The Four Revolutions

25 Capítulo 25 - Maldições de Família.


Notas iniciais
Hey pessoas :D

Estávamos na última conferência da guerra.

Depois de ter quase morrido — duas vezes —, Wade nos levou a sede dos lobos, no México. Agora estávamos no meio de uma conferência dos aliados que parecia ser a última de toda a guerra. Até porque era óbvio que não passaríamos de hoje. Duas coisas poderiam acontecer após essa conferência: todos nós iríamos morrer ou por alguma razão divina iríamos derrotar Lewis e Stephen.

Mas eu não acreditava que iríamos acabar com Lewis e Stephen.

Eu não conseguia parar de pensar em Bennett, Audrey e Chris. Audrey e Bennett morreram bem na minha frente, só porque Stephen queria se “divertir”. Era impossível não se preocupar com o meu irmão, principalmente quando ele estava supostamente namorando Edward Lewis, o líder dos The Owners.

O clima estava tenso, e ela também tinha conversado com Lewis, o que deixava mais forte a minha suspeita que não iria passar deste dia. Ele conversou com Catlyn por telefone alegando que tínhamos até ás seis horas da tarde para que os The Owners atacassem.

Já eram cinco horas da tarde.

A última conferência da guerra era mais como uma reunião executiva entediante do que para um conselho desesperado do que seria última batalha épica da guerra. Claro que todos ali estavam desesperados, mas fora isso, era as mesmas conversas de pessoas “inteligentes” que nunca vi na vida, mesmos planos, mesmos armamentos fracos, mesmas ideias... Não é de se admirar que estejamos perdendo.

Travis estava terrível, por isso ele não iria participar da última batalha. Estava internado e se recuperando, mas é provável que morresse, já que Lewis iria soltar alguma bomba. Eu não falava com Matthew desde de ontem, quando Bennett morreu e fugimos da versão destruída da Área 51. Helena ainda está com Stephen, os dragões foram libertados e eu não faço ideia de onde Fumus está.

Além disso, eu estava no meio de uma crise existencial e tentando impedir que o meu cérebro entre em colapso — de novo. Seria inútil, já que eu morreria de qualquer jeito hoje, mas se vou morrer, que seja com a mente sana. Era difícil de me manter sã quando deveria estar morta agora, nas profundezas do Atlântico, mas até que eu estava conseguindo me manter estável e “normal”. Ao menos isso eu conseguia.

Eu estou aos cacos, Matthew me odeia por motivo nenhum, meu irmão está com o inimigo e eu não faço a mínima ideia de onde o meu dragão está. Perfeito.

Catlyn encerrou o conselho e pediu para que nos preparássemos para a última batalha.

Eu saí do salão, deixando todos os generais, “intelectuais”, lobos alfas mais poderosos do mundo e alguns telepatas ainda conversando. Era incrível como todos ali não faziam ideia com que estavam lidando. Na conferência, pareciam achar que isso era mais uma partida de futebol do que uma guerra. Eu queria ter dito algo, mas todos eles iriam me taxar de louca e dizer a mesma história que eu só sou alguém pela dominação. A mesma história idiota da elite.

Eu odeio a elite sobrenatural.

Eu andava entre os soldados lentamente, na ilusão de que sendo lenta, talvez o tempo passasse mais devagar. Eu não estava preparada para isso. O universo parecida conspirar contra mim, e matar alguém como Stephen era impossível. Ao menos eu sabia que se precisava matar Lewis, precisava matar Stephen primeiro. Mas ele é um maluco.

Vi Matthew no final do corredor e fui falar com ele. É provável que ele esteja irritado comigo por algum motivo que ainda não sei, mas se iríamos morrer em algumas horas, prefiro tentar limpar alguns erros.

— Por que está me evitando? — perguntei ao Summers.

Matt se viroupara mim.

— Eu não estou te evitando. — negou.

