The Forest City
90 Capítulo 90 - Dedicada
Notas iniciais
A Laranja Berrante finalmente me esperava estacionada do lado de fora de casa e papai ainda dormia.
Aparentemente a noite anterior tinha sido difícil não só para mim, mas também para o rei caído dos demônios.
Suspirei e peguei uma maçã qualquer na fruteira enquanto escrevia um bilhete avisando que já tinha saído para a escola e o pregava na geladeira com um imã.
A mochila parecia pesar mais que o habitual, ou talvez eu apenas estivesse cansada e quisesse ficar em casa, mas não me daria ao luxo.
Eu ainda tinha uma vida no mundo dos humanos e queria prezar por ela.
Não fazia ideia de se (ou quando) precisaria abandoná-la, então eu queria aproveitar ao máximo.
Ao entrar no carro e dar partida, dei um pulo de susto ao ouvir uma batida na janela do passageiro.
— Michelle – revirei os olhos enquanto destravava a porta.
— Bom dia pra você também – ela respondeu no seu humor usual.
A loira fechou a porta com força e retocou o gloss labial usando o vidro retrovisor.
Soltei um riso enquanto pensava que ao menos seus hábitos humanos não tinham sido deixados de lado. E isso era bom.
— Você está com uma cara péssima – Michelle torceu o nariz.
Seus dedos deslizavam pelo touch do celular e eu dirigia encarando a rua e observando seus movimentos pelo canto do olho.
— Não dormi muito bem – respondi.
— Isso está claro – ela tirou uma selfie – rolou algo que eu deva saber?
Franzi o cenho.
— Tipo...?- perguntei.
A loira deu de ombros.
— Não sei – respondeu – algo que queira contar pra alguém mas não saiba para quem.
Seus olhos brilhantes e sérios me encararam e tirei os olhos da rua por um momento.
— Bem... – mordi o lábio – o pai de Daniel queria um casamento arranjado entre mim e ele.
— E por que seu tom de voz indica que você acha isso uma coisa ruim? – ela me deu um tapa – isso é ótimo! Você finalmente vai ter ele de volta.
Passei a mão no local onde recebi seu tapa, que ardia.
— Não é bem assim – murmurei – sabe que já desisti disso há um tempo. Não quero alguém que não me deseja de volta.
Michelle bufou e coçou o braço, incomodada.
— Pois se fosse eu, agarraria a oportunidade e não soltaria nunca – resmungou – mas vindo de você isso não é surpresa alguma.
— O que quer dizer com isso? – semicerrei os olhos.
— Nada – ela cantarolou e pulou para fora do carro enquanto eu tentava estacionar.
— Michelle! – ralhei.
A loira caminhou sobre os saltos altos pelo estacionamento sem me dar ouvidos.
Estacionei adequadamente e corri para dentro do prédio lotado. Tentei passar pela massa sem ser comprimida enquanto me perguntava se aquilo realmente era uma faculdade e me sentei pesadamente no meu lugar, esperando o professor chegar e sem fazer ideia de que matéria teríamos.
Ao mexer na bolsa encontrei meu caderno de desenhos e fiz um lembrete mental de mostra-lo à papai, mas por ora decidi apenas rabiscar mais um pouco.
Uma sombra grande e familiar caiu sobre mim e logo o assento ao meu lado foi ocupado.
Eu sabia que era Daniel sem nem precisar olhar.
Reconhecia a carga elétrica que percorria pequeno espaço que nos separava.
O cheiro indescritível do dragão.
Seus pés balançando impacientes, como se esperasse que eu dissesse algo.
Parei de rabiscar e o encarei com a sobrancelha arqueada.
— O que quer aqui? – perguntei.
Daniel pareceu surpreso com a pergunta e pensei que talvez tinha sido um pouco agressiva demais.
Talvez?
— É o meu lugar, caso não se lembre – ele respondeu num tom irônico.
Dei de ombros.
