The Ghost Of The Day
4 Capítulo 4 - A forbidden kiss
Notas iniciais
Eu não queria...
Comecei a gritar mentalmente de raiva! Gritei muito, enquanto ainda estava nos braços dele. Eu não queria sair, eu não queria que ele se afastasse. Eu não o queria! Eu não o queria dentro da minha cabeça, eu não o queria perto de mim, eu o odiava! E eu não cansava de mentir pra mim mesma?!
Senti minhas lágrimas descerem.
- O que foi? – perguntou ele, preocupado. P-r-e-o-c-u-p-a-d-o. Ele? Preocupado? Comigo? Era o que parecia. – Eu me preocupo com você, desde quando eu vi seu rosto naquela sala – ele levantou meu queixo, me fazendo o olhar. Depois secou as lágrimas que não paravam de escorrer violentamente.
- Eu não quero você – murmurei. Fantasmas não tinham sentimentos.
- Temos sim – afirmou ele.
- Eu não quero saber – disse violentamente. – Desfaça a tal promessa que você fez lá com o seu amiguinho e vai embora!
- Será que você não entendeu e não sabe? A promessa não pode ser desfeita e estamos próximos...
- De...? – insisti. E algo me disse que eu não iria querer saber.
- Do apocalipse – sussurrou Pedro, pensando que iria me assustar.
Um barulhinho de fita rebobinando se fez em minha cabeça e eu ri sem humor.
- E você espera que eu acredite nisso?
- Você não acreditou que eu era um fantasma? – o tom de voz e o olhar dele me diziam que eu não devia ter acreditado, mas era impossível.
- Sim, mas eu nunca acreditei... em apocalipse – dizia pra mim mesma, pensativa.
- Como nunca acreditou em fantasmas? – insistia.
- Não é que eu não acreditava... é que... sei lá... – ele estava tentando confundir minha cabeça sem entrar nela. – Olha, por que não me confunde logo de uma vez?
Dessa vez, vê-lo rir me fez bem. EU PRECISAVA SER INTERNADA NO HOSPÍCIO!
- Eu sabia que mais cedo ou mais tarde você pensaria nisso – e riu de novo.
- A sua obrigação é me fazer pensar nisso – apontei. Dei uma pausa e continuei. – Agora pode desembuchar e falar sobre o apocalipse – pedi.
De repente meu ursinho pequeno vermelho – presente de Alice no dia das crianças do ano passado, o que tinha sido algo para me atazanar, mas que na verdade eu tinha gostado e muito, já que eu nunca tive um ursinho – estava em suas mãos, girando.
- Não sabia que gostava de ursinhos – dizia ele, enquanto ainda o rodava em suas mãos.
- Não mude de assunto – mandei e retirei o ursinho das mãos dele.
Ele sentou e se encostou à cama, me fitando, sorridente.
Lá vinha bomba.
- Só com uma condição – ele mordeu seu lábio inferior.
- Ah, nunca, nem pense nisso...
Fui cortada pelos seus lábios.
Minha vontade inicial era: BATER! Socar a cara daquele garoto. Quem ele era e o que estava fazendo comigo?
A segunda foi de confusão total: Por que eu não estava o impedindo? Ora, eu o odiava.
A terceira: Ele tinha razão, eu mentia muito mal.
E eu não fiz nada, até que ele se afastou, e eu ainda sentia seu gosto em minha boca. Bati com força total em sua cara, mas me arrependi-me logo. Outra questão que eu não sabia responder.
Ele sorriu, parecendo satisfeito.
- Você tá maluco?! – gritei, me levantando da cama e caindo logo depois, sozinha. Ele puxou meu braço, me fazendo voltar para perto dele.
- Vai dizer que não gostou? – ele tinha um sorriso sedutor e praticamente insistia para eu dizer sim.
Soltei-me de seus braços e fui em direção ao banheiro. Se ele não sairia da minha vida, ele seria então invisível para mim.
- Volta aqui – pediu-me Pedro, levantando-se e me seguindo. Ótimo, o plano de “ele ser invisível” seria em vão.
O encarei, boquiaberta.
- Por que não entra logo na minha mente?! – literalmente eu estava exasperada, gritando. Não consegui controlar a raiva que eu tinha dele. Ou talvez só quisesse demonstrar raiva.
- Eu sei que está fingindo – ele riu baixo, aquele negócio de ler mentes era chato, e só me deixava com mais raiva.
O ignorei completamente e fui de novo ao quarto, deitei e tentei dormir. Pedro se deitou novamente do meu lado e senti seus olhos em mim. Eu já estava me familiarizando com seu nome meio... inventado.
