The Ghost Of The Day

7 Capítulo 7 - Hard to believe


Notas iniciais
Hello ò desculpem a demora mesmo, mas sabe como é... últimos dias de aulas, provas do quarto bimestre, despedidas, festas... atrapalhou um pouco, mas também foi um pouco difícil escrever este capítulo, como as coisas descritas no outro nunca aconteceram comigo, não pude saber como uma pessoas se sentia depois, então saiu tudo da minha cabeçinha... Boa leitura !

Vesti-me, com ajuda de Pedro, pois ainda estava tremendo. Ele apenas deu mais um soco na cabeça de Marcos e ele desmaiou. Eu via o desejo de morte nos olhos de Pedro, que acho que se controlou apenas por mim, que agora precisava mais dele do que tudo. O que eu faria? Fugiria dali? Como explicaria a todos como fugi dali?

- Vamos fazer assim – Pedro controlou a voz. – Você liga pra sua mãe e desce. Depois você fala o que aconteceu, me excluí da história e diz que... – ele olhou o quarto e pegou uma cadeira ao lado da cama – que bateu nele com a cadeira. O.k?

Assenti, ainda assustada demais para falar. Talvez minha voz falhasse. Meu rosto queimava onde Marcos me deu os tapas. Meu corpo doía, eu já via vários hematomas. E a pancada que levei na cabeça.. nossa, doía muito, talvez fosse por isso que eu estava tonta.

Pedro me colocou em seu colo e examinou os hematomas nos meus braços. Eu só o queria agora comigo, só. O abracei fortemente e chorei, mas chorei muito. Como aquilo podia ter acontecido? Por que tinha que ser comigo? Eu nunca pensei que isso acontecia mesmo, pra mim, essas pessoas que abusavam de crianças e adolescentes só aconteciam nos filmes ou em pessoas que eu não conhecia. E agora tinha acontecido comigo. Eu sabia que estava traumatizada para o resto da vida.

- Shiii – Pedro me acalmou. – Vai ficar tudo bem.

Era estranho vê-lo preocupado novamente e acalmando uma pessoa. Aquele negócio de ser bonzinho não pegava com ele, e eu acreditava que nunca iria pegar.

- Eu disse que também era outras coisas – murmurou, na tentativa de me fazer rir, o que muito mau saiu em um sorriso.

Ele pegou meu celular no bolso de trás da minha calça comprida e me estendeu.

- Vamos, ligue pra sua mãe.

Suspirei e não disse nada. Eu não sabia como minha voz estava, e nem queria saber, mas precisava telefonar para minha mãe, seguindo o plano de excluir Pedro do acontecido.

Disquei o número dela e tocou uma, duas, três vezes para ela atender.

- Oi, filha. Cadê você? Estou te esperando aqui. O Marcos ainda não chegou? – ela perguntava, e parecia feliz. E eu seria a idiota a acabar com essa felicidade.

Comecei a chorar, era incontrolável. Pedro afagou minhas costas, me dando coragem a continuar.

- mãe... – foi a única coisa que saiu. Minha voz estava... totalmente rouca e tremida.

- Luiza, o que aconteceu? – minha mãe ficou séria.

- Mãe... – repeti. – O Marcos... ele... ele – gaguejei. Não conseguia dizer.

- Onde ele está?! – ela gritou, visivelmente assustada com a minha voz e minhas lágrimas.

Olhei para Pedro, sem saber o que falar.

- Dê o endereço a ela – sussurrou ele, tão baixo que tive que ler seus lábios para entender.

- Luiza, responde! – gritou ela novamente, agora sim preocupada.

Dei-lhe o endereço e o número do quarto, antes de falar alguma coisa.

- Pra que isso, filha?

- Mãe, me... me encontra aqui... por favor – dizia, sem para de chorar, e desliguei o celular, sem querer responder mais perguntas delas, sem ter respostas. Conhecendo minha mãe, ela já devia estar dentro do carro vindo para cá.

Fui para o colo de Pedro de novo, e eu não sabia como uma pessoa podia chorar tanto como eu.

A minha cabeça estava confusa, e as cenas se repetiam várias vezes em minha mente. Era assim que eu tremia mais.

Não demorou muito tempo para Pedro dizer que ela estava na recepção. Ele me deu um beijo rápido.

- Estarei aqui – apenas disse e sumiu, deixando eu sentir o frio do seu corpo.

Respirei, tentando – sem sucesso – para de chorar.

Quando minha mãe abriu a porta, foi ai que chorei mais. Eu via seu rosto em choque quando viu Marcos inconsciente no chão, e quando me viu chorando, abraçando meus joelhos na cama.

