The Four Secrets
30 Capítulo 29 - Os Knight.
Notas iniciais
Eram sete da manhã.
Eu e Matthew estávamos esperando nos chamarem para depor de novo. Eles não suspeitavam de nós — ao menos não deixavam isso claro —, mas queriam analisar todos milímetros do nosso corpo para ver se ao menos tínhamos algum sinal de mentiras, como eles suspeitavam. O corpo do General Rodriguez estava na autópsia desde ontem de manhã, é, e isso significa que perdemos ontem e ainda vamos perder hoje com isso.
Eu não falava nada com Matthew desde ontem. Bem, eu não falava com ninguém desde ontem, quando eu tive que depor primeiro para Wright. O choque de realidade por ter matado o General Rodriguez já se fora, mas agora, outra coisa se passava na minha mente: a morte de Ark Zero.
Eu juro que se não estivesse em uma situação como essas eu iria vibrar e fazer uma festa para comemorar, mas, isso veio carregado com uma péssima notícia: os The Owners têm um novo chefe agora. Inicialmente, eu tive a sensação de que conhecia ele, mas logo ignorei isso. Isso não era importante agora. Meu problema é outro.
— Então... — Matthew resolveu dizer algo. — Quando você acha que eles irão nos chamar?
— Eu não sei. — respondi.
Ele bufou.
— Estamos aqui faz quase duas horas e ninguém nos chamou. — ele dizia. — Ótimo.
— Cale a boca. — eu disse.
— Por quê?
— Apenas cale a sua boca. — eu disse.
— Sinceramente, Sam Watters, você é a pessoa mais grata que eu conheci em toda a minha vida. — ele dizia com sarcasmo em sua voz. — Eu salvei a sua vida.
— Não é por causa disso, seu imbecil. — eu disse. — Aqui deve ter algum grampo, você sabe muito bem que eles são muito paranoicos.
Matt não respondeu nada, apenas se levantou da cadeira e deu uma olhada no pequeno cubículo. Diferente de 99% da Área 51, aqui não era cinza e as portas eram “manuais” (tradução: eram portas normais), então parecia um lugar completamente normal. Repito: parecia.
Matthew olhou pelas extremidades do pequeno cômodo, prestando atenção até no mínimo detalhe. Demorou um pouco, mas ele não havia achado nenhum grampo ali.
— Não estamos sendo grampeados. — ele disse. — Sam Watters, você deveria ser a rainha dos paranoicos. — ele sentou ao meu lado.
— Pare de falar meu nome completo. — eu disse.
— Não, Sam Watters. — ele respondeu, de um jeito que me provocava muito.
— Se você continuar eu juro que eu arranco a sua cabeça. — eu ameacei, mentindo um pouco.
Então ele se calou.
Naquele mesmo instante, eu queria bater uma salva de palmas para mim. Eu merecia um prêmio. Agora, até mesmo Matthew sente medo de mim.
Ficamos por um tempinho em silêncio. A diferença era que Matthew parecia ignorar o fato de que eu estava ao lado dele.
— Você está com medo de mim? — perguntei.
Ele se virou, olhando para mim fixamente.
— Eu não estou com medo. — ele disse. — Só estou evitando que alguma coisa aconteça comigo, simples.
— Você está com medo. — afirmei. — Certo, eu vou te matar e comer suas tripas enquanto dorme.
— Não é isso. — ele suspirou. — Aquilo foi estranho, Sam. Eu posso odiar o General Rodriguez, mas em todos os meus pesadelos mais profundos e assustadores jamais pensei que você pudesse fazer alguma coisa assim.
Eu não respondi nada. Eu sabia que ele jamais iria me compreender — talvez porque simplesmente não tivesse nada para compreender. Antes de conhecer os dominadores e saber toda essa história, eu sempre achei que caso tenha algum dominador no mundo, ele seria como eu ou pior do que eu. E com isso, eu pude concluir que estava completamente errada.
— O que você tinha na sua mente? — ele disse. — Hã, na hora que você mata as pessoas, como os seus pais, ou o General Rodriguez.
Como os seus pais...
Eu quase dei um soco na cara dele, mas me segurei.
— Por que quer saber? — perguntei meio seca.
Ele bufou.
— Nada. Por nada.
— Tudo tem uma razão. — disse.
— Eu só quero saber, Sam. — ele disse, pela a primeira vez, me chamando pelo o meu nome. — Quase toda a hora você é muito misteriosa e completamente suspeita de quase tudo. Eu só quero saber o que tem atrás de tudo isso.
