The Four Revolutions
20 Capítulo 20 - O Homem que ganhou a Guerra.
Notas iniciais
O meu coração estava acelerado.
Eu lutava ao lado de Matt, Victoria, Kristen e Aaron. Eu deveria já estar morta agora, mas não estava, o que já era um bom começo. A maquiagem perfeita, o salto alto e o vestido caro não existiam mais. Eu estava descalça — até porque lutar de salto alto é a pior coisa do mundo —, a maquiagem toda borrada e o vestido estava meio rasgado e com manchas de sangue. Eu tinha uma espada de gelo nas minhas mãos, o meu cabelo estava bagunçado e voava com o vento de Paris, e o gosto do sangue na minha garganta ficava mais forte a cada segundo que se passava.
Um engravatado — eu adoro essa palavra — de Lewis correu em minha direção tentando me atacar, mas eu apenas estendi a minha mão e arranquei o seu coração. Outro veio pela a minha direita, e com a outra mão que segurava a espada de gelo, desviei do seu ataque de decapitei a sua cabeça. Era difícil fazer aquilo. Eu tinha que me concentrar, esquecer tudo e apenas atacar qualquer inimigo.
Travis veio correndo na nossa direção juntamente com Garrett e Scarlett. Ele começou a atirar flecha na minha direção, enquanto Garrett se transformou em um lobo e foi atacar Kristen. Scarlett ficou paralisada. Aaron também ficou paralisado.
Victoria avançou em direção dos homens de Lewis juntamente comigo, e nós duas estávamos dando conta de todos eles. Eu nunca fiquei tão concentrada na minha vida. Era difícil manter os pensamentos longe quando tinha tanta coisa acontecendo ao meu redor. Eu tive que desligar todos os meus sentimentos. Helena tinha me ensinado isso antes. Um dominador conseguia desligar seus sentimentos como um vampiro quando bem quisesse. Isso me ajudava a ser melhor e um pouco menos fraca.
Travis conseguiu acertar uma flecha bem no meu ombro — depois de ter acertado uns dez soldados nas primeiras tentativas —, e a memória dele acertando a faca no meu olho se repetiu na minha mente. Tirei a flecha com as minhas próprias mãos, mesmo que sangrasse muito, nem conseguia sentir mais a dor. Eu tinha me acostumado com ela. Bloqueei mais as minhas memórias e corri na direção dele, deixando Victoria sozinha. Eu precisava matar Travis. Não importe o quanto eu me sinta culpada ou mal após isso, mas eu jamais iria ter uma oportunidade dessas de novo.
Travis corria velozmente entre todos, e eu o seguia como se fosse a única coisa de importante que poderia fazer na minha vida. Chegamos a um ponto que ele não conseguia mais correr, e estávamos tão longe de todos que um meteoro poderia cair aqui e ninguém iria nem ao menos perceber.
O ex-dominador do governo caiu de joelhos no chão, tossindo um pouco. Abençoada asma. Isso iria me dar uma grande vantagem.
— Springs! — gritei. — Se vire! Eu quero ver o seu rosto quando eu decapitar a sua cabeça.
Travis se virou e ficou em pé, olhando fixamente para mim. Pegou uma flecha e colocou-a em seu arco, apontando para mim. Ele poderia acertar a flecha bem no meu coração a qualquer instante.
— Venha me atacar, Sam. — provocava. — E eu irei te matar.
— Acha que um perdedor como você iria me assustar? — disse. — Vamos lá, Travis, acorde. Você nem ao menos consegue dominar o seu elemento.
— Eu não domino e você não se transforma. É apenas uma loba ômega inútil. — ele lembrou. — Touché.
Eu dei um passo em direção nele. Travis atirou no meu pé.
— A próxima será no coração. — ele disse preparando outra flecha. — Não se mexa. Eu quero falar com você.
Joguei a espada de gelo no chão e fiz um sinal de rendição.
— Pode falar. — disse. — Até sem armas eu ganharia de você.
— Por que a resistência? — ele perguntou.
Eu não respondi nada.
— Por que logo a resistência, Sam? — repetiu a pergunta. — Por acaso está com medo do governo? Você sabe muito bem que nós vamos ganhar.
