The Glue
4 Capítulo 4 – Never Run Away
Notas iniciais

Capítulo 4 – Never Run Away
A garota se remexia em sua cama sem conseguir dormir. Com seus quinze anos de idade, ela já estava na fase de ter hormônios à flor da pele, e seus recentes pensamentos a estavam incomodando a ponto de tirar-lhe o sono. Ela amadurecera ali dentro do CRUEL, e não apenas mentalmente. Não só a garota, mas seus amigos também se desenvolveram e ela se pegava pensando em um deles com cada vez mais frequência. O garotinho magricela e franzino se tornara um adolescente bonito, ainda magro, mas com músculos mais aparentes e definidos.
Os cabelos loiros escureceram, tornando-se quase castanhos, e apesar de ainda ter alguns traços infantis, Newt se tornara um jovem lindo. Mais bonito do que a garota imaginara antes. E pensar tanto no amigo deixava a garota inquieta sob sua própria pele. A garota olhou em volta, para as garotas que conhecia há anos: Teresa, Rachel, Alice, Skylynn, Hayley e várias outras com quem não havia criado tanta amizade quanto as primeiras. Levantou o queixo para ler as inscrições na placa de metal pendurada há poucos meses na cabeceira de sua cama.
Franklin
Group B
Subject 5
The Glue
As palavras, tão parecidas com as inscrições de Newt, deu uma certeza à garota: ela não conseguiria dormir enquanto não o visse.
A garota se livrou das cobertas como se elas fossem uma camisa de força. Sentindo-se levemente mais aliviada, ela checou se as outras meninas dormiam e esgueirou-se para fora do quarto quando percebeu que sim. Preocupou-se apenas em silenciar seus passos, pois sabia que ninguém mais estaria acordado a essa hora. Por um segundo, ela estancou, pensando que Newt também estaria dormindo, mas então lembrou-se que ele não se importava em ser acordado por ela. Sorrindo, ela continuou seu caminho por corredores que conhecia como a palma da sua mão. Abriu a porta do quarto GA1-10, contando silenciosamente cinco camas e seguiu para lá. O garoto na cama 2 se remexeu, e a garota estancou, rezando mentalmente para que Thomas não acordasse e a visse ali.
Seu pedido não foi atendido.
– Frankie? – ele perguntou, a voz arrastada e sonolenta. – O que faz aqui?
A garota praguejou silenciosamente antes de responder.
– Não consigo dormir e vim ver Newt. – ela confidenciou. Apesar de não ser tão amiga de Thomas quanto era de Newt e Minho, ela não via problemas em conversar com ele.
– Tudo bem! – ela podia jurar que Thomas revirava os olhos, mas estava escuro demais para saber. – Só não acorde todo mundo.
A garota sorriu, mesmo que soubesse que ele não via. – Obrigada, Tommy! – ela sussurrou.
Thomas acenou para ela e voltou a se deitar. A garota continuou sua trajetória, sem se importar realmente se os outros já estavam acordados. Thomas fazia parte dos novos Criadores, então se ele permitia, a opinião de qualquer outro era descartável. Ela viu Newt em sua cama, deitado quase na beirada da cama e deixando boa parte livre, como se já previsse sua chegada. Ela sorriu, aproximando-se do corpo amolecido do loiro, dos cabelos rebeldes e dos traços angelicais serenos. Suspirou, deitando na cama e acomodando-se ao seu lado. Newt se remexeu, como se reconhecesse sua presença física e mental ali, e seus olhos castanhos nebulosos foram se abrindo aos poucos, ele entendendo sua situação aos poucos.
– Frankie?
– Oi, loiro. – ela sussurrou, sorrindo levemente.
– O que está fazendo aqui? – Newt perguntou, fechando os olhos momentaneamente de sono, mas puxou o corpo magro da garota para ajeitá-la contra si.
Ela estremeceu com o toque dele, mas tentou não demonstrar muito.
– Não consigo dormir. – ela sussurrou, o rosto enterrado no peito largo do garoto. – Meus pensamentos não me deixam relaxar.
– Que pensamentos? – Newt perguntou, ainda de olhos fechados, enquanto levava uma mão até os cabelos da amiga e acariciava os fios castanhos.
A garota se encolheu em si. – Melhor não saber.
– Sabe que não vou desistir enquanto não souber, não sabe? – ele perguntou, e a garota percebeu que essa poderia ser sua chance. Sua chance de um primeiro amor ou de perder seu melhor amigo.
Mas ela percebeu que queria arriscar. Por Newt ela arriscaria até sua vida.