— Sim, Summers, você estava. — disse. — O que eu fiz de errado dessa vez?

— Isso não é hora para ficar discutindo sobre nós. — Matt falou o óbvio. — Tem uma guerra, sabia?

— Não, nem sabia. — dizia com sarcasmo. — Não custa nada responder a minha pergunta?

Ele revirou os olhos.

— Porque eu pensei que você queria ficar sozinha. — respondeu. — Feliz, Watters?

— Por que pensou que eu queria ficar sozinha?

— Audrey morreu, você quase morreu, Bennett morreu... Foi o que eu pensei, ok? — Matt disse.

Sinceramente eu não entendo essa lógica dele.

— Nossa, Summers, a sua lógica me dá inveja. — falei sarcasticamente. — O que está acontecendo entre nós?

— Não existe mais “nós”, acabamos, lembra? — disse.

— Eu sei, mas... — dizia. — Eu vou morrer hoje. É melhor consertar alguns problemas.

— E eu por acaso sou algum problema para ser consertado? — indagou irritado.

Revirei o olho.

— Qual é o seu problema, Summers?! — disse começando a ficar irritada. — O que está acontecendo entre nós?

— Acorda, Watters, o mundo não gira ao seu redor! — levantava o tom da voz. — Por que você não me faz o favor de entender que eu não me importo com você e que estamos terminados?

Os soldados e lobos ao nosso redor pareciam prestar atenção na nossa discursão.

— Eu entenderia isso se você parasse de se importar e agir como se estivéssemos juntos de novo, Summers. — disse secamente.

Não falamos mais nada, até porque a última coisa que eu queria era ter mais uma discursão ou ser o centro da atenções de novo. Eu não tinha mais dezesseis anos e nem brigava mais com ele por motivos estúpidos. Não deveria ter criado esperanças sobre ele.

Droga, o Summers estava certo. Estávamos terminados já fazia muito tempo.

Subi as escadas rapidamente e fui até o meu “quarto” me preparar. Não poderia ir para uma batalha sem nenhuma arma e usando roupas normais. Não demorou mais que quinze minutos, mesmo que eu tentasse demorar o máximo possível.

Eu tinha pego apenas duas espadas simples. Era o meu único armamento. Eu deveria estar com facas, revolveres ou outras armas melhores, mas não era necessário. O máximo que eu precisava era de apenas duas espadas.

Quando eu arrancar a cabeça de Stephen ninguém mais vai me chamar de louca inútil.

Ouvi alguém batendo na porta e abri, achando que era Catlyn ou alguma pessoa importante. Eu estava enganada. Era justamente a pessoa que minutos atrás disse que não queria mais nada comigo.

O maldito Summers.

— Precisamos conversar. — foi a única coisa que ele disse, já entrando no quarto.

— Pensei que não quisesse falar comigo. — impedi de olhar para o rosto dele.

— Pensei que quisesse entender as coisas. — retrucou, levantando o meu rosto com a sua mão e praticamente me obrigando a olhar fundo nos olhos dele. Ele olhava nos meus. Olhei para o lado, ignorando-o.

— Eu já entendi, Summers. — disse secamente olhando para o lado. — Me solte.

Ele soltou o meu rosto, suspirando frustradamente.

— As coisas estão confusas, ok? — ele disse. — Eu gosto de você, Sam, mas...

— Não como antes. — completei. — Sim, eu sei. Não continue, por favor. Quero poupar os meus tímpanos da mesma história de sempre.

— Não. — negou. — É que é difícil ficar com você quando tem tantas coisas importantes acontecendo.

— Está insinuando que eu não sou importante?

Matt revirou os olhos.

Ficou alguns segundos sem falar, apenas com o seu olhar fixo em mim. Eu queria ficar o mais longe possível dele e ao mesmo tempo, queria ficar o mais próxima possível. Era terrível se sentir assim.

Era terrível amar alguém.

