The Funeral Party

1 A Festa Funeraria


Tinha acordado. Eu não sabia onde estava e muito menos como teria ido parar ali.Tudo estava escuro e sombrio, nao sabia que horas eram, era como se o tempo e o espaço simplesmente nao existissem, apenas se podia ouvir um silêncio hipnotizante e desesperadamente enlouquecedor.

Aquele silencio ecoava na minha cabeça, me deixando fora de mim. Pouco tempo depois milhares de perguntas passavam pela minha cabeça: Quem eu era? O que fazia naquele lugar? Porque nao havia ninguem ali?

Estava ficando louco, dando os meus últimos suspiros, aquela dimensão me deixava fora de mim.

Comecei a ouvir sons: parecia o som de passos de pessoas, vindo d\'aqui e d\'ali, d\'acola e d\'acolem, um som repetitivo mas ao mesmo tempo aconchegador.

Aos poucos, outros sons azedos se juntavam aos passos infernais, me confundindo cada vez mais. Dentre esses sons destacavam-se vozes humanas, como que cantando, e dentre elas, uma voz grosseira como um baixo desafinado, como que liderando as restantes.

Bocadinho por bocadinho, parte por parte, tudo se tornada nítido: Silhuetas de pessoas iam aparecendo, mas mesmo assim, bastante desfocadas. Aos poucos aquele preto lúgubre foi passando para um cinza melancólico, aligeirando o clima daquele mundo desconhecido.

Então, um flash passou pela minha cabeça como um suspiro divino que me atravessava o espírito: Estaria eu morto? Esta questão me deixou profundamente confuso.

E as vozes e os traços humanos, iam ficando mais nitidos e mais nitidos...

Se eu tinha morrido, seriam aquelas vozes, passos, e pessoas, o meu funeral? Então porque ao invés de chorarem, aquelas pessoas festejavam como se um milagre tivesse ocorrido?

Questões como estas passaram pela minha cabeça ( ou pelo menos o que ainda restava dela).

A Festa Funerária decorria infinitamente, e eu ali estava, me desintegrando pedaço por pedaço, esperando eternamente o seu fim.

Ao fim daqueles milénios infernais, apercebi-me que havia mais pessoas ali comigo: Algumas pessoas ficavam imóveis, congelando com aquela brisa pesada, negra e gélida que atravessava seus corpos, outros, falavam, gritavam e desesperavam naquele campo de tortura, sem que eu pudesse percebê-los.

Decidi me levantar e caminhar em direcção ao extenso vácuo que me rodeava, uma viajem sem rumo, desnorteadamente perdida, sem sentido.

Por cada lugar que passava, mesmo estando escuro, conseguia ver coisas desumanas: Pessoas se torturando umas as outras, tentando suicídio, gritando histericamente e mais coisas desse tipo, e o meu coração começava a ficar cheio de ódio e medo, e então, frente a frente com as portas da insanidade, me questionei a mim mesmo: Se eu estava morto, porque ainda estava naquele espaço horrível, naquela casa de tortura, naquele purgatório infernal? Iria algum dia sair dali?

Eu não sabia mais o que fazer, estava com medo daquelas criaturas fantasmagoricamente repugnantes, queria sair dali a todo o custo, ir para minha casa, ou no mínimo sair daquela mansão dos horrores.

Eu já não tinha forças, me sentia vazio como o vazio do vácuo esvaziado, roto. Então, num momento de reflexão, apercebi-me que podia, ainda que minimamente, ouvir as vozes daquelas pessoas na \"festa funerária\", os passos, tudo!

Então a ideia da morte passou novamente pela minha mente oca, e sem dar por isso, acabei adormecendo.

Acordei num outro sitio, desta vez, mais iluminado, mais leve, onde tudo se via e ouvia perfeitamente!

As batidas, os passos, as vozes continuavam la, mas agora, completamente límpido.

Eu via minha família perto de minha tomba, felicíssimas, e uma multidão de pessoas atrás deles. Aquela voz que antes me parecia desconhecida, agora me parecia bem familiar: Era a voz de meu pai. Meu pai era uma pessoa muito anti-social e rígida e sempre escondia seus sentimentos como uma serpente peçonhenta que sempre se camufla na natureza.

Minha mãe era mais dócil, mas ao mesmo tempo, muito parecida com o meu pai.

Nunca tinha visto eles tão felizes como naquele momento!

Eles ali estavam, em frente ao meu corpo, sorrindo, como se minha partida você uma bênção divina!

Isso me deixava desiludido e triste, mas ao mesmo tempo com uma grande de os estrangular até suas tripas saírem por sua boca imunda, mas mantive a calma.

Depois de observar bem aquele cenário, pude observar alguém ao lado de meus pais, um sujeito estranho. Não pude ver sua face, pois estava escura, mas pude notar que ele estava rindo de maneira sarcástica, como se aquela situação o divertisse. Quem seria aquela pessoa? E porque ninguém parecia poder vê-lo? Seria ele um espírito? As duvidas pairavam na minha cabeça como corvos voando no vasto cinzento.

Então, todos sumiram, sem que eu desse por isso, fiquei inconsciente, e quando acordei, me encontrava naquele purgatório obscuro de novo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.