The Ghost Of The Day

1 Capítulo 1 - Strange noises


Notas iniciais
Espero que gostem desse livro, e espero que não deixe ninguém com medo, pois minha intenção não era.
Estou esperando mais comentários dessa vez, e prometo que vou postar o proximo capítulo do meu outro livro Um amor da meia noite, logo logo, mesmo sem o número de reviews que eu gostaria.
BOA LEITURA !!

A vida ás vezes era tão... sem graça. Que graça havia em acordar de manhã, ir para escola, voltar, almoçar, dormir, jantar e dormir de novo? Eu queria mais emoção, mais romance, mais drama. Mas como ter isso tudo com apenas treze anos? Os personagens dos livros tinham 16, 17 ou até 18, e eu era apenas mais uma pirralha querendo colocar os burros na frente das carroças... Querendo adiantar minha adolescência. Mas eu queria enfrentar algo com a Bella enfrentou em Crepúsculo, ou a Nora, em Sussurro. Ambas se apaixonaram por pessoas perigosas, e mesmo assim não desistiram dos amores das suas vidas. Era isso que eu queria, um amor meio que impossível, meio sobrenatural.

Enquanto pensava nisso escovava meus dentes. Eu gostava da escola, mas não da aula. Gostava dos meus amigos, de zoar e brincar, fazer palhaçadas e rir. Sentia-me bem lá, como não me sentia em casa. Não tomei café como sempre e desci para esperar Alice para irmos a escola.

Alice era a minha melhor amiga, tipo irmãs. Éramos unidas em praticamente tudo, sabíamos tudo uma da outra, e não só aqueles segredos que compartilhávamos com nossos diários... Sabíamos o que se passava com a outra com apenas um olhar. Mas éramos totalmente iguais... e diferentes. Eu com os meus cabelos castanhos ruivos cacheados, e os dela pretos e lisos, tão grandes que iam ao seu quadril; ela sentia medo só de ver uma tesoura perto do seu cabelo, os meus já passaram do curtinho básico ao mais ou menos. Eu era bem desenvolvida em corpo, e Alice já não era tanto, era mais desenvolvida em fazer cálculos; mas também era só isso. Nós duas éramos lerdinha, mas confesso que eu era pior.

Não demorou muito para ela chegar e fomos a escola, esperando e torcendo que algum professor faltasse.

A sorte não estava no nosso lado, infelizmente. Sexta-feira não era um bom dia para professores faltarem, pois só haviam duas aulas, já que a educação física era considerada o nosso “tempo livre” da semana. Na aula de espanhol fingi prestar atenção, enquanto tentava não rir com as piadas e rimas hilariantes de Bruno, e com as risadas de Filipe. A professora já havia chamado a minha atenção uma vez e eu não queria que isso se repetisse, não por que eu me importasse, mas por que a temida reunião de pais estava chegando – só isso mesmo para evitar que eu faça bagunça.

- Essa professora já está entrando para a minha lista de Professores Chatíssimos – dizia Alice.

Apenas concordei.

A aula estava passando muito devagar, até que uma alma abençoada perguntou a alguém a hora e eu pude ouvir que faltava apenas 15 minutos para o intervalo.

De repente tomei fôlego quando uma sensação horrível passou por mim, como um vento frio carregado de coisas ruins. Respirei de novo, até sentir a ponta dos meus dedos. Alice estava distraída conversando com Gabriela. Ótimo, ela não iria perceber nada de diferente em mim, com aquele olhar observador que só ela tinha sobre mim. Eu não sabia por que sentia que não seria bom contar a Alice sobre a estranha sensação.

- Luiza – alguém me chamou, olhei para o lado e vi que era Filipe. – Vem aqui, quero que você ouça uma coisa.

Como a professora havia dado esses últimos minutos antes do intervalo livre levantei-me e fui até a mesa em que Filipe estava sentado, umas duas mesas na direção da mesa da professora.

- Sim – respondi.

Filipe, meu amigo desde que entrei no Percepção. Conhecido como o nerd e baixinho da turma, sempre foi muito bom em dar conselhos... e me fazer rir, junto com Bruno.