– Newt. – ela o chamou, o tom de voz mais baixo. – Você quer saber mesmo o que tanto me perturba nos últimos tempos? – ela perguntou antes que perdesse a coragem.
– Claro que quero. – ele respondeu, sentindo a ansiedade quase o despertando por completo.
Ele queria saber. Newt percebera que a garota andara perdida em pensamentos e sempre corava quando ele a tirava dos devaneios, e ficava cada vez mais curioso em relação a ela. Ela se remexeu em seus braços cuidadosamente, e Newt se afastou um pouco, esperando que ela se ajeitasse. Mas sentiu o coração explodindo em um turbilhão de sensações quando sentiu os lábios dela sobre os seus. Newt abriu os olhos, surpreso, mas quando percebeu que seus sonhos realmente se tornaram realidade, ele fechou-os novamente, aproveitando o gosto de cereja e chocolate dos lábios da sua garota. Envolveu-a pela cintura e ela pareceu relaxar em seus braços, entreabrindo os lábios para receber sua língua.
A garota estava em êxtase. Finalmente tomara coragem suficiente para fazer o que seu corpo e coração pedia há tempos, e sentia uma felicidade e alívio imenso quando Newt correspondeu. Estivera insegura de início, pois nunca havia beijado alguém antes, mas quando o loiro apertou-a pela cintura e à medida que ele explorava mais sua boca, ela relaxou e deixou de se importar com isso. Nada mais importava além dela junto com ele e a felicidade que a tomava por inteira. Quando o ar se fez necessário entre eles, a garota se separou de Newt, respirando ofegantemente, mas com os olhos fechados para evitar ver a reação dele. Apesar de Newt ter correspondido ao seu beijo, ela não sabia o que esperar dali em diante.
– Frankie... – começou Newt, meio engasgado com as palavras, e a garota abriu os olhos. – Isso foi...
– Desculpa, Newt, eu não devia ter vindo. – ela sussurrou, ainda preocupada que os outros acordassem.
Estava prestes a se livrar dos braços de Newt e sair dali para nunca mais olhar na cara dele de vergonha quando ele a impediu. A garota levantou os olhos, encontrando os olhos acastanhados brilhando para si. Suas mãos pequenas estavam espalmadas contra o peito do garoto, que mantinha uma mão em volta de sua cintura como uma jaula e outra acariciando sua bochecha com carinho. Newt se inclinou e tocou seus lábios nos dela, num selinho simples e cheio de carinho e desejo.
– Você não tem ideia do quanto esperei por isso. – ela ouviu-o murmurar contra seus lábios, e sorriu, seu coração explodindo com sensações ainda melhores que as anteriores.
– Bom saber. – ela sussurrou, seu hálito fresco batendo contra os lábios do garoto, que estremeceu.
– Sabe que não vou deixar você fugir, não sabe? – ele sussurrou.
A garota sorriu e o beijou novamente, numa promessa de que não pretendia fugir dele.
Nunca.
Não dele.
~*~
Acordei do meu sonho com meu corpo sendo balançado. Abri os olhos lentamente, tentando expulsar a sonolência do meu corpo. Pisquei várias vezes, tentando acordar. Não foi o suficiente para me acordar por inteira, mas consegui enxergar que era Minho quem me balançava. Ele abriu um sorriso nos lábios, o que tornou seus olhos ainda menores, assim que me viu acordada.
– Minho? – perguntei, olhando em volta e reparando que não havia mais ninguém perto da orla do Campo-santo, onde eu dormia.
Ben estava ao longe, acenando para nós, enquanto esperava que as Portas se abrissem em uma nova manhã.
– Vim me despedir. – Minho respondeu, capturando novamente a minha atenção. Arqueei uma sobrancelha em questionamento e ele deu de ombros. – Acabei sentindo falta e resolvi que poderia me despedir de você todos os dias.
Eu sorri, assentindo. – É claro! E estarei te esperando todos os dias na volta.
Minho sorriu de volta, inclinando-se sobre mim para me dar um beijo na bochecha antes de correr em direção às Portas, que já se abriam. Assim que ele sumiu de minha vista, ainda antes de chegar às Portas, eu virei para o lado, procurando dormir novamente, mas não consegui. Pensamentos desconexos me perturbavam a mente, e eu sentia algum tipo de sufoco ou angústia no peito. Como se eu estivesse prevendo algo de ruim que pudesse acontecer. Simplesmente balancei a cabeça, expulsando os pensamentos melancólicos e me levantei. Não fiz muito diferente do dia anterior – apenas ajeitei meu saco de dormir entre duas raízes e ajeitei meus cabelos com dedos. A diferença é que eu poderia ir até a Sede escovar os dentes. O que foi uma benção quando Newt me disponibilizou uma escova no dia anterior.