Quando pensei que ele iria dar as costas e ir embora, fechando esse maldito assunto para sempre, Matt fez justamente a última coisa que eu imaginei que iria fazer.

Ele me beijou.

Eu deveria me afastar dele e terminar o beijo logo, mas eu não fiz. Cedi ao beijo e deixei acontecer. Ele me beijava lentamente, posicionando suas mãos na minha cintura enquanto eu colocava as minhas no seu pescoço. Sinceramente, eu não queria que esse beijo terminasse, por mais que isso soasse clichê ou idiota.

— Eu te amo, Sam Watters. — ele disse terminando o beijo.

Antes que eu pudesse dizer um “Eu também te amo, Summers” ou ao menos beijá-lo de novo em resposta, as sirenes começaram a tocar alto, juntamente com um apagão. Puxei o pulso de Matt rapidamente e olhei no seu relógio as horas. Exatamente cinco e cinquenta e nove da tarde. Pelo o visto, Lewis pontual até demais.

— Fique vivo, Summers. — foi a última coisa que disse a ele.

Sim, muito romântico.

Saí correndo do quarto já me armando com uma das minhas duas espadas. Desci as escadas o mais máximo que pude, e mal conseguia conter todo o meu medo e nervosismo que sentia. Era literalmente uma corrida para a morte que eu não conseguia impedir. Não importe quanto medo eu sinta, tudo iria acabar hoje. Eu iria morrer, mas ao menos eu iria acabar com o que eu comecei.

Eu estava determinada a matar Edward Lewis e Stephen Watters.

Desci até o subsolo, local de onde os The Owners deveriam ter se infiltrado e começado a lutar. Estava escuro demais. Nem se eu forçasse a minha visão iria conseguir enxergar alguma coisa. Não tinha cheiro de fumaça ou qualquer sinal dos The Owners. Forcei a audição e não ouvi nenhum som de passos, respiração, movimentos ou até de um coração batendo. Eu estava sozinha.

Mas não de verdade.

Senti passos atrás de mim e rapidamente me virei, tentando atacar com a minha espada. O ser ligou a sua lanterna e apontou ela para o seu rosto. Era Stephen. Ele sorria sarcasticamente para mim, e eu tive quase certeza de que ele estava contendo um riso, deveria achar que eu era um bichinho assustado.

— Oh, querida bisneta. — ele dizia. — Como foi o susto?

— Eu não posso dizer como foi algo que nunca existiu. — menti, forçando um sorriso sarcástico. — Como foi matar o seu criador?

— Gratificante. — respondeu como se fosse algo lindo.

Fui para cima de Stephen e o joguei no chão, ficando em cima dele e com as minhas mãos ao redor do seu pescoço. Eu não poderia enforcar vampiros, mas poderia enfiar uma espada no coração dele e mata-lo. O único sentimento que ele me despertava era um ódio tão grande e profundo que eu mal consigo explicar. Ele matou Bennett e Audrey. Transformou Helena. Me fez virar metade loba. A vontade de mata-lo era a maior vontade que eu já tinha sentido em toda a minha vida.

O sorriso no seu rosto se desfez.

— Eu estou desistindo, criança. — sussurrava. — Pode me matar. Mas você nunca saberá a história verdadeira.

— Está blefando. — disse entre os dentes, com a lâmina da minha espada apontando para o coração dele.

— Eu passei os últimos três anos blefando. — dizia Stephen. — Você não faz ideia da história.

— Conte. — gritei. — Agora!

— Você iria me odiar tanto, Sam... — dizia. — É contra as leis naturais.

Olhei bem fundo nos olhos dele.

— Me diga. — silabei entre os dentes. — Eu vou te torturar se não abrir a boca.

— Todos sabem que você é péssima com torturas. — lembrou o fato. — Apenas me mate e se poupe disso.

— Eu quero saber, Stephen.

— Tudo bem. Sua escolha. — cedeu. — Me solte.

— Eu sabia. Estava blefando para se salvar.

