The Golden Boy.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
James Potter correu as mãos pelos fios castanhos franzindo o cenho enquanto perseguia um ponto específico no Mapa do Maroto com os olhos. A confusão era muito presente em seu rosto e ele parecia aturdido em sua busca. Seus pensamentos estavam embaralhados e à medida que os segundos seguindo o nome de Peter Pettigrew se transformavam em minutos James tinha cada vez mais dúvidas pairando em sua cabeça.
Por que diabos Wormtail estava com um grupo de sonserinos?
O Potter não tinha ideia, mas teorias absurdas corriam por entre situações mais críveis, entretanto, nenhuma dessas fazia um real sentido. James, para a própria surpresa, desconfiava que o “amigo” – deveria ele continuar chamando Peter de amigo? – poderia estar se associando com Comensais da Morte, e isso fazia uma sensação de amargura lhe invadir com brutalidade.
Suspirou sentindo a região das têmporas latejar com força. Como se não bastasse os exames no fim desse ano, pensou cansado enquanto jogava a cabeça para trás cogitando seriamente esquecer o que havia visto, contudo, o problema era que jamais esqueceria. Começaria a agir estranho alertando os outros três e terminaria gritando com eles, porém falar agora iria estressar Remus, e James sabia muito bem que mais uma desconfiança tão perto da lua cheia traria mais devastação a vida do lobisomem.
Mordeu os lábios abafando um grito de frustração, não precisava ter o feito; a madrugada já havia caído e o salão estava, para a alegria do Potter, completamente vazio, o que lhe dava uma abertura para fuçar no Mapa sem se importar em ser visto por alguém ou ficar irritado com os olhares estranhos dos outros alunos. As pessoas tendiam a achar, erroneamente, que os Marotos eram sempre despreocupados, o que, pelo menos para Prongs, era uma mentira absurda; estava se afogando em suas próprias ansiedades e paranoias. O garoto tentava seguir sem ter surtos em público.
Levou as mãos ao pedaço de papel que custara incontáveis noites sem dormir – não que tivesse boas noites de sono, mas criar aquele mapa dera mais trabalho do que fora inicialmente planejado – e deitou-se em um sofá avermelhado gasto, mas confortável como tudo que existia naquela sala escarlate e dourada. Seus olhos de apanhador não perdiam por nem um único segundo o nome de Peter, Régulos, Snivellus e outros que não importavam para o grifinório.
Acomodou-se para relaxar e pensar melhor sobre as ações que deveria tomar a seguir, sua mente estava enuviada e tomada pelas dúvidas, nada diferente do habitual, todavia, eram questionamentos mais sérios e não delírios de uma pessoa que sofre do transtorno de ansiedade. Por que, Peter? Era a pergunta mais comum entre todas, e mesmo que não tivesse confirmado parecia a coisa mais óbvia, e isso fazia o estômago de James revirar e o colocava a ponto de vomitar a qualquer momento.
Não dormiria ali, muito menos adormeceria logo. Sabia que seria apenas mais uma noite em claro com seus pensamentos gritando alto demais para raciocinar, mas mesmo assim tomou um susto quando uma mão fria tocou seu ombro, quis berrar, entretanto, apenas abriu os olhos com a respiração ofegante. Soltou um gemido de protesto ao constatar que era apenas Sirius e levou mais alguns segundos para notar Remus ao lado do Black, este que parecia incomodado, entretanto, seus olhos cinzentos não davam nenhuma pista sobre o que o incomodava, o Lupin permanecia impassível, como sempre.
— James, por que você não está na cama? – A voz de seu melhor amigo soava preocupada e fez o Potter sentir que era uma criança que precisava de atenção, mas entendia o modo como eles agiam. Seus três amigos tinham descoberto seus problemas ligados a ansiedade faziam anos. – Precisa procurar a Madame Pomfrey, ou acompanhamento no Saint Mungus. – Padfoot continuou e Moony se aproximou a passos lentos para prosseguir com o “sermão”.
