The Four Kingdoms
2 Capítulo 2 - O incêndio.
Notas iniciais
Lembram quando eu concluí que era normal?
Pois é, finjam que eu jamais concluí alguma coisa como essa. Eu não posso ser normal ou tentar ter uma vida normal, como eu estava fazendo. O porquê disso? Eu havia me metido em encrenca no primeiro dia de aula. Ótimo.
Na segunda aula de química do dia — após do intervalo —, íamos ao auditório ver a apresentação de um artista local. Eu achei meio estranho, porque aqui na Austrália sempre valorizavam mais os atletas e quase nunca se dava atenção para músicos, mas eu nem protestei. Até fiquei mais feliz com isso, já que eu não entendia praticamente nada do que os professores diziam. Era tanta coisa que eu nunca vi na minha vida. Isso é praticamente uma lição para as pessoas: nunca terminem a escola na terceira série e voltem praticamente no final do último ano do ensino médio. Isso dá muita merda.
E quando estávamos indo em direção do auditório — eu tive muito azar em ter duas aulas seguidas com Matthew —, ele simplesmente entrou em chamas. Sem motivo algum, como se fosse completamente normal você entrar em chamas do nada. Nossa, é muito normal. Isso vive acontecendo comigo o tempo todo, do mesmo jeito que vive acontecendo com todo mundo a qualquer hora.
Graças a este incêndio, a maquiagem que fazia a minha cicatriz recém-feita desaparecer do meu rosto acabou “derretendo” por causa da temperatura tão alta. Lentes de contato? Eu fui praticamente obrigada a tirar elas, já que elas não iriam me ajudar em nada nessa situação. Ah, claro, meu cabelo havia voltado a ser aquela coisa super bagunçada que sempre fora. Ótimo. O meu disfarce fora apunhalado pelas costas.
Eu queria esganar Matthew Summers.
— Por que você pega fogo a cada cinco segundos, Summers?! — eu estava quase berrando. — Não custa ao menos fingir ser normal?
Nessa hora, todo auditório estava em chamas. Eu estava que nem uma retardada tentando apagar o fogo, mas só aumentava. E digamos que, eu funcionava terrivelmente ruim no calor. Se Sidney já era quente por sí só, imagine quando se está dentro de um auditório em chamas com um monte de pessoas correndo e berrando por socorro.
— Cale a boca, Jane Rogers! — berrou Matthew, que agora, não estava em chamas. — Como vamos sair dessa?
Eu quase soquei a cara dele de tanta raiva.
— Vamos apagar o fogo! — eu ouvi Travis gritar, o que foi um milagre, porque pela a primeira vez desde do enterro do General Rodriguez ele olhou para mim. — Sam... Hã, Jane, veja se consegue ao menos sentir uma umidade aqui para apagar o fogo. Matt... Quer dizer, Dave, dê um fora daqui e veja se consegue chamar o Gordon. — Travis deu uma pausa. — Helena está ajudando algumas pessoas e eu vou ver se consigo achar algum extintor.
— Não seria mais fácil usar a sua dominação? — Matthew perguntou, mas em um tom de desafio a Travis.
Travis revirou os olhos.
— Apenas cale sua boca e vaza daqui. — Travis disse meio irritado com ele.
Pela a primeira vez em toda a minha vida, eu vi Matthew obedecendo alguém.
Ele não respondeu nada, apenas saiu correndo do local, se retirando.
— Olhe, eu sei que você é meio estranha e hã, desde daquele “incidente” com o General Rodriguez a gente nem se fala mais. — disse Travis a mim. — Mas, desta vez, é melhor nos juntarmos para apagar isso.
— Ok. — disse.
— Vá até o palco e veja se consegue dominar alguma água. — Travis tossiu. — Eu vou ver se consigo fazer algo. — então ele começou a tossir.
E em alguns segundos, ele estava tendo um ataque de tosse na minha frente.
Eu não sabia o que fazer, aliás, eu não queria fazer nada. Certo, podem me xingar de todos os nomes possíveis, mas 95% de mim estava nem aí para isso. Agora os 5% restantes só se importavam com isso porque Travis poderia ajudar em acabar o incêndio. Em alguns segundos, minha mente começou a travar uma batalha entre o que era certo e errado a fazer. Eu não fazia ideia do que fazer.
O lado certo ganhou pela a primeira vez.
— Travis...? — eu perguntei. — Você está bem?
Perguntar se ele estava bem era a coisa mais ridícula a se fazer naquela hora.
— Vai. — ele murmurou, falando com um pouco de dificuldade. — Eu... E-Eu vou dar um jeito.
Então, com uma dominação de ar repentina e incrível, ele foi para bem longe de mim.
