The Four Revolutions
12 Capítulo 12 - Autodestruição.
Notas iniciais
A última coisa que eu queria era voltar ao governo.
Poderia soar meio idiota — até porque era —, mas eu não queria ficar cercada de idiotas como eles. Ter o pensamento de que Travis estava no meu lugar comandando tudo juntamente de Sebastian e Gordon me dava ânsia de vômito. Nada contra eles, era que Sebastian jamais estaria pronto para mandar em algo, Travis é um idiota e Gordon secretamente planeja tomar todo o poder juntamente de Garrett. Eu odiava Blair e ás vezes ela parecia influenciar fortemente as pessoas, principalmente Scarlett. A minha relação com Matthew estava por um fio, e se dependesse de mim poderia passar uma eternidade sem falar com ele, por mais que isso doesse por dentro. Chris deveria estar irado comigo, já que eu fingi a minha morte sem nem falar com ele. A única pessoa aqui não me odeia, que eu não odeio e que não é um desperdício de vida é a Audrey.
Agora a minha listinha de pessoas que eu tenho amizade no governo aumentou de uma para duas. Bennett decidiu vir conosco.
— Você está louco? — perguntei a ele.
— Por quê? — ele perguntou confuso.
— Bennett Moore se juntando ao governo americano é tipo a Britney Spears dizendo que Hollywood é uma merda, que vai criar uma banda de rock e ainda cantar ao vivo nela. — comparei sarcasticamente. — Não faz nenhum sentido.
— Bennett! — Audrey foi andando na direção dele. — Quando chegarmos na Área 52 você precisa ver a nossa sala de armas, e também a nossa sala de treinamentos. É incrível!
Ele sorriu.
— É, deve ser. — ele disse, ainda sorrindo. — Eu quero treinar o quanto mais antes.
— Então... — ela dizia. — Gordon está me chamando. Eu já vou.
Ela se distanciou de nós, indo até Gordon, Sebastian, Garrett, Chris, Travis, Blair, Lara, Matt, Noah — sim, o meu antigo “substituto” — e Scarlett estavam. Ou seja, onde todos exceto eu e Bennett estavam nessa espécie desse grande jatinho particular. A única coisa boa de trabalhar no governo eram os transportes, não era todo o dia que você andava em um super jatinho particular como esse.
Mudei o foco do meu olhar para uma das televisões. Tinham duas. A principal de umas 50 polegadas, que estava na frente, e uma menor de 32, no fundo, onde eu e Bennett estávamos. Era de madrugada, provavelmente umas duas da manhã, então estavam mostrando uma breve recapitulação das notícias. A notícia principal provavelmente deveria ser o foco aqui e no resto do mundo todo: Sam Watters e o conflito entre os vampiros. Realmente, era incrível como a mídia conseguia manipular as coisas para que se tornasse algo interessante. Parecia que eu tinha feito alguma coisa lá que não fosse bancar a idiota, como eu sempre faço.
Tirei o meu olhar da televisão e foquei em Bennett. Dane-se a mídia.
— Então é isso? — perguntei.
— O quê?
— Audrey? — falei. — Moore, você é rápido.
Ele revirou os olhos.
— Não é só por ela. — ele disse. — Eu só quero fazer algo útil nessa guerra.
— Audrey é uma pessoa diurna, só pra lembrar. — falei. — Se quiser continuar bancando o vampiro com ela, é melhor que nem chegue perto do sol.
— Por que você sempre acha que eu só penso em mulheres? — ele perguntou.
— Porque é a verdade. — respondi. Ele revirou os olhos.
— Aliás, falando em relacionamentos... — ele dizia. — E você e o Summers?
— Por favor, não me faça falar dele.
— Eu irei sim. — ele falou. — Pode ir dizendo, Watters, temos horas e horas de voo ainda.
Revirei os olhos.
Torcia mentalmente para que naquela hora ele não forçasse a audição e ouvisse o que eu estava falando.