— Eu não posso conversar com você me apontando uma espada. — se explicava. — Prometo que não fugirei da minha morte eminente.

Saí de cima dele.

— Levante-se. — falei. — Eu não acredito nas suas promessas, Stephen, se você fizer algo de errado eu...

— Você não hesitará em me matar. — completou o vampiro. — Eu sei.

Eu queria me dar um soco.

Isso era tão estúpido. Eu tinha passado horas desejando a morte dele e pensando nos mínimos detalhes em como iria mata-lo, e agora eu estava simplesmente me deixando ser manipulada por um suposto segredo dele.

Talvez, mesmo que ele tivesse feito tantas coisas, eu ainda tivesse alguma esperança nele. Porque ele ainda era da minha família no final das contas.

— Diga. — ordenei. — Agora.

— Tudo que eu fiz nessa guerra foi por... — deu uma pausa. — Foi por você, Sam. Não exatamente, mas eu tinha um plano para terminar a guerra assim que você tinha matado aquele homem da Área 51.

— O que diabos é isso, Stephen?

— Você era a única Watters viva. Eu não posso negar que sempre tive uma vontade de ocupar o trono vampírico, mas o resto foi necessário para te fazer amadurecer. Se nada disso tivesse acontecido, você jamais teria crescido e jamais teria a chance de ganhar a guerra... — dizia as mentiras. — Eu te fiz um favor, Sam Watters. Tanto a você quanto as pessoas inocentes.

Sinceramente, eu não acreditei em nenhuma palavra que Stephen disse. Mas algo acabou me chamando a atenção.

— O que você quer dizer com eu era a última Watters viva? — perguntei. Ele ficou quieto. — Me diga! — gritei.

— Você está morta, Sam. Ou realmente acha que sobreviveu ao afogamento?

— Como? — perguntei confusa. — Eu não sou uma vampira, eu respiro, eu...

— Eu não quis dizer que é uma vampira. Só quis dizer que você morreu. — deu uma pausa. — Feche seus olhos e eu lhe direi tudo.

Olhei para ele e depois me perguntei qual deveria ser o meu número na escala de burrice. Talvez nove. Agora que iria fazer isso, seria um dez perfeito provando o quanto eu deveria ser burra. É claro que Stephen estava me manipulando inventando essas mentiras, mas de algum modo, queria ver se elas tinham algum fundamento. E também queria ter algo para acreditar.

Pisquei o meu olho — piscar o outro não faz diferença, fica escuro de qualquer jeito — e apareci em um local diferente. Big J dizia que líderes vampíricos poderiam ter habilidades de trazer outros mortos a suas memórias. Eu nunca acreditei, sempre achei que fosse uma lenda.

Mas eu estava em uma das memórias dele, o que significava duas coisas: não é uma lenda, e eu estou morta. Literalmente morta.

Isso é assustador.

Estávamos no meio de uma memória dele meio estranha para mim. Pelo o cenário, deveríamos estar no começo dos anos 80, eu acho. As pessoas se vestiam de uma maneira esquisita, tinha música esquisita tocando e... Resumindo, tudo era estranho. O globo prateado brilhando no centro da pista de dança era algo que eu não poderia olhar diretamente caso não quisesse ficar cega. Até hoje eu não entendia porque amaram tanto essa década. Talvez os humanos no fundo gostassem de coisas estranhas e idiotas.

Eu gostava de coisas estranhas e idiotas.

Eu me perguntava se as pessoas conseguiam me ver.

— França, 1986. — explicava Stephen. — Eu fiz um tour pela a Europa no século 20 todinho, antes de terminar os anos 90 na América. E não, eles não podem te ver caso esteja se perguntando.

— Por que me levou até aqui? — perguntei. — O que diabos...

— Me siga e explicarei. — me interrompeu, dando meia volta e andando em direção ao lado mais distante.