- Coloca o ouvido ai – ele apontou pra parede – e escuta só.

- Mas a sala tá fechada...

- Escuta, Luiza – pediu ele.

Algumas pessoas estavam atrás dele ouvindo também, inclusive Bruno.

Encostei meu ouvido na parede e a sensação ruim voltou, ao mesmo modo. Decidi não mostrá-la para ninguém, então respirei em silêncio, sentindo-me fraca.

Do outro lado da sala ouviam-se sussurros que parecia em uma língua irreconhecível e estranha o bastante para me assustar. Ouvia-se também batidas leves para nossa sala.

- Não parece uma linguagem diferente? – perguntou Filipe, começando a encarar a parede e ficar assustado.

- Sim, parece – respondi-o, ainda não assustada... Por que se eu me deixasse ficar assustada mesmo, eu estaria maluca.

Escutei mais. A sala do lado estava fechada, trancada e o ar estava desligado. Não havia ninguém lá, era impossível. Nós éramos a única turma no segundo andar do ginásio. O sexto e o oitavo ano haviam subido para o terceiro andar por que o ar-condicionado das salas tinha pifado.

- Alice – chamei-a, agora ela precisava ouvir para depois não falar que eu estava inventando. – Vem aqui.

- O que foi? – perguntou ela, com sua voz fina.

- Escuta aqui – encostei a cabeça dela de lado para a parede.

Observei sua expressão mudar de relaxada a assustada, como a de todos que escutavam os barulhos que viam da outra sala.

- O que é isso? A sala do outro lado está fechada – perguntava ela, apergunta que todos que escutavam estavam se perguntando.

Na mesma hora o sinal tocou.

- Luiza, você topa ir com a gente lá na sala depois do intervalo antes de subir pra educação física? – perguntou Filipe, em caminho a porta.

Que pergunta mais tola! Era claro que eu ia, e algo me dizia para parar agora, e esquecer aquilo que eu ouvi, mas eu não iria mostrar que eu tinha medo. Eu não tinha medo dessas coisas, nunca tive, ao contrário, como pensei essa manhã, eu queria ver essas coisas... e me apaixonar em último caso. Como meu pai dizia, eu precisava voltar a igreja. Mas não que esse desejo fosse uma coisa ruim – assim eu pensava -, mas me instigava a ir mais fundo, e agora que eu tinha uma brechinha de coisas estranhas acontecendo – não que coisas estranhas nunca acontecessem comigo, na verdade coisas que não entendemos sempre aconteceram comigo – eu iria desperdiçar a chance de ver ou escutar mais alguma coisa?

- É claro que sim – respondi, tentando parecer confiante.

No intervalo todos que escutaram pareciam quietos e confusos sobre a situação. O que quer que nos esperava na sala 7, era assustador.

Subimos todos juntos, Alice grudada no meu braço.

- Preparados? – perguntou Filipe, quando estávamos entrando no corredor que nos levaria a sala 7.

Ninguém respondeu.

- Que seja – murmurou ele, dando de ombros. Eu sabia que ele estava com medo por dentro.

Seguimos em passos pequenos e demorados pelo corredor, até chegarmos a janela do lado da porta da sala.

Todos se espremeram na janela, tentando ver além do vidro a sala fechada. De começo eu não vi nada, mas as meninas saíram correndo jurando que tinham visto algo passar no fundo da janela. Eu não acreditei e continuei ali, ainda rindo. Mas as risadas eram apenas um disfarce, por que quanto mais eu continuava ali, mais o frio aumentava. O frio era interno, eu sabia, minha pele estava com a temperatura normal, tirando as pontas dos meus dedos novamente.

Arrisquei-me em olhar de novo além do vidro, dessa vez só com Filipe e Bruno comigo, por Alice tinha sido uma as garotas e saiu correndo para a sala. Nada dentro da sala, só conseguia ver o pequeno reflexo da fraca luz do corredor no quadro branco no fundo da sala, mais escuridão, algumas mesas e muito mal a mesa do computador.