— O meu relacionamento com o Summers está pior que o furacão Katrina. — disse. — E eu sou péssima em lidar com pessoas, principalmente com pessoas como ele. Feliz, agora?
— Wow, você poderia fazer uma série sobre isso quando essa guerra acabar. — sugeriu. — Coloque zumbis porque eles vendem muito.
— Zumbis são as únicas lendas sobrenaturais até agora que não são realidade. — comentei. — Ao menos eu acho que não são.
— Vampiros são zumbis. — lembrou Bennett. — Você sabe, toda aquela história de mortos-vivos. No fundo os zumbis são reais mesmo, a diferença é que são chamados de vampiros.
Noah Titor, o vampiro de fisicamente treze anos e o meu ex-“substituto”, andava na minha direção, se distanciando do resto das pessoas de que não faço parte. Ele parecia bem pálido, o que dava a impressão de que a qualquer segundo ele poderia cair no chão e morrer. Era incrível o fato de que ele sempre parecia ser estranho demais.
— Falando em vampiros... — Bennett dizia. — Noah Titor.
— Eu ouvi. — disse Noah a Bennett quando finalmente chegou perto de nós. — Você diz como se não fosse um, não é?
— Você diz como se não fosse um também. — rebateu Bennett.
— Touché. — disse Noah. — Eu queria falar com você, Sam Watters. — ele dirigiu sua fala a mim. — A sós.
Bennett se levantou da cadeira e fez um sinal de rendição.
— Okay, Noah, eu estou indo, não precisa dar esse fora tão grande. — ele dizia de um modo meio irônico. Desfez o sinal de rendição. — Eu estou indo, relaxe.
Então ele nos deixou e foi se juntar para o grupinho de pessoas que eu odeio/pessoas que me odeiam/pessoas que são desperdício de vida, conversar com Audrey.
E depois disso, Noah iniciou o assunto da maneira mais comum possível:
— Eu sei que você o possui.
— Hã? — perguntei confusa.
— O Necronomicon e o Xadrez de Hector. — ele respondeu.
— E o que eu iria fazer com o Necronomicon? O que diabos é esse...
— Não finja. Eu sei que você está com eles. — ele me interrompeu. — O Necronomicon para tentar impedir a morte dos seus líderes e o Xadrez encantado de Hector para previr os movimentos da guerra.
— E por acaso já passou na sua cabeça que eu não me importo com líderes?
— Ah, você deveria ter vergonha de falar isso. — ele dizia. — Imagine só se Gordon ouvisse isso? Seria considerado como traição, uma grande traição.
Eu odeio esse pirralho de duzentos anos.
— Eu sou a última dominadora de água dos últimos duzentos anos, Noah. Eu posso socar Gordon e depois arrancar o braço dele e dar para os lobos comerem que ele não iria me punir.
— Tem certeza, Watters? — me questionou. — As coisas estão mudando ultimamente.
— Cadê o Bennett? — ouvi Audrey perguntar. Ela virou o seu olhar para mim. — Sam, onde ele está?
E se foram todas as minhas oportunidades de tentar dar uma boa resposta ao meu substituto.
— Espera, ele não estava com você? — perguntei confusa.
— Bennett sumiu. — disse Travis. — Sam, isso tem alguma coisa a ver com você?
— Sim, Travis, é claro que isso tem tudo a ver comigo. — disse sarcasticamente.
Travis revirou os olhos.
— Alguma coisa está errada aqui. — disse Scarlett. — Eu sinto que algo está errado aqui.
— Então, o que devemos fazer? — Matt dizia virando seu olhar para Travis, como se esperasse que ele fizesse alguma coisa importante.
Claro, Travis Springs era o dominador principal agora. Não eu. Era meio estranho lidar com o fato de que eu não era mais o foco principal de tudo isso.
Isso me fez pensar de que Noah poderia estar certo. As coisas estavam mudando.
— Vamos aterrissar aqui. — Travis virou o seu olhar para Gordon. — Concorda, Gordon?
