The Ghost Of The Day
9 Capítulo 9 - Sweet Nightmare - 2ª parte
Notas iniciais
Esperem que gostem ^^
POV – Pedro
O que eu estava fazendo?
Eu devia estar louco, com certeza, essa era a única explicação óbvia para tudo o que estava acontecendo. Como eu podia fazer aquelas coisas?
Apaixonar-me estava em último dos últimos planos, mas eu não estava apaixonado... assim eu acreditava. Então como explicar que a cada sorriso que aquela humana dava, eu me... sentia... feliz?
Felicidade era uma coisa que eu nem mais falava o nome, pra quê? Eu tinha tudo que queria, graças ao pacto, mas... com ela parecia ser um tipo diferente... E meus pensamentos sempre terminavam com...
Era até engraçado, nunca pensei em me sentir feliz com uma humana qualquer, e quando eu pensava em humana qualquer, relacionado a ela, me sentia... mau, mais do que o costume.
Bem, eu estava estranho.
Ficar com ela me fazia bem, mas eu não podia me apaixonar de jeito nenhum, quebraria o pacto e com certeza seria propício para o blábláblá do apocalipse; eu era fiel a quem eu seguia.
Eu estava fingindo? Sim, era preciso, sentia a louca vontade de proteger aquela frágil humana, porém frágil também nos sentimentos. Luiza pensava que eu não via, mas sempre estava chorando, ainda mais depois do...
Pensar naquilo não me deixava apenas com raiva, me deixava furioso, a ponto de matar alguém, e seria aquele verme do padrasto dela que era o escolhido, mas não é que Luiza era inteligente? Não deixou matar o filho da...
Como eu poderia ser tão afetado com uma coisa que aconteceu com uma humana? Eles sempre foram tão... nojentos e fracos para mim, nunca precisei deles, e agora... agora isso. Eu nunca conseguia terminar os pensamentos...
Por que eu apenas não fiz o que ele mandou e cai fora? Deixei-me levar por um desejo incontrolável: ela. Seus beijos... era uma sensação que eu nunca havia experimentado.
Ela não era como as outras, isso parecia meio clichê, mas ela simplesmente não era. Era forte, mas sensível, era normal!
Eu me peguei olhando aquele seu lindo rosto dormindo... ei, não podia me permitir pensar nisso. Mas mesmo assim eu admirava...
Luiza começou a se mexer meio desconfortável, mas parecia estar longe de acordar. Estava tendo um pesadelo, e começava a alterar os sussurros assustados com pequenos gritos de socorro, achei melhor acordá-la, ela não gostaria que o pai viesse aqui.
Lá ia eu de novo me preocupar com ela...
— Luiza? Luiza? – a chamei com a voz baixa. – Acorde.
De novo aconteceu, fiquei meio... sei lá ao ver os olhos dela se abrindo devagar.
— Sim – a voz dela me tirou dos meus pensamentos... bom...
Querendo ou não, ela era um doce pesadelo meu... Sempre quando eu via a Terra, eu seduzia alguma humana, mas era apenas a questão de prazer, sexo, nada com sentimentos, por que também logo depois elas morriam ou ficavam malucas de vez, e nem assim me preocupava. Era assim que eu vivia, entre elas e a maldade, e em questão de apenas um olhar daquela humana, de alguma forma eu já não achava mais aquele eu. Aquele fantasma mau, sombrio e obscuro, sem sentimentos. A última afirmação ainda continuava, pois eu estava com ela para o meu bem prazer... achava né.. Teria que ser assim, apenas prazer, nada de sentimentos, e sentia pena de Luiza.
Antes eu nunca havia levado alguém aquela praia em meus pensamentos, e isso era uma coisa complicada. Desde que fiz o pacto, eu poderia fazer o que eu quisesse, contando que eu excluísse os humanos dos planos. E eu não estava arrependido de levar Luiza lá, apenas sabia das consequências que sofreria, com certeza ele já sabia.
POV – Luiza
Assim que cheguei ao banheiro, fiquei tonta e cai. Senti as lágrimas caírem, sem motivo inicial, mas era o acontecimento de ontem, que parecia ter passado dias. Claro, menos de cinco segundos Pedro me ergueu do chão e me pôs de volta na cama.
— Tem certeza que quer ir a escola? – perguntou ele, limpando as lágrimas da minha bochecha, enquanto outras desciam com raiva.
Levantei-me com raiva e peguei a roupa no guarda-roupa, enquanto engolia minhas próprias lágrimas idiotas.
— Luiza? Você está bem? – Pedro me fitou com a cabeça meio inclinada e com uma expressão de dúvida no lindo rosto.
