Nick
Era cedo quando acordei no dia de colheita. Imaginei que todos em minha casa estariam dormindo ainda, meu pai — Rodolfo -, meus irmãos — Tessa e Eric -, cujo eram mais novos que eu, mas também eram filhos da deusa Afrodite, aquela que nos abandonou, pois não podia viver conosco.
Hoje eu tinha esperanças de ser chamado para os jogos, ser escolhido na colheita, eu treinei muito e era extremamente habilidoso com lanças.
Decido caminhar pela cidade. Aqui no Distrito 1 é tudo muito grande, luxuoso, as coisas fazem jus a atividade do distrito. As pessoas são “perfeitas" demais, tudo é muito bonito, e todos se respeitam.
A população anseia os jogos, felizes com o início e tristes com seu término. Eles se orgulham de pertencer a Panem e trabalham em conjunto com a Capital.
Caminho pelos limites e vejo na clareira — a qual costumo visitar — a figura de uma mulher linda, com cabelos curtos, ruivos, e olhos que mudam de cor a cada piscada variando em todas as cores possíveis, é incrível. Usava um vestido branco, na altura dos joelhos. Ela me encarou e disse:
— Olá Nicolas, eu sou Afrodite, sua mãe. — Olhei atônito, ela era muito diferente da foto que meu pai me mostrara.
— Bom, achei que você fosse um pouco diferente sabe? Cabelos negros e longos, olhos claros, como os meus.
— Eu consigo assumir a perspectiva do que é belo para cada um. — disse a deusa, como se fosse a coisa mais normal do mundo — Filho você está lindo, eu serei sua mentora na arena caso seja escolhido,mas queria conversar com você antes.
— Pode falar. — Eu disse apreensivo.
— Preciso falar sobre os dons que você possui. Sabe, você é o meu filho mais forte atualmente. Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. — disse ela me encarando fixamente a qual os olhos agora estavam na cor de um cinza gélido — Tome. — e estendeu a mão, um anel prateado estava em sua palma e eu o peguei — Use-o assim que precisar e ele se tornará uma lança. Está abençoado por mim e por Hefesto, pois você é forte e poderoso, é merecedor dessa minha dádiva.
— Eu não sou forte, eu não me sinto assim, muito menos poderoso.
— Mas você é! Tome cuidado, você encontrará o amor de sua vida logo. — ela me olhava fixamente — Lembre-se sempre, o amor é universal.
E ela se foi com sua imagem que estremeceu e desapareceu deixando um cheiro de rosas no ar. Eu sabia de que dom ela estava falando. Decidi voltar pra casa, ainda abalado com o encontro com Afrodite.
O tempo passava e nos dirigimos contentes à praça para a colheita, todos no distrito saudavam os jogos.
Depois de vermos o filme da Capital que nos lembrava do porque da existência dos jogos, apareceu a mulher de todos os anos.
— Bom, primeiro as damas. — e se dirigiu a uma urna a esquerda do palco — Lua Ardizn! Venha ao palco minha querida.
Uma garota linda de cabelos louros e olhos cinzentos apresentou-se ao palco.
- Agora, os garotos! — depois de remexer a urna da direita, disse animada — Nicolas Drioner!
Eu não sabia qual era ao certo o sentimento que tomou conta de mim. Mas eu me dirigi ao palco, posicionei-me de modo que a garota ficasse próxima de mim.
- Esses são os tributos do Distrito 1 para esta edição dos Jogos Vorazes! Que a sorte esteja sempre a seu favor!
Eu havia treinado, sabia oque devia fazer, e como ela disse: que a sorte e o amor estejam sempre a meu favor.

Annie
Acordei naquela manhã com a sensação de vitória. Irônico. Vitória justo no dia da colheita? Eu sei que tenho de ser confiante caso seja escolhida, mas ainda não entendo o porque desse sentimento.
Me levantei, tomei meu café da manhã e vesti minha túnica que era simplesmente magnífica! Tenho de estar bonita, pois sei que quando chegar na praça, todos os olhares estão dirigidos a mim e a minha mãe, que é uma vencedora dos Jogos.
