The Fucking Letter
1 What the fuck, James?
Notas iniciais
*Divirtam-se*
- Hey, Evans – droga, ela pensou. Era a terceira vez na semana que ele a incomodava, provavelmente para “devolver sua pena perdida” ou “perguntar sobre a lição de poções”. – Você esqueceu seu livro de poções, de novo – ele lhe sorriu abertamente.
- Suas tentativas de chamar minha atenção estão ficando cada vez piores, Potter – ela pegou o maldito livro e lhe mostrou a capa. – Esse livro nem ao menos é meu – ela atirou o objeto a poucos centímetros de sua cabeça, mas ele não fez barulho quando, supostamente, deveria estar no chão. – Acho que perdeu isso, Sírius.
- Estava me perguntando onde o havia colocado – ele também sorriu para a ruiva, mas de uma forma divertida.
- Bem, se me derem licença, tenho mais coisas pra fazer – ela começou a andar, mas escutou passos atrás de si.
- Vamos, Lily, é só uma saída – ele disse e ela estreitou os olhos, confusa.
- James, já disse que não. Não vou sair com você, ainda mais em Hogsmeade onde todos podem me ver com você – havia um sarcasmo quase sombrio em suas palavras, mas isso não afetou o garoto; já estava acostumado a adorável acidez de Lílian Evans.
- Se o problema é ser vista, podemos ir para algum lugar mais privado enquanto todos saem – embora odiasse admitir, ela sentiu um arrepio quando ele sussurrou isso em seu ouvido. Ela colocou a mão no cabelo, prendendo alguns fios da franja que caiam de seu coque mal feito.
- Por que ainda insiste se sabe que eu sempre direi não pra você, James? – eles entraram no salão comunal da Grifinória, vazio no momento.
- Você não disse "não" semana passada – ele sorriu e ela corou, agradecendo por estar de costas para ele.
- Eu não estava em minhas melhores condições, não me lembro de nada depois da terceira dose – ela se virou e cruzou os braços, controlando a respiração. Ele se referia a festa em comemoração à vitória da Grifinória sobre a Sonserina que acontecera, e ela, por mais que odiasse, se lembrava de cada detalhe e ação consciente. Culpe a bebida, pensou no dia seguinte, e era isso que estava fazendo.
- Não parecia tão bêbada quando fomos para a sala precisa, Lil. E eu bebi muito mais do que a senhorita e estava completamente são.
- Você disse que não se lembraria de nada.
- Bem, eu menti. Lembro-me de tudo, Lil, como poderia esquecer? – ela tinha certeza que estava corando de novo.
- Você prometeu que nunca mencionaria isso – eles estavam a centímetros de distância.
- Pra você ver o nível do meu desespero. Vamos, Lily, só dessa vez e eu prometo que nunca mais te incomodo.
- Nós dois sabemos que isso não é verdade – ela escutou passos e sabia que alguém devia estar descendo as escadas, então se afastou do garoto.
- Uma chance, Lily – ele juntou as mãos e ela bufou, vendo que ele não a deixaria em paz até que dissesse sim.
- Tá – ela ergueu as mãos e ele silenciosamente, ou não, comemorou. – Uma hora, Potter, é o tempo que você tem antes que eu desista de você.
- Não se preocupe, Lil – ele beijou sua bochecha, pegando-a totalmente desprevenida. – Espero você aqui, amanhã – ele disse enquanto subia as escadas. Quando a garota olhou pra trás, viu que Remus e Sírius a encaravam, rindo entre si.
- O que foi, vocês dois? – embora não admitisse, Lily gostava deles. Remus era uma das pessoas mais gentis e inteligentes que já conhecera e Sírius, bem, era engraçado e seu sarcasmo era muito bem-vindo quando estava zoando com a cara de James.
- Nada, só observando sua desistência depois de tantos anos – Sírius disse e Remus concordou.
- Ele não ia me deixar em paz se eu recusasse – ela tentou e eles vieram para perto dela.
- E acha que ele vai te deixar em paz agora? Pobre Evans – Remus sacudiu a cabeça.
- Nadou e morreu na praia, coitadinha – ele pôs a mão em seu ombro, o qual ela sacudiu até que estivesse livre.
- Ok, se eu não vou ter paz de qualquer jeito, subam lá e digam que eu não vou mais.
- Ah, eu é que não vou dar essa notícia ao pequeno sonhador lá em cima – Sírius levantou as mãos e Remus concordou.
- Pense um pouco, Lily. Tem certeza de que vai ser tão ruim assim? Dê uma chance ao garoto – Remus disse e saiu, sendo seguido por Sírius, que erguia os polegares para a ruiva. Somente quando ela lhe mostrou o dedo do meio foi que ele virou para a frente, subindo as escadas do dormitório masculino.
Depois de pegar seus livros e subir correndo as escadas, Lily pegou suas roupas e sua toalha, entrou no banheiro e se demorou lá. Sabia que as amigas deviam estar no salão de baixo, então se permitiu relembrar sobre a noite da festa, mesmo que isso lhe desse vontade de bater a cabeça repetidas vezes na pia.
