passou e viu o meu braço daquele jeito e logo veio falar comigo.- Moça! Você precisa levar alguns pontos, esse corte deve ter doido bastante em! Está feio!- Ah, sim. – eu olhei para a jovem enfermeira – acho que vai precisar de uns pontos.Coisa que eu odiava, odiava mesmo era hospitais, esse cheiro de éter e agulhas.Eu a acompanhei e observei enquanto ela limpava meu corte dava os pontos, aquilo gerava uma dorzinha incomoda mais nada que eu não pudesse suportar.Minhas pálpebras pareciam pesar quilos, eu estava precisando de uma boa noite de sono, a enfermeira pareceu perceber isso e logo falou.- Você está junto com aquele garoto sim? O David Rice? – ela estremeceu – Ele logo vai para o quarto particular, você podia esperá-lo lá e descansar um pouco.- É acho que eu estou precisando mesmo – eu tentei sorrir.Ela assentiu e me levou até o quarto no quinto andar, tinha uma cama de hospital e um grande sofá. É aquilo ia servir. - É aqui que ele vai ficar... – a Enfermeira se apressou – Dentro de uma hora eles o trarão para cá, a senhorita pode tirar um cochilo.- Tudo bem, obrigado.Ela sorriu e fechou a porta do quarto.Bem, é irônico logo eu vir terminar minha noite em um hospital. Eu fui até o sofá que era confortável por sinal, e fiz a única coisa que eu podia no momento. Eu adormeci.
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