— Ganhar o quê? A guerra dos imbecis? Se de algum modo Gordon mudar de ideia e decidir ganhar, parabéns pra vocês. Serão os maiores idiotas de todos os tempos. — falei.
— Você tem inveja de mim porque eu sou o dominador principal agora. — sua voz soava meio desesperada e ainda insegura, como sempre. — Você sempre fica trocando de lados, Sam, mas todos sabemos que você só quer ficar do lado do contra pra bancar a diferente na guerra. Foi por isso que se juntou aos rebeldes? Só porque estava se roendo de inveja e sabia que o glorioso governo iria ganhar?
Eu não iria aceitar tanta besteira saindo de uma boca só.
Avancei para cima de Travis — mesmo que tivesse com uma flecha atravessando o meu pé —, o joguei no chão, tirei o arco das suas mãos e fiquei em cima dele, com uma das suas flechas bem no seu pescoço, o ameaçando.
— Eu não sei o tipo de lavagem cerebral que o Gordon te fez, Travis, mas acorde! Se Gordon quisesse ele já teria vencido essa maldita guerra. — dei um tapa no rosto dele. — Está vendo o meu olho? Ele está cego. Você me deixou cega, seu desgraçado! — gritei a última frase mostrando toda a minha raiva. Movi a flecha até o seu olho direito, deixando apenas alguns centímetros o separado de uma cegueira certa. — Talvez cego você consiga perceber a lavagem cerebral que sofreu.
Eu cravei a flecha o mais profundo que pude no olho dele e tive que conter o meu instinto de mata-lo ali mesmo. Travis gritou alto de dor, mas o meu cérebro interpretava aquele som como se fosse a melhor música do mundo. Se aquela era a prova de que eu era um projeto mal feito de sociopata maluca? Com toda a certeza do mundo, sim.
Estava disposta a mata-lo. Travis era fraco, estava tão preocupado com a dor que o pensamento de que eu poderia quebrar o seu pescoço em um único movimento e causar a sua morte nem deveria passar pela a sua mente.
Eu ia mata-lo.
— Liberte-o. — disse Helena. — Agora.
Virei o meu olhar para cima, vendo Helena Jones segurando um cara mobilizado. Ele usava um saco na cabeça e era gordo.
— H-Helena? — Travis gaguejou.
— Ele me deixou metade cega. Por que eu deveria libertar o cãozinho do governo? — perguntei.
— Porque ele vale milhões. Infelizmente, mais que nós duas. — disse. — Liberte-o antes que Gordon resolva ganhar a guerra.
— Eu não cumpro suas ordens. — falei entre os dentes.
— Mas cumpre as de Aaron ou Sr. Webb. — ela disse. — Imagine o quanto eles ficarão felizes quando descobrirem que você matou o cãozinho principal do governo?
— Está bem. — sai de cima de Travis, mas não retirei a flecha do seu olho. — Eu só estou o soltando porque quero, não porque uma patricinha qualquer como você me mandou.
— Ótimo. — ela disse dando um sorrisinho pra mim. — Fuja, Springs. Ou realmente iremos te matar.
Travis não falou mais nada.
Toda aquela pose de “Ai meu Deus, eu sou incrível, olhe só, eu sou do governo” foi embora para outro planeta de uma galáxia bem distante. Ele parecia assustado. Seu olho sangrava muito e ele parecia não querer dar o trabalho de tirar a flecha. A única coisa que fez foi correr para longe, deixando o seu arco jogado no chão juntamente com algumas flechas.
O homem que Helena estava imobilizando começou a se mexer um pouco e murmurar algumas coisas incompreensíveis por causa do saco na sua cabeça.
— Quem é? — perguntei.
— Adivinhe. — Helena disse sorrindo. Ela tirou o saco da cabeça dele e logo foi revelado o “lindo” e “amável” rosto de Gordon, o líder atual do governo.
— Como conseguiu pegá-lo?
— O aleijado aqui é inútil sem seus soldados. — ela enfiou um dedo no olho dele. Gordon gritou de dor. — Não é, aleijado?
— V-Vocês duas irão v-ver! — ele gaguejava entre gemidos e gritos de dor. — G-Garrett, Travis... E-Eles irão se vingar!