— Totalmente. — respondeu Gordon. — Não saímos desse país até acharmos esse vampiro. Ele pode ser um traidor, e não podemos deixa-lo sair impune disso.
Sebastian foi falar uma coisa com o piloto, que automaticamente começou a iniciar o pouso. Iríamos pousar em Sydney, exatamente no local em que ela foi destruída no primeiro conflito, há mais de dois anos. Eu queria ficar em qualquer lugar, até o Oriente Médio, mas ficar em Sydney nem que seja para achar Bennett por alguns minutos era um inferno para mim.
Foi uma questão de minutos para que o piloto conseguisse pousar em uma área “segura”. Eu queria rir desse pensamento. Sydney estava destruída. Ao menos a metade dela estava, porque a outra metade continuava a mesma. Dizer que tinha alguma parte segura chegava a soar como uma piada sem graça.
Eu me lembro de quando Sydney todinha era considerada uma grande e boa cidade.
Fui a última a sair do jatinho particular. Os meus passos deveriam estar lentos e mais fracos, e eu torcia para que ninguém percebesse isso. O ar não era mais o mesmo. O cheiro de fumaça e cinzas preenchiam o meu pulmão, me fazendo lembrar do ataque. Parecia que tinha sido há poucos minutos. Quase todas as casas estavam destruídas, juntamente com ruas destruídas e rachadas pela a metade. Se eu não me controlasse, as cenas daquele dia iriam passar pela a minha mente. Os gritos das pessoas, o jeito que elas corriam, o jeito que a polícia tentava acalmar a situação, os soldados mortos, Jeff morrendo, o jeito que eu matei Helena...
— Estúpidos. — eu ouvi uma voz murmurar. — Vocês são um bando de estúpidos.
Lewis se aproximava de nós, com apenas dois soldados ao seu lado. Ele lançava um olhar meio desafiador para mim, no estilo “Lide com isso, Watters”.
Eu odeio o jeito que essa gente adora repetir o meu sobrenome.
— Lewis? — Matt perguntou confuso. — Então você está...
— Vivo? Sim. Eu respiro, então... Ainda estou vivo e pronto para derrotar todos vocês. — completou Lewis. — Aliás, a Sam sabia de tudo isso. Ela até veio a base dos The Owners e veio falar comigo. Realmente, vocês têm uma dominadora muito leal.
Todos olharam para mim.
— Você...? — Matt perguntou, com uma expressão diferente.
— E-Eu...
— Você nos traiu. — disse Sebastian.
— Era um plano! — disse.
— Mesmo? — Lewis disse. — Ou você acha que eu não ia perceber a dominadora de água pisando na minha base? Sinceramente, Sam Watters, você costuma a me subestimar até demais.
— E-Eu... — eu tentava dizer algo, mas só conseguia gaguejar.
— Então tudo isso era só um plano? — disse Travis. — Tudo que você estava fazendo era um plano, até a morte forjada...
— Ela veio a mim. — disse Lewis. — Até foi uma dos meus soldados por alguns dias.
— Ele está mentindo! — Audrey tentava me defender. — Era um plano meu e dela. A Sam se matava, fingia ser outra pessoa nos The Owners e colhia informação deles para nos ajudar na guerra. Era isso.
— Audrey Harrington, não? — Lewis perguntou. — Eu ouvi falar de você. O novo brinquedinho de Sam Watters.
— Eu não sou um...
— Shh, eu não quero ouvir a sua voz. — Lewis a interrompeu. — É meio irritante, sabe? Mas é realmente uma pena que você tenha confiado e até ajudado uma pessoa como a Watters. Ela é uma grande traidora covarde.
— Então você veio aqui pra esfregar isso na minha cara? — disse. — Parabéns, Lewis.
— Eu vim para dizer que eu sei que estão com o Xadrez de Hector e o Necronomicon. — ele disse, mas parecia soar como uma correção a mim, do tipo “Eu estou certo, você não. Lide com isso, Watters”.
— A Sam está com eles. — entregou Noah.
