The Four Kingdoms
10 Capítulo 10 - O jogo de Xadrez.
Notas iniciais
Ponto de Vista do Narrador.
Wright estava furioso.
O Colíder das Áreas 51 e 52 estava na América Latina, em uma viagem aos quatro pontos importantes tentando fazer alianças. Ele estava no Centro I, no México, mas teve que voltar urgente para a Área 52, em Utah, por causa de um certo “incidente” feito na Austrália na madrugada do dia treze de Março. Era nesses momentos que ele odiava o seu trabalho e queria mandar tudo pro alto e desistir de toda essa história. Mas infelizmente, ele não poderia fazer isso.
Naquele instante, ele estava de frente a frente com o dominador de fogo e o dominador de ar. Estava conversando com os dois, para ver se as versões das histórias realmente batiam. Havia falado com a dominadora de terra e os irmãos Knight. Nenhuma das histórias dos irmãos Knight e da dominadora de terra batiam com a de Travis e Matthew. Na verdade, elas não batiam com a de Matthew.
Wright suspirou.
— Travis, você pode ir. — ele dizia. — Minha conversa é com o Summers.
Matthew sentiu uma pitada de medo.
— Ok. — Travis assentiu e foi embora da sala em questão de segundos. Ele parecia meio nervoso.
Após aquilo, Matthew e Wright ficaram completamente sozinhos.
— É a sua culpa. — disse Wright em voz baixa. — Completamente sua.
— Ela perde a memória e eu sou o culpado? — Matthew desafiou Wright, tentando encobrir o medo, como sempre fazia com todos. — Desculpe, mas não fui eu que foi mordido pelo o vampiro mais velho existente por causa do irmãozinho traidor.
Wright se segurou para não mandar executar Matthew naquela hora.
— Ela perdeu a memória e ganhamos má fama na mídia pela a segunda vez! — Wright quase berrou de tanto ódio. — Nós perdemos metade da guerra com isso.
— A metade nem é grande coisa. — disse Matthew. — Isso não é tão importante. Daqui a algumas semanas ela recupera a memória e está tudo bem.
Wright contou mentalmente até dez para se acalmar. Não estava tudo bem.
— Algumas semanas? Você realmente acha isso, Summers?! — Wright disse. — Messes. No mínimo seis messes. Isso é muito tempo para uma guerra, e principalmente porque ela era a única dominadora que ao menos sabia controlar o nível de adrenalina no sangue. Ela sabia como usar seus poderes no momento que realmente deveria na maioria das vezes. Isso é o problema. E você fez.
— Eu não pude impedi-la! — disse Matthew. — Eu odeio dizer isso, Wright, mas isso não é a minha culpa.
Wright quase fuzilou o garoto com o olhar.
— Você sempre é todo imprevisível, sempre faz coisas que não deveria fazer na hora. — disse Wright. — Por que você ficou parado observando aquilo? Por que?
— Vocês sempre reclamam quando eu sou assim. — disse Matt. — Até quando eu não sou vocês reclamam.
— Eu não me importo. — disse Wright. — Não passou pela a sua cabeça o que ele poderia ter feito com ela naquela hora? Roubar as memórias ainda foi fraco demais. Ele poderia ter matado ela só de fazer aquilo.
— Ela está viva e pronto. O pior já passou. — disse Matthew, praticamente ignorando o que Wright dizia. — Isso não parece ser tão importante aqui.
Mesmo acostumado com Matthew, Wright ainda se assustava com a tamanha ignorância do garoto.
Hector Kitter tinha por volta de três mil anos e meio. Segundo todas as informações que Wright possuía, Kitter poderia ser o vampiro mais velho existente hoje. Isso não significa nada mais do que uma grande ameaça. Durante todos esses milênios, ele aumentou muito a população dos vampiros, fazendo isso ser uma das piores coisas que Wright já viu. Kitter raramente matava seus inimigos, ele os transformava em vampiros e fazia drásticas lavagens cerebrais. Ele seguia fielmente aquele ditado: “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”, a diferença, era que Kitter parecia distorcer completamente esse ditado. Ele não usava a força física, e sim a sua ampla força mental.