— Não, querido aleijado, eles não irão. — disse Helena. — Ninguém se importa com você. — mostrou suas presas. — Quer beber sangue, Sam?
— Sim. — disse. — Vá em frente.
Helena Jones mordeu o pescoço de Gordon bebendo um pouco do seu sangue, depois o soltou.
— Pegue-o antes que eu desista.
Andei em direção dela e bebi o sangue do pescoço dele por um tempo, até que Gordon estivesse quase drenado. Depois disso, eu o soltei e Helena quebrou o seu pescoço, jogando-o no chão, totalmente morto e drenado.
— Adeus, aleijado. — Helena murmurou.
Se fosse tão fácil assim matar Gordon, eu mesma teria feito há muito tempo.
Mas, com Gordon morto, significa que Lewis ganhou oficialmente a guerra.
Helena deixou o corpo dele ali e saiu andando, como se nada demais tivesse acontecido há alguns segundos. Eu a segui, mesmo que uma parte minha orgulhosa quisesse gritar para meio mundo que tinha cegado Travis Springs e ajudado na morte de Gordon, o líder do governo. Mas eu sabia que Aaron ou Sr. Webb não iriam gostar dessa morte prematura do famoso líder do governo.
Vimos Matt, Sr. Webb, Aaron, Kristen e Victoria. Eu desejei mentalmente que tivessem pego Audrey e Scarlett, mas me não seria fácil para eles.
— E a equipe chega. — comentou Helena. — Finalmente. Eu já estava começando e me entediar.
— Vocês beberam sangue. — Matt afirmou em voz mais baixa.
— Por que não beber sangue, Summers? — Helena o questionou. — É a única coisa divertida nesse inferno tedioso chamado guerra.
— Depois falaremos disso. — disse Aaron. — Precisamos dar um fora daqui e nos prepararmos o quanto antes para o conflito final.
— Conflito final? — perguntei.
— Eles acham que Gordon está morto. — disse Victoria. — É uma questão de tempo até que Lewis alcance todos nós e confirme sua vitória.
[...]
Todos estavam comendo.
A mesa estava cheia de comida, e quase todo mundo estava se empanturrando para antes da guerra. Eu não sei o que passava pela a cabeça deles que se empanturrar de comida iria ajuda-los a lutar no que poderia ser a última batalha de toda a guerra.
Estávamos na base da Alemanha. Prefiro não comentar o quanto essa história de ficar andando de país em país estuprava o meu cérebro. A única coisa que eu fazia era encarar o meu prato de comida enquanto mentalmente implorava por um cigarro. Poderia parecer idiota, até porque se o meu “eu” de dezesseis anos visse tanta comida provavelmente estaria se empanturrando como eles, mas eu simplesmente não tinha mais interesse na comida mortal.
Isso é estranho. Talvez até impossível, mas eu não encostei em qualquer tipo de comida humana — exceto água — nos últimos meses. Helena me disse que apenas o sangue no corpo iria me ajudar. E é isso. A famosa Sam Watters sobrevive com três vícios: sangue, bebida e cigarro. Eu deveria ter vergonha de admitir isso.
Aaron e Victoria tinham calculado que tínhamos apenas mais sete horas até que Lewis chegasse aqui e explodisse tudo. Todos estavam desesperados. Eu estava desesperada. Poderia estar vestindo uma roupa boa, acabado de tomar banho e no meio de um grande banquete que faria metade do mundo ter inveja, mas isso não mudava nada. Pensava em onde Chris poderia estar agora. Ele estava com Lewis, claro. Talvez no fundo do coração dele toda aquela história de namorar Lewis e gostar dele poderia ser verdadeiro. O meu problema não é porque ele era gay, é porque ele tinha escolhido justamente uma das pessoas que eu mais odeio em todo o mundo.
Ele preferiu Lewis a mim. Eu jamais iria preferir Matt ao invés do meu irmão.
— Por que não come, Watters? — Victoria me perguntou em tom de desafio.
— Eu estou sem fome. — respondi.
Matt me olhou meio preocupado.
— Algum problema? — perguntou.
— Eu só não estou com fome! — disse. — Algum problema com isso?
