The Glue
6 Capítulo 6 – Everything will be okay
Notas iniciais

Capítulo 6 – Everything will be okay
– Eu sei que você está se segurando para não chorar. – disse Newt, e a garota abriu um sorriso amarelo; uma única lágrima escorrendo por sua bochecha vermelha.
– Talvez. – ela sussurrou, mordendo o lábio inferior quando sentiu-o tremendo.
– Ei. – Newt chamou sua atenção, segurando o queixo da garota e forçando-a a olhá-lo.
A garota sentia seu coração apertado, uma sensação de incômodo, medo e insegurança sendo despejado sobre ela como um balde de água fria. Ela sabia que não aguentaria muito tempo ali sem Newt e Minho, que já havia se despedido dela. Eles foram selecionados para o primeiro grupo de garotos que entrariam na Clareira do Grupo A. E ela, como uma variável, só entraria dali dois anos. Seriam os dois anos mais longos da sua vida.
– Vai ficar tudo bem. – garantiu Newt e a garota sentiu que no fundo nem ele acreditava nisso.
– Não, Newt, não vai, e você sabe disso. – ela disse, a voz embargada e o coração apertado.
– Vai sim! – ele insistiu, obrigando-a a olhar em seus olhos. – Nós vamos nos encontrar de novo, Frankie. – ele disse com segurança.
– Mas nossa memória estará apagada!
– Isso não importa. – Newt disse, segurando o rosto da garota e olhando com tanto carinho que ela sentiu o aperto no peito se aliviando. – Não importa quantas milhares de vezes apaguem minha memória, eu não vou deixar de te amar. Nós vamos nos encontrar de novo e vamos ficar juntos de novo. – ele previu.
– Mas não vamos nos lembrar. – ela murmurou.
– Não – concordou, uma tristeza avassaladora invadindo seu olhar. – Mas vamos construir uma nova história.
– Promete? – ela perguntou, começando a relaxar e se dar por vencida.
Antes que Newt pudesse responder, a porta do quarto GA1-10 se abriu. Minho colocou a cabeça para dentro do quarto, a expressão devastada e transtornada.
– Newt, está na hora. – ele disse.
A garota sentiu seu coração acelerando e a respiração se tornando irregular. Ela não estava preparada psicológica e emocionalmente para isso. Minho se aproximou do casal que passou a considerar seus melhores amigos desde o momento que entrara naquele lugar. Virou-se para a garota, finalmente caindo-lhe a ficha que, mesmo que a visse dali dois anos, não se lembraria dela.
– Tchau, baixinha. – ele murmurou, com a voz embargada, e a garota não conseguiu mais segurar as lágrimas. Ela o abraçou forte pela cintura, sabendo que sentiria falta daquele abraço amigo e reconfortante. – Vou sentir sua falta.
A garota lembrou que ainda passaria dois anos observando-os, sendo a única com memórias dos últimos anos juntos, e estreitou seus braços ao redor de Minho.
– Vou sentir mais, garoto asiático. – ela disse antes de eles se afastarem.
– Vamos, cara, Thomas já está nos esperando. — Minho disse a Newt, que apenas assentiu, virando-se para a garota.
– Promete? – ela perguntou-lhe novamente.
– Prometo, Frankie. – ele garantiu, segurando o rosto dela em mãos com todo o cuidado e carinho. – Meu coração pertence a você, isso não vai mudar.
A garota sorriu, com as lágrimas ainda escorrendo pelas suas bochechas, e fechou os olhos ao sentir os lábios macios e finos de Newt tocando os seus. Aproximou seu corpo do dele, sentindo seu calor natural e aproveitando o beijo calmo e intenso. Quando Newt estava para se afastar, a garota puxou a nuca dele e não o deixou quebrar o beijo. Quando finalmente se afastaram, a garota percebeu que Newt tinha um rastro de lágrimas no rosto.
– Eu te amo, Frankie. – ele disse, se afastando.
A garota abriu um mínimo sorriso nos lábios.
– Eu também te amo, loirinho. – ela disse, finalmente soltando seus dedos dele e observando a porta fechada por onde Newt passara segundos antes.