*Flashback*
Ela estava na arquibancada, com as amigas, torcendo pela própria casa. Como sempre, James fazia algumas gracinhas direcionadas a ela, correndo o risco de perder o jogo. Isso lhe irritava bastante, a certeza que ele tinha de que iriam ganhar.
Não foi diferente daquela vez; o Potter pegou o pomo, vitória da Grifinória. Fazia frio, e o vento forte que vinha bagunçar lhe os cabelos não ajudava em nada, mas esse frio foi embora quando o Potter parou a sua frente, lhe estendendo o pomo de ouro como se fosse o próprio troféu.
- Na falta de uma rosa, um pomo para a mais bela das espectadoras – ela cruzou os braços, mas estendeu depois a mão para pegar o objeto.
- Sabe que não posso ficar com isso, James – ela gritou por cima do vento. – Tem que devolver para a treinadora.
- Foi apenas uma desculpa, Evans – ele deu um impulso pra cima e capturou os lábios da garota, a qual não se afastou. Ele se separou logo em seguida, voando sem esperar que ela lhe devolvesse o pomo. Ela riu, jogando-o em direção a ele e vendo-o pega-lo ainda no ar. O ambiente em que estavam, o doce gosto da vitória no ar colocava as inimizades e brigas entre eles de lado, sempre era assim. Mas naquela noite, eles passaram de alguns limites, limites inaceitáveis para uma pequena trégua.
Ela estava no salão comunal, já sem tantas camadas de roupas e com os cabelos presos num coque, usando a varinha. Ela estava sentada no sofá, conversando com as amigas e bebendo cerveja amanteigada – ou algo muito parecido com isso, porém com um alto teor alcóolico – quando sentiu uma mão em seu ombro. Olhando para cima, viu os olhos e sorriso de James, levantando-se e o abraçando.
- Parabéns pelo jogo – ele mesmo já não parecia em sã consciência, mas estava sem o uniforme, vestindo seu velho jeans rasgado, camisa e uma outra blusa por cima, mais pra “parecer descolado”, segundo Sírius, do que pelo frio. Seus cabelos molhados indicavam que ele haviam acabado de sair do banho, ou pelo menos não se dera ao trabalho de seca-los.
- Obrigado, Evans – eles se encaram alguns instantes, envergonhados. – Posso falar com você um instante? A sós? – ela olhou para as amigas, mas elas já haviam voltado a conversar, completamente fora de si. "Pelo menos ainda tenho consciência do que estou fazendo" a ruiva pensou antes de aceitar e acompanhar o garoto para fora da sala.
Eles andaram por alguns corredores, ela se perguntando o que ele tinha de importante para dizer. Até que chegaram num trecho mal iluminado e ela entendeu que aquilo nunca se tratou de uma conversa apenas. Ela parou no meio do corredor, fazendo-o se virar e a encarar.
- Não tenho certeza disso, James. Não acho que a quantidade de cerveja amanteigada que bebi foi suficiente para me levar a isso.
- Sério, Lil? – ele se aproximou e ela sentiu o cheiro de uísque de fogo que saia de sua boca, não totalmente ruim para ela. – Eu pensei que ...
- Você pensou errado, James. Não é assim que você vai conquistar uma garota.
- E quem falou em conquistar, Lil? – ele sorriu e segurou sua mão. – Veja, não é segredo pra ninguém em Hogwarts que eu sou afim de você, é? – ele a encarou por cima dos óculos. – Mas no momento, estava pensando em outra coisa. Já ouviu falar em diversão, senhorita Evans?
- Se eu por um acaso aceitasse isso, ninguém nunca saberia o que se passou aqui, certo?
- Não pela minha boca – ele estendeu a mão. – Temos um trato?
Ela não respondeu, apenas segurou sua mão e a apertou. Ele não demorou a puxa-la para si, apertando sua cintura enquanto ela passava as mãos por seus cabelos, bagunçando-os mais ainda. Segundos depois ela sentiu a parede fria em suas costas e as mãos do Potter puxarem-na para cima. Ela riu quando o sentiu morder seu lábio inferior e depois beijar-lhe o pescoço. Então eles escutaram um barulho estranho e se separaram imediatamente. Ela pegou a varinha dos cabelos, apontando para a frente enquanto James apontava a própria para os fundos. Então eles viram portas surgindo da parede, como se entalhadas por mãos invisíveis e ágeis. Elas se abriram sozinhas e, quando eles espiaram dentro, foi uma surpresa ver um gigantesco quarto lá, praticamente vazio, não fosse por uma cama de dossel, um sofá e uma mesinha de centro.
- Isso é ...?
- Eu acho que sim – Lily nem deixou que ele completasse a frase. A Sala Precisa, uma das lendas que circulavam em Hogwarts. Muitos diziam já ter usado, porém nunca revelaram a localização ou como se entrava lá. – Acho que as histórias são verdadeiras.
- Talvez essa não seja a única. Já ouvi falar sobre uma câmara secreta onde uma criatura horrenda vive, talvez ...
