The Girl Next Door
9 I'm not in love with her
Notas iniciais
“Santana, vamos dividir!” Quinn insistia em pagar metade da conta.
“Desista, Quinn.” Rachel murmurou de braços cruzados atrás dela.
A loira voltou o olhar para a morena e deu um leve sorriso, que foi retribuído tímidamente pela morena. Quinn não tivera um grande progresso com Rachel essa noite. Poderia dizer que ela estava seguindo com passos de bebê.
Elas saíram do restaurante e se depararam com a noite fria de Nova York. O inverno estava chegando mais cedo este ano. Assim, as garotas rodearam os corpos com os próprios braços tentando se proteger do frio.
O vento gelado batia contra seus rostos e os queixos tremiam tanto que chegavam a fazer barulho.
“Santana?” Uma voz desconhecida soou atrás delas.
“Mark!” A latina gritou para o homem que vinha em direção a elas.
Os dois se cumprimentaram e começaram uma conversa onde Quinn e Rachel estavam completamente alheias.
“Meninas, vão indo para o carro. Eu já encontro vocês lá.” Santana estendeu a chave para Rachel e voltou sua atenção para o amigo.
O carro ainda estava um pouco longe, então as garotas apressaram o passo antes que morressem congeladas.
“Céus! Eu vou congelar!” Rachel exclamou. E essa foi a primeira vez na noite que Quinn não teve que se aproximar para ouvir o que a morena dizia.
“Vem cá.” A loira puxou Rachel para mais perto e esfregou seus braços enquanto elas caminhavam em direção ao veículo. A morena ficou um pouco tensa, mas acabou agradecendo com um sussurro.
Elas entraram rapidamente no carro. Rachel no banco de trás e Quinn no do passageiro. E o silêncio novamente se fez presente. A loira as vezes se perguntava se aquela era mesmo Rachel Berry. Porque a Rachel Berry que ela conhecia não conseguia parar de falar um minuto sequer.
Quinn virou-se no banco para encarar a morena. Quando Rachel percebeu, desviou os olhos para as mãos cruzadas no colo. No entando, a loira não ia deixar assim. Ela saiu de seu assento, contorceu-se para passar entre os bancos e sentou ao lado da morena. Talvez ela fosse um ninja.
Rachel tinha os olhos arregalados para cima dela e uma expressão engraçada no rosto. Quase um sorriso.
“Por que você fez isso?” A morena perguntou tentando conter o riso. Toda aquela performance de Quinn fora, de fato, engraçada.
“Por que você não fala comigo?” A loira respondeu com outra pergunta.
“Eu estou falando com você agora.” Rachel desviou o olhar de Quinn e passou a prestar atenção na rua.
“Só porque eu estou meio que te obrigando a isso. E é claro que você não ia deixar todo o meus esforço de mudança de bancos passar em branco.” Rachel riu de leve.
“Eu não sei porque eu não falo com você.” A morena ainda mantinha o olhar na rua.
“Bom, eu acho que você devia.” Quinn queria deixar o clima mais leve dessa vez. Sem lágrimas, discussões ou gritarias.
“E porque você acha isso?” Rachel levou os olhos até a loira e perguntou de forma divertida.
“Porque eu sou muito legal e estou disposta a fazer você confiar em mim de novo.” Quinn disse confiante e a morena sorriu. “Então...” A loira olhou esperançosa para ela.
Mas Rachel não dizia nada. Apenas a encarava Quinn que começava a desfazer o sorriso em sua face.
“Oh, vamos lá, Rachie...” Quinn se aproximou da morena e sacudiu-a. Rachel sorriu mais uma vez. “Se você não falar nada eu vou ter que usar minha arma secreta.” A morena apenas arqueou a sobrancelha em desafio. E Quinn pensou: ela não deveria ter feito isso.
As mãos rápidas da loira começaram a percorrer todo o corpo da morena fazendo muitas cocegas. Rachel tentou segurar a gargalhada, mas uma hora sua boca explodiu. E agora ela ria alto, tentando se desvencilhar dos braços e mãos de Quinn.