~*~
Acordei de um pesadelo com alguém cutucando-me. Senti o suor grudando alguns fios de cabelo em minha nuca e precisei regular minha respiração e expulsar imagens de Greg da minha mente antes de focalizar minha visão. Minho estava debruçado sobre a cama que eu dormia e com a mão ainda tocando meu ombro. Olhei em volta, vendo Newt deitado num cobertor no chão logo ao lado da cama, com a mão ainda estendida no chão como ficara enquanto segurara a minha mão como no dia anterior.
– Está tudo bem, baixinha? – Minho perguntou, preocupado.
Imagens de Greg tentando me tornar vítima e seu Banimento ao fechar das Portas. Preferi mudar de assunto.
– O que está fazendo aqui? – perguntei, sentando-me na cama e prendendo meu cabelo num coque no alto da cabeça.
– Vim me despedir de você, mas te encontrei se debatendo. – ele explicou, afastando-se quando fui me levantar da cama. – Pesadelo?
Assenti, levantando-me com cuidado para não acordar Newt. – Ele tem o sono pesado assim mesmo? – perguntei rindo.
– Você não tem ideia. – Minho disse, revirando os olhos enquanto me levava para fora do quarto e da Sede.
– Onde está me levando? – perguntei, franzindo o cenho.
– Vou te levar para comer. – ele disse. – Acredito que não voltará a dormir.
– Não mesmo. – concordei imediatamente ao relembrar o pesadelo que tinha tido.
Entramos na cozinha e de repente eu quis sair correndo. Não eram muitos garotos acordados àquela hora, mas assim que entrei tive a impressão de que eles multiplicaram. Era desconfortável todos aqueles garotos me encarando e eu preferi que Minho não tivesse me acordado daquele pesadelo. Mais cedo ou mais tarde eu teria acordado sozinha. Mas eu odiava aqueles olhares sobre mim, jogando-me a culpa por Greg ter sido banido no dia anterior.
– Respira, Frankie! – ouvi a voz de Minho e soltei o ar que nem percebi estar segurando. – Vamos pegar alguma coisa para você comer.
Segui-o calada até Caçarola, sentindo-me desconfortável sobre minha própria pele. Caçarola abriu um sorriso fraco para mim enquanto preparava dois pratos. Eu nem ao menos consegui retribuir e logo Minho estava me puxando por entre as mesas. Sentamo-nos de frente a Ben e eu quase quis enfiar minha cara na sopa.
– Você está bem, Frankie? – ele perguntou, parecendo preocupado.
– Não muito. – respondi, abrindo um sorriso um pouco amarelado.
Comi em silencio, apenas ouvindo Minho e Ben falando sobre Verdugos e o Labirinto. Depois de algum tempo, Chuck apareceu e sentou-se ao meu outro lado. Deu-me abraço rápido antes de comer tão silenciosamente quanto eu. Fiquei surpresa de início, mas logo abri o que foi o primeiro sorriso verdadeiro naquele dia. Voltei a comer, mais concentrada em meus pensamentos que nas colheradas de sopa. De repente, porém, uma comoção chamou minha atenção. O barulho da cozinha me fez perceber que algo estava errado.
Cutuquei Minho. – Não era para você e Ben estarem entrando agora no Labirinto?!
Minho pareceu um pouco desconcertado e Ben engoliu em seco. Algo estava realmente errado.
– Minho?! Ben?! – perguntei, arqueando uma sobrancelha sugestivamente.
Minho abriu a boca como se estivesse prestes a dizer algo, mas Ben o impediu.
– Alby nos deu folga hoje. – Ben disse.
Franzi o cenho, desconfiada da explicação deles. Abri a boca para perguntar o que raios teria dado em Alby para dar um dia de folga justamente para os Corredores.
– Só vamos entrar mais tarde. – Minho disse, como se lesse meus pensamentos.
Pensei em deixar esse assunto de lado, até que um Clareano passou atrás de mim e eu ouvi o nome de Greg.
– O que você disse? – perguntei ao segurar o braço dele e perceber que era um dos Aguadeiros. – O que está acontecendo?