- O que aconteceu aqui?! – ela gritou, indo direto ao meu encontro e me abraçando. Ficou em mais choque ainda quando viu os hematomas em meu corpo.

- Marcos... ele... ele tentou... tentou me... – eu não conseguia terminar de dizer, não, apenas não conseguia dizer que Marcos tentara abusar de mim. Não precisou terminar, ela já havia suspeitado e agora chorava.

- Ele tentou abusar de você?! – ela gritou, fitando o corpo do futuro marido no chão. Eu devia imaginar o quanto ela estava sofrendo também, e apenas assenti. O que faríamos agora?

Ela fechou os olhos e me abraçou. Pegou o telefone e ligou para a polícia, explicando tudo que via, por que eu ainda não tinha dito nada.

A polícia não chegou muito tempo depois, e tive que contar tudo o que havia acontecido, desde que ele me pegou em casa de carro, até antes de minha mãe chegar. A história da cadeira parecia ter caído bem, ninguém ainda havia desconfiado. E eu não parava de chorar, eu sentia vontade de me dar um soco para parar. Minha cabeça ainda doía muito, sem falar do corpo, o que era propício para as lágrimas descerem ainda mais. Levaram Marcos para a delegacia, mesmo ainda inconsciente.

Levaram-me para a delegacia mais próxima e tive que contar várias e várias vezes a mesma história. Eu não sabia, mas minha mãe havia ligado para meu pai, que... eu não tinha palavras para descrever o quanto ele parecia nervoso e com raiva, quase igual a Pedro, porém mais controlado. Fizeram o boletim de ocorrência e eu tive que passar por exames, para provar que ele não tinha mesmo abusado de mim. Eu tremia toda vez que pensava nisso. Senti Pedro a todo momento perto de mim, o que me encorajava a dizer mais uma vez a história a quem pedisse sem chorar. Meu pai toda hora dizia “eu não acredito” ou “eu vou matar esse filho da...” até minha mãe chegar e pedir pra ele se controlar.

Minha intuição apontou de novo e eu sabia que Pedro estava escondendo algo de mim. Como ele havia ter sumido quando fui para aquele apartamento? Ele disse que iria comigo.

Eu também não sei, mas irei te contar depois tudo., ouvi ele dizendo pra mim. Fiquei um pouquinho mais aliviada sabendo que aquilo deveria ter uma explicação.

Quando me dei conta já era de noite, e eu estava exausta, só queria ir para a minha casa e acordar, vendo que aquilo era apenas um pesadelo.

Quando minha mãe disse que eu poderia ir para casa, eu senti um enorme alívio. Agora sim, eu poderia ir para a minha cama, ficar com Pedro e realmente acordar, ou tentar esquecer. Como uma coisa dessas podia me abalar tanto? Eu já era uma pessoa fraca para acontecimentos fortes, e com esse... eu não ia esquecer tão cedo.

No caminho para casa, meus pais não disseram nada dentro do carro. Eu estava praticamente deitada no banco de trás, ás vezes minha mãe olhava para mim e para meu pai, que apertava os nós dois dedos no volante. Eu tremia, mas fazia esforço para não chorar e nem preocupar meus pais.

Minha mãe insistiu em dormir lá em casa. Eu estava indecisa. Não sabia se queria ficar com meus pais ou Pedro. No momento, Pedro era a melhor escolha. Se eu chorasse, eu iria sim preocupar Pedro, mas não tanto quanto preocupar e plantar mais raiva nele, assim eu pensava. Pedro deveria estar mais... controlado.

Apenas apressei meus passos, passando pelo corredor e indo direto para o banheiro. Eu só queria um banho, como se o banho podia lavar todas as imagens que se repetiam na minha mente. Eu apenas queria esquecer, era pedir demais? Olhei-me no grande espelho atrás da porta do banheiro e encarei os hematomas em meu corpo. A raiva era eminente e mordi meu lábio até sangrar, só assim para eu pensar direito e não fazer nenhuma besteira por conta da raiva. Respirei fundo e tomei banho. A água quente era boa, dava uma sensação de relaxamento ao meu corpo, aliviando a dor dos hematomas.

Vesti-me e sai, preparando-me para passar a noite toda com a minha mãe, pelo estado que ela estava. Eu queria que ela fosse para casa, pensar, e não ficar ali, comigo, sustentando o meu estado de choque ainda e a dor dela.

Pensei em um momento como minha mãe deveria estar. Arrependida? Magoada? Com raiva? Nojo? Triste? Todas as opções?