- Desisto – disse Bruno. Eu sabia que ele não acreditava nessas coisas e seria difícil alguém colocar na cabeça dele que algo ali dentro estava errado e estranho, mesmo que ele ficasse conosco até o fim.

- Voltaremos depois da educação física? – eu não estava perguntando nem pedindo, eu estava implorando.

- Sim – concordou Filipe, enquanto Bruno balançava a cabeça.

Subimos para a quadra e o tempo passava muito devagar quando não se tinha nada para fazer. E era absolutamente nada. A metade da quadra estava ocupada com a “rotina de sexta-feira” dos garotos: futebol. A outra metade as meninas pulavam corda. Nenhum dos esportes eu podia fazer, graças aos problemas que tinha nos meus pés e nos meus joelhos. Nos joelhos era hereditário, mas nos pés eram problemas com os ossos, o que me impedia de fazer quase tudo que envolvia os pés, andar e correr eram exemplos de coisas que eu podia fazer muito mal. Então toda sexta eu ficava no grupo dos preguiçosos, que não podiam, não queriam ou nunca jogavam nada na educação física. O treinador mesmo não estava nem ai para o que fazíamos e a nota no boletim de todos os alunos da escola sempre viam 10, então pra quê se preocupar?

Sentada relaxadamente na escada para o pátio escutando música passei as quase 2 horas da educação física, sem derramar uma gota de suor, diferente daqueles garotos que pingavam, com as camisas completamente molhadas. Ai que nojo. Mais um motivo de eu não fazer educação física.

Filipe foi correndo pro bebedouro para depois irmos a sala novamente, antes da aula de geometria começar.

Dessa vez foi quase todo mundo da turma, mesmo os que não ouviram os barulhos antes. Levaram um celular para tentar tirar uma foto e vê se aparecia alguma coisa estranha.

Novamente não vi nada, e tiraram a foto, para depois vermos com mais calma. Outra vez alguns disseram ter visto alguém. Aquilo já estava me deixando com raiva. Se eu me sentia assim daquele jeito, com um frio dentro de mim e uma sensação ruim, por que eu não conseguia ver nada? Talvez aqueles que diziam ver na verdade não estavam vendo nada e só queriam fazer palhaçada e nos deixar com medo. Ou talvez eles tivessem visto mesmo... Era uma confusão que só na minha própria cabeça.

O professor mandou uma aluna nos avisar que tínhamos que entrar logo. Segui meu caminho, meio cabisbaixa por não ter conseguido explicar a sensação dentro de mim.

Assisti à aula tentando prestar a maior atenção no que eu podia, pois geometria e matemática eram as aulas que eu mais prestava a atenção, por serem as únicas aulas que eu achava difícil. Mas meus pensamentos não saiam da sala ao lado e dos barulhos, dos vultos que eles viam.

Eu iria voltar lá quantas vezes precisasse até eu ver algo. E voltaria na saída, dessa vez com Alice. Ela estava agindo igual ao Bruno, só iria falar que tinha algo se visse... mas ela estava certa, pensando bem. Não era saudável ficar achando que tinha algo lá quando meus olhos não estavam vendo. Não era bom dá asas a minha imaginação, por que quando ela quisesse, ela veria algo, mesmo se não tivesse nada lá.

O sinal tocou e combinamos de irmos lá de novo, assim que deixássemos nossas mochilas lá nos bancos.

Alice veio pendurada em mim praticamente.

- Tem certeza, Luiza? – perguntava ela, novamente. – É melhor pararmos por aqui. Você sabe que eu não vi nada, mesmo que esteja com medo. E se tiver algo mesmo lá dentro?

- Nós vamos descobrir se tiver – respondi calmamente.

- Sabe... tem uma história ai que aconteceu... – ela parou de falar.

- Diga, Alice – insisti.

Ela parecia uma criança com medo de falar que fez algo de errado.

- Tá, tem uma história ai de muito tempo que dizem que um aluno morreu lá trás na piscina – terminou ela.