— Não é como se eu fosse alguém que levou um fora pra começar a evitar você – ele resmungou.
Aquilo me pegou de surpresa.
— Do que você tá falando? – me virei, franzindo o cenho.
— Nada – ele respondeu e trincou o maxilar.
Eu sabia do que ele estava falando: a proposta de casamento de seu pai.
Só não sabia que ele se incomodaria com isso.
— Não é como se você tivesse me proposto pra que eu tivesse algo pra rejeitar – eu disse – ou como se eu fosse ficar com alguém que não me quer.
Daniel soltou uma risada sarcástica e balançou a cabeça negativamente.
— Tem razão – ele disse e se inclinou em minha direção – ninguém iria te querer.
Se fosse a Selene antiga, com vida humana, sem amigos e sem se importar com a opinião alheia, não teria dado a mínima.
Mas naquele momento as palavras de Daniel me deixaram muda, com um aperto no peito e um bolo formado na garganta.
Encarei o quadro negro enquanto a professora entrava e direcionava algumas palavras para a classe que, para mim, estavam distantes.
Talvez Daniel tivesse razão e ninguém fosse me querer realmente.
Ele, Liam e qualquer outra pessoa que eu me relacionasse facilmente me dispensaria depois e a única a se sentir sozinha seria eu.
Será que o mesmo acontecia com meu pai?
Ou com minha mãe?
Mordi o lábio inferior e abri o caderno distraidamente, pensando a respeito.
Folheei aleatoriamente e Daniel de repente espalmou a mão sobre o meu caderno. Estava prestes a lhe xingar ou simplesmente ignorá-lo quando vi seu olhar horrorizado.
Havia um desenho muito bem feito e colorido de uma Selene vampira ali.
Sem pensar, empurrei o caderno da minha frente e ele caiu no chão, chamando a atenção de todos da sala.
— Algum problema, Srta. Red? – a professora arqueou as sobrancelhas perfeitamente desenhadas.
Desejei que ela fosse Coraline para que eu pudesse lhe contar a respeito das coisas estranhas que me aconteciam e do quanto eu estava confusa.
Do quanto eu me sentia sozinha.
— Não – respondi e dei um sorriso educado – nenhum.
Daniel se abaixou, pegou o caderno e o devolveu para mim.
O peguei de volta murmurando um agradecimento automático e o guardei na bolsa.
— Você deveria ir pra casa e contar ao seu pai – ele disse, num tom baixo para que apenas eu ouvisse.
Dei de ombros.
— Meu pai está com a cabeça cheia demais por agora – respondi – é só um desenho.
— Se fosse só um desenho você não teria reagido dessa forma – ele retrucou – além do mais, isso tem ligação com Vladimir, eu posso sentir a energia.
Me virei para encarar o dragão dourado que parecia de repente interessado nos acontecimentos que diziam ao meu respeito.
Franzi o cenho.
— Qual o seu problema? – perguntei.
Daniel deu de ombros e me encarou com uma interrogação no olhar.
— Você age como se me quisesse morta e de repente se importa com meus problemas – respondi.
— Não sei se reparou durante as discussões no Salão Lunar – ele disse, sorrindo de lado – mas seus problemas agora envolvem a todos.
Mordi o interior da bochecha pensando no que dizer.
Mesmo antes da reunião bizarra, Daniel já se demonstrava interessado em me proteger (ou fosse qual era seu objetivo).
Ao meu ver, o dragão resolvera brincar comigo, sabendo que o sorriso de lado que direcionava a mim naquele momento fazia meu coração apertar.
— Faça como quiser – respondi, respirando fundo e voltando a prestar atenção na aula.
— Mais uma coisa – Daniel disse e tocou meu braço, fazendo os pelos da minha nuca se arrepiarem – você precisa ficar de olho em que tipo de demônio sua serva vai se tornar.
— Michelle? – franzi o cenho.
Pelo canto do olho vi Daniel assentir.