— Tem alguma coisa que a famosa Sam Watters não possua? — ele disse sarcasticamente.
— Sim. — respondi. — Os seus prostitutos. — dei um sorriso sarcástico por final.
Digamos que aquilo conseguiu estuprar todas as chances de não me ferrar naquela hora.
Eu ouvi o som de uma bala sendo atirada na minha direção. Eu corri para a direita, me desviando dela. Mais outros sete soldados apareceram. Os braços de Matthew entraram em chamas e ele correu atrás de Lewis, na tentativa de ataca-lo. Os soldados foram na frente dele, lutando bravamente.
Travis se armou com o seu arco e começou um duelo de Flechas vs. Balas. Scarlett se armou com o seu revolver e começou a atirar, já derramando sangue de alguns soldados, fazendo-os caírem no chão. Dois tinham morrido, faltavam sete.
E eu? Fiquei parada, que nem uma idiota inútil assistindo aquilo. Era como se eu não tivesse instintos mais, como se o meu cérebro fosse outro. Eu não conseguia lutar nem se me forçasse a isso. Minhas pernas tremiam de medo, meu coração batia aceleradamente
Blair mostrou as suas presas de vampira e foi lutar com eles. Poderia ser meio injusto uma pessoa que luta corpo a corpo lutar com outra que apenas atira, mas acreditem, não era. Blair era muito boa em luta, bem mais do que eu imaginava. Ela derrubou e matou dois soldados em um piscar de olhos. Faltam seis. Scarlett derrubou um. Matthew queimou mais dois. Agora faltam três. Sebastian e Chris estavam protegendo Gordon. Travis acertou uma flecha no olho de outro soldado. Faltam dois. Audrey deu um tiro em um soldado. Falta apenas um. Hector sussurrava. Eu queria morrer. Matthew derrubou um soldado.
Blair saiu correndo na direção de Lewis. Ela iria mata-lo. Puxou pelo o pescoço, e o imobilizou, repousando as suas presas exatamente no pescoço dele. Parecia tão fácil, tão próximo. Eu realmente acreditei que ela iria mata-lo ou beber o seu sangue até a morte.
Mas ela caiu de joelhos no chão.
Lewis sorriu, retirando à estaca de madeira do tórax de Blair. Sangue negro saia tanto do ferimento quando da sua boca. Ela cuspiu sague no chão. Todos pararam e observaram aquilo.
— Mãe... — disse em voz baixa, como um sussurro.
Lewis deu um sorriso mau, do tipo que me fazia acreditar em vilões e heróis.
— Uma Watters a menos. — murmurou. — Adeus, inúteis. Se divirtam perdendo a guerra.
Ele foi embora.
Eu saí correndo o mais rápido que pude na direção de Blair. Foda-se Lewis e todos dos The Owners. Todos estavam em choque. Eu mesma estava em choque. Meu coração batia tão rapidamente que eu pensei que poderia vomitá-lo a qualquer hora, juntamente com o resto de todos os meus órgãos internos. Meu cérebro iria explodir e matar todos ao seu redor com a explosão. Meus olhos ficaram marejados, e eu não pude evitar de chorar, por mais que isso mostre a minha fraqueza. Eu me senti pior do que um lixo.
Blair estava nos meus braços.
— M-Me desculpe. — disse entre lágrimas, que nem uma idiota fraca. Minha voz era fraca e eu gaguejava. — E-Eu sou uma idiota, mãe, por favor...
Estranhamente, ela sorriu pra mim.
— Está bem. — disse. — Está tudo bem.
Ela fechou os seus olhos lentamente. A morte finalmente tinha chegado. Eu ainda estava em choque, então nem por causa disso a soltei. Tudo foi tão rápido.
Todos presentes ali olhavam para mim de um modo tão estranho, como se analisassem a situação e pensassem em fazer algo sobre mim. Eu nem me importei com isso. Eu estava chorando, na frente de todos eles. Só isso deveria ser um motivo de grande vergonha, deveria querer enterrar a minha cabeça na areia ou querer matar todos eles por terem visto esse meu lado. A única pessoa que viu foi o Matthew. Naquela hora eu fiquei tão abalada que sinceramente não dava a mínima para os outros. Eu só queria me sentir um lixo e morrer.
