The Girl-Problem.

24 Escrito nas estrelas.


Notas iniciais
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POV Tom Riddle:

Eu nunca me senti tão bem em toda minha vida, tão em paz, tão feliz. Eu me sentia bom como um Lufano, doce como uma garotinha, inocente como uma criança, gentil como uma idosa. Eu me sentia amável. E pela primeira vez, não me sentia eu. Eu me sentia num sonho perfeito e eu não queria acordar. Isso era bom, ótimo. Mas eu sabia que isso iria me matar, mas eu estava totalmente merce desse sentimento, eu havia me entregado totalmente a ele. Dei a ela meu coração, meu corpo, e o que restava de humanidade em minha alma. E ele me deu paz em troca, e isso era mais que perfeito, era lindo. E eu amava isso. Muito. Mas eu a amava muito, mas muito mais.

Eu não me preocupava com nada e nem com ninguém. Isso sempre aconteceu, mas não desse jeito, não dessa intensidade, não desse amor, não dessa maneira. Não era bom. Era mau. Completamente. Era negro e obscuro. Mas agora não, agora estava tudo tão suave que eu quase não me reconhecia. E só havia se passado um dia. Um dia desde que nós admitimos a verdade, o sentimento um para o outro. Mesmo sem palavras, admitimos. Eu nunca fui tão distraído e nem tão feliz. E nem tão Amado.

– Tom? Não vai responder a pergunta? — Perguntou Slughorn. Eu corei freneticamente que pude imaginar meu rosto ficar da cor dos cabelos do Weasley. Abri meu melhor sorriso de desculpas e todos riram. Slughorn me olhou assustado e desconfiado. Abraxas ao meu lado não ajudou nada ao cair na risada e vi Hanna do outro lado olhar para baixo e ficar completamente corada, mas não foi notada. Eu ri também e depois vi Charlus Potter observar tudo com olhos de águia e bufar. Slughorn deu uma gargalhada estranha e cantarolou: — Eu não sei de nada... Ou sei?

A sala começou a olhar estranhamente para mim e eu dei uma desculpa:

– Imaginação, nunca ficaria de conversinha com uma traidora de sangue. — E foi o bastante para eu ver Kaithlyn levantar a cabeça furiosa. Hanna tentou segurar ela mas ela mandou a amiga se calar. Ela saiu do lugar lentamente e me fuzilou com o seu olhar de cobra. Ela literalmente era uma Slytherin pelo jeito, mas seu sangue a condenava a Griffindor. A sala toda prendia a respiração e ela disse em alto e bom som quando parou de frente a minha mesa:

– Pelo menos eu não engravidei uma vadia antes do casamento que eu nem quero que aconteça por que sinto nojo da pessoa. — Uma boa tirada, o bastante pra eu me levantar completamente em fúria e sacar a varinha e vê-la fazer o mesmo. O professor passou ela pra trás e disse alto.

– Tom Riddle e Kaithlyn! Isso aqui não é uma arena de duelos é a aula de poções, comportem-se como alunos e não como guerreiros prestes a se enfrentar. Isso é uma vergonha para os dois! Kath por ser uma dama e não dever agir como uma cobra arisca prestes a dar o bote e nem igual a uma bomba prestes a explodir. Isso é deselegante. E Tom não deve perder sua postura de Lorde e muito menos agredir uma mulher.

– Então mande-a ficar longe do meu caminho! — Falei alto. E ela riu de uma forma monstruosa e que me deu medo.

– Então pare de me provocar, ridículo! — Foi tudo o que ela respondeu até bater o sinal. Kath evitava olhar para Abraxas e o mesmo não conseguia disfarçar o olhar culpado que obtinha. Ela pegou no braço de Hanna e a afastou da sala. Todos já haviam saído, provavelmente com medo de levarem uma bronca por serem lerdos demais para sair da sala. Ficamos apenas eu e o Abraxas com o Slughorn. Nós estávamos quase saindo da sala quando ele mesmo disse:

– Sabe Tom, foi uma atuação em tanto a de vocês. Sério mesmo, enganam até mesmo o pai de Hanna. Mas não a mim. Eu devo dizer a você e ao senhor Malfoy: O amor é lindo, é perfeito. Mas amar Hanna Dumbledore e Kaithlyn Button é muito mais do que vocês dois podem aguentar. Elas são problema. E dos grande. Fiquem longe enquanto podem.

Mal sabia ele que era tarde demais.

