The Four Revolutions
9 Capítulo 9 - A ligação.
Notas iniciais
Ponto de Vista do Matthew.
Hoje fazia exatamente duas semanas que Sam Watters morreu.
Eu estava tomando vodca em uma versão pós-apocalíptica e australiana de um bar. Okay, eu nem gostava disso, mas de certo modo aquilo me fazia lembrar um pouco da Sam. Ela bebia vodca, e eu estou bebendo vodca. Faz sentido.
Isso me fez lembrar de que Sam tinha um péssimo gosto para bebidas. Vodca é uma merda quando não se pode ficar bêbado.
Depois do desastre na Guiana, tivemos que recuar e ir viajar até a Austrália. Ficar aqui durante duas semanas era bom porque poderíamos fortalecer a nossa relação com o país e talvez conseguir ajuda deles. Quer dizer, o Travis ia fortalecer essa relação. Eu e os outros iríamos ficar de “férias” temporárias da rotina exaustante da Área 52.
O meu celular estava vibrando no meu bolso. Provavelmente deveria ser a Lara me ligando. Eram dez horas da noite e ela já tinha me ligado onze vezes nessa tarde.
Lara era legal. Eu preciso admitir isso. Ela poderia ter uma péssima reputação, mas era engraçada e inteligente. Seu único defeito deveria ser que era pegajosa demais.
Senti o meu celular vibrar pela a milésima vez no meu bolso. Eu fiquei irado e atendi a ligação, queria saber o que diabos a Lara queria falar tanto comigo.
— Matthew Summers. — ouvi uma voz masculina na linha.
Não era Lara.
— Quem é você? — perguntei.
Ele forçou uma risadinha curta.
— Não reconhece a minha voz? — perguntou. — Lembre-se. Eu tenho uma ligação de sangue com a sua ex-namorada.
Eu passei alguns segundos tentando entender o que ele disse.
— Hã? — perguntei confuso.
— Isso não está mais claro pra você? — disse. — Eu tenho parentesco com Sam Watters.
— Stephen?
— Finalmente. — ele falou. — Olhe, eu tenho notícias para você. — deu uma curta pausa. — Sobre Sam.
— Ela está morta, Stephen. — suspirei. — A não ser que ela tenha ressuscitado e virado mais uma vampira como vocês.
Stephen forçou uma risada.
— Foi a outra que se transformou em vampira. — ele disse. — Longa história.
— Que outra? Do que diabos você está...
— A questão é — ele me interrompeu —, que eu estou com Sam Watters. Viva, ok? O coração bate, ela respira e faz todas aquelas coisas que vocês mortais fazem.
— Você está mentindo. — disse. — Ela... — dei uma pausa. — Ela se matou na minha frente.
Stephen forçou uma terceira risada doentia.
— Você realmente acredita que ela iria se matar do nada? Eu pensei que a conhecesse bem o suficiente para suspeitar dessa morte. Ela é uma manipuladora. — dizia. — Olhe, dominador, nós dois sabemos que ela está viva. Você a viu após o suposto suicídio. Então, por que você não para de mentir?
— Como você sabe? — disse meio irritado. — Como você sabe, Stephen?!
— Por que você não descobre, Matthew Summers? — provocou.
— O que você fez com ela? — disse irritado. — Se você encostar um dedo...
— Cale-se, garoto. — ele me interrompeu. — Você só é um dominador fraco. Não tem o mínimo poder de me ameaçar, está me ouvindo? — não respondi. — Ótimo. Eu acho que você pode se controlar agora, porque eu não encostei nenhum dedo nela. Eu tenho pessoas que fazem isso.
— Seu...
— E eu não fiz nada com ela! — me cortou. — Eu só pedi para que os meus vampiros fizessem o que quisessem.
Inúmeros coisas ruins que poderiam estar acontecendo com a Sam exatamente agora.
— Você está blefando! — disse consumido pela raiva. — Prove que está com a Sam!
— Você quer realmente isso? — ele disse em um tom meio provocativo.
— Como não saberei que está blefando?