Fui direto para o meu quarto, sem olhar para os meus pais na sala, que pareciam estar discutindo silenciosamente antes de eu aparecer. Senti os olhos dos dois em mim, e ouvi minha mãe suspirar.

Deitada na cama, com o edredom até minha cabeça, senti minha cabeça pulsar novamente. Eu já havia tomado remédios, mas parecia que nada adiantava... muito. Na verdade, eu queria apenas um remédio para esquecer tudo.

Ouvi a porta sendo aberta devagar, e senti o perfume de minha mãe. Eu queria gritar para que não se preocupassem comigo, mas pelo visto seria impossível. E eu queria sim, agora, minha mãe. Por enquanto não sentia a presença de Pedro em lugar algum. Eu me senti mal por querer ficar com Pedro em vez de minha mãe, mas eu tinha muitas perguntas para questioná-lo mais tarde.

- Filha? – perguntou ela, sua voz não passando de um múrmuro baixo e envergonhado; eu não queria que ela ficasse assim. Não queria que ninguém se sentisse culpado, pois pela primeira vez, eu já não me sentia culpada. A culpa não era minha, e ainda não havia achado ninguém para culpar do fato... apenas aquele... Respirei.

- Sim, mãe – forcei minha voz a sair, e ainda saiu falhada. Tentei de nova, mas não sai. Meus olhos estavam fechando para o pequeno feixe de luz que vinha da porta entreaberta, eu queria dormir, mas estava com medo dos pesadelos que com certeza eu teria.

- Posso conversar com você? – a parte mais temida havia chegado. Eu não queria mais melancolia, daqui a pouco eu estaria melhor.

Não adiantava eu mentir para mim mais.

Ela entrou assim mesmo, e fechou a porta, se sentando na beira da minha cama, hesitante. Eu já sabia o que ela falaria, pela sua postura muito formal e sua expressão cuidadosamente composta a compreensível. Encostei-me ao travesseiro, puxando o edredom até a altura do pescoço, assim ela não me veria tremendo. De quê? Eu não sabia. Medo, talvez, da verdade.

Vi seus olhos encherem de lágrimas e ela fungar antes de falar. Eu não ia aguentar aquilo. Senti-me egoísta, apenas enxergar minha dor, minha mãe devia estar sofrendo muito também.

- Desculpe – como previsível, ela disse, fungando mais ainda, mas uma lágrima saiu do canto de seu olho, o que me cortou por dentro, literalmente mesmo, uma dor latejante onde meu coração devia bater.

O que eu diria? Nada sai no normal, e depois disso, o que eu poderia me atrever a falar? Apenas assenti com a cabeça, e num medo súbito de ela me entender errado e pensar que eu não estava ligando, a abracei, pouco me importando a dor em meu corpo ou de ela perceber que eu estava realmente tremendo. Ela retribuiu o abraço, apertando-me um pouco mais do que eu gostaria, mas eu não sairia dali nunca, se pudesse.

- Não se desculpe – apenas disse, antes de vê-la chorar profundamente. Agora quem consolaria quem? Ela fungou mais uma vez e aliviou o abraço, limpando o nariz com as costas da mão. Minha mãe olhou em meus olhos e sorriu.

- Você precisa dormir – disse ela, me empurrando carinhosamente para o travesseiro e empurrando o edredom mais para cima de mim, ela com certeza tinha sentido eu tremer. Não, eu precisava, mas não iria e nem queria. Eu estava impossibilitada de ir a qualquer lugar, sim. Não conseguiria ficar apenas deitada com as imagens indo voltando, por mais que eu as bloqueasse, e também não conseguiria dormir. Eu apenas queria Pedro aqui, ele daria um jeito de... sei lá! Tirar meus pais de casa pela a mínima fração de tempo – assim eu não me sentiria tão mal – ou me tirar de casa pela a mesma mínima fração de tempo, até meus pais não perceberem. Eu só sabia que ele daria um jeito! E eu precisava dele aqui, por que eu não podia me abrir com a minha mãe? Meu pai? Achava que por eles serem meus pais, eles estavam tão abalados como eu, e não precisava de mais ninguém chorando ou se sentido culpado em casa, já chegava eu.

Pedro, por favor, me escuta, vem pra cá, por favor, eu imploro... Tentei pensar para ele, mas não sabia se tinha dado certo.

Pedro, por favor, eu não aguento mais ficar aqui, e ver meus pais chorando não tá dando certo. Tentei novamente. Se tá me ouvindo, vem pra cá, fica comigo, por favor.