— Demônios novos são genéricos, mas com o passar do tempo eles se transformam e existem muitos subtipos – ele disse brevemente – estou dizendo porque você parece ser uma tapada nesse quesito, então fique de olho... Princesa.
A última palavra veio com um toque de zombaria, que eu não gostei nada.
Revirei os olhos e soquei seu braço.
Era quase como se Daniel oscilasse.
Entre seu antigo “eu” humano e o dragão arrogante e com síndrome de superioridade. Como se os dois estivessem travando uma batalha dentro daquele corpo grande e musculoso.
E isso me confundia muito, mas deixava meu coração dividido por algum motivo.
De alguma forma, o Daniel dragão também mexia comigo.
Me perguntei se era devido à aparência, mas sabia que mesmo que tentasse me convencer disso, não era a resposta certa.
Eu amava todas as facetas do príncipe dragão dourado e isso fazia de mim uma vergonha como princesa dos elfos, já que éramos inimigos naturais.
Tinha de arrumar um jeito de me afastar emocionalmente do mesmo antes que acabasse entrando em seus joguinhos de vez.
— Masoquista – suspirei para mim mesma, recebendo um olhar de “você é maluca” vindo do dragão.
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Brinquei com a chave jogando-a no ar e Daniel me surpreendeu ao pegá-la e ir em direção ao meu carro.
— Eu dirijo – ele disse, com voz autoritária e já se sentando no banco do motorista.
Olhei para o céu nublado e pedi paciência à Selene, a deusa da lua que se demonstrava cada vez mais frustrante.
— Michelle ainda não saiu da aula – eu disse, procurando a loira aguada com os olhos por entre o fluxo de alunos que saíam do prédio.
Nem se pareciam com universitários.
Franzi o cenho.
— Michelle sabe se virar, Selene – Daniel suspirou cansado e batucou no volante – vamos.
— Não vejo motivo pra voltarmos juntos, mas enfim – revirei os olhos e me joguei no banco do passageiro, colocando o cinto de segurança.
Daniel manobrou o carro habilidosamente e logo estávamos passando pelas ruas ladeadas de árvores grandes e velhas. Podia sentir que os muitos anos de vida as deixavam mais fortes, aguentando vento, chuva, sol e protegendo o solo com orgulho.
— Como você distingue sua humanidade do seu dragão? – perguntei subitamente, surpreendendo a nós dois.
Daniel me encarou de soslaio, desconfiado.
— Não se distingue – respondeu – com nós, híbridos, essas coisas deixam de existir em determinado momento.
— Como assim? – franzi o cenho.
— Em algum momento nossas raças se fundem e viram uma só – ele deu de ombros – isso aconteceu com você há algum tempo atrás, certo?
Assenti.
— E com você? – perguntei.
Daniel soltou uma risada anasalada.
— Se nem em mais de mil anos de vida aconteceu, por que aconteceria agora? – ele perguntou, usando sarcasmo em sua voz.
Mas eu podia sentir o cheiro de sua mentira. Não precisava descobrir o meu olho negro com a franja para saber que o dragão estava possivelmente sofrendo uma fusão.
Era um palpite na qual eu queria muito acreditar e que estava se tornando cada vez mais sólido.
— Tem certas coisas que eu sei que vêm do meu lado elfo – expliquei minha dúvida – e outras que tenho certeza que vêm da parte demoníaca, mas algumas eu não sei ao certo.
Daniel assentiu.
— A parte do “não sei ao certo” só cresce daqui pra frente, se acostume, princesa – ele disse, com ênfase na última palavra.
— Não me chame assim – resmunguei e voltei a observar as árvores que agora eram um borrão devido à velocidade – majestade.
Daniel grunhiu e eu sorri, vitoriosa.
Nenhum de nós apreciava o fato de sermos os filhos herdeiros de uma grande nação, que por acaso eram inimigas.
Ao menos era algo em comum.
Me perguntei o que o nosso povo achava da nossa proximidade.