— Como não saberei que está me colocando em alguma armadilha? — retrucou.
— Prove. — disse. — Eu não farei nada até você provar.
— Eu posso matá-la, sabia?
— Prove agora! — falei.
Stephen parou por um minuto.
— Quer que eu prove? Eu provarei. — disse. — Olhe para TV.
— Como você sabe que...
— Apenas olhe para a droga da TV! — gritou do outro lado da linha.
Eu não tive muita escolha.
Virei o meu olhar para a TV do bar. Estava quase deserto, e as poucas pessoas ali estavam bêbadas demais para me perceber falando — na verdade gritando — no celular. Milhões de coisas passavam pela a minha mente, coisas que eu nem sabia que poderiam realmente acontecer com ela. Ela estava viva. Uma parte minha que negar isso até a morte, mas eu preciso aceitar de que ela não morreu. Era real. Eu vi o rosto dela.
A TV estava ligada em um noticiário.
Era um noticiário normal. A âncora — uma mulher loira na faixa dos quarenta anos — apresentava uma notícia mais recente sobre os fatos do último conflito no Sul. Ela citou o meu nome e do Travis. Então a imagem começou a falhar um pouco e ficar chuviscada. O símbolo dos The Owners apareceu por uns vinte segundos e logo a imagem de uma filmagem tomou conta da tela.
— Você se arrepende de algo? — perguntou um soldado.
— Não. — respondeu a loira. Sua voz estava fraca.
— Tem certeza? — perguntou.
— Não. — respondeu.
Ela era Sam.
— Stephen, eu juro por Deus que eu irei arrancar a sua...
— Veja! — gritou.
A imagem clareou um pouco e uma nova “cena” apareceu. Parecia uma prisão. Tinha algumas celas e tudo mais. O cara que filmava entrou em uma cela e depois a trancou. Eu reconheci um dos dois prisioneiros. Era Bennett. Sua boca estava cheia de sangue, com alguns pingos caindo no chão. O seu único olho azul brilhava para a câmera.
— Cara, não... — ele disse.
O dono da filmagem jogou Bennett no chão. Eu não sei como, mas ele fez aquilo. Derrubou um vampiro em questão de segundos.
Ele se moveu em direção de Sam, e lentamente moveu a sua mão até o queixo dela. Apertou o seu queixo fortemente e perguntou:
— Você quer morrer, dominadora de água?
Sam deu um sorriso sarcástico e cuspiu na cara dele.
— Eu estou morta, não sabia? — ela dizia. — O mundo todo sabe disso.
Ele soltou o queixo dela e deu um tapa no seu rosto.
Sam continuou sorrindo.
— Eu sei o que vocês fazem aqui. — ela falou. — Ou manipulam, entendam como quiser.
— O que fazemos? — perguntou.
— Vocês transformam pessoas em assassinas. — respondeu Sam. — Vocês dominam as mentes delas. Vocês são manipuladores, não é?
Ele deu outro tapa em Sam.
Ela não parava de sorrir.
— E você será a próxima. — disse por final.
A filmagem terminou.
— O que você acha, Matthew Summers? — Stephen me perguntou no outro lado da linha. — Eu acho que você sabe o que é, não? O Controle mental...
— Stephen, me escute agora. — disse. — Me machuque no lugar dela.
— Eu farei isso com você. Mas, Sam Watters me parece interessante...
— Eu tenho uma oferta. — interrompi. — Eu me entrego a você em troca da liberdade dela.
— Não.
— Sim. — falei. — Eu te falo tudo sobre o governo, as táticas e como eles querem ganhar a guerra. Eu até te ajudo a invadir. Você pode me matar, me torturar, partir a minha alma, mas... — dei uma pausa. — Pelo o amor de tudo que há de bom, não toque nela.
— Venha para Camberra. — disse Stephen. — Eu pensarei em fazer isso.
Ele desligou.
Eu senti uma onda de raiva e ódio passar por todo o meu corpo. O meu sangue fervia. Eu tive que respirar fundo e me controlar antes que pudesse fazer alguma atitude estúpida que pudesse me prejudicar mais tarde. Mas era mais difícil que o normal realizar essa tarefa.