Agora era só esperar e ver se ele tinha ouvido. Minha mãe me deu um beijo na testa e quando se levantou da cama, o vi, e me lembrei de quando o vi da primeira vez, naquela sala da escola... Ele estava do mesmo jeito, e senti um grande arrepio na espinha e o mesmo frio daquele dia. Estava no canto do quarto, do lado do guarda-roupa.

- Tente dormir – minha mãe pediu, antes de fungar novamente e sair pela porta. Olhei bem e chequei se a porta estava fechada, antes de levantar e ir até Pedro, que intensificou sua imagem e me abraçou. Apenas chorei em silêncio, molhando um pouco de sua camiseta... preta.

- Eu já não aguen... – ele me silenciou com um dedo e fez “shiii” baixo.

- Feche os olhos – sussurrou ele para mim. Fechei e senti uma brisa leve, e meus pés não tocavam mais o chão; fiquei curiosa, algo estava acontecendo. – Não abra os olhos – mandou ele, com a voz mais alta e firme, então já não estávamos mais no meu quarto.

Após alguns segundos bem demorados, ele sussurrou “Abra os olhos agora” e me vi em outro lugar, qualquer um, menos o meu pequeno quarto. Era um campo, não muito grande, eu via uma praia a uns metros de distância. Um campo belo, com flores. Eu estava sonhado? Consegui dormir depois que minha mãe pediu? Assim... tão rápido? Aquilo era inacreditável. A visão era linda. Não se via ninguém, apenas eu e Pedro, que sorria – aliás, um sorriso perfeito.

- Onde estamos? – perguntei, sentido o vinco na minha testa de dúvida.

- Onde eu costumava vir quando era criança – ele falava baixo, ainda olhando todo o lugar e parecia... maravilhado com o que via. Depois segurou minha mão, me fazendo caminhar devagar a caminho da praia. Por um momento, esqueci de tudo que havia passado naquele dia, que parecia se estender demais.

- É lindo... – sussurrei, mais para mim mesma. Percebi que estava descalça, e a grama baixa causava uma sensação boa em meus pés. Eu sabia que ele havia me levado ali com algum intuito.

Ele estava calado, ainda sorria, olhando o lugar. Eu fiquei perplexa e parei, o encarando, mas ainda sorrindo. Ele me levava a um lugar, desconhecido para mim, apenas me diz que vinha aqui quando era criança e não me diz mais nada?

- O que foi? – indescritível a expressão que ele fez. Um meio sorriso PERFEITO, daqueles que vimos nos filmes, e tipo... um olhar 43 que fez meu coração dá uma parada brusca. – Por que está me olhando?

Balancei minha cabeça para tirar a sensação de topor e me concentrei em fazer minhas perguntas a ele, mas seria difícil com aquele meio sorriso ainda PERFEITO.

Fechei meus olhos e cerrei meus dentes, antes de encará-lo novamente. Respirei fundo e tentei começar.

- Por que estamos aqui? – cruzei meus braços na barriga.

Ele andou até onde eu havia parado e abraçou minha cintura.

- Eu ainda não sei – sussurrou ele em meu ouvido, me fazendo arrepiar com seu hálito frio. – Apenas fique aqui comigo.

Eu o abracei de volta e relaxei. Sim, eu conseguiria esquecer, de algum modo, Pedro me passava essa coragem de fingir que o dia de hoje não havia acontecido, simplesmente.

Uma lágrima caiu de meus olhos, e nem percebi que estava chorando. Hoje eu estava muito sensível para certos tipos de conversas.

Ele pegou meu rosto entre as mãos surpreendentemente geladas e me deu beijo pequeno beijo.

- Você vai ficar bem – apenas disse.

- Meus pais? – ele sabia sobre o que eu estava me referindo. Suspirou e riu.

- Você se preocupa muito com eles.

Apenas balancei a cabeça, tendo quase certeza que eles não dariam a minha falta.

- E não vão dá.

Respirei fundo de novo e balbuciei coragem para mim mesma. Eu era corajosa, e se não, seria a partir de agora.

- Vamos? – perguntou Pedro, me estendendo a mão. A peguei firmemente e caminhamos em direção a praia. Pelo o céu, eu via que o tempo era diferente do que estava lá em casa, ainda estava começando a acontecer o pôr-do-sol.

- Pode pelo menos me falar mais sobre este lugar tão misterioso? – perguntei, enquanto ainda caminhávamos, e o vi me olhar pelo o canto do olho antes de sorrir.

- Quando eu era criança eu sempre vinha aqui, quando... fugia um pouquinho de casa, mudou bastante. Mas já nem existe mais...

Ahn? Eu havia escutado direito?

Ele riu quando parei de andar.

- Explica.