Eu não tive muito tempo para pensar, então saí correndo em direção do palco: o local que estava menos em chamas do que o resto do auditório. Então eu fui correndo que nem uma maluca em direção ao palco — tendo que desviar de chamas e segurar a minha respiração de minuto em minuto porque aquele ar deveria estar mais poluído que o de Xangai, na China ou de São Paulo, no Brasil —, e logo eu cheguei lá.
O artista ainda estava lá, em um estado de choque. O seu violão estava no chão, já em chamas. Eu não queria ajuda-lo, mas também não poderia passar reto por ele e simplesmente ignorá-lo.
Então algo me chama a atenção.
O músico era um pouco alto, e tinha a pele levemente bronzeada. Seus olhos eram castanhos e seu cabelo era castanho claro, quase loiro, em um corte curto. Esta poderia ter sido a descrição mais curta que eu fiz em toda a minha vida, talvez pelo o simples motivo de que: eu não precisava fazer uma descrição. Ele era extremamente familiar, como se algo nele me lembrasse alguém que eu tivesse conhecido há muitos anos. Aquilo era estranho até demais. Eu jamais tinha sentido uma reação tão forte assim sobre outra pessoa.
Eu tentei ignorar.
— Hey! — ele me chamou, quase gritando. Então deu alguns passos, se aproximando de mim. Sua expressão era meio assustada. — O quê... O que está acontecendo aqui?
Eu respirei fundo e tentei inventar uma desculpa.
— Desculpe, eu sou apenas uma aluna. — disse. — Apenas... Dê um fora daqui.
E ele continuou parado na minha frente.
— Quem é você?
Sinceramente, se eu estivesse no lugar dele e no meio de um incêndio terrível, provavelmente sairia correndo e não ficaria perguntando a qualquer pessoa quem ela é.
Então eu não respondi e fui entrando nos bastidores. Ele me seguiu.
Chegou a um ponto que eu não poderia fazer nada com ele me seguindo e observando cada passo que eu dava.
— Qual a parte do “Dê um fora daqui” você não entendeu? — eu perguntei meio irritada.
Ele passou alguns segundos observando o meu rosto.
— Eu já te vi antes. — ele dizia. A expressão dele mudou. — Sam?
Merda. O cara me reconheceu. Agora só falta ele dizer que é um dos membros dos The Owners e me matar agora por dois milhões de dólares porque eu sou uma demônia e também uma ameaça para toda a existência humana.
— Eu sou Jane Rogers. — disse meu nome falso. — Eu não sei de quem fala, mas, se quiser ficar vivo, trate de sair daqui agora.
Ele parecia estar sem reação.
— Você está mentindo. — ele disse. — Sam... Você está viva? Deus, isso não pode ser real, você... Você morreu com os nossos pais e a Cat!
Foi aí que a minha ficha caiu.
Christopher Watters, estava vivo, adulto e bem na minha frente. Meu irmão mais velho estava vivo e nem fazia ideia de que eu teria matado a nossa família. Uau. Chamem algum produtor de novela porque isso daria uma boa audiência.
— Chris? — eu perguntei confusa.
Se eu pudesse descrever tudo o que eu pensava e tudo que eu senti naquela hora, seria algo como: “Eu não sei”. Foi tudo rápido demais. Não é todo dia que você acaba entrando em um incêndio, e do nada, você acaba achando seu irmão mais velho “perdido”, que agora, já está adulto. A minha expressão naquela hora, deveria ser algo hilário, porque eu mal consegui pensar direito. Meu irmão estava na minha frente, completamente vivo. E o pior: ele não parecia saber nada do que eu fiz contra a nossa família.
Antes que ele pudesse responder logo, o chão começou a tremer.
— Sam! — eu ouvi Helena gritar de longe. Sua voz soava de um jeito completamente apavorado.
Ela corria em minha direção, como se estivesse ao ponto de ter um ataque cardíaco. Ela não parecia lá muito bem, como sempre parecia estar.
Assim que ela se aproximou de mim, parou de correr.
— O que você está fazendo? Você verificou a umidade? Você conseguiu dominar a água? — ela soltava inúmeras perguntas, parecia estar desesperada. — Quem é ele? — ela apontou para Chris.
— O que está acontecendo aqui? — Chris perguntou.
Eu ainda estava em estado de choque.
— Sam? — Helena perguntou, olhando para a minha cara meio confusa.
Eu não podia responder nada.
— Chris está vivo. — murmurei, sem olhar para eles.
— Quem é Chris? — Helena perguntou. — Sam, estamos em uma situação extremamente perigosa!
Antes que eu pudesse responder algo — na verdade eu nem iria responder — algo extremamente inesperado aconteceu.
Eu apaguei.
Ponto de vista do Matthew.