- Quieto, James – ela entrou na sala, sabendo que ele a seguia. Ela ajeitou a varinha novamente nos cabelos e colocou as mãos nos bolsos. – Sabe o que dizem, não? Que ela só aparece quando você realmente precisa de alguma coisa.
- Esse foi a melhor indireta que eu já recebi na vida – ele se aproximou, mas ela colocou a mão em seu peito, impedindo-o de se aproximar.
- Eu não sei, James. Sinto como se fosse me arrepender disso pelo resto da vida.
- Bem, você que sabe. Eu não vou me lembrar de muito pela manhã pelo tanto que bebi e, mesmo que lembrasse, te prometi que não contaria a ninguém. Mas se você não tem certeza ...
Ele lhe deu as costas, dando alguns passos lentos. Ela apenas revirou os olhos, cruzando os braços.
- Nem adianta tentar fazer esse joguinho de poder comigo, Potter – ela andou mais rápido em direção a porta, passando por ele. – Não vai funcionar.
- Lily, espera – ela olhou pra trás, vendo seu desespero. – Ok, você venceu. Quero muito que fique aqui comigo, mesmo que só pra ter companhia.
Ela sorriu, mínima e rapidamente, então fechou a porta e voltou até onde ele estava, parando a sua frente.
- Tem certeza?
- Bem, não posso prometer que não tentarei nada, afinal quem não arrisca, não ... – ela puxou o cós de sua calça e o beijou antes que terminasse a frase.
- Prefiro quando não está conversando, James – eles se separaram alguns segundos. – Fica mais suportável – ele apenas sorriu e puxou a cintura da garota. Eles estavam perto do sofá, mas o ignoraram. Depois de darem alguns passos pra trás, James se cansou e puxou novamente as pernas de Lily para cima. A garota prontamente as cruzou ao redor de sua cintura e deixou que ele a guiasse para onde quer fosse. Ela sentiu uma superfície macia debaixo de si e quando abriu os olhos, viu que estavam sentados na cama, ela ainda no colo dele. – Por que você é tão irritante, James?
- Por que você é tão linda, Lily? – ele passou a mão em sua bochecha e puxou a varinha de seus cabelos. Ela ficou quieta, meio atordoada com aquilo e deixou que ele brincasse com os cachos ruivos que ela havia feito especialmente para o jogo. – Por que seu cabelo está assim?
- É um feitiço que as meninas me ensinaram – ele usou a varinha dela e desfez o feitiço.
- Não precisa disso, Lil – ele encarou os incríveis olhos verde dela, os olhos mais bonitos que já vira, ele tinha certeza. Sempre que podia, os estava observando durante as aulas. – Nunca precisou.
Eles voltaram a se beijar, ele inundado de uma alegria extrema, e ela pensando seriamente no que Remus havia lhe dito. Será que era tão ruim assim estar com James? Claro, ele a irritava até o último fio de cabelo e ela tinha uma vontade enorme de bater nele toda vez que o via, mas ela gostava quando sabia que ele estava por perto.
Abandonando qualquer tipo de pensamento desse tipo, ela pensou somente em corresponder aos beijos e toques de James, mandando a tudo e a todos se foderem.
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Eles estavam deitados, cobertos apenas pelo fino lençol que haviam empurrado para o chão momentos antes. Se havia uma coisa que Lily queria fazer era abrir um buraco na terra e nunca mais sair de lá. Sem avisar nada nem ninguém, ela se sentou, levando a lençol consigo e respirando fundo. Ela olhou para o lado, onde suas roupas íntimas se encontravam e estremeceu. Não que ela pudesse reclamar de algo, havia sido bom até demais, mas ela baixou a guarda e sabia que ele não iria esquecer disso. Ela soltou enfim o lençol, virando de costas para James e vestindo suas roupas.
- Já vai embora? – podia sentir o sorriso de James em suas costas.
- Não devia nem ter entrado aqui – ela ficou de pé, abotoando o sutiã e vestindo a blusa.
- Está arrependida? – ela ajeitou o cabelo e se virou pra ele, escutando a amargura em sua voz.
- Não é por causa disso, James – ela pegou sua calça e as botas, indo até o sofá. – Só esquece que isso aconteceu, ok?
- Sim, senhora – seu tom de tristeza era evidente, mas ela apenas fechou os olhos fortemente, terminando de se vestir. Ela calçou as botas e andou até a porta, mas escutou ele lhe chamar, um pouco mais perto. Ele estava semi vestido, apenas com a calça e os pés descalços. – Você esqueceu sua varinha – ele lhe estendeu o objeto, sem encara-la. – Se encontrar Sírius, diga que ele sabe onde me encontrar.
- Claro – ela respondeu, mas não moveu um músculo. Observava o garoto a sua frente, completamente frágil e sem a suposta arrogância. Talvez fosse diferente, se ele não se achasse tão superior a todos e essa fosse a coisa que mais odiasse em uma pessoa. Mas ali, daquele jeito, ele não aparentava ser assim, só um adolescente que queria curtir com os amigos. Ela sabia que iria se odiar depois daquilo, que não teria paz por nem mais um minuto na vida, mas talvez ela quisesse ser incomodada por mais tempo. – Mas eu acho que não vou encontrar Sírius.