Ele andava vagarosamente, e as pessoas ao nosso redor nem percebiam a nossa presença. Era como se fôssemos invisíveis. Seria algo legal caso eu fosse fã de fantasmas e quisesse ser uma. Mas o problema é que não sou.

Chegamos a uma parte mais distanciada da pista de dança, e tinha mesas com algumas pessoas fumando, bebendo e conversando. Comum. Exceto pela a última mesa da esquerda, que tinha um Hector Kitter e um Stephen Watters versão anos 80.

— Vocês eram amigos, não é? — perguntei.

— Colegas. Hector e eu nunca tivemos amigos. — corrigiu. — Eu conheci Hector nesse ano, ele alegava querer ter poder. Era algo que eu queria também.

— Perfeito, uma historinha de introdução até que você me explique essa de história de eu estar morta. — disse. — É incrível como ama me enrolar, bisavô. — disse a última palavra com o máximo de desprezo que pude.

— Obrigado pelo seu amor, bisneta. — ele retrucou. — A historinha de introdução era que conheci Hector e ele alegava querer o trono vampírico o mais rápido possível. Nos anos 80 e 90 os vampiros estavam em uma decadência terrível, o governo americano procurava pelos os dominadores freneticamente... Bem, para criaturas sobrenaturais, não foi uma época feliz. — deu uma pausa. — O problema é que eu também queria o trono, mas pensei em usar Hector para conseguir isso. Resumo da história: nunca tente usar um vampiro de quase três mil anos.

O cenário mudou. Agora estávamos em um pequeno quarto de um hotel. Stephen estava bebendo sangue de um humano — ele se vestia igual ao Kurt Cobain —, enquanto Hector observava a situação como se fosse algo normal. Se não fosse pelo o calendário em outro idioma na parede, eu nem iria fazer ideia que era 1994.

— Essa deveria ser a Espanha. Acho que Portugal, esses países nunca têm diferença mesmo. — dizia com indiferença na voz. — Éramos parceiros à procura do poder e Hector acabou me apunhalado pelas costas. Literalmente.

Hector gritou alguma coisa e dois vampiros arrombaram a porta, literalmente apunhalando Stephen. Ele caiu no chão, soltando o humano já morto e tentou ir para cima dos vampiros, mas cambaleou e caiu no chão, quase morto. Hector sorriu ao ver aquilo.

— Eu sou o novo líder dos vampiros. — dizia Hector. — Matem o Watters. Agora! — gritou ordenando aos vampiros.

Stephen arrancou a faca com as próprias mãos e incrivelmente foi mais veloz que os vampiros. Pulou pela a janela e fugiu.

— Foi assim que acabou na América? — perguntei.

— Exato. — respondeu. — Hector me caçava por toda a Europa, mas nem fazia ideia de que estava no lado do oceano.

A imagem mudou para uma típica casa americana. Stephen já tinha se alimentado e matado todos os humanos e saia de lá com um largo sorriso estampado em seu rosto, como se fosse a coisa mais natural a se fazer.

— Eu amei a América assim que cheguei lá. — dizia Stephen. — Foi assim que eu conheci a sua mãe. Ela era jovem e procurando por oportunidades, porém tinha acabado de ter sido mordida por um lobo.

Stephen estava no seu apartamento conversando com Blair. Ela parecia não ter mais que vinte e poucos anos. Não tinha muita diferença física desta época para os últimos momentos dela. Era o mesmo penteado, mesmo rosto, mesmo olhar... Nada nela tinha mudado após a transformação de vampira. Aquilo era incrível. Todos os vampiros sempre mudavam negativamente após a transformação. Chris mudou.

— E você a ajudou. — disse. — Depois o meu pai chegou e... Eu sei o resto.

— Sua mãe sempre teve uma queda pelo o seu pai. — disse Stephen. — Isso pode ser doentio, mas era a pura verdade. Você é a prova mais clara disso.

Revirei o olho.