“TUDO BEM! TUDO BEM!” Rachel gritou quando o ar estava faltando e o estomago começava a doer. “Eu dou uma chance para você.” A morena disse ainda sorrindo.
A loira deu um sorriso que era tão brilhante quanto as luzes de Nova York e lançou seus braços em torno de Rachel. A morena retribuiu o abraço e se aconchegou ao peito de Quinn. Ela sentia tanta falta disso.
As duas ficaram naquele momento durante algum tempo. Quinn sentia o cheiro de baunilha dos cabelos de Rachel invadirem suas narinas, o que trazia milhões de lembranças. Ela apertou mais o corpo da morena contra o seu e enterrou o rosto no pescoço da diva.
Só se separam quando ouviram Santana abrindo a porta.
“Não vai sentar aqui na frente, Quinn?”
“Não, vou ficar aqui.” Ela respondeu simples. Mas Santana lançou-lhe um sorriso cheio de segundas intenções.
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O sol aparecia parcialmente entre as nuvens. E Rachel aproveitava para receber um pouco de vitamina D.
Ela picava o pão em pequenos pedacinhos quando um e outro pombo aparecia para come-los. O Central Park estava vazio àquela hora da manhã. O que era estranho já que as pessoas optavam por caminhar com seus cachorros e passear com seus bebês.
O último pombo se foi e ela começava a se sentir sozinha, quando aquela voz doce e melodiosa soou atrás dela.
“Rachel?” Não precisou se esforçar para achar a dona da voz. Quinn já sentava-se ao seu lado e observava o horizonte.
“Olá.” Rachel disse tímida. No entanto, a loira apenas virou a cabeça e encontrou seus olhos, esbanjando um pequeno sorriso.
E era nesses momentos que a morena se perdia totalmente nos olhos verdes. E tudo a sua volta não significava nada.
Ela percebeu que Quinn se aproximava cada vez mais até que seus lábios se tocaram. A loira massageava os de Rachel até ela corresponder também.
Rachel abriu os olhos rapidamente. Seus olhos vagaram pela quarto até ela reconhecer onde estava. Ótimo, mais um sonho. Levantou-se e foi até o banheiro jogar água no rosto. Ela já estava ficando maluca com aquela situação.
Não era a primeira vez que ela tinha sonhos daquele tipo. O primeiro foi na sua terceira semana em Nova York. Ela acordou realmente assustada. Não era o tipo de coisa que se sonhava com sua melhor amiga. Então ela interpretou como se fosse seu cérebro gritando por contato diante das saudades que sentia.
Mas os meses foram passando e os sonhos continuaram. Quinn a beijava e ela correspondia. No começo ela acordava e tratava logo de esquecer. Porém, conforme o tempo foi passando, ela não queria mais acordar.
E tudo isso criou uma situação confusa na sua cabeça. Além de tornar a distância e a falta de contato entre ela e Quinn algo muito mais insuportável. Ela não sabia o que fazer e muito menos como agir diante disso. Mas algo havia mudado dentro dela. Ela só tinha medo de descobrir o que era.
Percebendo que não conseguiria mais dormir, levantou-se e seguiu até a sala. Quando parou na porta, notou Santana deitada no sofá assistindo algum filme que ela não conseguia identificar.
A latina desviu os olhos da tela em sua direção e arqueou uma sobrancelha. Rachel apenas bufou, fazendo com que Santana risse. A latina a conhecia bem o suficiente para saber o que estava acontecendo.
Abriu a geladeira e se apoiou na porta em busca de algo. Ela só não sabia o que.
“Rach, não é por nada, mas sou eu quem paga a conta de luz.” Santana falou da sala sem desviar o olhar da tela. A morena bufou e optou por fazer um chá.
Voltou para sala com a caneca fumegante entre as mãos. Sentou-se em uma das poltronas e trouxe os pés, que estavam vestindo as pantufas de ursinho, para cima da almofada.