- Ele provavelmente vai estar ocupado com alguém, mas pode falar com Peter ou Remus.
- Eu quis dizer que não vou voltar pro salão – ele finalmente a encarou, confuso. Ela não deixou que ele perguntasse algo, apenas puxou seu pescoço e deixou que ele a beijasse. Sem esperar por uma resposta, ele se separou dela e a puxou pelos joelhos, correndo com a garota pelo quarto e fazendo-a gargalhar.
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Eles estavam deitados novamente, porém Lily dormia ao lado de James. Ele brincava com seus cabelos, que formavam um leque ruivo por todo o travesseiro e por seu peito. Lily nunca parecera tão calma e tão linda quanto naquele momento, ele pensava. Ele era apaixonado por ela desde o quarto ano, disso tinha certeza, mas nunca teve coragem de deixar isso claro até aquele ano, quando viu que suas provocações constantes estavam atingindo a garota de uma forma positiva. Talvez ela gostasse dele, pensou, mas sabia que Lily era orgulhosa demais para admitir. Mas aquilo não importava no momento, ela estava ali com ele e ele estava feliz. Ele pegou a varinha e conjurou um despertador para acorda-los dali a algumas horas. Não podia correr o risco de algum monitor ver os dois e sabia o quanto ela lhe amaldiçoaria se alguém os visse chegando. Depois de ter certeza de que ele tocaria, virou-se para Lily, passando o outro braço por sua cintura e adormecendo rapidamente.
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- Você nunca me viu depois da festa. Entendeu, Potter? – ela disse quando chegaram no salão, depois de passar pelo olhar reprovador da Fortuna Major na entrada.
- Claro que sim, Evans – ele lhe roubou um último beijo e esperou até que ela subisse as escadas do próprio dormitório para seguir para o seu. Quando abriu a porta, ele se deparou com um Peter dormindo tranquilamente, Remus completamente largado na cama e a cama de Sírius intocada. A porta do banheiro estava fechada e ele escutou o barulho do chuveiro vindo de lá. Depois de bater, esperou até que Sírius saísse.
- Parece que a noite foi boa, caro James – Sírius lhe disse, com uma toalha nos ombros e outra na cintura.
- Nem faz ideia – ele foi até o banheiro e fechou a porta, a protestos do amigo, que queria saber o que acontecera.
Enquanto isso, Lily abria silenciosamente a porta do dormitório, para não acordar as amigas. Elas dormiam, graças a Merlin, então ela bagunçou a cama, deixou a blusa de James em cima – que mais lhe parecia um cardigã, de tão grande que ficou – e foi para o banheiro com suas roupas, tomando um rápido banho e pondo os pijamas.
- Não pense que eu não senti sua falta ontem, senhorita Evans – ela escutou a amiga dizer assim que já estava deitada e coberta. – Onde estava?
- Dando uma volta nos jardins – ela mentiu e escondeu a blusa debaixo dos cobertores. – Boa noite.
Embora a amiga protestasse, ela a ignorou e foi dormir pensando em como evitaria.
*Fim do flashback*
Ela saiu do banho e se vestiu, secando os cabelos com a toalha e saindo do banheiro. Escutou a conversa das meninas e se sentou na cama, vendo elas entrarem e irem também tomar banho. Conversaram sobre o dia de amanhã, a ida a Hogsmeade e sobre o que fariam lá. Algumas delas tinham planos também, outras disseram que iriam ficar no castelo e então o assunto chegou até o que a senhorita Lílian Evans faria.
- Ainda não sei. Vou comprar algumas coisas e voltar pro castelo, não devo demorar – elas deram de ombros e Lily terminou de secar os cabelos com a varinha. Tinha de admitir, as amigas conheciam feitiços muito uteis pra ficar pronta em menos de dez minutos.
Elas desceram para o jantar e Lily agradeceu o tempo todo por terem se sentado longe dos meninos, não dando brecha para James dar algum fora. Ele nem ao menos tentou conversar com ela enquanto todos voltavam para o salão, o que a fez pensar se ele falava sério em deixa-la em paz depois do suposto encontro. Ela estava sentada no salão comunal, terminando de ler um suspense que seus pais lhe deram na última vez que fora para casa, quando sentiu o sofá afundar ao seu lado.
- Vai virar a noite, Evans? – James perguntou, brincando com a varinha.
- Só estou terminando esse capítulo – ela nem pensara para responder, era automático. – Não que eu lhe deva explicações sobre minha vida.
- Hey, calma, não tem ninguém por aqui – a garota finalmente levantou a cabeça e olhou ao redor. Os dois estavam realmente sozinhos, apenas com o barulho e o calor do crepitar da lareira. – O livro é bom?
- Você me perguntando sobre livros, James? Tem certeza de que está bem?
- Eu leio as vezes – ele disse e ela ergueu uma sobrancelha. – Ok, não tão as vezes, mas não sou assim tão ignorante quanto pensa.