Mas aí que Wright não conseguia entender isso. Se Hector sempre transformava as pessoas e as fazia ser seus aliados, então por que ele iria roubar a memória de Sam temporariamente? Ela é jovem, pode ser meio difícil, mas caso ele conseguisse enganá-la perfeitamente, poderia conseguir manipular a dominadora de água e fazê-la ir para o seu lado. Do mesmo jeito que Roux estava quase conseguindo.
Para Wright, o roubo das memórias de Sam não fazia lógica.
Hector nunca foi de roubar memórias, mas era forte o suficiente para conseguir ter feito uma coisa tão difícil dessas. E ele jamais faria algo sem interesse. Então foi aí que as coisas começaram a fazer sentido para Wright. Tem alguma coisa nas memórias de Sam que Hector Kitter precisa, alguma coisa que Wright não sabe sobre ela.
Mas... O que seria?
Wright suspirou. Não iria discutir com Matthew Summers, sua mente estava cheia, e conversar com um adolescente ignorante era a última coisa de que ele precisava.
— Você quer falar com... Ela? — Wright perguntou a Matthew, depois de um longo silêncio.
Matthew ficou sem reação.
— Hã... — ele parecia não saber o que dizer. — Sim. Eu quero.
Aquilo não foi previsível de Matthew, para variar, claro. Wright sabia que Matthew e Sam tinham uma relação extremamente infantil, do tipo que o fazia questionar sobre o quão idiotas são os jovens de hoje. Ambos nutriam uma espécie de ódio, mas apenas em momentos bizarros eles tinham uma parceria e chegavam até perto de serem colegas. Mas ainda assim, a resposta de Matthew havia o surpreendido. Como sempre.
Wright já estava com saudades de coisas previsíveis.
O Colíder da Área 51 e 52 se levantou da cadeira, sem dizer mais nada e nem olhar para o dominador de fogo, foi em direção a sala que Sam estava. Matthew também não disse nada, apenas seguiu Wright no mais puro silêncio.
Wright deixou o americano na sala, deixando-o completamente às sós com a dominadora de água.
Matthew sentiu um pouco de nervosismo percorrendo por todo o seu corpo, já que ele não fazia a mínima ideia de como Sam deveria estar. Ele não a vê desde antes de ontem, o dia que ela perdeu a memória e completou dezessete anos de idade — o que o fez se sentir um pirralho, já que de todos os dominadores, ele era o mais novo. Mas, ele não sentiu nenhum pingo de medo perto dela, a única coisa que ele sentia mesmo era nervosismo e culpa — mesmo que ele nem fosse culpado de verdade.
Ele dava passos lentos, se aproximando de Sam.
— Hey... — ele disse meio que sem jeito para a garota. O olhar dela rapidamente se virou para o dele, o olhando fixamente nos olhos. Matt não sabia explicar o quê, mas alguma coisa havia mudado naquele olhar.
— Hey. — ela respondeu.
— Talvez você não se lembre porque, hã, você perdeu a memória. — dizia Matthew. — Mas, eu me chamo Matt, eu sou o dominador de fogo.
— Ah... Legal. — ela respondeu, mas sem importar muito com a presença de Matthew. Na verdade, ela nem estava interessada no que ele dizia.
— Então... — ele dizia. — Você esqueceu de tudo, não? Tipo, não se lembra de nada?
Sam olhou para Matthew como se ele fosse um retardado. Era meio idiota, já que, perder a memória significa esquecer de praticamente tudo que ela sabia. Perguntar uma coisa óbvia dessas era o auge da falta de inteligência, ou talvez porque Matthew estivesse quase morrendo de nervosismo naquela hora. Ele não fazia a mínima ideia do que falar com Sam.
