The Ghost Of Prince
8 Troublemaker
Notas iniciais
Mas ao invés disso tudo que fiz foi olhar em seus olhos sem acreditar no que acabara de ouvir. O garoto mais gato que eu vi na minha vida era da minha família e eu nem ao menos sabia de sua existência. Aquilo tudo só poderia ser uma pegadinha, ou muita má sorte se é que me entendem.
– Você não pode ter esse sobrenome — ele me olhou confuso.
– Por que não?
– Porque meu nome é Thalia Grace e que eu saiba só eu e meus pais tínhamos esse sobrenome — quando eu disse meu nome foi à vez dele se impressionar, o mesmo olhou para a direção de Frank que só sorria como se dissesse “foi mal, mas precisava fazer isso”.
– Thalia Grace? — repetiu este tentando assimilar tudo que acontecia.
– Sim, sou eu e agora pode me dizer que tipo de parentesco nós temos? — cruzei os braços um pouco impaciente.
– Calma, eu sou apenas o seu irmão — falou numa naturalidade- mas eu posso explicar — estendeu as mãos rapidamente e fez um gesto para que eu me sentasse — tudo começou há vinte anos...
Então ele começou uma narrativa sobre o ate então passado da minha família, que eu não sabia. Segundo ele nossos pais tinham se apaixonado perdidamente, sendo que a família do meu pai não via com bons olhos a união o que gerou certo conflito e acabou separando meus pais, depois disso parece que minha mãe engravidou de Jason e meu pai continuou tendo encontros secretos com ela ate o dia que esta adoeceu e morreu.
– Por que eu não sabia que tinha um irmão e o mais importante como você pode provar que esta dizendo a verdade — cruzei os braços tentando evitar o nervosismo e a impaciência.
– Primeiro de tudo, você não sabia por que seria horrível se os nossos avós soubessem de algo — concordei, já tinha certa ideia que meus avós eram conservadores, embora não os tivesse conhecido- segundo espere um momento que irei ao meu quarto pegar algo e depois você pode questionar o que quiser — ele entrou no quarto de onde tinha saído e depois de alguns minutos voltou com algo em suas mãos que não precisei de muito para reconhecer o que era.
– Como você conseguiu isso? — perguntei chocada tocando no colar que ele segurava.
Era um cordão de ouro em forma de circulo que era coberto com um diamante que dentro dele tinha uma foto dos meus pais, sendo que aquela foto em especial só quem as tinha era eu, disso possuía a certeza absoluta já que nunca a vi em nenhum cômodo de casa e olha que procurei por todos os locais inimagináveis.
– E aqui esta a foto — ele a puxou e arregalei os olhos na mesma hora, como o mesmo possuía aquela foto?- ela foi tirada aqui mesmo no sofá — o mesmo me explicou e eu não pude evitar passar meus olhos pelo sofá já com o estofado bem gasto — sim, essa era a casa que eles viviam antes de tudo.
– Antes de tudo o que? — aquilo não fazia sentido algum na minha mente, meu pai sempre pareceu ter nascido em berço de ouro e nossa casa é muito bonita, difícil acreditar que este tinha levado algum sufoco na vida e mais ainda que tivesse morado em um lugar caindo aos pedaços como esta casa.
– Antes de a mãe morrer e tudo virar de cabeça para baixo — na mesma hora me arrependi amargamente de ter perguntado, o clima começou a pesar no ambiente. Pelo que parecia, ao contrario do que pensei, Jason era bem mais velho do que aparentava e com toda certeza deve ter conhecido nossa mãe, mas ai eu nasci e ela morreu.
– Só o que eu não entendi ainda foi o porquê de você não morar na nossa casa como uma família — fiz um bico querendo mudar de assunto e funcionou porque Jason riu e passou a mão no meu cabelo, dizendo.
– Thalia, às vezes nossos pais tomam decisões que não entendemos direito, mas depois percebemos que foram as melhores do mundo e vai por mim ele fez tudo isso porque era o melhor a ser feito — sorriu e me deu um abraço- estou feliz por ter finalmente te conhecido.
