The Girl and the Wolf
9 Nove
— Isso é tão irônico! – comentei, rindo em descrença. Tyler me encarou confuso com o que eu dissera, ele continuava sentado sobre a cama improvisada (como se ele pudesse fazer mais do que isso no momento) agora com roupa, já que havia buscado uma regata branca e uma calça de moletom cinza para o mesmo usar e, é claro que o ajudei a vestir apenas a regata e nada mais. – Sempre achei que as historias que a anciã contava eram apenas mitos, uma pura invenção. Achava isso sobre a historia do lobisomem. – respirei fundo, era difícil formular palavras coerentes com a mente totalmente confusa. – ‘’ Um dia você ira acreditar’’, parece tanto uma provisão, um aviso para o que iria acontecer como se soubesse que iria encontrar você.
O quão assustador isso iria ficar?
Estava deitada sobre o chão gelado encarando o teto de madeira clara, esperando que em algum momento as respostas caíssem dali como as penas dos pássaros que caiam do céu. Como Marry sabia que isso iria acontecer que iria entrar na Floresta das Sombras atrás de um cachorro louco e que iria encontrar Tyler totalmente ferido no fundo de um barranco? Ela era vidente?
— Anciões sempre sabem sobre o futuro, como videntes. É assustador às vezes. – Tyler comentou rindo baixo. – Mas às vezes suas provisões estão erradas.
— Ela acertou quando disse que iria acreditar em lobisomens.
— Então devo agradecer a ela, se ela não tivesse feito isso estaria bem morto. – ri alto com o que dissera.
— Você devia agradecer mesmo a ele. – apontei para onde Duque se encontrava deitado em cima da minha cama, aparentemente dormindo. Pelo canto do olho vi o homem-lobo se virar com dificuldade para trás para observar o pastor alemão.
— Ele meio que me odeia.
— Você tentou quebrar o meu pescoço, então...
— Touche. – rimos juntos.
Fitei os seus olhos verdes como duas esmeraldas brilhantes, transmitiam paz, uma paz reconfortante. Era estranho olhar para os seus olhos, toda vez que fazia isso sentia algo estranho surgindo dentro de mim, essa sensação que surgia dizia que éramos iguais, como semelhantes. Não fazia ideia do que isso significava. Analisei o restante do seu rosto quadricular que parecia ter sido esculpido com cuidado preciso, em sua bochecha direita havia um corte não muito profundo, a barba rala crescia pela falta de cuidado, os cabelos ainda sujos caiam lhe sobre a testa o deixando fofo. Ele até que é bonitinho.
— Posso fazer uma pergunta?
— Pode. – ele sorriu de lado incentivando a lhe perguntar.
— Existe mais como você na floresta? – precisava saber mais sobre os lobisomens agora que sabia que eles existiam de verdade.
— Sim, mas poucos.
—Como assim? – perguntei surpresa, como podia haver poucos deles, eles haviam sidos caçados?
— A grande parte decidiu ir embora quando os humanos se mudaram pra cá.
— Hmm. Você se transforma apenas na lua cheia? – sabia que era uma pergunta idiota, mas queria tirar o clima pesado que havia no quarto.
— É serio isso? – fiz a melhor cara de seria que podia, cara de desacreditado irritado que ele fazia era muito engraçado. – Você não pode acreditar em tudo que lê ou ouve! – exclamou um pouco irritado.
— Calma, lobinho. — permitir-me rir a vontade, no momento que disse o apelido Tyler semicerrou os olhos verdes.
— Não te dei essa intimidade.
— No exato momento que você colocou minha calça de moletom passei a ter essa intimidade, lobinho. – disse olhando diretamente para ele com um sorriso brincalhão estampado no rosto. O homem-lobo ficou espantado com o que eu dissera olhando para mim e depois para a calça que usava sem acreditar que realmente era minha. Gostava de calças largas para dormir.
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Estava tudo escuro, os únicos raios de luz da lua que passava pelo escudo de árvores não ajudavam a enxergar nada, a floresta de noite parecia ainda mais assustadora. Parecia que a qualquer momento um galho sairia das sombras e arrancaria um membro do seu corpo. No meio da escuridão da floresta uma mulher coberta por uma capa preta corria desesperada, não era possível ver o seu rosto um capuz cobria toda a sua face, em seus braços residia um bebe de mais ou menos dois anos protegido do frio por uma manta vermelha, o pequeno ser estava alheiro a tudo a sua volta à única coisa que lhe importava era estar nos braços de sua mãe. Não fazia a mínima ideia do perigo que corria.
— Ira ficar tudo bem, minha pequena. – o capuz que a cobria permitiu mostrar um sorriso amedrontado, mas reconfortante que era direcionado para a garotinha de olhos cinza.
Os pequenos olhos cinza olhavam para trás, observando as árvores de formas estranhas ficarem para traz como se esperasse que algo aparecesse das sombras, como se ela e sua mãe estivesse brincando de pega-pega. Duas orbes vermelhas apareceram no meio da escuridão, raiva era o que podia se ver nos seus olhos que estavam a fitar a pequena garotinha. A primeira reação que a criança teve foi chorar, mas não de medo e sim de...
LEXI!!
Levantei-me em um banque, respirava rápido e com dificuldade, parecia que havia corrido uma maratona sem parar. Esse definitivamente era o sonho mais estranho que já tivera em minha vida. Engoli em seco passando a mão pela cabeça, estava totalmente atordoada pelo sonho, sentia que conhecia a mulher mesmo não podendo ver o seu rosto, reconhecia a voz, mas não sabia de onde. E voz que chamara meu nome era grossa e amedrontadora e parecia estar com raiva, uma voz de um animal. Balancei a cabeça espantando qualquer resquício do sonho, era apenas um pesadelo como tantos outros que já tivera.
— Pesadelo?- a voz sonolenta de Tyler me tirou do transe, me virei vendo o mesmo deitado com os olhos aberto me analisando. Respirei fundo.
— Sim... Desculpa, não queria te acordar.
— Já estava acordado há algum tempo. – ele continuava a me olhar. Encostei-me sobre a parede percebendo que havia dormido no chão, maravilha.
— Esqueci-me de lhe pergunta uma coisa. – tratei de mudar de assunto antes que ele me perguntasse algo sobre o sonho. Pesadelos deviam ser esquecidos e os sonhos bons lembrados, era o que sempre minha avó dizia. – Como você...
— Ficou todo ferrado?- completou em tom brincalhão logo ficando serio. – Na verdade nem eu sei. Estava andando pela floresta quando um lobo maior me atacou, sem um motivo aparente. — fez uma careta confusa.
— Estranho. – comentei vendo Tyler concordar. – Ele devia ter uma rixa contra você.
— Acho que sim. – ele parecia perdido em seus pensamentos tentando entender o ataque que sofrera.
— Não devia pensar nisso, talvez você nunca saiba o motivo.
— Você tem razão. – voltou a me fitar sorrindo
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