- Sei – ela tentou voltar a ler, mas o sentiu observa-la. Lily fechou o livro, vendo que não conseguiria terminar aquilo hoje. – Acho que já vou dormir. Tenho um compromisso amanhã – ela ficou de pé e calçou os tênis.
- Espero que esse compromisso envolva um cara bonito que eu conheço.
- Não devemos estar falando da mesma pessoa. O meu envolve um completo idiota que conheço – ela sorriu e ele balançou os ombros.
- Talvez seja o mesmo cara – eles deram a volta no sofá e pararam entre as escadas, que os separariam para os dormitórios. – Você esqueceu isso. De verdade, dessa vez – ele lhe estendeu a varinha. – Tem que aprender a verificar suas coisas, Lil. Esse seu amigo é muito bom em pega-las sem que você perceba.
- Eu reparei. Boa noite, James – ela pegou a varinha e subiu as escadas.
- Boa noite.
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Lily havia acabado de sair do banho quando as meninas começaram a acordar. Depois de magicamente ter feito uma leve maquiagem, ela se trocou, vestindo uma blusa de frio branca, o mais recente adquirido cardigã e um casaco mais grosso preto por cima. Além da calça jeans, ela fez questão de usar uma meia calça por baixo e um feitiço de impermeabilidade para que a neve que caíra durante a noite não molhasse suas roupas. Ela vestiu duas meias, um cachecol e luvas antes de sair do quarto, além das botas e um gorro para segurar os cabelos. Ela desceu as escadas, pegando a bolsa e tendo certeza de que as amigas não a seguiriam.
Ela encontrou James, Sírius e Remus lá embaixo, conversando ao pé da escada.
- Um, obrigada por estarem aqui e me zoarem pelo resto da vida – olhou para Remus e Sírius. – E dois, onde está Peter?
- Um, nós não iremos acompanhar o casalzinho por todo o passeio, só até chegarmos em Hogsmeade – Sírius disse. – E dois, Peter não está se sentindo muito bem, resolveu ficar na cama.
- Claro. Podemos ir? – ela ajeitou a bolsa no ombro e seguiu os meninos pra fora do salão comunal. James estendeu o braço e Lily lhe encarou com a sobrancelha erguida. – Sério?
- Vamos, Lil, é quase que um encontro, então facilite as coisas – ela continuou com os braços cruzados, então ele se aproximou de seu ouvido. – Não vai querer que eu pergunte onde você conseguiu esse casaco, vai?
- Suas chantagens estão fracas, James, minha mãe me deu esse cardigã – mesmo assim ela pegou seu braço. Eles estavam atrás de Sírius e Remus, que iam conversando sobre os doces que iriam comprar e Lily se lembrou que também precisava comprar alguns. Não importava sua idade, os doces bruxos eram os melhores no mundo todo. – Onde quer ir primeiro?
- Precisa comprar alguma coisa?
Ela lhe contou sua ideia e ele concordou.
- Se importa se eles forem com a gente? Ou está doida pra ficar sozinha comigo, Evans?
- Por que é sempre tão convencido, Potter? – então ela se deu conta da brecha que abrira. O garoto sorriu.
- Por que é sempre tão linda, Lily? – ele disse baixo o suficiente para que só ela ouvisse e ela agradeceu que o vento em si deixasse suas bochechas vermelhas.
Eles saíram do castelo, em direção a Hogsmeade e ela fechou o casaco, apertando mais o braço de James. Ele estava com as mãos nos bolsos, mas tirou a que estava livre para ajeitar o casaco e o gorro que usava. Lily olhou para cima e viu que ele estava parcialmente sem proteção. Quando chegaram no vilarejo, ela o puxou para o lado contrário da Dedosdemel, o que confundiu o garoto.
- Você não disse que queria comprar doces? – ele perguntou enquanto ela o puxava pelas ruas do lugar.
- Quero, mas preciso de uma coisa antes. Você precisa, na verdade.
- Que? – ele disse e ela parou em frente a uma loja, entrando e o arrastando atrás de si. – Por que entramos aqui? Não preciso de roupas, Lily.
- Precisa sim – ela começou a mexer em alguns tecidos, cachecóis ele viu depois, e tirou um do pequeno monte. – Esse combina com sua roupa – ela colocou um cachecol cinza no pescoço dele e ele bufou.
- Não preciso disso, Lily.
- Você tava tremendo até agora, James – ela foi até a bancada e pagou pela peça, virando-se e encarando um James emburrado atrás de si. – E não me diga que é mentira, ok? Vamos, estou com fome. Você me deve alguns doces.
Eles saíram do lugar e encontraram Sírius e Remus na Dedosdemel.
- Onde você dois estavam? Ainda é cedo pra se pegarem – Sírius disse com um pequeno monte de doces nos braços.
- Precisei comprar um cachecol, esqueci o meu – ele deu de ombros. – Não acredito que começaram antes de mim – ele olhou para Lily. – Não demoro pra pegar meus doces, te vejo na fila – ele se virou e deixou-a ali, sendo seguido por Sírius e deixando Remus encarando-a.