O garoto olhou indecisamente para mim e depois por cima do meu ombro. Segui seu olhar e vi Minho coçando a nuca, como se disfarçasse qualquer movimento que fazia antes. A raiva por estarem me escondendo alguma coisa começou a crescer em mim e eu estava ainda mais decidida em descobrir o que era. Levantei-me do banco e, apesar de ser mais baixa que o garoto, pareci ligeiramente mais ameaçadora.
– Diga-me! – exigi, fuzilando-o com os olhos.
Ele engoliu em seco antes de responder-me.
– Estão recolhendo o corpo de Greg que os Verdugos deixaram em frente a Porta Leste. – ele contou, olhando para Minho como se pedisse desculpas. – Vão enterrá-lo no cemitério do Campo-santo e riscar o nome dele do Muro.
Aproveitei a vantagem de já estar em pé e corri para fora da cozinha em direção à Porta Leste. Um grupo de garotos impediram minha visão. Olhei para trás por cima do ombro e vi Minho se aproximando com Ben; eles eram Corredores, iriam me alcançar facilmente. Aproveitei a única oportunidade que eu poderia ter e me infiltrei entre os garotos, que pareceram surpresos demais em me ver ali para qualquer outra reação que não fosse me deixar passar. Quando cheguei às Portas, vi Alby e Newt com alguns garotos ajoelhados em frente a um monte disforme. Quando me aproximei, percebi que era Greg, ou o que restara dele. Corpo deformado, sangrento, e com as vestes rasgadas; outra cena que eu jamais me esqueceria. Mal percebi quando arquejei de terror.
– Frankie! – ouvi a voz de Minho logo atrás de mim e ele tentou me puxar, mas eu estava em choque, com certa parcela de culpa me preenchendo aos poucos, para seguir qualquer movimento.
Newt virou-se surpreso, com os olhos arregalados, e levantou-se para vir até nós.
– Eu pedi para não deixá-la ver isso! – Newt disse irritado, e finalmente entendi porque Minho havia me arrastado para a cozinha.
– Não pude fazer nada! – Minho levantou os braços em rendição, defendendo-se. – Essa baixinha é rápida e não é fácil segurá-la.
Newt suspirou, esfregando o ponto tenso entre os olhos, e me virou, levando-me para longe dali.
– Você não podia ter visto aquilo... – ele resmungou.
Eu ainda estava em choque. – A culpa é minha...
Newt parou em um supetão, colocando-se à minha frente e segurando meus ombros para forçar-me a olhar em seus olhos.
– Não, não é! – ele exclamou num tom alto que chegou a me sobressaltar. – Você é uma Clareana e é contra as regras machucar uns aos outros!
– Seria tão mais fácil se eu fosse à noite para o Labirinto e meu nome fosse riscado do Muro... – refleti, vendo Gally riscando o nome de Greg.
– Não diga isso nunca mais! – ele disse, parecendo horrorizado com a ideia.
– Seria melhor que eu não tivesse aparecido. – resmunguei, esperançosa que ele não ouvisse, mas fora em vão.
– Mas se você não tivesse aparecido, eu nunca saberia o que é amor. – ele murmurou, e eu me virei para ele, que tinha as bochechas coradas.
– O que disse? – perguntei, apenas por confirmação, pois eu havia escutado em claro e alto som.
Newt corou ainda mais, o que particularmente me pareceu ainda mais fofo e charmoso.
– Na-nada. Você trabalha comigo e com Zart hoje, para evitar... algum outro ataque. – ele mudou de assunto rapidamente. – Vamos!
Ele me guiou rapidamente em direção aos Jardins.
Se você não tivesse aparecido, eu nunca saberia o que é amar. – lembrei-me de suas palavras, e não consegui evitar que um sorriso sonhador se abrisse em meus lábios. Com certeza eu não esqueceria dessa frase e queria uma explicação para ela. Balancei a cabeça, sem querer ficar mais confusa do que já estava, e segui-o até a área de ferramentas de jardinagens. Newt pegou um saco de sementes, uma pequena pá de mão e um regador não muito grande e entregou-me.