— Como se sente? — Perguntou ela, a pessoa que mais me apoia, minha mãe.
— Bem. — Respondi.
— Saiba que seu pai estará sempre do seu lado. E se você for escolhida, ele será seu mentor.
— Zeus do meu lado? Desde quando? Não, não…
Eu amo meu pai, mas as vezes tenho a sensação que ele nem se importa comigo. Sou somente mais uma de seus milhares de filhos. Amar alguém que não se importa com você, é crueldade consigo mesmo, é pedir pra sofrer, então faço de tudo para me esquecer dele.
Treinei na Academia para tributos desde os 6 anos de idade, tenho capacidade. Estava preocupada com Katary, — minha melhor amiga que mora no Distrito 4. Nos conhecemos em uma festa que reunia todos os vitoriosos, nossas mães estavam lá pois eram vencedoras, assim, sempre nos comunicamos pelo telefone e cartas — ela não atendera minhas ligações.
Andei até a praça com a cabeça erguida, desejando ser escolhida, e ao mesmo tempo negando isso.
Ao chegar, avistei Beth — uma mulher de meia idade, com olhar orgulhoso e ganancioso que sorteia os nomes — que estava sorrindo. Podemos dizer que todos estavam ansiosos para que o sorteio começasse logo.
O filme acabou e finalmente Beth mistura os papéis e diz:
— Nosso tributo do sexo feminino dos Distrito 2 esse ano é… Annie Lestch!
Claro, todos olharam para mim. Levantei a cabeça, sorri malignamente, encarando todos que faziam o mesmo comigo. Pelo meu olhar já era claro que eu seria matadora. Ao subir, não consegui disfarçar minha vontade de ver sangue, e tive que abaixar a cabeça, o que acabou gerando alguns sussurros. Apostas? Mas é claro! Muitos já estavam apostando em mim antes mesmo de conhecer o outro tributo do Distrito 2.
— Pelo o que vejo, o tributo masculino é… Jeremy Delson. — Disse Beth com um sorriso extremamente falso.
Bom, é isso. Meu parceiro, porém inimigo do Distrito 2 é um rapaz de 17 anos, bonito, baixo, mas forte ao extremo. Não fiquei com medo, somente apreensiva. Aquele olhar de Jeremy dizia: “Não posso vencer, mas irei te matar de qualquer forma, garotinha”.
Mas e Katary, o que será que ela anda fazendo? Será que foi escolhida para lutar comigo até a morte?

Dylan
Eu costumava acordar cedo. Subia em cima do telhado e olhava para o horizonte esperando o Sol nascer. Era meio que uma homenagem que eu fazia todo dia para o meu pai — Apolo -, com o objetivo de mostrar que eu lembrava dele, e que apesar de seu abandono, o amava também.
Eu morava com a minha tia numa casinha simples, até porque minha mãe morreu quando eu era pequeno… O pior de tudo é que eu não lembro nem de seu rosto.
Eu estava muito ansioso. Não queria ser sorteado e lançado numa Arena onde minhas chances de sobreviver seriam reduzidas a 1%. Desci e fui tomar o meu café da manhã.
Minha tia já estava lá sentada na mesa, — o que era um milagre, porque adorava dormir — ela já tinha arrumado tudo, e provavelmente estava a minha espera. Eu a amava tanto que as vezes até a chamava de mãe.
— Bom dia sobrinho — Disse ela sorrindo.
— Bom dia mãe… Opa, tia! — Eu disse meio apreensivo.
Ela deu uma curta gargalhada e perguntou:
— Está ansioso?
— Pra ser sincero, sim. — falei enquanto mordia uma cenoura. Sim, eu amo legumes — Mas e se eu for escolhido?
Eu não precisei de tésseras, então a probabilidade de eu ser sorteado é pequena.
— Qual é o problema querido? — Perguntou enquanto passava a mão em meu rosto.
— Como será a sua vida aqui…? O que você vai comer?