****

POV Hanna Dumbledore:

– Aquilo foi demais pra mim... Foi mais do que meu coração poderia aguentar. — Eu falei para Kath. Ela sacudiu a cabeça, por que ela sabia que era verdade e que estávamos nos arriscando muito com essa história de "Amores proibidos.". Estávamos pecando contra nossa personalidade, nossas crenças, nossas pessoas, nossos amores, contra nós. E pior, contra nossos amigos e contra nossas famílias. Eu não aguentaria se meu pai soubesse. Ele iria ficar tão decepcionado! E pior, com razão. E nossos amigos iriam virar as costas para nós. E eu não podia aguentar isso. E a escola iria querer nos matar. Era muito. Era muita coisa para quatro pessoas passarem sozinhas.

– Eu sei que eu devia ter te contado no momento que eu soube... Mas você estava tão feliz! E Riddle não ofende ninguém faz três horas, tem noção do quanto isso é inédito? Eu... Sinto muito Hanna. — Ela me abraçou forte. E foi ali que eu chorei durante uma hora toda com minha amiga. Foi ali que eu disse tudo, mas tudo o que me preocupava: Meu pai. Nossos amigos. Riddle. O amor que eu sentia e queria que fosse embora, mas que insistia em ficar cravado em meu peito como uma cicatriz de selo. A escola. A Slytherin. Os Malfoys. Foi tudo e o nada. Foi ali, no ombro de Kaithlyn Button que eu debulhei-me em lágrimas por coisas que ela já sabia e já sentia, mas que ouviu em silêncio e entendeu.

– Por que com a gente? — Perguntei. Ela que agora segurava suas lágrimas por necessidade de mostrar que era forte, caiu em desespero. "Eu não sei." Era a resposta que nenhuma boca conseguia falar. Aquilo era forte. Era a culpa. A culpa da traição. A culpa da força que teríamos que ter. A culpa do amor que não deveríamos nem sequer cogitar a ideia em nossos mais distantes devaneios. Aquilo era a coisa que eu carreguei durante anos e mais anos, mas com mais intensidade possível. A culpa de um amor proibido e reprimido que nós carregaríamos pelo resto de nossas vidas.

– Deveríamos contar para nossos amigos, Hannie... — Kath disse depois de parar de chorar. Ela secou seus olhos e depois os meus. Eu balancei a cabeça, não conseguia parar de chorar tudo o que eu quis naquela aula. Parecia que não hora eu não ia aguentar, mas eu não desisti e decidi lutar contra o choro na hora, mas aqui, eu não conseguia, eu estava entregue a minha sorte. — É o certo, Hannie... O certo.

– Isso daqui não é um filme, Kath! No final tudo não dá certo! Nós vamos sofrer, ficar sem amigos e sem família! Não podemos contar, por nós e por eles! — Falei e desmoronei. E naquele momento Riddle apareceu na porta do banheiro com Abraxas.

– Hanna... Por favor... — Ele começou a falar e isso me matou mais um pouco. Kath pegou a varinha e colocou um feitiço silenciador e Abraxas trancou a porta. Tom abaixou e me abraçou forte e disse: — Eu acredito na gente. Eu tenho fé que dará certo. O destino não nos fez nos amar dessa forma pra nós não vivermos isso. — E tudo que eu sentia se esgotou. Acabou. Sumiu. Como uma droga, ele me fez esquecer de toda a dor que eu sentiria e sentia, me fez esquecer de todos os julgamentos que eu passaria, de todos que eu atropelaria, de todos que morreriam... Que ele poderia morrer... E eu também.

– Isso não tá certo, Tom... Não deveríamos... — Ele balançou a cabeça e sorriu.

– Eu prefiro acreditar que isso já estava escrito nas estrelas, Hannie. — Eu olhei para ele e ri, isso era um absurdo e era ainda mais inacreditável ouvir sair da boca de Tom Riddle. E de uma forma tão doce... Tão não ele.

– Isso é ridículo! — Falou Kath. E ele riu ainda mais e assentiu. Por uns bons minutos eu pude me sentir uma adolescente comum: Pude me sentir em uma roda de amigos. Ver minha melhor amiga abraçar o namorado, pude vê-la beija-lo. Pude vê-la sorrir e pude fazer a mesma coisa. Pude ser feliz e me sentir livre, longe de problemas. Que pelo visto era o que nos aguardava em um futuro não muito distante.

– Temos que ir. — Falou Abraxas antes de dar um beijo curto em Kath e dizer que a amava. Tom o olhou com uma cara estranha. Ele não queria ir, e eu não queria que ele fosse. Mas era necessário. — Você é pai Tom, onde estava de tão importante que não foi ver a mãe do seu filho?

Mentiras. Teríamos que mentir bem agora.