– Também estou, mas gostaria que meu pai tivesse dito sobre você — murmurei.
– Promete que não vai falar nada sobre mim? — perguntou agora se desvencilhando do abraço.
– Mas você é parte da nossa família e meu pai escondeu que eu tinha um irmão — exclamei.
Um silencio tomou conta do lugar na mesma hora, ele parecia querer falar algo ao mesmo tempo que analisava as palavras certas para dizer, mas por fim, tirando todas as minhas expectativas, apenas disse.
– Família não necessita ser sempre as pessoas que tem o mesmo sangue que você, às vezes sua verdadeira família é simplesmente aqueles a quem você quer bem.
– Em minha opinião você está tentando me enrolar, assim como o nosso pai sempre fez comigo – bufei já ficando nervosa.
– Frank leve a Thalia para casa, já esta tarde e devem estar a procurando – eu iria protestar, mas o mesmo não deixou falar completando – por favor, para o seu bem não volte aqui é perigoso! Talvez um dia, voltaremos a nos ver — ele saiu entrando rapidamente no seu quarto sem deixar com que eu falasse uma palavra sequer.
– Thalia, vamos? – perguntou um Frank receoso.
Só então pude notar que ele e a garota Hazel me olhavam com piedade e isso tudo só me fez ficar pior. Droga, por que todo mundo ao redor agia como se soubesse mais da minha vida do que eu mesma? Por que todos insistiam em me proteger se era mais do que certo que eu não precisava de proteção? Eu já estava cansada de ser vista apenas como a garotinha fraca, ingênua e impotente, eu não era isso, será que ninguém via que eu podia me virar sozinha e ser forte? Olhei para o lado, Frank ainda esperava que eu embutisse qualquer sinal, eu o ignorei e sai daquela casa e mesmo aos protestos do garoto, peguei meu cavalo e sai correndo para casa. Já estava bem dizer na metade do caminho quando uma chuva começou a dar sinal de vidas e rapidamente, para o meu azar, intensificando.
– Droga – exclamei ao ver a chuva bem forte. Seria impossível chegar a minha casa naquele estado, uma das consequências da volta dos costumes antigos era que hoje em dia a maior parte dos lugares agora era composta de mato ou floresta e apenas a parte do comercio era asfaltada, de modo que com essa chuva era praticamente impossível para uma garota como eu chegar em casa sem a ajuda de uma carruagem- nem isso eu consigo fazer direito – murmurei. No entanto para a minha sorte, pela primeira vez ao dia devo mencionar, começou a mudar ao ver uma carruagem passando e parando no mesmo momento.
– Senhora, deixe-me colocar seu cavalo junto à carruagem e a senhora entre dentro da carruagem – ele não deixou nem dois minutos para eu pensar, pois foi logo me puxando de cima do cavalo e abrindo a porta, bem dizer me jogando, dentro da carruagem.
– Desculpa pelo meu cocheiro ele só esta seguindo as minhas ordens – uma garota que reconheci pela sua beleza, disse assim que entrei na carruagem.
– Mas precisava de tudo isso? Se você quisesse falar comigo era só falar – dei nos ombros.
– Estamos indo para minha casa, já mandei um mensageiro falar com o seu pai e hoje você irá dormir lá na minha casa porque está tendo uma festa para o qual você vai – o tom de sua voz era autoritário e a mesma me olhava como se eu não pudesse contraria-la caso contrario sofreria as consequências, dei um sorriso irônico para ela que pareceu não se importar.
– Pera ai, quem você pensa que é para vir do nada e me sequestrar ainda por cima me dando ordens? – perguntei já irritada e pronta para dar um soco naquela patricinha se fosse necessário, mas em resposta ela apenas riu.
– Desculpa mais uma vez, fui criada tendo tudo o que queria então eu não sou acostumada a receber um não, no entanto eu gostaria realmente que viesse dormir na minha casa hoje– a olhei de maneira estranha e ela começou a rir – fique calma, só quero fazer algumas perguntas.
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