— Já que você esqueceu tudo... Você não se lembra de mim, certo? — Matthew perguntou.
— Não. — respondeu Sam. — Eu não me lembro de você.
— E não tem nenhuma curiosidade? — perguntou Matthew.
Sam se segurou para responder um “Não, eu não tenho”, mas pensou que talvez aquilo pudesse ser interessante. Ela não se lembrava de nada, e talvez falar com alguma pessoa que ela conhecia poderia “despertar” a sua memória e até ajuda-la nessa confusão que se metera na Área 52, sobre dominadores e um monte de coisa que ela não entendia.
— O que você era? — ela perguntou. — Amigo? Namorado?
Matthew se segurou para não forçar uma risada. Ela realmente não fazia ideia de quem ele era.
Enquanto isso, na Austrália, Hector Kitter estava sentado em sua sala principal, completamente sozinho.
A sua sala era enorme, ampla e muito vazia. Particularmente, ele adorava isso. Sempre gostou de coisas assim, até mesmo quando ele era um mero mortal há milênios atrás.
Na sua mesa, tinha um tabuleiro de xadrez com o qual ele jogava desde Janeiro deste ano, mas até agora, o jogo só estava na metade ainda. Ele olhava atentamente, vendo qual movimento as suas peças brancas, pela a qual ele jogava, iriam fazer. As peças brancas poderiam estar em maior quantidade, e quase pegando a rainha das peças negras, mas as negras tinham perdido a sua rainha em Fevereiro, o que causava uma grande desvantagem.
E depois de alguns minutos de silêncio, ele ouviu alguém bater à porta.
Um sorriso completamente maléfico se esboçou em seu rosto, seguido de um “Entre”. Ele sabia quem era. O rei das peças brancas, aquele que estava fazendo o seu lado dar uma grande reviravolta e fazê-lo vencer.
Lewis, representante dos The Owners apareceu.
— Edward Lewis. — disse o vampiro. — Deseja falar sobre o quê?
Lewis pareceu um pouco espantado por Hector saber o seu nome, mas ignorou isso. Ele gostava de quando os seus aliados sabiam quem ele realmente era, e seus inimigos mais ainda. O orgulho de ser quem é jamais iria desaparecer.
— Eu queria ver o meu próprio aliado responder. — disse Lewis, com um pouco de respeito em sua voz. — Senhor, eu gostaria de saber se é realmente verdade da invasão dos irmãos Knight, os dois Watters e o resto dos dominadores na madrugada do dia treze. Essa informação procede?
Hector deu um sorriso mau.
— Sim. — ele respondeu. — Agora eu tenho um Watters só para mim, honestamente eu preferia um Knight, mas o sangue deles não é tão puro quanto era em 1800. Os Watters ainda são puros. — dizia. — Eu também tenho a outra Watters, mas creio que ninguém ainda saiba.
— Samantha e Christopher Watters? — perguntou Lewis.
— Sim, os irmãos Watters. — falou Hector. — Eu transformei o mais velho em vampiro, e a mais nova será a minha chave para a guerra. — olhou para o tabuleiro, vendo a rainha negra quase sendo atacada pelo o cavalo, torres brancas e um peão.
Lewis ficou sem reação.
Hector havia matado e transformado o melhor amigo de Lewis, Chris. Os dois poderiam estar meio “brigados” desde que Lewis se tornou o líder dos The Owners, mas de certa maneira, Lewis tem uma grande afeição por Chris, e jamais deixaria que uma coisa dessas acontecesse. E aconteceu, bem debaixo do seu nariz, e agora ele não pode fazer nada.
Ele evitou demonstrar que se importava com Chris.
— O que deseja fazer com os dois? — perguntou Lewis.
Hector parou de olhar para o tabuleiro, virando o olhar para o líder dos The Owners.
— Você se importa, Edward? — Hector parecia perceber. — Sobre Chris?