– Sua tarefa é plantar essas sementes. – ele começou a dizer, mas eu logo o interrompi.
– Quem é o Encarregado? – perguntei.
– Zart. – respondeu Newt, franzindo o cenho.
– Então vou pedir um trabalho que eu seja mais útil. – eu disse, virando-me para ir até o garoto loiro que já se aproximava dos Jardins.
Newt segurou meu pulso, impedindo-me de continuar.
– Sabe que ele não vai mudar sua função. – ele disse, abrindo um meio sorriso sugestivo que fez meu coração acelerar.
Revirei os olhos. – E por quê não?
– Até parece que eu te deixaria fazer algo com o risco de se machucar! – ele disse como se fosse óbvio.
Mas não era, ao menos não para mim. Afastei-me de Newt, irritada com a sensação de inutilidade me tomando novamente, e procurei pelas fileiras onde eu plantaria as novas sementes. Passei as próximas horas sem dirigir a palavra a Newt, apenas vendo-o cortando alguns pés de trigo enquanto eu me arrastava pela terra de um lado ao outro – abrindo um buraco, jogando a semente, fechando o buraco e regando; repetidas vezes. Não era tão exaustivo quanto trabalhar com os Construtores ou com os Retalhadores, mas depois de algum tempo o calor já me castigava e meu corpo pedia pela cama. Estava tão concentrada em meu próprio trabalho que tomei um susto ao ouvir um grito e me dei conta que era ali nos Jardins. Soltei a pá e o regador e me levantei rapidamente, procurando a origem do som. Quando o encontrei, preferi não tê-lo feito. Newt tinha uma careta, enquanto Zart e algum garoto que eu não conhecia seguravam-no. Corri até eles, a preocupação cegando meus pensamentos racionais.
– O que aconteceu?! – perguntei, sentindo meu coração se apertando ao ver um corte largo na perna manca de Newt.
– Parece que um besouro mecânico atacou ele e ele acabou acertando a perna com a enxada. – explicou Zart.
Senti um click em minha mente e as instruções pareceram vir num jato.
– Levem-no para a enfermaria. – eu disse, já me afastando deles. Newt me olhou como se pedisse que eu não fosse. – Vou na frente para avisar os Socorristas. – expliquei.
Não esperei por qualquer outra resposta a não ser um gemido de dor de Newt e saí correndo em direção à Sede, sem me importar quando Alby e Chuck tentaram me parar e perguntar o que houvera. Não dei atenção a ninguém enquanto não cheguei ao quarto onde ficava a enfermaria. Jeff e Clint se levantaram de uma vez, surpresos com a minha aparição.
– Frankie?! – exclamou Clint.
– Newt... – eu murmurei, ofegante pelas emoções que conflitavam na minha mente. – Ele machucou a perna e Zart o está trazendo.
Jeff teve reação imediata: virou-se para ajeitar a maca enquanto Clint corria para pegar algodão e álcool. Logo após vi Minho, Alby e Zart carregando Newt porta afora e suado dele contorcido de dor. Ele foi colocado na maca e Alby se virou para nós.
– Frankie, Minho e Zart, já podem sair. – Alby disse seriamente.
Minhas pernas fraquejaram e quando vi Jeff limpando o ferimento de Newt eu não fui capaz de sair. Zart passou por mim sem me dirigir um olhar sequer e Minho apertou minha mão antes de sair. Fiquei onde estava, apenas revezando meu olhar entre Alby e Newt.
– Frankie... – começou Alby, em tom de aviso.
Pensei em como Newt ficara ao meu lado no dia anterior, sem reclamar do meu choro, sem se afastar uma vez sequer. E agora eu poderia retribuir.
– Não, Alby, não vou sair do lado dele. – eu disse firmemente, aproximando-me de Newt e sentando-me na maca do seu lado.
Alby suspirou, desistindo de discutir comigo.
– Tudo bem, só não atrapalhe. – ele disse por fim.
– Não vou. – garanti.
Jeff e Clint continuaram seu trabalho, mas eu preferi não ver o que faziam. Preferi segurar a mão de Newt, observando seu rosto contraído toda vez que apertava minha mão.