- Foi você que fez ele comprar o cachecol, não foi?
- Está tão óbvio assim?
- Não, mas quando estávamos saindo e eu disse para ele colocar um, ele negou, dizendo que não estava com tanto frio – Remus sorriu pra ela, andando ao seu lado através das prateleiras. – Sírius não deve ter ouvido, ou já estaria zoando vocês dois.
- Ainda bem que você tem um bom coração e compreende que eu só não quero que ele caia morto de frio ao meu lado, não compreende?
- Em parte, mas admita, Lily, ficou preocupada com ele.
- Não, claro que não.
- Por que tem tanto que negar isso? – ela o encarou, vendo que ele não estava julgando-a ou acusando-lhe de alguma coisa. – Não adianta tentar mentir pra mim, sou bom em ler as pessoas, está em seu rosto.
- Não tem nada em meu rosto, Remus, não seja bobo – ela voltou a escolher alguns doces e ele deu de ombros.
- Tudo bem, então. Já terminou? Os dois já estão na fila – ela pegou mais alguns sapos de chocolate e seguiu para a fila, entregando-os para James.
- Existe uma linha tênue entre sair com alguém e ser feito de escravo – Sírius começou quando saíram da loja – e você passou a faca e pisou em cima dessa linha, Lily. Tem meu respeito – eles trocaram um soquinho e riram, junto com Remus.
- Há, há, muito engraçado você, Sírius. Nós vamos comer, encontramos vocês depois?
- Pra falar a verdade, eu tô com fome e ... – James lhe lançou aquele olhar de “não” e Remus puxou seu braço.
- Vamos, Sírius, tem um livro que eu preciso comprar, depois nós vamos comer.
- E eu nasci grudado em você? Eu, hein – Remus o encarou e ele passou o braço pelo ombro do amigo. – Sabe que eu te amo, não sabe, Moony?
Eles saíram andando e James puxou Lily para o outro lado. Depois de andar alguns minutos, James parou e Lily riu, olhando para ele.
- O café da Madame Puddifoot? Sério, James?
- Hey, não é um encontro de verdade se não passarmos por aqui – ele abriu a porta do local. – Vamos, Lil, vai ser divertido – correndo o risco de vergonha extrema, ela seguiu ele para dentro do lugar, tirando as luvas, o cachecol e o casaco, já que estava quente lá dentro.
A eterna e constante decoração rosa do lugar não era exceção naquele dia. Ela já havia ido ali outras vezes, em encontros mais fúteis e de nenhuma importância. Não que aquele tivesse importância, pensou logo em seguida, é só uma tentativa de se livrar de James, claro.
Eles se sentaram num canto aos fundos, longe das pessoas e com uma vista do lado de fora. Fizeram os pedidos e ela viu que James não parava de lhe observar enquanto guardava as coisas dentro da bolsa e apoiava o casaco no encosto da cadeira.
- O que foi?
- Essa blusa definitivamente fica melhor em você do que em mim – ela puxou os lados da tal blusa, cruzando os braços. Ele não estava mentindo, a cor verde claro da blusa dele ficava bem com a blusa branca que usava por baixo e combinava com seu cabelo.
- Eu vou devolver depois do passeio, prometo. Os meus estavam molhados porque as meninas tentaram fazer um feitiço que deu errado e elas quase inundaram o quarto, molhando nossas coisas.
- Não precisa, de verdade – os pedidos chegaram e ele começou a puxar papo com ela sobre coisas aleatórias, sobre o livro que estava lendo, sobre a família e sobre a vida no mundo trouxa.
- Ah, eu não faço muito durante as férias. Meus pais as vezes viajam, mas nem sempre é muito legal por causa de minha irmã.
- O que tem ela?
- Ela me odeia porque eu sou bruxa e ela não. Então ela tenta tornar minha vida um inferno sempre que estou lá — ela apertou a xícara de chocolate quente nas mãos. — E a pior parte é que não consigo odiá-la por causa disso.
- Você só deixa ela fazer isso?
- O que posso fazer? Ela é minha irmã – James não podia confirmar, mas viu os olhos de Lily marejarem, porém ela não deixou uma só gota escapar.
- É, mas ela não merece ter você como irmã, Lil. Você não merece escutar as idiotices que ela te fala – ele segurou sua mão por cima da mesa.
- É que, agora que eu posso usar magia fora de Hogwarts, eu coloco magias de proteção em meu quarto, que não me deixam escutar nada vindo de fora e só quem eu permito entrar consegue – ela sorriu, amargamente, ele reparou. – É o máximo que posso fazer pra não surtar quando estou lá. Mas eu preciso ver meus pais, então não posso ficar na escola todos os feriados.
- Entendo. Sabe que a casa dos Potter está oficialmente aberta para suas férias a partir de agora, não sabe?
- Sei – ela riu. – Obrigada – eles se levantaram e foram pagar, vestindo os casacos e andando sem rumo, quando chegaram perto da Casa dos Gritos. – Não entendo porque todos tem tanto receio desse lugar.
