The Ghost Of Prince
3 A decisão do Príncipe
Algumas horas antes da decisão do príncipe.
- Filha, onde você esteve o dia todo? — meu pai me perguntou.
- Andando a cavalo, oras — respondi com um sorriso zombeteiro enquanto alisava de leve o pescoço do animal.
- Já lhe disse mil vezes que nesse momento não podemos nos dar ao luxo de sair a todo o momento a cidade está em alerta e se o príncipe não tomar uma decisão sabia, deus sabe o que acontecerá no futuro — repetiu meu pai pela milésima vez.
Suspirei. Aquilo realmente era uma chatice, não que o assunto fosse futilidade o problema é que simplesmente eu não me importava e francamente duvidava muito que algo assim fosse realmente acontecer.
- E eu respondi diversas vezes que não me importo, você sabe o que penso sobre isso tudo — disse- e além do mais se acontecer estaremos preparados — repliquei saindo do cavalo e indo embora, quando meu pai me puxou pelo braço.
- Sei que para você que o mundo todo se exploda, mas eu me preocupo porque se começar o massacre a nossa família pode muito bem ser alvo, não sabe? -perguntou e ao ver que não obteria resposta, continuou — Thalia, por favor, pare de brincar com a vida como se ela fosse apenas diversão — continuei em silencio e o mesmo bufou. — Iremos amanha cuidar do seu futuro — dito isso saiu sem nem, ao menos, explicar o que queria dizer com tudo aquilo.
Quando meu pai já não estava mais em minha vista gritei como tentativa de extravasar, inutilmente, toda a minha raiva. Subi de novo no meu cavalo e corri para a cachoeira, o único lugar no qual eu iria pensar sem ter aporrinhação depois. Quando cheguei à cachoeira, me despi e rapidamente entrei na água, os pensamentos foram para a conversa com o meu pai e no fundo tinha a certeza que ele estava certo, mas o que poderíamos fazer?
- Iremos ter que lutar contra o governo — disse uma voz por trás de mim.
Por um momento meus olhos se arregalaram e, sem querer, soltei um grito que foi abafado pela risada da pessoa na minha frente que tinha um sorriso zombeteiro nos lábios. Ela se aproximou mais e sentou-se sobre as pedras soltando um leve suspiro.
- Gostaria de ter esse seu dom de adivinhar os pensamentos alheios — falei naturalmente, saindo da cachoeira apenas de roupa intima.
- Não é um dom e sim uma maldição, Tha — sorri com o seu comentário.
- Maldição ou não, quando bem utilizado pode trazer grandes benefícios — argumentei — pense nisso, Percy — pisquei para o mesmo que sorriu.
Percy era o meu melhor amigo desde a infância. Um sujeito bem lindo. Tinha os olhos verdes, um cabelo preto liso e um rostinho de bebe que a principio não dizia nada, mas quando se via o seu belo porte físico haveria de existir alguma mulher que resista aos seus traços. Infelizmente para mim ele era muito novo — sim eu já houvera no outrora pensar nele como algo mais- logo nunca passou de apenas amizade. Nossa diferença de idade era pequena, no entanto sua maturidade sempre me impressionava.
- O que vai fazer se o príncipe disser sim ao massacre? — perguntou Percy, me surpreendendo.
- Não faço a menor ideia — confessei — e você o que irá fazer?
- Irei lutar contra eles ou acha mesmo que os deixarei fazerem o que bem entender com a gente? — retrucou com uma superioridade em sua voz que me fez gargalhar — Do que esta rindo? — irritou-se.
- Nada é só que — continuei rindo — você é um sonhador — falei em meio a risadas.
Fiquei rindo por um longo tempo e quando parei notei que o mesmo já não estava presente. Percy sempre ficara irritado quando eu ria dos seus constantes sonhos de mundo melhor, não que fosse contra a sua utopia, mas eu era bastante pé no chão e sinceramente era pessimista demais para achar algo positivo no meio de tanta guerra, mesmo que no fundo soubesse que a maior sonhadora fosse eu.