Minha tia era a única pessoa que me restava. A idéia de ela ter que se esforçar para conseguir seu próprio alimento me preocupava.
— Ah, não se preocupe! Eu sou ainda muito jovem! E a agricultura é muito boa também! — Respondeu alegre, tentando levantar minha auto-estima o máximo que puder.
Então eu terminei de comer meu pão e algumas verduras e fui colocar minha roupa. Algumas horas se passaram e então chegou o momento em que eu e minha tia tivemos que nos dirigir à praça. Tina, a mulher que anunciava os tributos, estava visível alguns metros a minha frente. Depois do término do filme, ela deu alguns passos a direita, pegou um papel e leu em voz alta:
— Emily Basker! O nosso tributo feminino deste ano! — E uma menina alta, forte, de cabelos curtos subiu ao palco.
Temos muitos garotos aqui, alguns mais pobres do que eu, que precisaram pegar tésseras para alimentar suas famílias… Minha chance de ser sorteado são mínimas. — Pensei relaxando no mesmo momento.
Então Tina continuou:
— E o nosso tributo masculino é…
— Eu acho que eu até posso ir embora… — Sussurei, sorrindo.
— Dylan Gebhard!
E num passo de mágica, eu começo a brilhar no meio da multidão. Mas eu brilhei mesmo, algum raio solar deve ter batido em mim e eu irradiei brilho. Eu imaginei que fosse uma forma de meu pai dizer “Uhul, esse é meu filhote!“
Então eu subi ao palco e conclui uma coisa: Essa seria minha última visão da praça. Do meu distrito. E de minha tia…

Sarah
— Oi querida — Minha mãe sorria para mim.
Era ela mesmo, a mulher que me abandonou aos 12 anos de idade, a que me deixou sozinha. Agora ela estava lá, me encarando, com um vestido branco de seda e os cabelo ruivos caindo sobre os ombros. Eu estava com raiva e pronta para falar palavras muito feias pra ela, mas era só um sonho.
— O que esta acontecendo? — Perguntei.
— Filha… Sei que nunca fui uma boa mãe.
— Descobriu isso sozinha?
— Mas estou aqui pra te ajudar.
— Não quero sua ajuda, não quero NADA relacionado a você. — Falei com amargura.
Apesar de ser só um sonho, as emoções que estava sentindo eram bem reais. Era Nêmesis, minha mãe, ela sorriu e veio se aproximando de mim e não tive outra reação a não ser ficar parada.
— Hoje eu vou precisar que seja corajosa. — ela sorriu e tocou meu rosto com as “costas” da mão — Vou estar com você o tempo todo, como sempre estive…
Acordei em um grito sufocado e respirei fundo. Foi só um sonho. Toquei meu rosto onde minha mãe imaginária tocara, e estava quente.
Ótima maneira de começar o dia da colheita Sarah — Falei a mim mesma.
Me levantei e lavei meu rosto suado. Coloquei meu vestido verde que caia em perfeito contraste com meus olhos. Calcei minhas sapatilhas e dei mais uma olhada na casa vazia antes de sair. Enquanto caminhava me lembrava de como eu era feliz com meu pai, meu irmão e minha mãe adotiva. Meu pai sempre me deixou ciente de que era uma semideusa, talvez isso tenha aumentado a raiva pela minha mãe verdadeira. Aos 11 anos, minha mãe adotiva e meu irmão morreram em acidente em uma das marcenarias que existe no meu distrito. Foi um terrível incêndio e por estarem rodeado de madeira, facilitou para serem queimados. Cinco meses depois, meu pai morreu em seu próprio mundo.
Depressão. Fiz 12 anos. Como sobrevivi? Tésseras… Não me surpreenderia se fosse escolhida. Não restou mais nada aqui mesmo.
Cheguei a praça principal onde estavam todos reunidos. Como sempre uma mulher — que nunca tive curiosidade de saber o nome — começou a falar. Passou um filme sobre o motivo de existir o Jogos Vorazes e chegou a hora da colheita.
— Começaremos pelas damas como sempre… — ela sorteou um papel e leu em voz alta — Sarah Lightwood.