Lewis forçou uma risada completamente falsa.
— Claro que não. — disse, entre risos falsos. — Eu nunca conheci aquele inútil, a vida dele realmente não me faz diferença.
Uma onda leve de ódio passou pelo o corpo de Kitter. Lewis estava mentindo para ele. Odiava quando seus aliados mentiam, principalmente Lewis, já que o vampiro sabe praticamente tudo do líder dos The Owners em segredo. Graças as memórias de Sam, sabia que Lewis já fora muito próximo de Christopher, próximo até demais.
— Você está mentindo, Lewis. — disse Hector. — E eu não gosto de mentiras.
Lewis sentiu um pouco de medo.
— Desculpe, senhor. — Lewis deu uma curta pausa. — O que vai fazer com eles?
— Com o seu Chris? Nada. — disse Hector. — Com a dominadora de água, eu não posso dizer o mesmo.
— O que fez com a garota? — perguntou Lewis, curioso.
— Eu roubei as memórias dela. — dizia Hector. — Eu tenho acesso a personalidade dela completa agora. Você iria se surpreender com o quanto ela é ridícula. — ele deu uma pausa. — Sinceramente, eu achava que ela era um prodígio, mas agora... Ela não passa de uma adolescente fraca e uma ótima atriz.
— O que tem nas memórias dela? — perguntou Lewis. — Eu tenho que saber uma parte, afinal, eu sou o seu único aliado.
— Você deve saber. — dizia Hector. — Você estava nas memórias de infância dela.
Lewis se calou. Aquilo significava que Hector deveria saber sobre a sua infância e pré-adolescência, já que ele conhecia a dominadora de água desde que ela nasceu. Ele parou para pensar o que iria dizer agora.
— Você sabe. — disse Lewis. — Parabéns, Hector, eu não sou o que digo. Feliz?
Hector forçou uma risada doentia.
— Você é o que diz, Lewis. — dizia Hector. — Mas você não era o que diz.
— O que quer dizer com isso, Hector? — Lewis sentiu uma raiva borbulhando pelo seu corpo.
— Você sabe muito bem, Lewis. — dizia Hector. — Olhe, eu vejo toda essa guerra como um jogo de xadrez. E se você continuar assim... — olhou para o rei das peças brancas. — Nós vamos vencer. Mas se voltar a ser o mesmo idiota que tinha amizade com Chrisotpher e Samantha Watters... — olhou para as torres e cavalos das peças negras, marchando em direção ao rei branco. — Você irá perder. E sabe disso.
— Eu não sou assim. — disse Lewis, com os dentes cerrados. — Você não passa de um maluco.
— Ah, é mesmo? — um sorriso sarcástico brotou do rosto de Hector. — Você gosta dos Watters, só não quer admitir.
— Pois saiba que quando os Watters morreram eu quase morri de tanta alegria. — disse Lewis.
— Claro, Christopher iria ficar só para você, completamente desolado e você teria que consolá-lo. — dizia Hector, evitando contar sobre a parte de que Sam teria realizado o assassinato. — É uma grande pena que você jamais ficará com ele. Você sabe muito bem que Chris nunca foi... Bem, gay, como você.
Lewis quase bateu em Hector, mas lembrou que era apenas um mortal de sangue mestiço contra um vampiro com mais de três mil anos.
— Você está mentindo. — disse Lewis. — Eu não sou gay e não dou a mínima para Chris. Por mim, você deveria sacrificá-lo e acabar logo com a dominadora de água.
— Chris será uma das torturas a Sam Watters, Edward. — disse Hector. — Lide com isso. — Hector deu uma curta pausa. — Retire-se. Eu cansei de sua presença patética.
Lewis saiu da sala, fervendo de raiva.
Mas o que Hector não contou, era que ele não havia apenas roubado a memória de Sam. Ele também tinha ganhado uma conexão com a dominadora de água. E iria fazer isso da maior tortura de toda a sua vida após á morte.
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