- Por favor, diga que não gostou, mas não minta – ele? Implorando? Era tão estranho e engraçado.
Virei-me e o encarei, e não consegui ficar sem sorrir. Podiam parecer assustadores as vezes, mas seus olhos cinzas-brancos eram lindos vistos de perto.
O que eu estava pensando?
- Que me acha lindo – respondeu-me
O empurrei pra longe e virei novamente de lado.
Por algum milagre, consegui pegar no sono depois. Pedro não me atrapalhou e não disse mais nada. Apenas quando abri meus olhos ele ainda estava ali, me olhando.
- Ainda está aqui?
- É, desculpe, preciso sair para matar ou atazanar a vida de alguém – ele já ia se levantando, quando segurei seu braço.
- Vem cá, não tem como parar com isso não? – É claro que eu não iria querer alguém sofrendo, só por causa do “trabalho” de Pedro.
- Só com uma condição... – sussurrou ele, com um sorriso... não era melhor eu pensar e identificar cada sorriso que ele dava. Sorriso era sorriso!
- Nem pensar – disse, já adivinhado. – Não quero nada com você.
- Então, sem aposta.
Bufei e vire pro lado. De repente, todo aquele frio que eu senti quando ele estava perto de mim transformou-se em calor, um enorme calor. A vontade era de me jogar em um balde super frio. Comecei a me abanar com a ponta do edredom, que praticamente chutei pra longe de mim depois, fiquei de cara com o ventilador e nada do calor passar.
Eu tinha certeza que não era ele fazendo isso comigo.
- E não sou eu mesmo não. Tá com calor, né? Sei...
Ai, ele não podia parar de tentar ser o bad-boy conquistador não?
- Eu? Deixa-me ver... Não – ele balançou a cabeça. Será que se eu batesse nele, mesmo com a minha mínima força, ele sentiria?
- Outra vez não — ele riu.
- Do que você tanto rir? – Eu parecia pasma de ser tão... engraçada pra ele rir de tudo que eu fazia.
Vi o olhar dele se tornar sombrio de novo e ele veio para mais perto e beijou meu pescoço. Eu queria que ele se afastasse, parasse de me torturar. Eu nunca ficaria com ele e ele só tornava as coisas mais difíceis para mim. Se ele gostasse mesmo de mim, não faria essas coisas comigo.
- O seu jeito... seu rosto – ele veio subindo para o meu queixo. Grande, mas grande parte de mim, incontrolável com certeza não queria que ele parasse. – Tudo.
E Pedro chegou a minha boca, mas logo o empurrei. Não era bom levar as coisas tão longe assim, ainda mais com ele... ele!
E ainda para piorar eu só tinha 13 anos, o que parecia um obstáculo.
- Ah, nem vem. Vai dizer que você é a santa de 13 anos? Por favor, né? – ele me encarava. – Vai dizer que nunca tinha beijado? Olha que mentir não é bom...
- Como se você entendesse bem de coisas boas... – mentalizei: não se estresse, Luiza. Não se estressa, Luiza. – E não lhe interessa se eu já havia beijado antes ou não.
- Tá, então vamos fazer um jogo, ok? – eu queria rir, mas queria rir tanto dele. Jogo? – Você pergunta o que quer saber mais de mim, e eu pergunto pra você.
Ele estava debochando da minha cara.
- Eu não quero saber mais nada de você e o que você faz ou deixa de fazer.
- Não era o que parecia uns minutos atrás...
- Chega! Você está me deixando estressada. Vai, vai fazer o seu trabalho. Quer saber? Não me importo, contando que você não torture alguém que eu conheça, pode fazer o que quiser! Pensar nos outro só me traz problemas para mim, então... – virei para o lado de novo – thau.
- Tudo bem, tudo bem. Eu vou – senti a cama balançar embaixo de mim. – Mas eu volto, amor – amor? – Vou fazer seu pai ficar bem ocupado de tarde para não nos atrapalhar.
Cerrei os dentes de novo de raiva. Espera! Fazer meu pai ficar ocupado?
Quando virei para perguntar, só vi o vulto do capuz preto deixar minha casa.
Olhei em meu relógio, ainda eram nove horas.
Quer saber? Eu não me importava, só queria dormir e torcer para ele não voltar... e para eu esquecer ele...
- Luiza! Acorda! – ouvi meu pai chamando. Já? Ele nunca chegava cedo aos sábados, no máximo era umas três horas da tarde, e eu não tinha dormido tanto assim.
Consegui abrir meus olhos e me senti mole.