Nesse momento meu coração parou por um instante. Todos se viraram em minha direção, alguns com olhar de pena, e outros com olhares indiferentes. Em um movimento automático comecei andar em direção ao palco.
— Parabéns querida. — ela falou enquanto se voltava ao microfone. — Nosso garoto é.. — pegou outro papel e sorriu — James Herondale.
Um garoto aparantemente da mesma idade que eu , de cabelos ruivos e olhos quase tão verdes quanto os meus, subiu ao palco.
Que diferença faz morrer na arena? Já morri a muito tempo.

Katary
Já havia amanhecido e meus pés balançavam suavemente na água, era um lugar perfeito para me distrair e esquecer as coisas que vinham acontecendo tão rápido. Fechei os olhos e senti a brisa do mar gélido em meu rosto.
— Kaah, minha querida, entre, tem visita para você. — Minha mãe gritou.
— Quem é? — Gritei de volta
— Venha logo! — Olhei para trás e vi ela me chamando com a mão direita, toda sorridente.
Aff, espero que não seja o Henry, cara chato — Disse para mim mesma.
Me Levantei e andei em direção a porta. Quando entrei, havia um pacificador de costas, admirando algumas fotos minhas, de meu irmão — que já morreu — e de minha mãe.
— Henry? — Disse ainda na porta.
Ele se virou e pude percebe que não era um dos Pacificadores do meu Distrito e graças aos deuses também não era o Henry — um Pacificador que tenta namorar minha mãe-
— Não querida, esse não é o Henry. — Minha mãe estava com um enorme sorriso no rosto.
De que diacho essa mulher tanto ria? Hoje era a colheita e depois da morte do meu irmão ela nunca mais sorriu dessa forma
— E então…? Quem é o Senhor? — Eu tive a sensação de que o amava e ao mesmo tempo o odiava. Ele se virou para a minha mãe e sorriu.
— Antônia, será que você poderia nos deixar alguns minutos a sós?
— Claro. — Ela sorriu de volta e saiu.
— Olá querida. — ele me olhou com os lindos olhos azuis — Me reconhece mesmo usando essa roupa ridícula de Pacificador?
— Quem mais iria fazer minha mãe rir dessa forma, não é pai? Opa… Me desculpe, Senhor Netuno.
— Não me chame pelo meu verdadeiro nome, me chame de… Henry.
— Odeio esse nome, mas prossiga, o que veio fazer aqui? Nunca se importou em nos visitar.
— Eu sou um deus romano Katary, deuses têm coisas a fazer e não posso ficar cuidando de semideuses como um homem normal faria.
— Já cansei dessa história, mas porque veio até aqui?
— Porque você será escolhida como tributo este ano.
— V-v-ou? — Droga, odeio quando começo a gaguejar.
— Sim, e eu sei que quer vingar a morte da Leah e do seu irmão, por isso te trago um presente. — ele estendeu a mão e me entregou uma caixinha enrolada em uma fita azul, que continha estrelas do mar enfeitando-a — Presente do seu mentor e pai. Abra somente quando estiver indo para a arena, isso honrará teu nome mesmo estando diante de sua morte.
— Obrigada. — E então ele se foi, me deixando sozinha na sala com a caixa na mão.
Coloquei a caixinha no bolso e fui para a praça junto com a minha mãe. Enquanto o filme da Capital passava, fiquei esperando a hora em que Selina iria pronunciar meu nome e não demorou muito.
— E o nosso tributo feminino do Distrito 4 é… — odeio essas pausas — Katary Misawo.
Subi ao palco um pouco tímida e pude ver a tristeza tomando conta do rosto da minha mãe novamente. Selina foi até aos papéis da área masculina e pegou o papel.
— E o nosso tributo masculino é.. Cassian Lehnne.
Eu gostava de Cassian, ele era um garoto bacana. Loiro, pele bronzeada, tinha 18 anos, alto e me tirava os sorrisos mais sincero, não acredito que vou para a arena com o meu colega de pesca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.