Os outros começaram e se entreolhar. Eu tinha agido como uma idiota mau humorada.
— Se fosse sangue ou alguma das suas drogas... — comentava Kristen.
— Eu vou, ok? — disse pegando uma maçã e dando uma mordida. — Felizes?
Eles ignoraram isso e voltaram a comer em paz.
Nos primeiros dois minutos, tudo parecia normal. Eles voltaram a comer e eu voltei a bancar a idiota mau humorada sem fome que provavelmente iria morrer depois na última batalha.
Mas depois de dois minutos, eu senti como se o peso mundo estivesse caindo nos meus ombros.
Me levantei da mesa o mais rápido possível e tentei engolir todo o sangue da minha garganta que subia. Parecia impossível. Corri até o elevador mais próximo, mas a única coisa que eu consegui foi a atenção de todos e um papel de idiota.
Chegou um ponto que eu não aguentei mais e pensei que o meu cérebro iria explodir. Todo o meu corpo doía e eu precisava vomitar urgentemente. Caí de joelhos no chão e a única coisa que saía da minha boca era sangue. Só sangue. Perfeito. Então significa que eu vomito toda a vez que volto a comer comida mortal. Sinceramente, a única coisa que me separaria de um vampiro é que eu não estou fisicamente morta.
Todos olhavam para mim com surpresa e ao mesmo tempo nojo e pena.
— Eu deveria ter pensado nisso antes de dar sangue a uma dominadora. — comentou Helena, bebendo um gole da sua taça de sangue. — São espécies tão parecidas.
Então o foco saiu de mim e foi pra ela.
— Intolerância a comida. — dizia Aaron. — Eu deveria ter suspeitado isso.
— Quem diabos iria ter intolerância a comida? — Matthew perguntou.
— Vampiros. — disse Aaron. — Alguns dominadores de água desenvolvem isso.
— O que está acontecendo comigo? — perguntei.
O clima tenso entre todos era impossível de não perceber. Estava tão claro que tinha alguma coisa muito errada que nem eu conseguia pensar em negar.
Aaron se levantou da cadeira e andou na minha direção. Estendeu sua mão a mim e eu segurei nela, me levantando do chão. Eu deveria estar um pouco tonta.
— Vamos falar disso em particular. — o elevador se abriu. — Venha comigo.
Não disse mais nada. A última visão que eu vi dos outros eram seus olhares de nojo ao mesmo tempo pena de mim. Como se tivessem pena de eu ser assim. Pena de eu ser uma monstra. Isso estava tão estampado em seus rostos que me dava uma onda de raiva interna enorme. Eu não quero que ninguém sinta pena de mim. Isso não aconteceu comigo por acaso. Eu não pedi ser dominadora ou ter uma mãe loba, isso só aconteceu. Mas ser uma monstra, sim, essa eu mesma escolhi.
Paramos no sétimo andar — que estranhamente era no subsolo — e eu presumi que fosse igual ao último andar da Área 51, voltado para experiências e coisas desse tipo. E estava certa. Esperei ver metamorfos aqui, alguns lobos e até vampiros, mas na verdade era bem diferente da Área 51. Era testes de armas. Tinham muitas armas capturadas do governo, outras dos The Owners e armas em desenvolvimento para a guerra. Não tinha ninguém ali. Talvez porque os responsáveis pela a criação de armas estivessem enlouquecendo com a possibilidade de Lewis poder atacar a qualquer hora.
De algum modo, eu senti uma falta de Wright, Roux e toda aquela coisa sem sentido da Área 51. Quando ainda não tinha guerra e eu nem pensava que as coisas teriam esse rumo.
— Gordon morreu, Lewis ganhou a guerra. — falava Aaron. — Ele vai nos atacar em questão de horas.
— Eu sei.
— Eu não quero morrer, Sam. Não de novo. — disse. — A única experiência de quase morte ainda me assombra até hoje, mas... Eu não quero sofrer de novo. Mas quando estou sozinho, parece que é a única coisa que ainda me resta.
— Scarlett ainda está presa no governo. — lembrei. — Você deveria ficar vivo por ela.
— Ela conseguiu sem mim, por que não conseguiria de novo? — ele disse. — Ela estava no baile e nem falou comigo.
