The Garden of Everything
3 Filha do Sol
Notas iniciais
III.
Olhos de puro
Profundo azul;
Inacreditável
Ele a encontrou dias depois e, por mais que quisesse esconder, era visível o quanto estava quebrado. Aos olhos dela — que o conhecia — era impossível não perceber.
— Chaton... — Suas íris azuis eram a casa que ele tanto buscava. Eram o consolo, eram o carinho, a compreensão. Ele sabia que precisava deles e somente deles para estar ali.
Qualquer outro motivo era um luxo.
— Milady, eu... — Encostaram testa com testa. As mãos dela estavam em seu rosto. Ele pegou seus pulsos, trazendo uma delas até seus lábios, beijando-a. — Eu...
Os dedos delicados pousaram por sua boca. Ele a fitou; e, naquele momento, os verdes e os azuis se encontraram — como duas almas que finalmente se enxergam.
— Eu sei, mon minou. — O sorriso estava não só em sua boca, mas nos olhos também. Aquele oceano que era a porta para a sua alma.
Ele a beijou. Mas não foi só um beijo — foi muito, muito mais. Mais do que poderiam sentir, mais do que poderiam falar, expressar.
Ela passou as mãos por seu pescoço, ele por sua cintura; os corpos se grudaram, as bocas se exploraram, se pediram, se perderam. Respiravam um ao outro e nada mais. Queriam um ao outro — e nada mais.
Naquela noite, nem a lua, nem as estrelas, chamavam mais a atenção de nenhum deles do que a própria presença de ambos ali, juntos.
Filha do Sol
Você foi criada
Para não desaparecer;
Inconcebível
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