Provavelmente eram contra. Pude ter uma ideia no dia da reunião, mas então por que o pai de Daniel havia me proposto casamento com seu filho mais velho?
— Sinto falta dos dias em que Yukina e eu apenas discutíamos coisas idiotas e humanas – soltei.
O dragão continuou dirigindo em silêncio.
— Eu morria de ciúmes de Michelle toda vez que você se aproximava dela e isso rendia muitas piadinhas – ri de mim mesma – e odiava como você era mandão durante os treinamentos.
Bufei e revirei os olhos para enfatizar a última parte.
— Eu me lembro – Daniel riu.
Senti meu estômago ficar para trás em algum lugar na rua enquanto o carro simplesmente passava por cima dele e seguia em frente.
— Você se lembra? – repeti, me virando para encarar Daniel.
Ele assentiu, como se não visse problema algum no que dizia de repente.
— Você agiu como se nem lembrasse quem eu era! – exasperei.
Os olhos de Daniel se abriram um pouco mais, como se ele tivesse se lembrado de algo importante e depois ficaram dourados.
— Você mentiu pra mim? – perguntei, semicerrando os olhos.
— Porra Selene, claro que não! – ele respondeu rápido demais.
Daniel perdeu a paciência e estacionou o carro de repente.
Os pneus derrapando no asfalto deixaram um cheiro desagradável de borracha queimada e grama arrancada.
— Eu nunca menti pra você sobre nada – ele disse e deu um soco no painel – eu não me lembrava de você, mas ultimamente tenho me lembrado de algumas partes e não queria te dizer pra não lhe dar falsas esperanças.
Soltei uma risada irônica.
— Não se preocupe, eu não vou nutrir mais nenhum tipo de sentimento por você – eu disse e puxei a alavanca da porta, tentando abrir.
Daniel foi mais rápido e a travou.
Levantei as mãos para cima em rendição e as espalmei nas coxas, com raiva.
Sentia a pele arder no lugar e um arrepio na espinha.
— Eu sou um dragão, Selene – ele disse, quebrando o silêncio desconfortável.
Revirei os olhos e cruzei os braços, me recusando a olhar para ele.
Aquele tom de voz... Eu sabia que não poderia contrariá-lo se o encarasse diretamente.
— Você pode não entender a rivalidade entre nossas espécies porque cresceu como uma humana, mas eu fingia dormir só para ouvir as notícias que circulavam sobre mais um elfo que matava mais um dragão – ele disse.
Fiquei em silêncio.
Não era do feitio de Daniel conversar comigo daquela forma, não depois que seu lado humano adormeceu.
Ou se foi.
— Eu tenho certeza de que te amei muito um dia, mas não posso fazer isso de novo – ele finalizou e deu partida no carro – o máximo que podemos ser é colegas de classe. Vou ajudar você e seu pai com a situação de Vladimir porque isso se trata da segurança de todos.
— Claro – concordei com um aceno de cabeça – como eu já disse, sem problemas com isso.
Daniel assentiu e colocou o carro de volta no asfalto.
Ainda de braços cruzados, belisquei a carne entre as minhas costelas, me proibindo de chorar.
Dragões eram sempre idiotas como ele?
Não.
Seth era um idiota diferente.
Ao menos ele não negava o que sentia por Solara, mesmo sendo um completo dragão.
Estúpido Daniel. Ele podia ter me esquecido e perdido tudo o que sentia por mim, mas se tivéssemos essa conversa antes, eu não estaria naquela situação.
Amando um dragão completo com a humanidade enterrada e sem um pingo de empatia.
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Deixei minha cabeça cair pesadamente sobre a almofada no sofá e zapeava a TV que estava com defeito.
A tela granulada e o chiado barulhento combinavam com a minha vida naquele momento: sem sintonia.
Ergui a mão e encarei o anel negro que Tanatos me dera. Estava tão acostumada a usá-lo que nem me lembrava de sua existência.