James abriu a boca para retrucar algo, incontáveis frases vieram a sua cabeça, contudo, nenhuma delas parecia realmente útil ou fornecia uma justificativa; ele sequer tentara dormir e ficara no salão comunal encarando o Mapa por longas horas até perceber que a noite havia caído e que ainda não tinha a menor vontade de deitar-se. A pior parte era saber que precisava e não conseguia.
— Prongs, vamos, sabe que precisa de oito horas de sono! – Lupin exclamou lhe estendendo a mão com uma proposta para subir e passar um tempo angustiante na calada da madrugada ouvindo suas próprias incertezas. Não sabia de nada, apenas queria a paz que nunca alcançaria. – Potter, sei exatamente o que está pensando nesse momento, e você vai subir e dormir, nem que para isso tenha que ter poção do morto vivo! – James não evitou a risada baixa. Talvez aquilo aliviasse a determinação dos dois, todavia, a dupla não se moveu, gritando em silêncio para que fosse logo.
Sentia-se um inútil. Incapaz de dormir. Incapaz de conversar normalmente. Incapaz de falar olhando nos olhos. Incapaz de controlar os próprios medos e as dúvidas. Chegava a perguntar o motivo de ter sido colocado na Grifinória se, para si mesmo, era um covarde completo. Não notara que no meio de suas epifanias levara as mãos ao rosto em uma atitude que evidenciava seu estado caótico, quebrado e desesperado.
Pior para James era a sensação de estar sendo egoísta. Sirius teve uma convivência com uma família abusiva e fanática por seus dogmas puro-sangue. Remus era um lobisomem. Peter – até mesmo Peter – havia sido abandonado pelo pai e sua mãe trabalhava muito para mantê-lo. E que tinha ele a reclamar? Pais amáveis, ricos, sangues-puro. Tudo isso lhe fazia chorar, porque não entendia seus problemas, não entendia o motivo deles o perturbarem tanto.
— Pare! Pare com essa auto piedade, seu merda! – Exclamou o Black puxando seus braços com brutalidade e assustando o Potter. Ele não conseguia compreender e estava com medo. – Sei pelo seu rosto que está se perguntando qual seu problema, e eu te respondo, isso não é você, é psicológico. – Sirius parecia furioso e Remus, finalmente, perdera a expressão impassível e parecia prestes a gritar com ele junto com Padfoot.
James ainda tinha seus pulsos segurados a ponto de saber que hematomas negros os decorariam por semanas. Remus chiava. E o mais baixo deles parecia acuado, nervoso e culpado, como se tudo fosse culpa sua. O que não era novidade, Potter sempre sentia que havia feito algo mesmo que não tivesse feito.
— E como vocês sabem?! – Perdeu o controle e gritou, entretanto, abaixou a cabeça tentando não se mostrar ainda mais quebrado. Perdia-se cada vez mais. – Eu me pergunto como têm tanta certeza que não estou sendo dramático, se, para mim mesmo, não passo de maldito garotinho sentimental... – Suspirou tremendo, a parte emotiva de sua cabeça nublava a racional.
Abraçou os joelhos respirando com dificuldade. Jamais se entenderia. Um ato de outro alguém inflamara dúvidas que – poderiam passar – passavam longe da realidade, dúvidas lhe levavam a enlouquecer perante possibilidades, possibilidades essas que lhe faziam ter emoções conflitantes que ameaçavam explodir a qualquer momento e impactar na vida de pessoas que não entendiam suas loucuras particulares, eles não deveriam tentar entende-lo de qualquer modo.
No fim, o herdeiro dos Potter era cheio de dúvidas, ansiedades, paranoias. Criava cenários antes deles acontecerem, na verdade, em sua cabeça ele mesmo ironizava que inventava universos paralelos de coisas que jamais aconteceriam. Tudo para si era uma ameaça. Cada pessoa demonstrava um perigo e cada experiência fracassada de interação berrava que era incapaz de olhar nos olhos de alguém e falar sem parecer um idiota.