— Hector criou uma rixa com a nossa linhagem desde Mary. — dizia. — Ele caçou a filha dela até a morte. Ele me fez matar a minha família. Me traiu. Depois foi atrás de você, claro.

— Mary teve uma filha? — perguntei curiosa.

— Charlotte Watters, ela não era uma dominadora como o pai. — respondeu Stephen. — Hector transformou a garota em vampira quando tinha só catorze anos e a fez matar a própria família. Depois a matou. — respirou fundo. — Toda a geração é assim. Ele pega a criança dos olhos verdes, faz ela matar toda a família e deixa apenas um descendente para que continue a linhagem. Como se quisesse culpar Mary pela a traição que ela fez anos atrás.

— Você matou a sua família. — disse. — Foi o escolhido por Hector.

Stephen deu um sorriso meio triste. Como se estivesse feliz por eu ter acertado esse fato, e ao mesmo triste pelo o fato ser horrível.

Pisquei meus olhos e tinha saído de suas memórias, já voltando ao lugar em que estávamos. Agora as luzes estavam acesas.

— Exatamente. — confirmou. — Hector ama a cor verde. — fez o comentário inútil. — Quando ele percebeu que você era uma dominadora de água resolveu fazer da sua vida algo interessante. Ele fez você matar toda a sua família. Quando você e Chris se reencontraram Hector achou que era hora de terminar a história que ele criou.

— Mas eu matei os meus pais porque eu quis, Stephen. Hector nunca influenciou nada, ele... — dei uma pausa. — Tudo aquilo foi a minha culpa. Eu me lembro claramente.

— Eu também. — disse Stephen. — É o que era mais assustador nele. Nunca era culpa dele de verdade, e sim nossa. Ele apenas aperta o gatilho e nos faz escolher onde atirar.

Respirei fundo.

— Isso é muita informação para mim. — disse saturada de aguentar aquela conversa. — O que isso tem a ver com eu estar morta? Por acaso morri na noite em que matei os meus...

— Quando Hector voltou para te matar de vez, mudou de ideia sobre dar um fim na linhagem dos Watters. No dia em que você matou Helena, Hector usou um de seus vampiros e roubou por pouco tempo o Necronomicon. Ele usou a magia negra e ligou a sua vida com a de Helena. Se uma morre, a outra morre também. — deu uma pausa. — É muita informação, não?

— Além de Hector ser um vampiro vingativo sem vida social ele também é um mágico? — disse sarcasticamente. — Sério?

— Não existem mágicos ou bruxos, isso são lendas. — negou. — O que existem são telepatas, dominadores e descendentes de dominadores que entendem latim e conseguem ter poder sobre o Necronomicon. Pessoas como você ou Hector.

— Ele era o descendente de um dominador. — disse.

— Foi por causa disso que Helena voltou como uma vampira. — disse Stephen. — É por isso que você não morreu no afogamento.

— Você que me afogou! — exclamei irritada. — Me jogou na droga do oceano atlântico... — dei uma pausa. — Era um teste, não era? Todos esses anos desde que eu pisei pela a segunda vez na Área 51 era a droga de um teste! Você me afogou só para testar se Helena morreria! — A raiva que eu sentia era tão grande que mal conseguia descrever. — Tudo isso foi a merda de um teste?!

Stephen assentiu, infeliz.

— Seu... — cerrei meus punhos e me segurei fortemente para não soca-lo. — Me fez sofrer todo esse tempo porque achava que eu poderia crescer e acabar com a guerra. Tentou me matar só porque queria ver se a ligação realmente funcionava... Então tudo isso foi apenas a droga de um experimento para você e Hector? Se for assim, vocês dois são exatamente iguais.

— Eu entendo a sua raiva, Sam, mas o que eu fiz foi para concertar todos os erros que eu fiz com a minha família antes. — ele dizia com a voz estranhamente calma. — Se eu criasse uma heroína na nossa linhagem, talvez poderia apagar todos os podres que existe na nossa família.