Todas as poucas pessoas no bar me encaravam com uma expressão confusa. Eu não faço a mínima ideia do que seria, só sei que eles estavam me encarando e bem incrédulos do que passou na televisão. Parecia que todo mundo parou de beber e curtir a vida apocalíptica só pra ficarem me esperando fazer alguma coisa sobre isso. Eles deveriam acreditar naquela história que a mídia colocou há anos atrás de que eu e Sam somos um casal perfeito, fofo e todas essas mentiras.
A verdade era que eu e Sam não éramos um casal perfeito. Nos primeiros meses, até que chegávamos a ser um, mas depois de um tempo as coisas ficaram bem bagunçadas e confusas. Parecia que qualquer coisa era um motivo de briga, principalmente a guerra. O que era estranho é que mesmo com todas essas brigas eu não conseguia esquecê-la.
Mas eu estava quase a esquecendo. Talvez a morte dela fosse boa para mim. Eu estava quase esquecendo todos esses anos em apenas algumas semanas.
Agora ela estava correndo perigo com os vampiros e eu precisava fazer algo.
Quando percebi, Audrey e Lara tinham entrado no bar. As duas andavam em minha direção com um olhar exatamente igual aos dos outros.
— Então... — dizia Audrey enquanto se sentava na mesma mesa que eu. — O que faremos?
— Você sabia? — perguntei.
— Sobre o quê? — Audrey perguntou.
— Sobre a Sam estar viva.
Audrey suspirou.
— Sim. — respondeu. — O tempo todo.
— O que diabos ela tinha na cabeça pra fazer aquilo? — disse irritado. — Ela te contou mas nem me falou sobre nada!
— Ela queria se infiltrar nos The Owners e depois iniciar uma revolução. — disse Audrey.
— A parte dos The Owners ela não conseguiu. — falou Lara, que agora se sentava na cadeira ao meu lado. — Mas a de iniciar uma revolução deu certíssimo agora, já que o mundo todo sabe que ela está sendo torturada pelos vampiros. Aquela garota é louca.
— Por que ela não me contou? — perguntei. — Por acaso eu significo alguma coisa para ela?
— Ela ia te falar. — disse Audrey. — Ao menos a ideia inicial era essa.
— A ideia inicial era ela terminar comigo e depois bancar a louca suicida para um plano idiota?!
Lara parecia não gostar daquilo.
— Vocês não acham que isso foi uma coisa boa? — disse Lara. — Travis é muito melhor do que ela.
— Travis não sabe cuidar nem da própria vida! — disse.
— Sam não tinha controle sobre si mesma, esqueceu? — ela disse meio irritada. — Eu pensei que não gostasse mais dela.
— Eu gosto mais de você, não dela.
— Pessoal... — Audrey dizia.
— Travis estava certo. — disse Lara. — Ela te mudou.
— Ela não me mudou! — falei. — Vocês querem que eu aja que nem um adolescente idiota no meio de uma guerra?
— Não é sobre a guerra, Matthew, é sobre a Sam! — disse Lara. — Até quando você vai fingir isso sobre ela?
— Lara, por favor... — dizia Audrey.
— Eu não estou fingindo nada!
— Matthew... — Audrey falava.
— Sim, você está! — Lara estava quase gritando. — Pare de agir como se não se importasse, porque está claro que você ainda gosta daquela idiota!
— Sim, eu gosto dela mais do que você! — admiti. — Algum problema, Lara? Você é tão desesperada para não ficar sozinha que nem percebeu que eu só estou com você para te usar!
— Matthew! — Audrey exclamou irritada. — O que é isso?!
— Você é tão idiota quanto ela, Matthew Summers! — Lara se levantou da cadeira. — Quer saber? Ela é menos pior do que você! Ao menos é sincera, sabe?
— Ela era uma mentirosa, Lara, sabia dessa?! — a lembrei.
— Você gosta de uma mentirosa que te enganou durante todo esse tempo e fingiu a morte dela sem te falar nada? — ela disse irritada. — Está acabado.