Depois que Percy foi embora eu fiquei por um longo tempo pensando, até que notei que faltava apenas uma hora para o príncipe anunciar formalmente sua decisão, já que a essa altura do campeonato ele o tinha feito perante a assembleia, e toda população deveria estar presente para escutar. Cheguei em casa e meu pai já estava arrumado para ir ate a praça.
- Pai? — tentei, inutilmente, falar com ele.
- Apenas suba Thalia e depois conversaremos — disse.
Naquele momento cheguei à conclusão que já não tinha mais o que argumentar ele tomara suas próprias decisões e agora só me restava acatar. Subi para o meu quarto e tomei um banho rápido me arrumando o mais depressa possível. Não demorou muito e eu já estava na varanda onde meu pai me esperava dentro do carro.
- Qual será a decisão do príncipe? — perguntei assim que o carro deu partida.
- Eu não sei, mas seja qual for eu já decidi o que faremos depois — ele me respondeu com os olhos fixados na estrada.
- Pai? — ele me olhou esperando que eu prosseguisse — É verdade que na realidade o príncipe não deveria ser chamado de príncipe? — perguntei.
- Talvez no começo sim, mas hoje em dia com o poder do mesmo e sua influencia sobre as pessoas é inútil não chama-lo assim — ele respondeu brevemente.
Tentei puxar mais assuntos, porem aos poucos fui percebendo que meu pai não queria conversar, queria saber sobre o que era esse tal futuro no qual o mesmo estava falando, mas temia saber a resposta. Não tardou muito e tínhamos chegado à pracinha. Ela estava bem lotada a população inteira da cidade comparecia ate os vendedores fecharam o seu comercio, alguns, no entanto, apelaram por vender seus produtos ao ar livre. Fui ate Logan, que estava encostado em um poste comendo um cachorro-quente, e o cumprimentei acenando com a cabeça este apenas sorriu e ao terminar de comer disse.
- Escolhi um belo lugar para ver o sortudo anunciar o futuro da população não?
Só então pude me atentar aos detalhes, estávamos no meio da praça, e notar que nossa visão dava para a grande torre toda de pedra ao estilo das que se concentravam na antiga Inglaterra o que era muito irônico já que nos localizávamos onde seria a antiga Roma e a construção parecia muito moderna para a civilização romana.
- Realmente foi bem pensado, mas por que sortudo? — retruquei só agora percebendo o sarcasmo na voz.
- Vai me dizer que você não sabe que o grande príncipe na realidade só é isso tudo por pura sorte? — cruzou os braços, com um olhar distante sinal claro de ressentimento.
- Não faço a menor ideia — confessei também cruzando os braços.
- Um dia você e toda população saberão que esse cara é apenas um mauricinho que assim como o pai rouba para ter o que quer- ele abafou um riso forçado, como se ansiasse por esse dia.
- Tinha me esquecido da sua implicância sem explicação com o príncipe — revirei os olhos.
Ele ia retrucar, quando os sinos soaram indicando que era para todos pararem seus afazeres. Todos se pastaram em posição de reverencia e decidi fazer o mesmo, embora não soubesse o motivo para tanto e uma vontade súbita de rir. Depois de alguns segundos o guarda mandou que todos se erguessem em silencio para que finalmente pudéssemos conhecer o tão falado príncipe, que ate então só era mencionado.
- Senhoras e senhores de nova Roma tenho a honra de apresentar Nico Di Angelo o príncipe e herdeiro do trono — um senhor grisalho anunciou.
Todos fixaram seus olhares para a torre que aos poucos podia ser ouvido alguns passos e não sei por que mais meu coração batia em sinal claro de nervosismo, mas quando finalmente o sujeito apareceu e meus olhos se fixaram nele é que pude entender tudo.
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