— Quer saber? – comecei, minha voz tremia. – Eu estou cansada de ficar chorando por aí! Eu não estou aqui? Viva e bem? Então pronto, não preciso dessas merdas de lágrimas.
Ele se levantou e me abraçou, encostei minha cabeça no ombro dele, segurando a minha vontade estúpida de chorar.
— Chorar é normal.. bem, não posso falar muito sobre isso, pois não sou como vocês, mas pelo o que eu vi, humanos têm uma grande capacidade de chorar, e por tudo. Por que você seria diferente?
Mesmo com aquilo, não derrubei nenhuma lágrima, eu simplesmente seria forte.
Tomei banho – ainda sem chorar – e arrumei-me. Pedro, como sempre, ficou sentado olhando-me. Antes de eu sair, me deu um beijo e partiu. Fechei a casa e fui esperar Alice sair para irmos a escola, estava na hora de sair um pouquinho do meu mundinho do fim de semana desastroso e curioso.
Alice não demorou muito tempo, e levei um baita susto quando a vi. Seus cabelos pretos estavam com mechas claras, dando um ar de mais garotinha. Ela estava ainda mais linda! Em seus olhos havia um traço fino de lápis, com uma sombra meio prateada. Alice veio andando, com uma postura mais confiante, ela havia mesmo mudado.
— Ual, cadê a Alice? – brinquei, ela deu um meio sorriso tímido, mas depois ficou séria.. séria demais. – O que foi?
Começamos a caminhar.
— O que foi, Luiza? Por onde esteve esse fim de semana? Eu queria que você fosse ao salão de beleza comigo, te liguei várias vezes, mas você simplesmente não atendeu. Eu tentei ir à sua casa, mas sua mãe falou que você não estava e depois iria me explicar algo.
Eu estava frita, teria que contar a verdade.
— Quando chegarmos a escola, eu te conto – seria impossível eu não chorar, e não queria fazer isso na rua.
Ela assentiu, paciente.
Assim que chegamos a porta do colégio, ela me puxou rapidamente pro banheiro feminino, me empurrou gentilmente pro banco ao lado da porta e me encarou. Eu ri da cara dela, mas o assunto era bem importante.
— Pode me contar o que aconteceu no final de semana – tipo, ela estava exigindo. Eu queria rir de novo, mas me calei, por saber que depois que eu contasse, ela enfartaria.
Agora.. Como eu contaria?
— Bom.. é que.. bom.. tipo, não se assusta, é que..
Ela cruzou os braços na barriga e fez uma pose engraçada.
— Quando você começa a gaguejar, é que algo sério aconteceu. E nem vem fazer essa carinha de cachorro abandonado que não adianta comigo, fale logo.
Cachorro abandonado? Eu nem estava fazendo cara nenhuma.
Esperei um bom tempo, respirei e soltei logo de uma vez:
— Marcos tentou abusar de mim – falei rápido, e juro ter visto Alice cambalear pra trás.
Ela me olhou, pela primeira vez totalmente séria, e vi uma lágrima se formar no canto do olho.
Cerrou os pulsos do lado do corpo e respirou pesadamente.
— Eu nunca quis matar tanto seu padrasto – disse, com os dentes cerrados.
Eu a abracei e quando percebi estava chorando. Eu podia sentir a raiva dela passando devagar para mim. Não podia me deixar com raiva, não agora.
— Tudo bem, ele já foi preso – tentei dizer, como se tudo que tivesse acontecido não tivesse me ferido mentalmente.
Alice me olhou pasma.
— Tudo bem? Tudo bem? – ela foi aumentando a voz. – Luiza! Você quase foi... – ela parou, mas voltou a falar com a voz baixa, percebi que aquilo a atingiu profundamente – estrupada – e uma lágrima caiu de seu olho, antes de me abraçar novamente.
Tentamos agir normalmente nas aulas seguintes, mas percebi que Alice sempre estava alerta, lançando olhares magoados em minha direção, como se algo fosse acontecer. E eu sempre tinha um arrepio. Eis que senti a presença de Pedro ali, e eu sorri – e também vi Alice me encarar, mas nem liguei. Ele estava ali e eu estava segura.
Isso mesmo, você está segura.
Relaxei um pouco mais e consegui prestar atenção nas aulas. No intervalo foi a mesma coisa, Alice não saiu do meu lado, e eu até que agradeci isso em mente. Eu amava tanto ela, que chegava a pensar que éramos irmãs.
As pessoas em sala de aula faziam questão de sorrir pra mim educadamente. Gabriela chegou a conversar animadamente conosco.. mas Filipe fez questão de não me dá muita bola, ele havia mudado tanto! Mais ninguém me tratava estranho, só ele.
Notas finais
Beijinhos e até o próximo
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