Foi impossível não deixar toda a minha escuridão vir à tona.
Eu queria gritar, chorar muito, berrar, matar todos ali, e depois acabar me matando. Um sentimento de arrependimento e revolta corria pelo o meu corpo todo, fazendo o meu sangue ferver e todo o meu cérebro mudar. Aquilo era culpa minha. Não importa se Lewis foi aquele que enfiou à estaca de madeira nela, o que importa é que eu fiquei tão ocupada durante esse tempo fingindo odiar Blair por algo que ela não teve culpa que nem deveria estar chorando por ela.
Agora, eu estava completamente sozinha. Poderia ter Chris, mas, eu não o mereço. Mary e Stephen são dois demônios, exatamente como eu.
Hector apareceu na minha frente, dando alguns passos em minha direção. Ele se abaixou um pouco e olhou fixamente nos meus olhos, como se quisesse penetrar mais ainda na minha má estrutura de alma.
— Por que você sempre escolhe o caminho mais fácil? — perguntou. — Vá em frente, mate todos e depois se mate.
— Vá embora. — murmurei.
— Você acha que a morte é o fim do sofrimento, não é? — perguntou Hector.
— Vá embora. — repeti.
— Sua covarde! — ele gritou. — Vai desistir tão fácil assim? Você fica ou foge!
— Vá embora! — berrei, usando todas as forças que eu achava que tinha. Hector sumiu.
Depois dessa, além de todos saberem que eu era fraca, provavelmente iriam achar que eu era insana e gritava sozinha. Quem sabem iriam fingir novamente toda aquela história de empatia por mim, como fizeram antes, na minha suposta depressão.
Não, eles não iriam. As coisas mudaram.
— Mentirosa! — gritou Travis. — Você passou todo esse tempo odiando Blair e depois chora por ela?
— Ela é a mãe dela! — disse Audrey. — Travis, por favor...
— Ele está certo. — disse Matt. — Sam é uma mentirosa.
Não, não e não. Até o Matt? Isso é um pesadelo. Só pode ser um.
— Sam, pare de fingir. — disse Gordon.
— Mentirosa! — Travis berrou irritado, andando na minha direção. Ele me chutou, me fazendo soltar o corpo de Blair e bater a cabeça no chão. — Qual o seu problema, Watters?!
Eu passei levemente a mão no canto da minha testa. Perfeito. Travis me chutou, eu bati a cabeça no chão e agora estava com um lindo ferimento na testa.
Dane-se o meu rosto. Eu sou uma mentirosa traidora.
— Ei! — gritou Chris. — Qual o seu problema, Springs?!
— O meu problema? — Travis gritou, se virando para Chris. — A sua família tem a droga de um câncer que se chama Sam Watters!
Depois disso, ninguém mais disse nada. Todos pareciam ter sido pegos de surpresa por isso, então eu tive que engolir o choro e me levantar no chão. Eu não olhei nos olhos deles. Foi um grande trabalho ficar de cabeça erguida, por mais que eu não quisesse fazer isso.
Era difícil conter a minha raiva e revolta. Eu sentia tanta vontade de matar todos ali, se dependesse de mim, Travis já estaria morto.
Eu precisava fazer aquilo.
— Eu desisto. — disse.
— O quê? — perguntou Scarlett.
— Eu desisto de tudo isso. — tirei o meu bracelete recém-colocado da Área 52 do meu braço. Ele caiu no chão. — Eu estou fora dessa.
— Então é isso? — perguntou Matt. — Você está desistindo?
— Sim. — disse. — Eu estou fora dessa guerra estúpida.
— Você cria a guerra e depois foge dela? — Matt perguntou.
— Eu criei a guerra e vocês que estão fugindo dela. — disse. — É diferente.