Tá, eu tinha que confessar que aquilo só aumentou meu medo. E se fosse aquele menino? Eu era louca por histórias sobrenaturais, mas não sabia muito ao respeito, mas isso todo mundo sabia: e se o espírito dele estivesse preso ali?

Aquilo só me deixou mais curiosa.

Subimos a rampa, e ninguém havia escutado Alice falando da história comigo, e era melhor, pois se não fosse nada, e aquilo que ela havia me contado fosse apenas uma história inventada, eles podiam acreditar e só fazer a imaginação deles crescerem.

Dessa vez foram eu, Alice, Bruno, Filipe, Gabriel e Jonatan, que subiu rindo, achando que aquilo era uma mentira.

Arrombamos devagar a janela, na verdade nem bem arrombamos, pois ela tava toda ferrada, só acabamos de destruí-la. As câmeras estavam mesmo desativadas, então ninguém descobriria que fosse a gente.

Jonatan abriu a janela e pulou pra dentro da sala. O cheiro era de mofo, por estar fechada e o ar desligado. Ele ficou pulando lá dentro, igual a uma criança, mostrando que não havia nada.

Ele se virou para nós, ainda dentro da sala, e rindo disse:

- Viram? Não há nada aqui medrosos.

Olhamos-nos meio decepcionados e aliviados. Escutei Alice respirar pela primeira vez que tínhamos ido ali dessa vez.

- Vai brincando, quero ver se ele vem e te pega – disse Bruno, fazendo uma piada para quebrar o clima.

Foi quando todo o meu corpo foi paralisado e meus olhos não piscaram a imagem que eu vi. Era um vulto preto, no canto da sala. Gelos desceram pela minha garganta e parecia furar meu estômago. Jonatan se jogou da janela e saiu rolando a rampa, com Alice, Bruno e Filipe atrás deles. Eu estava paralisada ali, o vulto ainda estava lá, paralisado. Parecia que havia alguém me cortando com um estilete meus braços e minhas pernas, e enfiando gelos nas aberturas. O vulto se mexeu, e por um momento eu pensei que era a minha imaginação. Eu via, era um vulto, mas parecia que eu podia ver através dele. Ele se mexeu de novo e começou a andar... não, a flutuar em minha direção, em direção a janela. Eu queria desesperadamente correr dali o mais rápido possível e não parar enquanto não visse que aquilo era apenas mais um pesadelo meu, mas eu estava mesmo paralisada. Não por mim, mas sim como se eu estivesse amarrada ali. Não era meu subconsciente, eu me sentia amarrada.

O vulto veio flutuando ainda em minha direção. Eu queria abrir minha boca pra gritar, mas também não conseguia, era como se tivesse uma fita muito colante em minha boca. Doía tentar me mexer. O vulto continuava em minha direção e ele já estava na janela, e foi quando eu consegui ver melhor.

A sensação de não estar vendo ele direito continuava, mas ele estava de cabeça baixa. Ele, ou ela, eu não sabia. Ele vinha chegando perto, e quanto mais perto ele chegava mais frio as cicatrizes da minha cabeça ficavam. Eu tremia compulsivamente, e comecei a suar, mesmo morrendo de frio.

Ele saiu flutuando ainda pela janela e estava a minha frente. Eu quero acordar! Eu quero acordar!Eu implorava para minha mente, mas a cada segundo que passava, mais eu sabia que eu não estava dormindo. A cabeça dele ainda estava baixa, e eu sentia o desejo de morte dele em mim, ou dela ainda. Perguntei-me onde estariam os outros, se não estavam sentindo minha falta.

Eu sentia o frio dentro do meu corpo, e sentia o frio vindo do corpo daquele... fantasma! Eu ainda não tinha me dado conta... Aquilo não era real!

Foi quando ele levantou o rosto e eu vi a expressão dele mudar bruscamente.

Notas finais
Sabe, escrevendo essa parte eu fiquei com medo, lembrando quando vi o vulto... gente, mas ele não saiu da sala comigo não ta ?!
Estou adorando escrever esse livro, é bem diferente do que td que escrevi... fantasmas nunca me chamaram a atenção, pelo ao contrario... sempre deixaram com medo.
KIsses.