.Um mês depois.

Grace equilibrava a pesada bolsa em um ombro e a caneca de café em uma mão, enquanto, com a mão livre, tentava abrir a porta do quarto de Belle. A última, com o rosto completamente amassado, abriu a porta repentinamente, assustando a primeira.

- Que foi? – Belle disse com sono evidente.

- Estamos atrasadas!

- Quanto tempo?

- Uma hora!

Grace começou a andar em direção à cozinha e Belle caminhou atrás dela.

- Por que não me chamou antes?

- Meu relógio parou! – ela batia o dedo no relógio de pulso. – Quando dei por mim já estava tarde demais.

- Vou me arrumar.

- Vou andando. Amenizo a situação para ti.

- Amo-te! – Belle beijou o rosto da amiga antes de voltar correndo para o quarto.

Grace balançou a cabeça contínuas vezes antes de pegar o que faltava e chamar o elevador. Como sempre, ele demorou séculos a subir, e ela decidiu ir por escada mesmo.

Descia correndo pelas escadas e corredores do prédio, até que esbarrou em um desconhecido, fazendo com que a grande caixa que ele carregava caísse ao chão.

- Oh! Desculpe-me, sim? – ela abaixou e o ajudou a pegar as coisas.

- Não precisava... – ele a olhou e ela perdeu a fala ao encarar os mais lindos olhos verdes que já viu na vida. “Oh meu Deus! É ele... O homem do parque...”

- Que isso... – desviou os olhos. – Se eu não fosse tão atrapalhada, não teria esbarrado em você.

Ele sorriu, tornando-se sério de repente.

- O que é isso? – disse preocupado, segurando o braço feminino com cuidado.

Apenas naquele momento, ela percebera que havia ferido o braço com um corte pouco profundo.

- Não se preocupe... Não dói. Tanto que nem senti.

- Nada disto, vamos a um hospital! Está bem fundo...

- Bobagem!

- Não é bobagem! Se infeccionar, pode se tornar algo muito pior...

Ela o olhou desanimada e vencida. Poucos minutos depois, dava entrada na enfermaria do hospital para que fizessem os pontos no corte.

Frank se sentia preocupado e culpado. Deveria ter mais cuidado. Mas o que teria a machucado daquela forma. E como ela não havia sentido tão profundo corte?

Olhou ao redor. Aquele local não lhe fazia bem. As lembranças de tudo que passara ali com sua Gwen o feria na alma.

A jovem apontou no início do corredor com a parte ferida enfaixada. Ela caminhou em sua direção, sorrindo. Exatamente como Gwen fazia... Ele balançou a cabeça contínuas vezes, tentando apagar as lembranças da única mulher a quem amou em toda sua vida.

- Tudo bem?

- Sim. Tirando o fato de eu odiar agulha profundamente.

Frank riu. A semelhança era admirável.

- Aceita carona?

- Sim, claro! – sorriu abertamente.

- Pro trabalho?

- Não. Para casa...

Sally se afastava de Shirley meio ofegante. Ambas estavam se conhecendo aos poucos. Era diferente se envolver com uma mulher, quanto mais bem mais velha que ela, porém Sally estava adorando a nova experiência.

- O que houve, sweety?

- Fiquei sem ar...

Shirley riu. Uma risada gostosa e divertida.

- Desculpe, às vezes você me faz perder o controle... – Sally corou um pouco. Sentia-se lisonjeada. Levantou-se da cama e se vestiu calmamente. – Já vai?

- A faculdade me espera...

- Que pena... Vejo-a mais tarde?

- Claro...

- Pensei que te levar à um lugar especial para mim...

- Estou curiosa quanto a este lugar...

- Posso dizer que gostará...

Sally terminou de se vestir e beijou Shirley docemente nos lábios.

- Esperarei ansiosamente.

- Até mais. – Shirley se espreguiçou sensualmente sobre a enorme cama de casal.

- Se continuar assim, serei obrigada a me esquecer de minhas responsabilidades...

Shirley riu mais uma vez.

- Pois vá! Senão não permitirei mais...

Sally sacudiu a cabeça levemente e saiu. Pela primeira vez em sua curta vida, sentia-se feliz.

Belle caminhava pela cidade. Atrasada! Sempre atrasada!

- Será que nunca aprendo? – queixou-se.

- Não sei... Se precisar de ajuda para descobrir...

Foi só então que percebeu Gerard ao seu lado. Ela parou imediatamente de andar.

- Quem é vivo sempre aparece...

- Pensei que não quisesse me ver... – ele disse com um ar debochado.

- Eu não disse o contrário. – Belle tentou continuar a andar, porém Gerard a puxou pelo pulso.

- Por que você é assim? – ele parecia levemente irritado.

- Eu não sou assim... E se o trato assim é porque você me faz tratá-lo assim.

- Eu?! – Gerard naquele momento parecia incrédulo. – Srta. Hepburn, sempre fui gentil com você!

- Sempre? – ela o olhou, desconfiada.

- Para toda ação existe uma reação...

- O quer dizer com isto?

- Tudo o que eu faço é uma reação a uma ação sua...

- E?

- E... Posso exemplificar... – Gerard deu um passo em sua direção, então Belle deu um passo atrás. – O que você faria se eu a beijasse?

Belle, confusa, desviou os olhos por apenas alguns segundos, mas tempo suficiente para que seus lábios fossem tomados pelos sedentos de Gerard.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.