John Wright parecia querer me comer vivo.
Okay, eu posso ter criado um grande incêndio do nada, só porque eu mentalmente estava muito irritado. Eu estava me enturmando — não tão rapidamente quanto Helena estava —, mas é, eu estava fazendo um ou dois amigos. Até que um dos garotos começou a falar merda. Eu fiquei calmo, nem briguei com ele, afinal, caso eu fizesse algo poderia nos entregar completamente e estragar a ideia de John Wright. Mas, na aula de química — eu descobri que eu a Watters temos uma coisa em comum: nós dois dormimos nas aulas — o professor nos levou ao auditório, para ver uma apresentação/palestra de um músico local. Até aí tudo bem. Mas eu voltei a pensar nas merdas que o garoto falou no intervalo — e como isso aplicava-se perfeitamente a quem eu realmente era — e... Bum! O dragão pega fogo de novo!
Cara, eu sou o deus das babaquices.
Por sorte, o governo americano rapidamente cercou aquele lugar, e agora, Wright estava conosco em uma pequena base escondida em uma cidade vizinha a Sidney, e hã, a expressão dele não era lá tão feliz e contagiosa, era o contrário.
Nós quatro estávamos em uma reunião com John Wright. Sam havia acabado de acordar, sendo a última de nós quatro a se recuperar do desmaio causado pelo lindo, amado e incrivelmente foda governo americano. Ao lado dele, estava Louise Roux, a meia irmã tão amada e responsável pela a Área 52, diferente de Wright, ela parecia calma e... Feliz.
— O que eu vi?! — Sr. Wright berrou com nós quatro, mas ele olhava mais para mim do que para o resto. — Vocês não conseguem segurar um disfarce nem por um dia! Um único dia! — ele estava cheio de raiva. — Acham isso engraçado? Agora o mundo todo sabe disso e eu não dou nem vinte e quatro horas até que algum estúpido fãzinho dos The Owners achem vocês e ponham um fim nessas suas vidas inúteis e irritantes! — ele continuava berrando. Meus ouvidos odiavam isso. — Se não é a Watters, é o Summers, claro! Sempre tem algum dedinho dos dois!
— Eu não fiz nada. — disse Sam, mas, a sua voz soava meio fria e melancólica. Na verdade, a voz dela sempre soava assim, sem nenhuma exceção. Ás vezes parecia que você estava conversando com alguma psicopata. Ah, claro, aquele olhar dela meio bizarro — ela sempre parecia olhar pro nada — ajudava muito isso. Mas agora, eu sabia que ela tinha um motivo bem claro e profundo para ser assim.
Assim que ela falou isso, Wright quase explodiu.
— Nada?! — ele berrou, irritado. — Por sua causa, estamos aqui! Por sua causa, perdemos uns dos melhores Generais que eu já vi! Se você não tivesse matado o General Rodriguez, a minha vida seria bem mais fácil, Sam Watters. Eu não me admiraria caso tivesse algum dedinho seu não incêndio.
— Ela não fez nada, Wright. — a defendi. — Foi tudo 100% culpa minha. Então, pode ir começando com as suas broncas e chiliques, eu estou completamente preparado.
— Ele está dizendo a verdade. — disse Travis, me “apoiando”. — Foi um acidente. Matthew não quis fazer aquilo querendo.
— Sim. — disse Helena. — Wright, isso poderia acontecer com qualquer um de nós a qualquer momento. Eu não estou defendendo o Matthew, mas... Aquilo não foi algo proposital como pensa.
— Desta vez, vocês terão um castigo. — Wright disse, olhando para nós quatro ao mesmo tempo. O sorriso de Louise Roux aumentou, o que eu não consegui entender direito. — Na verdade, o plano de vocês atuarem como adolescentes normais seria abortado de qualquer jeito, mas graças ao dominador de fogo, o plano foi abortado um pouco antes. — Wright deu uma pausa. — Enfim, eu preciso inicialmente da Watters e do Summers, vocês precisam conhecer algo. — ele olhou para Roux. Seu olhar não parecia bom. — Quer acrescentar algo, parceira?
— A Área 51 e a Área 52 foram unificadas, caros dominadores. — ela disse. — Para este plano entrar em ação, tivemos que sacrificar muitas coisas, do mesmo modo, que vocês quatro, principalmente o dominador de fogo e a dominadora de água terão que sacrificar. — ela deu uma pausa. — Vocês irão entender melhor nos próximos minutos.
Um monte de coisas passou pela a minha mente, mas eu ignorei. Quando se trata da Área 51 (ou a Área 51 & Área 52) agora, nada é previsível.
— Venham conosco. — ela disse por final.
Eu e Sam nos entreolhamos, mas seguimos os dois.
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