Notas iniciais
Minha primeira história!
Espero que curtam
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A biblioteca era quase um deserto num fim de semana e, apesar de ter escolhido um sábado justamente para pegar toda a matéria do segundo ano e por em dia, é muito complicado ou quase impossível estudar com um grupo daquele.

Além disso, minha cabeça estava a mil pensando no próximo campeonato.

O negócio é que o time de futebol do colégio nunca tinha chegado nem ao menos em uma semi-final (esta enraizado, em volta da escola, sobre a escola...). É uma coisa que nós podíamos sentir até o final do ano passado. Quero dizer, não era de todo ruim. Sempre chegávamos às quartas de final, mas quem se lembra de verdade de quem chegou quase lá?

Depois da reforma do campo, tudo nele dizia "se vocês não ganharem nessa grama verdinha, com certeza estão condenados a derrota".

E eu estava determinado a mudar essa situação.

Com o caderno próximo, comecei a desenhar a formação do time. Um retângulo mal formado para o campo, dois laterais (que foram representados por flores), seguidos pelos dois zagueiros (ou melhor, estrelas)...

-Não é possível que exista um significado especial para isso, Henrico — Minha imaginação é interrompida pela indignação de Monalisa, que encarava o menino com brilho nos olhos — Você ouviu essa, Hugo?

Estreitei os olhos sob os óculos de grau azuis.

- O que? Qual foi a dessa vez? — Perguntei a ela, endireitando as costas na cadeira para demonstrar interesse. Preparei o lápis para anotar outra palavra nova.

Durante todo esse bimestre, me dediquei a fazer das palavras de Henri um enorme glossário. Elas faziam qualquer genérico do Aurélio ficar no chinelo. Algumas chegavam a ter história por trás quando alguém do nosso grupo pegava para pesquisar a fundo.

Henrico tirou os cabelos negros encaracolados do rosto com um largo sorriso (poucas pessoas poderiam sorrir daquele jeito orgulhoso sem mostrar os dentes), apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçou as falanges e começou a falar:

-Anota aí, Hugo. Palavra do dia: B-E-T — Uma das manias de Henrico era justamente gesticular enquanto estava falando — Valendo uma bala, quem sabe o significado? Menos você Monalisa, acabei de te contar. Não vale.

- Eu nem imagino o que seja — Admiti para ambos — Bet como... Betty Boop?

A questão era que tudo para o Henrico se voltava no final para a tal da Betty Boop. Betty Boop nada mais é do que uma personagem provocativa que teve início nos anos de 1930, que chamou a atenção pelo vestido que quase não cobria nada e pela cinta liga que aparece na coxa.

Ou seja, se você estava muito arrumado, por exemplo, ele dizia "calma amiga, já está fazendo a Bettynha". Ou, se esta muito provocador o seu visual "Betty mandou lembranças, querida". A lista de opções era imensa. Tanto é que dentro de todos os caderno podíamos encontrar pelo menos uma figurinha da garota.

-Errou! — A essa altura Monalisa já se acabava de rir, de tal maneira que era preciso fazer esforço para entender o que saia de sua boa. Apesar de tudo, a risada da menina me fazia sorrir também — Bet significa: Bicha Extraterrestre.

Para quem não sabe, como eu antes de conhecer Rico (ele disse gostava de ser chamado quando chegou na escola), quando um homossexual é todo trabalhado no futurismo e/ou é muito artificial, chamamos de extraterrestre. Bom, eu não chamo, só ele. Segundo o garoto, apenas homossexuais podem chamar homossexuais de qualquer palavra que ele nos ensine a não ser que sejam muito amigos.

- Essa merece ser anotada — Sorrindo e balançando a cabeça negativamente, escrevi com minha letra torta e legível na borda do caderno. Me divertia com todas aquelas palavras.

- O que esta fazendo, Diaz? — Monalisa puxou meu caderno para ver o que estava anotando antes de escrever "BET"

- Nada de mais — Dei de ombros, deixando ela pegar das minhas mãos. Ela era aquele tipo de pessoa pela qual você não consegue ver nenhuma maldade no olhar... Algumas vezes era possível ver claramente o quanto ela procurava anular minha pouca fala com sua risada alta ou com algum assunto que tirava do bolso.

- Esse com certeza é o plano de jogo mais Gay que eu já vi, Hugo — Ela brincava com os cabelos escuros e longos, me encarou procurando algum gesto demonstrando qualquer coisa com seus olhos negros desafiadores. Minha imensidão verde não era parea para tanta convicção ( porém não desviei o olhar, ou me encolhi na cadeira). Tinha certeza de que ela sentia algo por mim, afinal não insistia em mais ninguém tanto quanto insistia em mim. E porque Henrico já havia me contado também.

Sério, quantas meninas reconheceriam um plano de jogo? Ainda mais o meu com tantas adequações nas representações. Monalisa conseguia.

Henrico nunca foi daquelas pessoas que sabe guardar segredo, ao contrário de mim que mal dizia uma palavra (logo, era ótimo em ouvir e não contar a ninguém), o que me levava a ser um refúgio para todos naquele grupo apesar de não saber dar conselhos a ninguém.

-Está preocupado com o jogo de segunda? — ela não esperou que eu respondesse — Você não pode faltar, viu! Vai ser muito legal. E eu sei que vocês vão ganhar.

Respondi com um pequeno sorriso no rosto, enquanto via de relance o sinal de reprovação de Henrico. Sinal que, depois de algum tempo, lembro de ter decidido ignorar.

Talvez, se eu soubesse o que viria a acontecer uns dois meses depois, teria escolhido que nada do gênero acontecesse.

Tudo isso que estou contando aconteceu a pouco menos de um ano atrás, antes de eu pensar em repetir de ano ou pensar em fazer tudo que fiz durante todo esse tempo. Você vai ver, eu vou contar.

Porque essa é a história de como eu arruinei a minha vida em 365 dias.

Notas finais
Comenta, comenta, comenta!
Eu respondo, juro
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.