The Gentleman.
1 The gentleman and the french girl.
Notas iniciais
Sentia o ar gélido do típico entardecer inglês congelar-me os pulmões. Passar tantos meses na Itália acabou por fazer-me desacostumar com o clima gélido da Inglaterra, algo que atualmente vem a me afetar um pouco, já que terei de conviver com esta temperatura.
Um clima tenso pairava pelas ruas. Após o término das guerras com a França, o povo tornou-se muito mais calado, e até temia mais do que outrora.
Passei em frente a uma cafeteria. Minha garganta doía pelo frio, e portanto, decidi entrar. Não iria comer nada, talvez beberia um chá ou algo do gênero, mas apenas entraria para sentir-me mais confortável em meio à esse horrendo frio que, por maldição, envolve as terras inglesas.
Ao entrar no local, tive uma impressão normal. Era um ambiente aconchegante, e embora não fosse necessariamente espaçoso, ainda mantinha um ar rústico e cômodo.
Haviam muitas pessoas ali, a maioria delas eram casais, poucas famílias encontravam-se naquele local, então decidi sentar-me em uma mesa que continha solenemente duas cadeiras, a mesma era um pouco mais afastada das mesas que já estavam ocupadas.
Suspirei em cansaço, logo colocando meu casaco em cima da cadeira em minha frente e apoiando o queixo sobre minha mão, a qual estava apoiada na mesa. Tinha no olhar aquele típico ar de tédio e de morte. Detestava lugares cheios, mas ainda assim, não me via em outra alternativa. Ou ficava ali, ou morreria de frio lá fora.
Me levantei e fui até o balcão. Sobriamente chamei a atenção do atendente com um breve 'psiu!'. O rapaz logo virou-me o olhar e franziu a testa, esperando que falasse o meu pedido.
― Prepare-me um copo de absinto. ― falei. Ele simplesmente assentiu com a cabeça e virou-me as costas.
Assim feito, voltei ao meu lugar; porém, sentei-me em uma cadeira que dava-me total visão para a porta de entrada.
Repentinamente, comecei a ouvir um grande falatório vindo de fora da cafeteria. Não sabia do que se tratava, mas não queria ter de matar a minha curiosidade. Estava com preguiça.
Logo, entrou pela porta uma jovem de, aproximadamente, dezesseis anos. Cabelos dourados, cuja cor difundia-se entre um castanho claro e um loiro. Seus olhos tinham um fosco azul, como se já não carregassem o orgulho que todo humano tem. Era bonitinha até.
Ela falava alto, seu sotaque no entanto... Ah, ah não. Bem que eu sabia que algo nela estava errado...! Esse sotaque francês...!
Uau! Isso foi um grande exemplo de como sou um prestigiado english gentleman, sim? Não, não mesmo.
Maldito seja meu patriotismo... Se bem que não é nem questão de ser patriota, o problema é que ingleses e franceses têm uma eterna rixa entre si. Mas enfim, eu não ligo. A menina é bonitinha e é isso que importa.
A garota parecia estar mais confusa do que eu quando fui tentar preparar um absinto. Fui colocar fogo na bebida para tirar o alto teor de álcool da mesma, e quase acabei incendiando a minha casa.
Logo vi a dona do estabelecimento chegar e tirar a garota a força. Tá bom que eu não gosto de franceses, mas aquilo me incomodou de alguma maneira.
Esperei uns momentos, até que já não visse a dona da cafeteria no meu campo de vista, e caminhei por entre as mesas até chegar na porta. Abri-a e saí de lá.
A francesa estava sentada em uma espécie de mureta. Um olhar emburrado e, devo assumir, infantil.
Aproximei-me dela com medo de sua reação, e falei:
― Tudo bem?
Ela suspirou, seus olhos encaravam solenemente o chão.
― Estou bem... ― deu uma breve pausa em sua frase ― Bem mal.
― O que você faz aqui, francesa?
― Tive de fugir do meu país. A guerra está matando a todos... Prefiro morrer aqui do que ao lado de todos que amei.
Aquilo me abalou de alguma forma. Não sabia bem sobre as coisas que aconteciam no mundo. Sempre fui desligado.
― Levante-se. ― falei, segurando sua mão para que ela se levantasse. ― Diga-me, como te chamas?
― Lauren... ― respondeu em tom de desconfiança.
Sorri e levei sua mão aos meus lábios, dando um leve beijo na mesma.
― Prazer em conhecê-la, senhorita Lauren. ― falei, parecendo bastante educado. Ah, como amo encenar estereótipos ingleses, embora o meu estereótipo preferido seja o de tomar chá. É cômico. ― Me chamo Arthur.
― ...Prazer.
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