— E o seu filho, Aaron? — perguntei. — Ela está não bem! Você não pode simplesmente desistir por causa de um motivo tão...
— Você se lembra de quando tinha desistido? — ele perguntou. — Na época que Hector era a maior ameaça.
— É diferente. — falei. — Hector era... Assustador. Ele entrou na minha cabeça de um modo que até hoje me afeta.
— Eu também. — disse. — Eu o vejo algumas vezes.
— Você também?
— Você via Hector. — ele parecia não acreditar. — Como parou?
— Eu bloqueei a minha conexão. — respondi. — Mas ainda tenho pesadelos.
— Você é uma dominadora de água, claro que iria superar e conseguir de algum modo bloquear as alucinações. — comentava meio frustrado. — Mas parece que todos os outros que já foram mordidos por ele ainda são assustados até hoje.
— Isso não tem nada a ver com a dominação de água. — disse.
— A água é o elemento da mudança, o elemento da adaptação. — disse Aaron. — Claro que há. Dominadores de água sempre conseguem de adaptar a qualquer tipo de coisa, e no final sempre acabam “resolvendo” o problema. — fez aspas com as mãos. — Mas eles são incapazes de não sentirem culpa ou mandar todos seus problemas irem embora de vez.
— Cada dominador tem alguma coisa que os deixa em vantagem? — perguntei. — Talvez esse seja o motivo real de serem tão caçados pelo o mundo todo.
— É exatamente o que eu estou dizendo. — disse Aaron. — É por isso que são tão importantes. O fogo é o poder, a terra e a resistência, o ar é a inteligência e liberdade, e a água é a mudança. Em todas gerações, os dominadores sempre são resumidos a isso. — ele deu uma pausa. — Mas é diferente com vocês agora. Podem ser basicamente assim, mas... Você está se afundando quando deveria ser a única a se salvar, Sam. Travis deveria ser livre e inteligente, mas está sendo apenas uma peça do governo. Helena deveria estar morta, mas voltou com todo o seu lado obscuro resistindo a morte. Matthew não é mais a definição antiga de jovem poderoso e rebelde. É isso o que a guerra faz.
— Então cada dominador tem um traço importante na sua personalidade que é atribuído ao seu elemento que o faz entrar em conflito interno quando coisas ruins estão acontecendo. — disse. — Entendi. Eu acho.
— Você se adaptou a uma vampira. — disse de uma forma melancólica. — Eu invejo isso nos dominadores de água. Parece que a dor de vocês não tem limites. Podem se adaptar a qualquer coisa que os mostre alguma sobrevivência. O sangue foi a sua sobrevivência.
— Eu não tive escolha com o sangue. Ou eu bebia ou eu deixava Lewis foder com o mundo todo e matar todo mundo. — disse. — Jamais pensei que isso iria tão longe como foi hoje.
— Acorde, Sam. — ele falou. — Pare de se rebaixar e colocar a vida dos outros acima da sua apenas por culpa, porque nós dois sabemos que você causou essa guerra e agora quer concertar tudo. Mas adivinha? Mesmo que dê certo, você já se afundou demais para conseguir apagar mais uma culpa na sua vida.
— Você quer que eu faça o quê? — perguntei elevando o meu tom de voz. — Eu não posso ficar parada procurando por uma maneira para apagar meus erros. Terminar a guerra e impedir que mais pessoas se machuquem é a única coisa que eu posso fazer para reparar o que eu fiz quase três anos atrás. — dei uma pausa. — Eu sei que vou morrer quando conseguir fazer isso. Eu sei que alguém vai me trair ou algum dos soldados do Lewis vai me matar, ou até eu mesma posso acabar me matando, mas... Eu não posso deixar isso acontecer, é tão injusto. Eu só quero acabar com o que criei. — dei uma pausa. — E o pior que ás vezes penso que jamais irei conseguir isso.
— Todos falaram que você não tinha crescido durante esses anos. Disseram que você apenas se afundou em vícios e caiu em uma decadência por causa de Hector Kitter. — disse Aaron. — Mas, Sam, você finalmente parece estar crescendo e entendendo o que isso significa.