- Você é uma menina bem chata mesmo – ele riu. Aff. – Tá, é que este lugar não é onde você pensa.

Bufei, impaciente.

- Explica... direito.

Ele apenas sorriu.

- Esse lugar aqui não é nada a mais do que a nossa imaginação – ele disse “nossa” em um tom tão afetivo em relação a mim que me senti especial, mesmo com a confusão em minha cabeça, eu me senti especial pra alguém. Vi o sorriso dele se espalhar pelo rosto fino.

- Como assim, nossa imaginação? – Mudei de assunto antes que o fato de meus pensamentos se tornarem um assunto.

- Esse lugar já existiu, mas não existe mais, está nas minhas memórias, que estão passando para você aos poucos. Podemos visitá-lo a hora que quiser...

Encontrei uma pequena maldade em sua frase, deixei passar, esse era o jeito dele, maldoso e sedutor, sexy e carinhoso. Peguei sua mão de novo e chegamos a praia. A areia era morna em meus pés, resultado de um dia quente chegando ao fim. As ondas eram baixas, e não batiam muito longe onde estávamos. A maré era baixa. Uma onde bateu em meus pés, e a água era surpreendentemente quente. Apertei mais a mão de Pedro, encostando minha cabeça em seu ombro. Aquele momento estava perfeito, ali as dores e sofrimento pareciam apenas sumir.

O céu escurecia a leste, formando um lindo crepúsculo no céu, que estava atingindo o tom rosado já.

- Para os meus pais, onde estou? – perguntei, de repente, atendada a essa pergunta.

- Na sua cama, dormindo profundamente.

- Ah, então é apenas sua imaginação na minha cabeça?

- Ah... sim, praticamente isso.

Ficamos ali, depois de sentarmos na areia mesmo, encarando o céu, enquanto ele adquiria um azul brilhante, o dia escurecia rápido.

- Está cansada? Quer voltar? – perguntou ele, me vendo encarar o céu.

- Não. Sério, estou melhor do que achei que poderia ficar – não menti, como faria com a minha mãe só para deixá-la bem, apenas disse a verdade; eu me sentia leve, bem.

Pedro me pegou em seus braços e beijou-me, passando a meu pescoço.

- Tem certeza que não pode ficar melhor?

Fingi pensar e suspirei depois de um momento.

- Não, mudei de ideia.

Ele riu e continuou.

Continuamos lá na praia, quieta e deserta. Parecia o único lugar onde nós parecíamos a vontade, onde não havia ninguém para nos incomodar, onde podíamos esquecer literalmente de tudo, todos os problemas. E isso era bom, com certeza não seria a última vez que iria ali...

A confusão ainda tomava minha cabeça. O que era mesmo aquele lugar? Apenas a imaginação de Pedro em minha cabeça, como ele próprio disse? Eu poderia estar sonhando, ter mesmo pegado no sono e ter ficado com a vontade de apenas ver Pedro em minha cabeça, proporcionando meu subconsciente a sonhar com minhas vontades.

Mas parecia tudo tão real...

Eu sentia as ondas baixas em meus pés, o calor que vinha do céu antes, e agora o vento arrepiando meu corpo. Sentia a areia em contato com a minha pele e as mãos de Pedro nas minhas.

Então se tudo não passasse de um sonho, eu não queria acordar.

- Desculpe anunciar, mas preciso te levar para casa – disse Pedro, no meio de um beijo.

- Aaah, por que ? – fiz um biquinho, que ele desmanchou com um selinho.

- Por que quando você chegar, estará realmente morta de cansaço, e nos olhos de seus pais você está dormindo, até demais.

- Então... Eu não estou sonhando? E que horas são?

Ele se levantou, e me deu outro selinho, segurando minha cabeça com as suas mãos. Depois me ofereceu a mão para levantar da areia. Era estranho, eu estava de pijama ainda.

- Não, você não está sonhando, e são umas onze horas agora.

O negro escuro do céu comprovava isso.

O tempo havia passado tão rápido que parecia que eu tinha acabado de chegar. Daria tudo para ficar ali, por que quando eu voltasse, com certeza, a dor me atingiria em cheio. Derramaria as lágrimas que ali não estavam caindo.

Pedro me abraçou, e eu me senti um pouco cansada pela primeira vez eu estava ali.

- É assim mesmo, esse lugar consome energia. Feche os olhos.

Notas finais
Gostaram ? O "pós-terror" tava legal ?
Comentem, please, vai me fazer ter mais ideias e demorar menos para postar hein... Vou parar de chantagiar vocês...
Parakisses e até o próximo capítulo...