— Você bem que podia ter utilidade – murmurei para o objeto inanimado.
Sem resposta.
Suspirei e me levantei, procurando meu pai pela casa.
O encontrei em seu quarto, a porta entreaberta e seus olhos vermelhos fitando um livro com concentração especial.
Eu precisava me acostumar com aquilo.
Pigarreei e bati na porta, ainda que estivesse aberta.
Ele não me olhou, mas sorriu e assentiu, o que entendi como permissão para entrar.
— Está fazendo algo importante? – perguntei.
Ele ajeitou a postura e finalmente me direcionou o olhar.
Ainda que fossem duas órbitas vermelhas em sua pele pálida demoníaca, exalava o típico carinho do Sr. Red.
— Me desculpe se não tenho sido um bom pai humano – ele brincou e fechou o livro depois de marcar a página.
— Não – sorri – você é ótimo.
Ele sorriu e bateu no colchão, me convidando para sentar ao seu lado.
Aceitei de bom grado.
— Você tem livros? Digo, livros sobre o nosso mundo – perguntei.
Ele pegou o exemplar que lia e o depositou em minha mão.
— Claro – respondeu como se fosse óbvio – os que consegui salvar da biblioteca real antes de tudo sumir nas sombras e fogo. Também outros que consegui encontrar durante os anos em outros lugares.
Alisei a superfície porosa da capa do livro. Era como uma pedra pomes negra, o que me fez pensar que talvez fosse feita de lava de vulcão.
— Algum deles é sobre híbridos? – perguntei.
Papai franziu o cenho e assentiu, compreendendo.
— Os híbridos não são muito estudados, Selene – ele explicou – não são muito bem vistos em nosso mundo.
— Isso é sério? – soltei uma risada indignada.
Ele assentiu.
— Mas tenho livros sobre muitas raças – ele se levantou e apertou um pequeno botão que nunca tinha notado em seu closet.
Em poucos segundos a parede se voltou para dentro e virou do avesso, revelando uma estante de livros muito bem cuidada.
Me levantei também e fui até ela, maravilhada.
Eu podia sentir a energia que emanava das páginas daqueles livros. Como se elas me chamassem para lê-los, como se precisassem daquilo.
Delaryon começou a pegar alguns livros, como se soubesse exatamente o que eu queria.
— Esses três são sobre elfos, cinco sobre demônios e... – ele procurava por outro com uma dose de incerteza – esse é sobre dragões.
— Hmmmm... – bati os pés no chão, incerta e envergonhada – eu não preciso do último.
Encarei o chão branco e brilhante sob nossos pés.
Era óbvio que eu estava curiosa sobre a raça de Daniel e Seth, mas sabia que pequenas decisões como aquelas só aumentavam o meu interesse no dragão dourado.
O que era totalmente o contrário do que eu estava tentando fazer.
Papai me encarava com seus olhos cor de sangue, avaliadores.
Não duvidaria se descobrisse em algum momento que ele podia ver minha alma.
Bom, eu podia.
Com meu olho negro.
Só não o usava porque a) me sentia uma invasora da privacidade alheia, b) isso me rendia uma boa dor de cabeça e c) eu tinha medo do que poderia ver.
Especialmente se a pessoa a ser vista fosse papai.
— É importante conhecer seus aliados e inimigos – papai virou as costas para mim e pegou mais um livro – por isso, leia um sobre vampiros também.
Sorri, um tanto sem jeito e surpresa.
Ele estava me dando uma desculpa para saber mais sobre Daniel?
Aquilo era estranho. Ele deveria ser o que menos aprovava qualquer tipo de relacionamento amigável entre nós, mas pelo que eu já vira e ouvira, papai estranhamente gostava do dragão.
Delaryon deu uma piscadela para mim, se sentou novamente e voltou a ler seu misterioso livro.
— Bons estudos – ele disse enquanto eu caminhava para fora do seu quarto.
E a porta se fechou sozinha.

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