— O que está acabado? — disse. — Essa merda de relacionamento? — ela me olhava meio triste. — Muito obrigado, Lara, eu estava me cansando de você!
Os olhos de Lara começaram a ficar marejados e ela saiu correndo do bar.
— Sam não te contou nada para que você seguisse em frente e se apaixonasse pela Lara! — Audrey me deu um tapa. — Seu idiota! — Audrey me deu um tapa.
Eu murmurei um “Ai!”.
— Lara tem sentimentos, sabia? — Audrey disse. — Pare de ser um fracote idiota.
— Cala a boca, Harrington. — falei. — Você sempre quer bancar a melhor quando só é uma mortal fraca.
— É porque eu sou a melhor. — ela disse. — Diferente de você, claro. Tem dezenove a age como se tivesse doze. Você é um idiota infantil.
— Cala a sua boca. — disse. — Você perdeu a sua mão por acaso?
— “Hurr durr, olhe só, eu sou Matthew Summers perdi a minha mão e tenho toda a permissão do mundo para agir como uma criança.” — Audrey imitou a minha voz sarcasticamente. — Você é um idiota total. Eu ainda me pergunto o que a Sam viu de especial em você.
Revirei os olhos.
— Qual o seu problema, Harrington? — perguntei irritado.
— O meu problema é que eu sou totalmente alérgica a idiotas de doze anos como você, Summers. — ela falou. — Olhe, a Sam está em uma situação tensa com os vampiros e nós precisamos fazer algo.
— “Nós”? — perguntei.
— Não, Summers, você e a Rihanna. — disse Audrey com sarcasmo. — Sinceramente, eu estou suspeitando do que realmente acontecesse nesse seu cérebro. Tem certeza que usa?
— Quando vai parar de ficar me xingando como se fosse uma criança?
— Só vou parar quando você parar de agir como uma. — disse Audrey se levantando da cadeira. — A melhor maneira de lidar com uma criança é agir como se fosse uma delas. — ela deu uma pausa. — Vamos.
— Para onde? — perguntei.
— Camberra. Salvar Sam. Acabar com os vampiros. — falou. — Você é o louco apaixonado aqui e ainda não se deu conta disso? Meu Deus, eu estou começando a acreditar que a Sam é o macho dessa sua reação e você é a fêmea.
Revirei os olhos.
— Você tem as tendências lésbicas e depois eu que sou o gay? — disse.
— Eu não disse que você é gay, Summers. — disse Audrey. — Eu só disse que até Sam Watters, a donzela em perigos dessa situação aqui, é mais homem do que você.
— E você quer que eu aja como? — disse. — Como o idiota do Travis?
— Eu quero que você aja como você mesmo. — ela disse. — Esse seu teatrinho de emo apaixonado que perdeu a mão é entediante.
Bufei de raiva.
— Eu vou sozinho, Audrey. — disse. — Pare de se meter nisso.
— Não, Matthew, você não vai. — ela disse. — Eu sou a amiga dela. O que você é dela mesmo?
— Eu a conheço melhor do que você.
— Mesmo? — ela perguntou. — Era o que ela queria que você pensasse. Acredite em mim Summers, ninguém realmente conhece Sam Watters.
— Eu conheço.
— Pare. — disse Audrey. — Você sabe que se for sozinho vai morrer. Pare de fazer esse teatrinho, porque estamos perdendo tempo.
Eu não iria conseguir me livrar de Audrey Harrington.
— Okay, eu vou com você. — cedi, me levantando da cadeira.
— Vamos lá, fracote. — ela disse. — Sam não pode esperar muito tempo pela a sua donzela.
— Cale a boca, Audrey!
Ela riu.
— Esse relacionamento de vocês dois é uma das coisas mais interessantes. — comentou. — A dominadora de água e o dominador de fogo. Vocês são tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes...
— Vamos tirar Sam de lá ou ficar conversando?
Audrey revirou os olhos.
— Vamos sair daqui. — disse por final.
O que Audrey não sabia era que eu estava disposto a dar a minha vida em troca pela a da Sam.
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