— Nada. — eu disse. — Não tem nada atrás disso. Ponto final.
Ele revirou os olhos.
— Por que me odeia tanto? — ele perguntou. — Eu não sou tão irritante assim.
— A sua presença me incomoda.
— Ah sério?
— Sério.
— Então eu vou me levantar aqui e dizer que toda essa história do General Rodriguez foi mentira e...
— Certo, eu digo. — eu o interrompi. — Quer realmente saber o que passa na minha mente quando eu... Você sabe, faço aquelas coisas?
Ele assentiu, como um “sim”.
— Eu quero que os barulhos irritantes dos corações delas parem. — eu dizia. — É difícil explicar, mas eu sinto como se todo o meu corpo fosse tomado por outra pessoa, e que naqueles instantes, eu não seja mais eu mesma. Pode parecer loucura, eu sei, mas... É assim. Sempre foi.
— Isso acontece comigo. — ele disse. — Mas nunca é no momento certo. Sempre é quando eu menos quero que aconteça.
— É a Adrenalina. Ela faz isso com a gente. É praticamente impossível impedir.
— Sabe o que aconteceu comigo quando tentamos invadir os The Owners em Los Angeles? — ele perguntou.
— O quê?
Ele levantou a sua camisa, mostrando o seu peitoral.
Ele tinha um corte longo, exatamente como o meu. A diferença, era que o dele era bem menos profundo, e hã, era em forma de cruz. Parecia estranho e até um pouco bizarro, como cena de filme de terror, mas ele tinha um corte enorme praticamente em forma de cruz.
— Que diabos...?
Ele abaixou a camisa.
— Um soldado deles fez isso comigo. — disse Matthew. — Foi... Assustador. Ele me chamou de filho do demônio, dizia que qualquer dominador que entrasse em uma igreja seria queimado vivo.
— Idiota. — disse. — Eu ia para a igreja todo o Domingo de semana com a minha família. Isso não passa de mentiras.
— Então quer dizer que a Srta. Watters já foi uma garota correta e de Jesus? — disse Matthew. — Nossa, grandes revelações aqui.
— Você é um estúpido. — falei. — Eu só ia para a igreja porque a minha mãe era metida a certinha e ponto final.
— Wow, altas revelações aqui. — ele disse. — Por favor, Watters, eu quero ouvir mais, então, me diga a cor do seu sutiã ou...
— Cale a sua boca. — disse.
— Okay, Srta. Watters, eu vou me calar. — ele disse. — Mas não hoje.
Eu revirei os olhos.
— Você é um ridículo.
— Isso é um elogio. — ele retrucou, desta vez, com um sorriso idiota estampado no rosto.
— Ah, desculpe, você é tão burro que até isso é um elogio. Eu esqueci isso. — eu disse.
— Sério mesmo, Sam Watters? Eu sei que você não consegue ficar nem mais um minuto comigo sem se apaixonar. — ele disse meio convencido.
Eu senti vontade de socar a cara dele... De novo.
— Na verdade, eu estou me segurando para não vomitar de tanto nojo que eu sinto de você. — disse.
— Quando você disse ‘vomitar’, na verdade, quis dizer ‘beijar’. E quando disse ‘nojo’, queria dizer ‘amor’. Então, é, eu acho que entendi a indireta. — ele disse.
Se eu matar ele aqui, não me culpem. Este ser é extremamente irritante.
Antes que eu falasse — ou fizesse — alguma coisa estúpida, a porta se abriu, mostrando uma figura mais do que familiar.
— Hey. — Travis dizia. — Pelo o visto vocês ainda não se mataram. Isso é bom.
— Alguma coisa aconteceu? — Matthew perguntou.
— Wright disse que vocês vão depor mais tarde. — disse Travis. — Vamos logo, esse lugar me assusta.
— Duas horas perdidas... — murmurou Matthew.
Ponto de Vista do Narrador.
Aaron Knigth estava indo buscar sua recompensa.
Há pouco tempo, ele finalmente havia realizado uma das maiores façanhas de toda a sua vida. Óbvio que não seria a maior, porque a maior seria juntamente com Sam Watters, mas isso seria outra história muito longa. O importante, era que ele finalmente havia feito uma coisa que iria se orgulhar até a sua morte — o que a maioria das pessoas não teria orgulho, mas ele nunca se importou com as outras pessoas.