– Está muito profundo. – ouvi a voz de Jeff e eu me virei para ele rapidamente, arregalando os olhos. – Vamos ter que costurar.
Suas palavras foram como gatilho e Clint logo foi a um armário no canto do quarto. Quando retornou, trazia consigo linha, agulha, faixa de gaze, vela e isqueiro. Arquejei quando não vi nenhuma seringa.
– Sem anestesia? – perguntei, surpresa.
Clint negou. – Os Criadores nunca nos mandaram anestesia.
– Droga! – Newt praguejou e minha mente logo começou a trabalhar, pensando em alguma coisa que eu poderia fazer para amenizar sua dor.
Uma ideia insana surgiu em minha mente, mas eu logo a descartei, envergonhada. Quando ouvi o grito de Newt, eu soube que Jeff já estava trabalhando com a agulha e eu não teria tanto tempo para pensar numa ideia melhor. Respirei fundo, sem querer analisar as consequências do meu ato, mas me preparando para elas. Segurei o rosto de Newt em minhas mãos e ele me olhou franzindo o cenho, com gotas de suor escorrendo por sua testa. Fechei os olhos para não ver sua expressão e selei nossos lábios. Senti seus músculos tensos, até que suas mãos foram parar em minha cintura. Arrepiei-me quando senti seus dedos roçando na pele nua do meu quadril e arranhei sua nuca automaticamente. Eu não sabia o que fazer e muito menos como agir a partir dali. Quando Newt, porém, apertou meu quadril, eu soube que apenas aquilo não o distrairia.
Entreabri meus lábios e um turbilhão de sensações me inundou quando nossas línguas entraram em conflito. Não me dei conta de nada à nossa volta que não fosse o choque de nossos lábios, meus dedos em seu cabelo loiro e macio e suas mãos em minha cintura e meu rosto. Separamo-nos ofegantes e Newt selou nossos lábios uma última vez antes de permitir que eu me afastasse completamente. Jeff terminava de enfaixar sua perna e Alby olhava para lugar que não fosse para nós parecendo extremamente desconfortável.
Tive vontade de rir.
– Fique em repouso por alguns dias e esteja sempre trocando o curativo. – indicou Clint.
– Enquanto isso vamos arranjar alguma muleta, só cuidado para não abrir os pontos. – recomendou Jeff, já carregando Clint e Alby para fora do quarto, lançando um sorriso malicioso em nossa direção. – Vamos deixar os pombinhos a sós.
Mordi o lábio de nervoso, tentando evitar olhar para Newt, até que ele puxou meu rosto em sua direção e eu vi um brilho em seu olhar e um sorriso em seus lábios.
– Foi uma boa distração. – ele comentou e eu acabei abrindo um sorriso de lado.
– Foi, é? – foi a única coisa que consegui falar antes de ele assentir e me beijar novamente.
~*~
Semanas mais tarde...
– Olha, eu não sei quem plong vocês são, mas é bom que façam algo decente e mandem anestesia, novos medicamentos e roupas femininas com o próximo cara de mértila sortudo que chega na semana que vem. – eu urrei para o besouro mecânico que estava no muro à minha frente.
O besouro saiu rapidamente e eu me virei para Newt que, mesmo com a perna ainda enfaixada, já poderia caminhar com uma muleta e me esperava apoiado numa árvore não muito longe dali.
– Não sei se me assusto mais com o modo que falou com os Criadores ou com minha blusa que ficou gigante em você. – ele comentou, rindo enquanto lhe dava um tapa leve em seu braço.
– Bobo. – resmunguei, pegando a bainha da blusa que ia até metade da coxa e fiz um nó na altura do meu quadril.
Newt riu, segurando minha cintura e puxando-me contra si, fazendo com que eu batesse contra seu peito.
– Quanto tempo acha que ainda temos? – sussurrei, encostando nossas testas e levando minhas mãos ao seu cabelo.
Newt arquejou, apertando minha cintura.
– Tempo suficiente. – ele disse antes de selar nossos lábios e me fazer esquecer da nossa realidade. Mas isso não importava.
Eu estava com Newt.
Tudo ficaria bem.
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