- Já? – perguntei, tentando enxergá-lo.
Ele se sentou na beira da cama.
- Como assim já? Já são quatro horas da tarde, a hora que as vezes eu chego, certo?
Sentei-me, sentindo-me tonta e com pontadas na cabeça. Eu não acreditava em ter dormido tanto assim. Quando me virei para dormir, ainda eram nove horas da manhã, e agora eram quatro da tarde. Eu nunca dormi tanto na minha vida.
- Você está um pouco estranha desde ontem... – começou ele, juntando as sobrancelhas e me encarando. – O que aconteceu?
Por que meu pai tinha que ser tão observador igual a Alice?
- Iiih, pai, nada não – disse, já meio com raiva, tirando sua mão do meu rosto e levantando. Quase cai no chão de tanta tontura, e segui pro banheiro, eu precisava tomar banho e escovar os dentes. Eu nunca dormiria tanto assim, e isso era obra de Pedro. Era impossível esquecê-lo e deixá-lo fora da minha vida, e ele também não ajudava nem um pouco...
Meu pai não disse mais nada, ele não gostava de se meter na minha vida, e isso agora era muito bom.
Depois de almoçar, mesmo que tarde, me tranquei no quarto e apenas liguei o rádio no último volume, com um rock pesado, para apenas abafar meus pensamentos, e me mergulhei no computador.
- Luiza, já vai dá oito horas da noite, podia abaixar esse rádio e ir jantar?! – meu pai gritava por cima de sons de guitarras, com a porta meio aberta.
Bufei. Mas eu já estava com dor de cabeça de tanto ficar olhando pra tela do computador mesmo.
- Tá, já vou! – gritei, sem olhar pra trás e ver ele.
Vi a luz vindo da sala se encerrar pela a entrada da porta. Desliguei o som e desliguei o computador, ligando a televisão. Passava um programa de moda, e umas entrevistas de algumas famosas. Elas eram mesmo lindas, com corpos e rostos perfeitos, aqueles que todas as meninas já sonharam. Cantoras, atrizes e modelos... Por que Pedro tinha que se interessar logo por mim? Eu... Olhei-me no espelho e vi... Eu não era nada comparada aquelas lindas mulheres na televisão. Meus cabelos cacheados e com volumes, meu corpo... ah, esse eu não queria nem comentar. Eu não era bonita, apesar de muitos garotos dizerem ao contrário.
- Quem anda falando que você é bonita, hein? – soou a voz de Pedro atrás de mim. – Eu quebro a cara dele...
Eu jurava estar sozinha, nem com meu pai em casa ele me deixava em paz. Nem eu e nem meus pensamentos estavam seguros. No espelho eu não vi nada, mas senti rapidamente suas mãos em minha cintura, e onde ele tocou, um enorme calor me tocou, fazendo meu corpo por dentro queimar e por fora arrepiar. Virei-me e o empurrei.
- Caramba! Não se cansa de negar? – ele estava com a expressão furiosa, o que me deixou apavorada. – Desculpe.
Liguei o rádio de novo, para abafar o som das nossas vozes.
Eu ri.
- Você pedindo desculpa? – ele sempre debochava de mim, agora era a minha vez.
- E você ouvindo Kings of leon? – eu vi minha expressão de deboche no rosto dele. – Sex on fire?
Reparei na música que tocava, e não me assustei, gostava de Kings of leon.
- Se você me conhecesse mesmo, saberia que eu gosto desta banda – murmurei, dando ombros.
- Eu duvido alguém te conhecer melhor que eu.
Ele estava com o corpo colado ao meu, e sussurrando no meu ouvido, uma coisa que eu odiava... achava...
- E espero te conhecer mais...
Ele não se cansava de ser empurrado por mim?
Ri, entendendo onde ele queira chegar.
- Nem pense nisso – mandei. – Jamais.
- A mesma coisa que disse antes de eu te beijar... – e se sentou na cama, lendo uma revista que estava lá antes.
- Lembre-se: meninos não gostam de serem pressionados e não gostam de meninas fofoqueiras. Então se algo rolar, mantenha entre você, e talvez, sua melhor amiga. – ele lia uma parte da revista.
- Ah, isso nunca se aplicaria a você – disse, tirando a revista das suas mãos e a jogando dentro do guarda-roupa.
Ele levantou e ficou rodando meu quarto, olhando as coisas. Abri a porta do meu guarda-roupa e ficou remexendo meus vestidos. Meu celular tocou em cima da mesa do computador, eu fui atender. Era Alice, não atendi. Não era bom deixá-la preocupada, e eu não sabia o estado da minha voz certamente.