Por um instante, se lembrou de quanto tinha seis anos de idade e vivia com seus irmãos: Liam, Garrett e Scarlett em Oxford, Inglaterra. Era uma época feliz, quando toda a história de ser um lobisomem não passava de um medo infantil e quando não existia tantas ameaças em sua vida.
Hoje, Aaron sabe que jamais iria chegar perto de ter uma vida assim.
Ele andava pelas as ruas frias de Nova York. Poderia morar em Los Angeles, mas quase nunca estava lá. Ele costumava a andar pelo o país todo como se estivesse andando de um cômodo para o outro. Essa é uma das vantagens de ser um lobo. Um verdadeiro lobo.
A chuva caía sobre ele, mas como em quase todas as vezes, ele estava com um capuz. Ele não tinha medo de esconder o seu rosto como o seu irmão mis velho Garrett, na verdade, Aaron só queria se proteger de qualquer coisa que pudesse lhe atacar. Era como uma metáfora, o lembrando da sua infância, quando ele se cobria completamente no cobertor achando que isso iria afastar os monstros.
Agora, mesmo tendo conhecimento de tantas criaturas sobrenaturais que assustariam qualquer um, ele sabia onde realmente estava os monstros. Dentro das pessoas, principalmente os humanos.
— Hey, cinzento. — dizia Scarlett, chamando Aaron por seu antigo apelido na infância. — Pensei que nunca iria vir.
Aaron deu um rápido abraço em Scarlett. Fazia alguns messes que não a via.
Scarlett era a sua irmã mais nova, na verdade, era apenas dois anos mais nova que ele. Scarlett tinha cabelos bem lisos e ruivos, iguais ao de sua mãe. Mas, ela costumava pintá-lo em tons de vermelho ou laranja, coisa que Aaron jamais iria entender em toda a sua vida. Sua pele era meio pálida com algumas sardas, mas também possuía os olhos negros do seu pai, exatamente iguais aos que Aaron tinha. A ruiva tinha a altura mediana, sendo mais baixa do que Aaron. Sua voz era calma e doce, e ao mesmo tempo, forte e potente, de um modo que Aaron achava incrível.
— Scarlett. — ele disse. — Você soube do que eu...
— Claro! — ela exclamou animada, mas não tão alto. — Por Deus, Aaron, isso foi incrível! Eu ainda não consigo acreditar nisso!
Isso fez Aaron soltar um sorriso sem mostrar seus dentes. Era tudo que ele queria ouvir.
— Você a viu? — ele perguntou. — Quero meu pagamento. Agora.
— A Sra. Roux sempre demora. — disse Scarlett. — Ela sempre cumpre suas dívidas, mas antes disso precisa fazer o seu atraso clássico.
— Um Roux nunca mente. — Aaron murmurou o tema dos Roux.
— Eu pensei que você havia se esquecido disso. — disse Scarlett. — Papai sempre ficava nos ensinando sobre as famílias de linha pura. Nós somos uma delas.
— Mas também somos os mais fracos de todos. — disse Aaron. — Temos sangue de lobisomem. Eu sou um.
Diferente de Aaron, Scarlett era completamente humana.
— Essa linhagem não importa, cinzento. — ela disse sorrindo, de um jeito gentil. — Somos mais do que isso.
— Você sabe muito bem que todas as pessoas importantes do mundo estão nessa linhagem. — disse Aaron. — Você sabe, todas têm uma ligação sanguínea. Roux, Wright, Jones, Watters...
— Os Watters não contam, e os Jones não são puros há muito tempo, ambas famílias se misturaram até demais. — disse Scarlett.
— Os Watters poderiam ter uma grande repulsa de criaturas sobrenaturais, mas ainda são um dos mais puros que o mundo já viu. — disse Aaron. — E você sabe muito bem dos Watters que eu falo.
— Os do sul do oriente. — disse Scarlett. — Eu sei.
Aaron iria falar mais, mas algo o atrapalhou.
Ele e Scarlett pararam de andar, com um carro negro e com faróis bem mais claros que todos os carros juntos estacionando ao seu lado. Aquilo chamava muita atenção para Aaron, mas ele sabia o que era: Louise Roux e sua recompensa.
Assim que o carro estacionou, a porta traseira se abriu, revelando o que ele tanto queria.
— Aaron Kngith. — dizia Louise Roux. — Bem vindo a Área 52.
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