– Eu não vou mentir! Me recuso! — Kath disse exasperada. Abraxas a olhou de forma paciente como se olha para uma criança teimosamente sádica e disse:

– Você não tem escolha. Desculpe, Kath. — E ela tentou argumentar, e eles brigaram feio. Eu e Tom ficamos apenas observando as tacadas como em uma partida de Quadribol:

– Agora sua áura Griffindor é mais importante que sua vida? Nosso namoro?

– Nosso namoro? Você ainda está namorando aquela rata slytherin e vem falar de "nosso namoro"?

– Eu não tenho escolha! É um disfarce!

– Ah, que belo disfarce, faz parte dele ir pra cama com ela todo fim de noite?

– Eu não tenho esco...

– PÁRA DE FALA QUE VOCÊ NÃO TEM ESCOLHA QUANDO VOCÊ SIMPLESMENTE NÃO QUER!

E a minha fixa caiu. Não era que eles não tinham escolhas: Eles não poderiam deixar de ser Slytherins, fora de cogitação.

– Eu cansei. — Sussurrei. Kath chorava alto e Abraxas também. — Eu cansei! — Falei mais alto e Tom me olhou. — Isso NUNCA vai dar certo! Vocês não notam? Nós NUNCA vamos poder ficar juntos! Isso é um erro, e eu estou cansada de erros por que aparentemente a minha vida é feita deles! — E depois disso eu peguei meu casaco e levantei Kath. Limpei seus olhos e a olhei decidida. Ela entendeu o recado: Ignorar. : — Isso é um fim. Acabou para nós. Para todos nós.

E saímos da sala o mais rápido possível.

****

POV Seler Malfoy:

– Seu filho será lindo minha filha... Tom é lindo! E será um ótimo marido. Notas impecáveis, sangue Slytherin. Perfeito. — Minha mãe tagarelava sobre Tom, sobre meu filho, sobre a minha família, sobre o nome da criança, sobre o dinheiro que nos já temos e que teríamos em dobro, sobre tudo, menos sobre o que eu queria e quem eu era. Ela não tem culpa, ela foi criada para isso: ser uma mulher fútil e conformada. Ter um único objetivo de vida: A minha vida. Todas as Malfoys são obrigadas a agir assim. Mas eu não queria, eu não podia. Minha história tinha de ser diferente. Eu tinha que ser livre.

Eu fui criada para ter luxo. Fui criada para ser linda e rica, para ter filhos e marido. Para dar um primogênito ao meu marido que eu seria obrigada a fingir amar e a ser fiel igual a um labrador. Eu era tudo o que uma Malfoy deveria ser: Eu era bonita, eu era talentosa, eu tinha dinheiro e eu tinha honra. Mas eu não teria por muito tempo e eu sabia disso.

O Filho não era de Tom.

Mas eu não poderia dizer isso a ninguém. Eu não poderia dizer que eu estava grávida de quem eu estava. Eu não poderia contar. Isso me arruinaria. Me envergonharia e me condenaria a pobreza e miséria. Ama-lo já era a minha ruína. E isso me envergonhava cada dia mais.

– Festas.... Presentes... Riqueza...

Era tudo o que elas falavam e tudo que eu queria não ter que escutar: Dinheiro e luxúria. Isso seria a minha vida; As festas. Isso seria o ponto nobre da minha pessoa. O meu trabalho seria a minha casa e a minha vida os meus filhos. Meu sangue azul me condenava a isso. Eu tinha tudo mas eu não desejava nada do que tinha. Eu só queria que meu filho nascesse feliz e forte e que fosse verdadeiro e uma ovelha negra. Mesmo que ele sofresse por isso, tudo que eu desejava era que ele fosse uma ovelha negra corajosa o bastante pra viver sua vida longe de nossa família.

E céus, como eu orava para minha criança fosse um menino.

– Está tudo bem... Sua gravidez não irritou seu pai...

Era tudo que eu mais queria; Irritar o meu pai. O ser que eu era obrigada a chamar de pai. O ser que batia na minha mãe. O ser que me concebeu através de um estupro na sua própria mulher. O ser que eu mais odiava no mundo. O ser que odiaria se a minha criança nascesse com o cabelo da cor do pai dela. Do verdadeiro pai. Ele odiaria a minha criança com cabeça de cenoura. Mas eu infelizmente sabia que independente de tudo, ele odiaria-me no final, por que estava decidida a desonrar a minha família.

E o meu filho seria apenas o início de um império.

– Ouviu bem, filha? — Perguntou minha avó.

– Maravilhosamente bem, vovó.