— Eu não entendo. — admiti. — Eu só tento.
Sons de alguns passos se aproximavam de nós.
— Está ouvindo? — Aaron perguntou.
Assenti em resposta.
Quando percebi, tinha três soldados dos The Owners apontando suas armas para nós.
Lewis atacou bem mais rápido do que eu imaginei.
— Não queremos machuca-los. — avisou o soldado do meio. — Nosso líder quer falar com os dois.
— Então por que o seu líder não vem falar conosco se quer tanto? — Aaron dizia em um tom desafiador.
— Não questione o líder. — disse o da esquerda. — Ele quer conversar com os dois e está no sexto andar.
Lewis se aproveitou que Aaron saiu para conversar comigo e já deve ter atacado lá em cima faz muito tempo. Eu me xinguei mentalmente por causa disso. Deveria ter ficado alerta me lembrado que Lewis poderia atacar a qualquer hora.
— Leve-nos ao seu líder. — disse.
Os soldados não fizeram nada. Aaron me lançou um olhar do tipo “Você não deveria ter feito isso” e eu revirei o olho. Se reagisse a eles, provavelmente isso iria dar errado. Precisava entrar no joguinho de Lewis caso quisesse ganhar dele e terminar com essa maldita guerra.
Os três soldados clicaram no botão do elevador e clicaram no botão seis. O mesmo andar que eu estava antes. O mesmo andar que todos os membros importantes estavam. Isso significava que Lewis já tinha atacado a base por cima e já deveria ter feito todos de refém, ou matado todos.
Quando chegamos ao sexto andar, as minhas suspeitas pareciam estarem certas.
Todos estavam capturados. O andar estava todo destruído. Parecia que a luta não tinha sido muito linda.
Assim que Lewis percebeu a minha presença, ele sorriu.
— Sam. — disse. — Eu ganhei a guerra, sabia?
Eu corri na direção dele pronta para ataca-lo, mas dois soldados dele conseguiram me segurar.
— Oh, coitadinha, você não pode me vencer. — Lewis disse sorrindo para mim. — Porque eu já venci. — deu uma pausa — Agora eu quero que todos aqui curvem-se a mim, porque se não fizerem, meus soldados não irão hesitar em matar vocês.
Os soldados me soltaram e eu tive que segurar o instinto de matar Lewis agora. Me virei, e todos ali se curvaram a Lewis sem pensar duas vezes. Até Aaron. Victoria, Kristen, Sr. Webb... Parecia que em apenas um segundo eles tinham esquecido todos os seus planos de acabar com a guerra, de matar Lewis e dar um fim definitivo em tudo isso.
Eles estavam com medo.
— Curve-se a mim. — repetiu, desta vez mais especificamente para mim.
— Eu não me curvo a ninguém. — silabei cada palavra da frase.
Os dois soldados ao meu lado apontaram suas armas para a minha cabeça.
— Curve-se ou morra. — ameaçou.
— Então eu prefiro a morte. — sorri sarcasticamente.
O som de um tiro vindo de um dos soldados ecoou na sala inteira.
Corri para trás, e se tivesse demorado mais um milésimo para fazer algo, talvez o tiro não seria mais no chão, e sim na minha cabeça. Outros soldados me atacaram, mas eu consegui bater em um e desviar os ataques do outro. Difícil era desviar dos tiros. A única coisa que eu poderia fazer agora era fugir e me preparar para o meu próximo encontro com Lewis.
Corri para o elevador e por algum motivo consegui fazê-lo funcionar antes que os soldados me alcançassem. Fui até o quarto andar — o andar que ficava alguns quartos e algumas armas básicas —, peguei duas espadas e uma faca.
Quando eu finalmente estava preparada para fugir, ouvi passos próximos a mim. Peguei a minha espada me preparando para atacar essa pessoa. As únicas pessoas pelas quais eu não devo ter pena de matar eram os soldados dos The Owners.
— Sam. — eu ouvi a voz de Matthew.
Eu tinha esquecido que ele e Helena eram os únicos que não foram capturados.
O Abracei assim que o vi.
— Vamos fugir daqui antes que Lewis acabe nos achando. Temos um governo americano para destruir. — disse Helena.
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