Pela a primeira vez na minha vida, eu vi Matt forçar uma risada falsa.
— Aham, claro, Sam. — dizia sarcasticamente entre os risos forçados. — Você que é a vítima aqui, nós só somos monstros que não compreendem a sua trágica história. Você faz a guerra, nós que lidamos com ela. Realmente, isso faz muita lógica.
— Dane-se, Matthew! — disse. — Eu estou cansada, ok? Eu estou cansada de todos vocês.
— Qual é o jogo que você está jogando, Sam? — ele perguntou. — Eu que estou cansado de tudo isso. Qual é o seu problema? Por que você não pode apenas... — levantou o seu olhar e fixando exatamente nos meus olhos. Virei o meu rosto. — Apenas deixar isso ir embora? Você está destruindo, você está me destruindo.
— Eu não estou jogando nenhum jogo! — disse. — Eu não posso deixar isso ir embora, porque é o que eu sou agora, Summers.
— Eu odeio o seu tipo, Watters. — ele falou. — É aquele tipo de garota que se autodestrói e ainda aproveita para destruir os outros no caminho. — deu uma curta pausa — Quer saber de algo? Agora eu que estou cansado de você.
— Então isso é o quê? — perguntei. — Você está terminando comigo permanentemente?
— Sim. — ele disse. — Eu acho que estou.
Se a minha raiva estava grande antes, imagine agora.
Todos olhavam para nós como se aquilo fosse uma espécie de UFC sem luta.
— Pode ir, Sam. — disse Travis. — Não precisamos de você.
— Vocês sabem por que estão perdendo a guerra? — disse. —Quando eu fui para os The Owners, disfarçada de um deles, eles pareciam tão unidos e tão superiores a nós. É por isso que eu estou desistindo. Porque eu não consigo mais aguentar toda essa falsidade e disputa de poder que vocês possuem.
— Cala a sua boca. — disse Sebastian. — Quem você acha que é, Sam? Nem o seu título estúpido vai te salvar agora. Até o Travis superou mais a Helena do que você superou a sua “triste” história.
— Pode ir, Sam. — disse Gordon. — Você não é importante para nós.
— Vá. — disse Garrett. — Não irei sentir a sua falta na minha alcateia.
— Sam... — dizia Audrey. — Pare com isso, nós podemos fazer as coisas melhorarem. Por favor, não vá.
— Melhorar o quê, Audrey? — perguntei. — Não importe o que aconteça, as pessoas vão continuar morrendo. Eu sempre vou estragar tudo. Eu criei a guerra e já perdi ela.
— Vá embora, Watters. — disse Matt. — Por favor, apenas... Vá embora.
— Eu estou te expulsando. — disse Travis. — Você agora é uma traidora. Eu vou te dar a escolha de ir embora antes que eu mesmo te prenda.
— Eu não preciso da sua preciosa expulsão, Springs. — disse entre os dentes. — Querem saber de algo? Vocês me amam. Eu sei disso. No fundo desses seus órgãos nojentos que bombeiam o sangue, eu sei que vocês me amam. Em toda a história tem a garota fodida que todos se aproveitam. Eu sou a garota fodida que vocês se aproveitam. Vocês não são nada sem mim.
Depois disso, eu fugi.
Eu corria o mais rápido que podia, deixando as lágrimas rolarem pelo o meu rosto e tentando me libertar de todos os meus pensamentos. Eu tinha estragado tudo, pela a milionésima vez. Eu não sei como, mas eu tinha conseguido estragar ainda mais a minha situação terrível. Meu coração batia tão rápido que eu nem sabia que era possível ele bater nessa velocidade. O meu cheiro deveria ser de raiva, e a minha aura deveria ser de pura tristeza e melancolia.