- Não é óbvio? Quem foi pra lá escutou os tais gritos e nunca mais voltou – ele riu internamente, pensando em como essa era a história mais mal contada de todos os tempos.
- Eu sei, mas mesmo assim. É só uma casa, não é por causa de um desastre que ela se torna amaldiçoada – ele encarou-a e sentiu a mão dela na sua. – Devo admitir que o passeio foi melhor do que o esperado.
- Deve ter sido mesmo, já está quase na hora de irmos embora e você não me deu um pé na bunda.
- Talvez você não seja tão insuportável assim, James. Quando não está tentando chamar minha atenção, até que fica legal – eles ficaram frente a frente, sem soltarem as mãos.
- Vai ver é porque você estava me dando atenção, Lil. Então não preciso atormentar sua vida até que note minha existência.
- Impossível não notar sua existência, James – e dane-se a discrição e tudo o que ela estava negando até aquele momento. Talvez Remus estivesse certo.
- Vou considerar que quis dizer que a senhorita nota minha presença e não que ocupo muito espaço – ela não resistiu a rir e ele a acompanhou. Então ele aproximou mais o rosto do dela e beijou-lhe demoradamente. Escutaram risinhos e gritos de pessoas que passavam, mas ignoraram, aproveitando a companhia um do outro. Quando se separaram, ele encostou suas testas e fechou os olhos.
Lily ainda estava muito atordoada, não pesando as palavras que lhe vinham a cabeça.
- Eu te amo, James – nem um tiro no peito, ou um machado na cabeça ou um Avada certeiro poderiam lhe matar da forma como ela queria. Realmente, se arrependimento matasse, ela já não estaria em pé desde o jogo de quadribol. Era assim com James, ela percebera. Cada atitude, cada frase, a fazia se arrepender de tudo, mas quando feitas ou ditas, lhe davam uma alegria – e alívio – imensurável.
Ele soltou seu rosto, dando um passo pra trás e respirando fundo, com os lábios entre abertos de surpresa e os olhos arregalados. “De horror”, ela pensou.
- Me desculpe, eu não ... não devia ... – ela não terminou a frase, apenas se virou e saiu andando rapidamente dali.
- Lily, espera – ele a chamou, mas ela só andou mais rápido. Por Merlin, ela devia estar achando que ele não gostava dela, quando era justamente o contrário, ele pensou enquanto procurava por Sírius e Remus, para voltar para o castelo. Os encontrou poucos metros adiante, enquanto eles vinham em sua direção.
- Não, Sírius, não vai funcionar – Remus disse.
- Mas pense nisso: se eu me transformasse conseguiria controlar por causa de você sabe o que.
- Talvez, mas eu não vou morder você pra testar essa teoria – eles chegaram até James. – Onde está Lily?
- Uma coisa aconteceu e eu acho que estraguei tudo.
- O que foi? – eles perguntaram e começaram a andar em direção ao castelo. No meio do caminho – e da história – ele escutou Sírius cochichar “você me deve um pacote de feijõezinhos, ok?”. Apenas deu de ombros, é claro que tinham apostado, mas tinha mais coisas com que se preocupar.
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“Por que, pelas cuecas de Merlin, essas coisas aconteciam com ela?”.
Ela já tinha um plano, pensou. Ir para Hogwarts, terminar o colégio sem problemas, arranjar um bom emprego e ai talvez pensar em algum romance. Alguns casos perdidos por aqui e ali, mas gostar – e confessar que gosta – de alguém, isso nunca. Foi pensando nisso e em como iria fazer para ignorar James pelo restante do ano que ela entrou correndo no castelo e agradeceu pelo quarto estar vazio. Ela tirou as roupas de frio, ficando apenas com a calça e as blusas de frio, sendo que uma delas não lhe pertencia. Depois de pensar por longos minutos, ela tirou a blusa e desceu as escadas. Ela olhou ao redor e não viu ninguém por ali, então subiu as escadas dos dormitórios masculinos até o dos meninos. Abriu vagarosamente a porta, indo até a cama de James – que ela supunha ser dele – e deixou-a ali, voltando e fechando a porta atrás de si. Enquanto descia e se esquivava para as escadas do próprio dormitório, ela teve certeza de escutar alguém, uma voz familiar, chamar seu nome.
Ela entrou novamente no quarto, trocando as roupas por pijamas e indo se deitar. Não se importou em perder o jantar, não conseguiria comer com tanta coisa na cabeça.
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Depois de contar a história toda para Sírius e Remus, eles chegaram ao quarto, perguntando como ele estava e descendo para o jantar depois de tomar banho. No caminho, ele disse como viu uma jovem ruiva entrar sorrateiramente em seu quarto e deixar um tecido verde em cima da cama do amigo.
- Eu acho que você deve contar pra ela como se sente – Remus disse e James bufou, colocando o copo em cima da mesa, e observando o ambiente de novo, sentindo falta da presença de uma certa ruiva de olhos verdes.
- E você acha que ela não sabe, Remus? Todo mundo sabe.