— Heróis são feitos de histórias perfeitas, bisavô. — disse secamente. — Deveria ter se lembrado disso.

— Não. — negou. — Eu vi muitos heróis na minha vida para desmentir isso, bisneta. As mentes mais brilhantes e perfeitas são criadas em histórias tristes. É assim que heróis são criados. Essa era a minha ideia para te tornar uma heroína. — deu uma curta pausa. — Espero que tenha dado certo.

— Uma heroína? — ri com deboche. — Me desculpe, Stephen, mas a garota aqui não é mais um projetinho de heroína de desenho animado. Ela é uma mostra. — me aproximei dele, colocando a lâmina da minha espada em seu pescoço, prestes a decapitá-lo. — E quer saber mais? Não foi você ou Hector que me fizeram ser assim. Fui eu mesma. Eu me tornei um projeto falsificado de sociopata, pensei que soubesse disso.

— Eu entendo. — sua voz era triste. — Por favor, Sam, cuide de Helena. Ela pode ser uma boa dominadora principal quando tudo isso acabar.

— Adeus, Stephen. — disse secamente antes de cortar a sua cabeça.

Ele não teve tempo de dizer mais uma palavra. A sua cabeça caiu no chão e o seu sangue sujou a lâmina da minha espada. Abaixei meu olhar olhando para a sua cabeça no chão, entrando em decomposição rapidamente e sangrando. Seus olhos ainda estavam abertos, e eu tive a impressão que ele estaria vivo. O olhar melancólico olhava fixamente para mim, juntamente com a sua expressão cansada.

Não importa como eu iria morrer hoje, mas eu não vou morrer como Stephen Watters. Eu não vou morrer como uma idiota triste e iludida.

— Eu ouvi a conversa. Sinto muito que já saiba da ligação. — dizia Helena, se aproximando de mim. — Stephen não era um cara mau, sabe? Ele só era um bom ator que levava as suas dívidas longe demais.

— Você acha que era verdade o que ele disse? — perguntei.

— Sobre Hector?

— Sobre essa história de herói. — falei.

— Não. — Helena respondeu sinceramente. — Ele estava velho demais, Sam. Deveria ter mais de cem anos. Estava tão preso na culpa e poder que delirou com essa história de heroísmo.

— Faz sentindo. — disse. — Mas... A pessoa que terminar com essa guerra vai ser considerado um herói, não é?

— Se isso serve de consolo, Watters, você se tornou forte. — Helena disse. — Mesmo se não for você a terminar a guerra vai ser considerada uma heroína. Eu sou bonita e você é forte. Viu? Temos coisas positivas. Agora pare de bancar a depressiva filosófica porque isso me dá tédio e é extremamente desnecessário.

— Lewis está chegando. — Chris se aproximou de nós. — Vamos sair daqui. Agora.

— Seu idiota! — disse para ele. — Por que sumiu? Pensei que estivesse morto ou sei lá.

— Acontece que eu estava muito ocupado defendendo a minha irmãzinha do idiota principal dos The Owners. — dizia Chris. — Vamos lá. Não temos tempo para mais histórias.

As próximas horas foram as mais tensas da minha vida.

Notas finais
OKAY CAPÍTULO ENORME, EU SEI O.o Mas é isso pessoas, Stephen não era um cara mau no final das contas xD Ele só era um cara meio maluco e perturbado AHUEAHUEHAUEA Masok, ao menos a Sam matou ele fácil, agora matar o Lewis não será uma tarefa tão fácil assim... A fic vai terminar Satt mesmo (esse capítulo deve ter sido o último momento deles), então sejam felizes shippers de Satt AHUEAHUEA Ou não, porque vocês não fazem a mínima ideia do que eu farei com esses dois ~risada malvada~ Anyway, espero que tenham gostado do capítulo e COMENTEM o que acharam ou se tem algum erro e até o próximo