- Ui, ui – ouvi-o sussurrar e me vire a tempo de vê-lo remexendo na minha gaveta de calcinhas.
- Saia daqui – o empurrei para longe dali. Ele tirou o braço de trás das costas e balançou no ar uma calcinha minha.
- É bem fininha, né? – ele olhava o mínimo pedaço de pano.
Tirei de suas mãos e joguei dentro da gaveta.
- Que coisa feia, Luiza – disse ele, balançando a cabeça em reprovação, depois se sentando em minha cama novamente. – Usando fio dental... Sua pervertida!
Ele se controlava para não rir, e eu me controlava para não dar um murro na cara dele.
- Não seria uma boa ideia...
- Vai embora, daqui a pouco meu pai vai me chamar de novo para eu jantar – pedi, tentando ouvir algo lá fora.
- Não vai não, o som dos Kings of leon vai abafar as idéias dele de vir aqui – soou convincente. – Ui, isso está parecendo aquelas novelas de adolescentes que a menina principal namora escondido e ele está escondido no seu quarto! Isso é errado, Luiza...
- Ai, garoto, cala a boca! – reclamei, eu estava com dor de cabeça já, mas aí não sabia se era por ouvir a voz dele... ou por tentar não demonstrar... Era melhor esquecer.
- Você não vai conseguir.
- Não tem como sair da minha mente, não?
Ele apenas balançou a cabeça, como se gostasse disso. Ouvi a porta bater e Pedro... sumiu. Apenas sumiu.
- Entra, pai – pedi.
A porta foi aberta. Meu pai estava arrumado, não tanto, mas com uma calça jeans e um blusão, como se fosse sair. O cheiro do perfume dele invadiu o quarto, e como eu era alérgica a qualquer coisinha, espirrei.
- Ai, desculpe – disse ele, cheirando sua camisa. – Acho que exagerei no perfume. É... – ele parou.
- Pai, você vai sair? – perguntei, procurando alguma toalhinha na minha gaveta. Quando eu começava a espirrar, não sabia quando eu iria parar.
- Ahn... vou sim – ele parecia tímido em me falar. – Você não se importa, não é? É que hoje é sábado... e amanhã não vou trabalhar... pensei em sair um pouco e me divertir.
- Claro, pai – disse. Já fazia tempo que não via meu pai tão feliz assim, desde a separação dele e da mamãe. Seria bom para ele sair um pouco, relaxar, mas algo no ar me dizia que ele não ia sozinho.
- E... pai, quem vai com você?
Ele abaixou na cabeça, e vi-o sorrir bem tímido. Meu pai na maioria das vezes era tímido pra essas coisas, e então minha suspeita tinha sido confirmada: Tinha alguém.
Fui até lá e levantei sua cabeça, vê-lo feliz me deixava feliz.
- Quem é ela? – adivinhei, ele não ficaria envergonhado daquele jeito simplesmente se sairia com amigos.
- É uma mulher do meu trabalho... Você não ver problema não né? – ele estava assustado, prevendo que eu não deixaria. Sentei na cama, e ri comigo mesma.
- Se isso for mais longe, já vi que vou ter uma madrasta – resumi. Na verdade, eu não me importava de ele sair com alguma mulher, se ele estava feliz, eu também estava. O encarei. – Se ela te deixar triste alguma vez... Já sabe o que eu vou fazer, certo?
Ele riu e veio me abraçar.
- Obrigado, filha – e me deu um beijo na bochecha, se levantando a caminho da porta.
- Divirta-se.
Ouvi a porta de entrada abrir e fechar. Eu estava sozinha de novo. Se eu quisesse, sairia, iria pra casa de Alice, ou para a casa de outras meninas. Sábado, já de noite... Convite é que não faltava. Mas meu pai confiava em mim, e eu não queria que ele perdesse essa confiança. Ele nem precisava falar “Fique em casa” ou “Não saia e não abra a porta para estranhos”; e isso tudo por confiar em mim.
- Ai que fofo, um momento entre pai e filha – Pedro estava atrás de mim.
Notas finais
Gostaram e eu estava enganada sobre o capítulo está ruim...
Ou está ruim mesmo e eu estava certa ?
Queria agradecer ao meu fã número um: Vinícius, obrigada por tudo !
Então... aqueles presentinhos agora né?
Estrelinhas, indicações e reviews...
Já agradeço a todos pelos os comentários: aqui, no msn, no orkut e no twitter !
Valeu !
Kisses P.S.: O ursinho citado na história realmente existe #euri ;D
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