Era terrível correr pelas ruas do lado destruído de Sydney. Era tão triste e morto. Tudo é triste e morto. Blair morreu. Isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. No final eu sempre acabado fazendo alguma merda e só percebo isso depois que as pessoas morrem. É a lei da minha vida. Talvez tenha sido melhor Matthew me odiar agora. Era melhor do que ele acabar morrendo e eu acabar me matando por dentro por deixar aquilo acontecer. Eu não iria me perdoar caso isso acontecesse.
Eu parei de correr quando a visão da única casa não destruída tomou o meu foco. A única casa intacta era justamente a minha antiga casa, a que eu vivi durante toda a minha infância. Lewis armou aquilo, talvez ele tenha tido a esperança de que isso iria me acertar emocionalmente.
Sim, ele estava certo. Me acertou emocionalmente.
A pergunta de um milhão de dólares era: por que esses idiotas não me matam logo? querer soar como uma melancólica estúpida sem amor próprio, mas eu estava bem fraca. Qualquer coisa pode me matar agora. Eu não luto bem, eu tenho medo de tudo, mal consigo dominar a água direito e nem consigo matar uma pessoa. Seria tão fácil me matar. Por que eles estão brincando com o meu cérebro? Não é engraçado. Isso machuca muito mais do que parece.
Eu, na minha condição mental totalmente normal e sem estar totalmente abalada emocionalmente e com nenhuma vontade de me matar, acabei entrando na minha antiga casa.
Tudo estava exatamente como eu tinha deixado.
— Eu pensei que não iria fazer isso. — disse Bennett, sentando no último degrau da escada.
— Então você fugiu. — disse.
Ele assentiu.
— Eu não pertenço a eles, Sam. Eles são tão cegos por poder. — se levantava do último degrau escada, dando alguns passos em minha direção. — Você também não pertence a eles.
— Eu não pertenço a lugar nenhum, Bennett. — disse. — Blair está morta. Lewis... Ele enfiou uma estaca nela.
— E o que eles fizeram? — perguntou. — Alguma espécie de vingança a Lewis ou...
— Nada. — disse. — Matt terminou comigo.
— Helena disse que me ama. — disse Bennett. — Ela está mentindo, mas... Eu não consigo aceitar isso como uma mentira. Droga, eu amo ela.
— Matt me odeia. — disse. — E eu gosto dele. Perfeito. A minha vida é realmente um paraíso.
— Nossas vidas são um paraíso. — comentou Bennett.
— Então, o que vamos fazer? — perguntei. — Iremos fugir para onde?
Ele suspirou.
— Vamos fazer algo diferente hoje. — ele disse. — Eu irei fingir que você é a Helena, e você fingirá que eu sou o Matt.
Não trocamos mais nenhuma palavra, apenas atitudes.
Eu juro que fiz o máximo possível para fingir que ele era o Matt. Não, claro que ele não era o Matt. Eles eram diferentes. Ele me beijou e eu fechei os meus olhos, fingindo tudo aquilo. Era meio estranho, mas eu apenas deixei que as coisas acontecessem. Eu precisava do Matthew mais do que parecia. Não custava fingir um pouco.
Mas isso era uma mentira, como quase tudo também era. Bennett não era o Matthew, e não há nada que ele pudesse fazer para fingir ser o Summers. Bennett não tinha aquela capacidade que o Matt de me fazer esquecer de todas as preocupações. Bennett não me intrigava. Ele jamais iria conseguir me fazer ter um choque elétrico com o seu toque.
Nossos movimentos iam cada vez mais rápidos, por mais que eu não sentisse nada. Literalmente nada. Não importa o que Bennett fizesse, eu não conseguia sentir nada.
No final, eu me senti como se tivesse quinze anos de novo. Bennett e eu, deitados nus em uma cama de casal no primeiro quarto da casa — provavelmente deveria ter sido o quarto dos meus falecidos pais —, e eu já estava levantando da cama pronta para enganá-lo e fugir de novo. Vesti a minha roupa, desci as escadas e me preparei para partir. Matthew estava certo. Eu sou a garota estúpida que se destrói e ainda destrói os outros.
Então John Watters, o dominador de água anterior, me fez uma surpresa.
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