Ela levou os olhos até a televisão, tentando, novamente, identificar o que passava. Mas a única coisa que viu foi corpos sendo estraçalhados. Desviou o olhar rapidamente e pousou em Santana, que já a observava.
“Não sei como consegue assistir esse tipo de coisa.” Rachel disse antes de dar um gole em seu chá. A bebida passou queimando por sua garganta. Droga! Ela sempre esquecia de esperar esfriar.
A sala voltou a ficar em silêncio. Mas Santana não tirou seus olhos de Rachel. E a morena estava ficando incomodada com isso. Ela se mexeu desconfortável na poltrona e percebeu que a latina ainda a olhava.
“O que você quer?” Perguntou rude, fazendo a amiga sorrir.
“Sonhando com a Fabray de novo?” Santana perguntou portando um sorriso cada vez maior na face. Rachel se limitou a bufar. A resposta para aquela pergunta era óbvia. “Você não acha que isso significa-“
“Eu não estou apaixonada por ela, Santana.” Rachel cortou a latina.
“O que eu ia dizer era “Você não acha isso significa tesão lésbico reprimido?”, mas você acabou de se entregar, GayBerry.” Santana sorriu vitoriosa enquanto a morena jogou a cabeça para trás e começou a observar o teto.
“Isso não faz sentido. É a Quinn.” Ela suspirou.
“E qual é o problema? Ela é bonita, e você assim como eu, sabe que ela também é desejável.”
“Ainda assim, é a Quinn.” Voltou a olhar a latina.
“Sim, é a Quinn. A garota mais bonita que você já conheceu. A garota com a qual você disputou namorados e a coroa do baile de formatura. A mesma garota que fez com que você ganhasse a coroa do baile de formatura. E também é a garota que você correu atrás e não desistiu até fazer com que ela se reencontrasse na vida e saísse daquela confusão de Skanks e cabelo rosa.”
“Pera, a Quinn fez com que eu ganhasse a coroa do baile de formatura?” Rachel perguntou surpresa.
“Sério, Rach? Foi tudo isso que você pegou do meu discurso?” A latina perguntou fingindo indignação.
“Certo, desculpe. Mas eu ainda não entendi o seu ponto.” A morena bebericou seu chá.
“O meu ponto é: talvez esse sentimento que esteja tomando conta do seu coraçãozinho não seja tão novo assim.” Rachel balançou a cabaça em descrença, aquilo não fazia sentido algum para ela.
“Eu acho que você está louca.” Foi a única coisa que a morena conseguiu dizer, despertando alguns risos em Santana.
“Eu não vou mais confundir a sua cabeça, mas pense no que eu te faltei. Faz mais sentido do que você pensa.” A latina piscou e se levantou indo em direção ao quarto.
“Santana, espera!” Rachel chamou, mas logo se arrependeu.
“Fala.” Ela se apoiou na soleira da porta.
“Eu... eu queria saber como você descobriu que estava gostando da Britt.” A latina sorriu. Ela atingira a morena exatamente no ponto que queria.
“Berry, eu adoraria conversar, mas são três horas da manhã e eu estou com sono.” A morena murmurou um “tudo bem”.
“Santana!” A morena chamou novamente. A latina apenas arqueou a sobrancelha pedindo que ela continuasse. “Posso dormir com você?” As imagens sangrentas do filme ainda não saíram de sua mente.
“Vem.” Santana revirou os olhos divertida e puxou a amiga consigo.
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No apartamento da frente, Quinn também estava tendo dificuldades para dormir. Ela tivera um sonho, ou melhor, um pesadelo com seu peixe. E agora estava um tanto paranóica.
Ela estava considerando a hipótese de devolve-lo amanhã. Porque além de errar constantemente a sua alimentação, esquecera o coitado na varanda, onde provavelmente estava muito frio. E ela tirou duas conclusões disso tudo. Primeira: ela era uma péssima mãe. Mas Shelby não poderia saber disso. E segunda: ela deveria ter abaixado a tampa da privada, porque nunca se sabe quando um peixe pode aparecer por lá.
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