E havia o modo que lhe encaravam, como se estivessem o avaliando, o julgando, como se cada ato fosse reprovável.
— Estamos pesquisando em livros psiquiátricos trouxas a meses, analisando cada atitude sua, James. – Remus começou forçando Potter a encara-lo nos olhos, fazendo com que o mesmo visse que – talvez – fosse problemático, contudo, pelo menos não seria apenas paranoias pessoais. – Não somos psiquiatras formados no mundo trouxa, mas chegamos à conclusão que sofre de transtorno de ansiedade generalizada. – James franziu o cenho, já ouvira o termo, Mary Macdonald tagarelava sobre aspectos da vida das pessoas não mágicas e esse fora um desses aspectos.
Talvez suas dúvidas pudessem ser diminuídas, mas ele estava tão cansado agora, porém, para o desprazer de seus amigos, sabia que não conseguiria dormir. E o sono voltava a ser um assunto crítico. Cansado sim, com sono nunca!
— Eu não sei. Só sinto que estou fracassando em tudo que faço. Sendo um inútil consumido por ideias utópicas que parecem ter vindo de mentes conturbadas, então, percebo que fui eu o criador delas e grito de frustração. Me sinto fraco e quebrado. A ansiedade domina minha vida. – James desabafou entre soluços, mas nenhuma lágrima escorreu. Suas mãos ansiavam por fazer algo, entretanto, apenas torciam as próprias vestes.
Os amigos sabiam – ou pelo menos achavam que sabiam – muito bem sobre transtornos de Prongs, sabiam que ele se afundava em medos, paranoias e derivados. Entendiam que James não conseguia controlar nada disso, e que lutava para dormir, mas não conseguia. E sentiam – além de pena – uma vontade imensa de ajuda-lo, todavia, sabiam que era mais complicado do que aparentava.
— Dê um sorriso, Prongs. As coisas vão melhorar! – Sirius riu, gargalhou sem saber o que aguardava o mundo nos próximos anos, naquele momento onde dois adolescentes ajudavam um terceiro tudo parecia idílico parecia realmente que as coisas iriam melhorar em algum momento não tão distante.
Peter Pettigrew chegou uma hora depois em lágrimas, soluçando para explicar a Lupin e Black que havia sido obrigado por um grupo de sonserinos a seguir com eles e que fora vítima de azarações humilhantes. Eles não quiseram acordar James que, finalmente, havia caído em sono profundo. Depois explicariam e nenhum deles notou o sorriso de alívio que se formou na face do Potter, que estava calmo como nunca estivera antes.
Ele tinha seus amigos, tinha a falsa sensação de paz, tinha tudo.
Moony deu um abraço em Potter para tranquiliza-lo, apenas para quando o soltasse, Sirius tomasse seu lugar. Era uma calma paradisíaca que tentavam transmitir, quase uma ideia dos sonhos, mas tentavam, e isso valia mais do que qualquer outra coisa.
James Potter só não conseguia entender como ajudava Sirius Black e Remus Lupin. Padfoot se apoiava nas piadas infamas e irresponsáveis, como se nada valesse o estresse mesmo que por dentro estivesse se desesperando. Remus Lupin amava o modo que ele podia sorrir para todos mesmo se sentindo tão nervoso e diminuído perante ao menor dos seres. Peter Pettigrew adorava a facilidade que ele tinha em gostar de todos. Lilly Evans tinha certo respeito pela capacidade de James em sustentar seus amigos apesar de tudo.
Ele está quebrado. Afundando em suas paranoias, medos e nervosismos. Incapaz de olhar nos olhos de alguém, mas, ainda assim, Potter ama o pouco que não vacila perante as dúvidas. Seus pais. Seus amigos. E até mesmo alguns professores. Ele ama, sente um amor quase descontrolado e quer proteger.
É sobre James Fleamont Potter que estamos falando, ele atende também por desastre humano!
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