The Forest City
9 Capítulo 9 - Admitida
Notas iniciais
Cena fofinha de "enfim amizade".
– Você não devia estar na aula? — perguntou minha mãe franzindo o cenho.
Como se fosse normal ela congelar coisas.– Eu estou — respondi arqueando a sobrancelha.Ela voltou à sua expressão habitual e se voltou à Seth.– O que faz aqui? — perguntou em tom de que exigia uma resposta.– Vim ver de perto o que te trouxe pra cidade humana — ele se virou para mim com um sorriso torto — sinto vontade de vir mais vezes.Furiosa, minha mãe lançou estilhaços de gelo em sua direção. Saíram de suas mãos, como se ela fizesse issso sempre.– Fique longe dela — ela ordenou numa voz fria que condizia com seus projéteis.Ele entortou ainda mais o sorriso e um brilho sinistro passou por seus olhos. Ele estendeu a mão esquerda e um fogo violeta saiu dela. Seth o lançou em minha direção e antes que chegasse perto de mim, antes que eu tivesse qualquer reação àquilo, Daniel o apagou com um aceno de mãos.– Viu? Não tem como eu fazer nada de mal à ela — provou Seth como se aquilo fosse engraçado.– Seja lá o que vocês querem conversar ou de que forma pretendem se matar, façam isso fora da minha escola — disse eu com a voz falhando.Yukina me olhou como se lembrasse pela primeira vez que eu nunca tinha visto nada daquilo. Que eu não sabia de nada. Então ela pegou minha mão e me puxou escola àfora correndo. Mas eu não estava com medo. Como sempre, eu não sentia nada.Chegamos a um Porsche Carrera preto e ela abriu a porta do passageiro para mim, me empurrando para dentro. Aquela garota tinha uma força surpreendente. Yukina assumiu o volante e cantou pneu, me levando para longe da escola. Eu não sabia de quem queria estar mais longe, de Seth ou de Adalind.– Você precisa saber algumas coisas sobre nós — começou ela.– Eu não quero — respondi encostando a testa na janela fria.Soei como uma criança emburrada. Não gostei disso e reprimi a irritação mordendo o lábio inferior até sangrar.– Mas você vai saber — disse ela firmemente decidida.E de repente me questionei quem era a verdadeira Yukina. A saltitante e glamourosa estudante ou a misteriosa e autoritária de agora?– Mesmo durante esse pouco tempo não se perguntou "se minha mãe é capaz de fazer aquilo, do que EU sou?"? — ela continuou e o velocímetro voava.– Não estou interessada — me virei frustrada — gosto da vida comum que tenho.Yukina freou bruscamente e estávamos no meio do nada. Será que ela também soltava fogo ou estilhaços de gelo?– Não — respondeu ela reprimindo o riso — eu não sou como sua mãe.– Então o quê? — perguntei irritada com minha própria curiosidade — lê mentes?Ela passou a unha descascada nos lábios e pareceu pensativa.– Posso fazer isso se quiser, mas não. — respondeu.Balancei a cabeça afastando meus pensamentos curiosos. Eu não precisava saber. Ela batucou o volante esperando pacientemente eu me decidir.– Vou contar ao menos sobre mim — ela balançou a cabeça e se virou para mim com um olhar sério — não surte.A olhei tentando imaginar o que ela seria. Mal conseguia acreditar que eu estava levando aquilo numa boa e principalmente, que estava acreditando no que vira.– Sou uma feiticeira — ela jogou o cabelo para tras — e minha aparência não é nada ilusória.A encarei em silêncio por alguns minutos e depois, não consegui deixar de rir. Levantei a cabeça e gargalhei tanto que batia no banco de couro e tentava recuperar a respiração. Ela tentava se manter séria, mas seus lábios tremulavam indicando que ela também queria rir.– Estou falando sério, Selene — ela franziu o cenho perdendo a paciência de repente.– Eu sei que está falando sério — consegui dizer controlando o ataque de riso e torcendo o nariz.– E então... — ela me olhou pelo canto do olho esperando alguma reação.Eu dei de ombros.– Eu disse, não me importo — murmurei — não quero saber.Yukina deu um soco no volante, frustrada.– Sabe quantas vezes eu ensaiei pra te dizer isso? — ela disse rangendo os dentes — É importante PRA MIM!Fiquei em silêncio por cerca de meia hora e Yukina se remexia fazendo barulho no banco de couro.– Qual é a diferença entre uma feiticeira e uma bruxa? — perguntei para aliviar a tensão.Ela se virou animada, voltando à Yukina saltitante que estudava comigo. E que queria ser minha amiga mais do que qualquer coisa.– Uma bruxa pratica magia E TAMBÉM segue uma religião, servindo à deuses pagãos — respondeu ela — uma feiticeira simplesmente pratica magia.Assenti. Fazia sentido. Então uma bruxa era uma feiticeira mas uma feiticeira não necessariamente era uma bruxa. Roí a unha do dedão pensando nisso. Como eu conseguia acreditar naquilo tudo? Tentava ficar incrédula, mas acreditaria em Yukina até mesmo se ela dissesse que nascera um olho a mais em mim do dia pra noite. E me dei conta de que agora ela era minha amiga. De que mesmo que eu não tivesse sentimentos, a pessoa que eu mais chegava perto de amar além de meu pai, era ela.Mas desde quando? Quanto tempo é o suficiente pra surgir uma amizade?– Selene? — Yukina me chamou preocupada.– Sim? — respondi pulando.– Está tudo bem? Quero dizer, eu ser uma bruxa e tal... — ela perguntou ansiosa.
Assenti com força demais, fazendo minha franja se esparramar pelo meu rosto e ela abriu o mais largo e feliz sorriso que já vi em toda a minha vida.– Vamos, vou te levar pra casa do Daniel — decidiu ela dando ré.– Mas ele agora tem visitas... — pensei alto.– Seth não vai ousar te fazer mal. — ela disse com certeza — ele pode ser cruel e ter problemas mentais, mas pude ler a aura dele no momento em que viu você.– E isso quer dizer o quê? — arqueei uma sobrancelha.Ela me olhou como se fosse óbvio.– Que ele se interessou por você — respondeu — provavelmente vai tentar fazer uma aproximação sarcástica, mas só está curioso.– Que curiosidade inocente — revirei os olhos e cruzei os braços.Ela riu.– Além do mais, eu vou estar com vocês — disse Yukina suspirando feliz — vamos fazer nossa primeira noite de pijamas!– Não seria festa de pijamas? — corrigi me arrependendo logo depois.– Sim! Isso mesmo — ela gritou animada.E graças à insistência de uma feiticeira, eu consegui não só ter uma amiga, mas ser a amiga de alguém.
Fale com o autor