Cocei o olho direito, para espantar o sono, e segui para a Sede. Estava prestes a entrar no banheiro quando fui barrada.
– Bom dia, Frankie! – exclamou Newt animadamente.
Eu soltei uma risadinha. – Bom dia, Newt.
– Vou te deixar usar o banheiro, mas eu queria avisar que hoje você vai trabalhar com os Construtores, tudo bem? – ele disse.
– Claro. – assenti em concordância.
~*~
– Frankie, eu já disse que é melhor você ir trabalhar com Caçarola. – disse Gally, possivelmente pela décima vez.
– Greg me desafiou. – eu disse, fuzilando Greg, que trabalhava não muito longe de nós. – E além disso, é o meu banheiro que vocês estão construindo.
Continuei carregando algumas toras de madeira que haviam chegado comigo na Caixa, até que eu tropecei nos próprios pés e quase fui ao chão se não fosse pelos reflexos rápidos de Gally.
– Tudo bem, Fedelha? – perguntou Gally e eu assenti em resposta.
– Nisso é que dá colocar uma garotinha para fazer trabalho de homem. – ouvi Greg murmurar e eu tive que respirar fundo para controlar a raiva.
– Trolho imbecil. – resmunguei baixinho, mas Gally conseguiu ouvir e soltou uma risadinha.
– Por quê não vai ajudar Caçarola ou Chuck na cozinha? – sugeriu Gally novamente.
Bufei mentalmente. – Por quê quer tanto se livrar de mim?!
– Não é para me livrar de você. – disse Gally, um pouco desconfortável. – Mas se você se machucar, Newt come meu fígado vivo.
Franzi o cenho. – E por quê ele faria isso?
Gally mordeu o lábio, parecendo segurar a risada e como se ele soubesse de algo que eu não sabia.
– Você não faz ideia, não é? – ele perguntou, com um sorriso enigmático.
– Do quê? – perguntei, cada vez mais confusa.
Gally meneou a cabeça, mas se manteve calado.
– Vai logo antes que se machuque. – ele insistiu novamente, e acabei me irritando.
Joguei as toras de madeira no chão e fui marchando furiosamente até a cozinha. Caçarola estava ocupado com o jantar, e eu preferia não colocar a mão na massa. Vai que minha comida não fosse boa o suficiente, e os garotos odiassem? Preferia não ser lixada o resto da minha vida.
– Algo para eu fazer, Caçarola? – perguntei a ele, apoiando meu quadril na pia ao seu lado. – De preferência que não envolva eu cozinhando qualquer coisa que seja.
Caçarola riu e acenou para os fundos da cozinha.
– Chuck está lá atrás, limpando o depósito. O que acha de ajudar o trolho?
Fiz uma careta, mas concordei. – Melhor do que estragar a comida daqui.
~*~
– Cansada já? – perguntou Minho, e eu apenas resmunguei como resposta.
Com a cabeça abaixada entre meus braços cruzados na mesa, tudo o que eu conseguia pensar era em dormir. Meu dia foi cansativo, e não apenas pelo trabalho com os Construtores ou na cozinha – ou até mesmo ter ido esperar Minho em frente à Porta Oeste –, mas era minha mente que também estava exausta. Eu estava apenas no meu terceiro dia ali na Clareira, e eu estava tão confusa e estressada quanto alguém que passara anos ali, como alguns daqueles garotos.
– Não prefere ir dormir, Frankie? – Newt perguntou logo ao meu lado.
Levantei minimamente a cabeça da mesa de jantar onde estávamos sentados, vendo Newt, Alby, Minho, Chuck e alguns dos Encarregados olhando preocupados para minha aparência decadente que pedia por uma boa e maravilhosa noite de sono.
– Tudo bem, eu vou indo. – resmunguei, levantando-me da mesa. – Boa noite.
Recebi vários murmúrios de boa noite de volta, e por um segundo considerei chamar Chuck para dormir comigo, mas descartei a ideia quando o vi se divertindo enquanto conversava com Jeff, um dos Socorristas. Quando cheguei na orla do Campo-santo, eu não raciocinei bem antes de pegar meu saco de dormir e atravessar as árvores esqueléticas e acinzentadas que escondiam a floresta linda e viva que havia por trás delas. Tudo o que eu queria agora era um bom lugar para dormir e me esconder do que o dia de amanhã me aguardava.
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