- Pela reação dela, parece que não – Sírius disse.
- Não é como se eu soubesse como me declarar pra alguém.
- Vai ter que aprender se quer conquistar a garota, James – Remus ficou de pé. – Vamos logo, preciso terminar uma lição de poções pra ficar livre amanhã.
Os amigos o acompanharam. Peter subiu novamente para o quarto, Remus e Sírius pegaram seus pergaminhos e James apenas ficou sentado, observando-os e pensando em como mostraria a Lily o que todos já sabiam desde sempre. Claro, ele se dedicara ao máximo em fazer da vida dela um inferno quando crianças, mas depois do quarto ano, sabia que não era só porque gostava de irrita-la, mas porque gostava de estar perto dela.
Eles passaram mais algumas horas ali, indo dormir tarde. Não tinha problema, não precisavam acordar cedo no outro dia. Era quase hora do almoço quando James escutou um grito e viu que Sírius gargalhava e que Remus estava caído no chão.
- Por que você faz isso comigo? – ele se sentou e Sírius estendeu a mão.
- Porque Peter está doente e James está passando por problemas amorosos. Você, meu querido nerd, foi o que sobrou. Vamos logo, preguiçosos, estou com fome.
James se sentou na cama e foi para o banheiro, lavando o rosto e escovando os dentes. Voltando para o quarto, ele pegou os óculos e notou um papel em cima do criado mudo, que não estava ali antes. Ele se sentou na cama, vendo os amigos se trocarem e se prepararem para descer.
Potter,
James,
Por favor, não conte
Querido James,
James,
Eu não sei exatamente por que
A coisa que eu soltei ontem, me desculpe por aquilo, eu não
Quando você me beijou, eu só senti que
Olha, me desculpe por ontem a tarde, eu não queria assustar você ou ... me desculpe, eu não sei, só escapou.
Por favor, só esqueça sobre tudo isso se você
Você beija realmente bem e eu só
James Otário Potter,
Eu amo você. Eu quis dizer isso. Não, eu não sinto muito.
Lily”
Ele não sabia muito bem porque, mas começou a rir sozinho. Viu que os amigos o encaravam, mas os ignorou, abrindo a porta do quarto e descendo as escadas. Quando chegou no salão comunal, viu que a ruiva estava sentada numa poltrona de frente para ele, lendo o mesmo livro da outra noite. Ela levantou a cabeça quando o viu, juntando as sobrancelhas ao analisa-lo de cima a baixo.
- Por que você está de pijama? – ela disse e ele ouviu risinhos, de seus amigos atrás de si e de algumas outras pessoas espalhadas pela sala.
- Lily, tem uma coisa que eu preciso te falar, uma coisa importante – ele gritou e ela colocou o livro de lado, ficando de pé e parecendo meio preocupada.
- Pode falar, eu e todo o salão comunal estamos escutando – ela cruzou os braços e ele andou até que estivessem perto o suficiente.
- Eu também amo você, Lílian Evans. Amo você desde o quarto ano, quando vi que você era e sempre seria a garota mais inteligente, gentil e linda que eu poderia conhecer. Preciso de você ao meu lado mais do que poderia querer qualquer pessoa.
- Hey – ele escutou Sírius resmungar, mas o ignorou.
- Então, correndo o risco de levar o fora mais histórico de toda a Hogwarts, eu humildemente lhe pergunto: Lily Evans, você quer namorar comigo?
Ela estava sorrindo, o que lhe pareceu um bom sinal.
- Está tendo a chance única de humilhar James pelo resto da vida, Lil – Remus disse.
- Eu sei – ela ficou bem perto deles. – Me desculpem, meninos, não posso fazer isso – ela descruzou os braços e puxou o pescoço de James, surpreendendo a todos ali. Eles se beijaram enquanto as pessoas da sala aplaudiam e riam a cena dos dois. – Agora sobe e troca de roupa, todo mundo tá rindo de você.
- Eu não me importo – ele segurou o rosto dela e roubou-lhe mais um beijo. – Você tem cinco minutos pra terminar de ler ou guardar aquele livro, Evans – ele aproximou-se de seu ouvido. – A sala precisa deve star livre no momento.
- Traga a capa da invisibilidade, Potter. E minha blusa de frio verde – ela encarou-o, sorrindo, e se virou para ir pegar o próprio livro. James virou-se para subir para o dormitório e viu Sírius de braços cruzados e Remus com as mãos nos bolsos.
- Meus olhos estão vendo, mas eu não consigo acreditar – Sírius balançou a cabeça e Remus apenas sorriu.
- Estou orgulhoso de você, James. Não faça eu me arrepender.
- Não se preocupem – ele passou por eles. – Se me derem licença, tenho um encontro pra ir.
Sírius arregalou os olhos para Remus e ergueu as mais.
- Ele está a um minuto num relacionamento sério e já está pedindo licença, Remus. Quem é aquele e o que aconteceu com nosso amigo?
Notas finais
Então, é isso, espero que tenham gostado, amores.
Beijinhos.
- A
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