The Forest City

75 Capítulo 75 - Preocupada


Notas iniciais
Olá! Não achei o capítulo 100% porque estou um tanto de mau humor e isso afeta a história hahahah Enfim, me digam a opinião de vocês nos comentários! Beijos. PS: QUE CALOR É ESSE??????? DANIEL, PARA DE SOPRAR!

Pedrita desviou com facilidade, mas ouvi outro som gutural.

Dessa vez não foi um meio-dragão que saiu da caverna, destruindo todo o teto e chão.

E sim um dragão inteiro de sete metros de altura.

Roxo.

Tinha dois chifres na cabeça e um no nariz.

Seus olhos eram lilases e familiares, em suas costas tinham espinhos (e não esporos, como em Daniel).

Ele agarrou as beiradas do precipício e soltou outro som animalesco e furioso.

Da boca saiu uma fumaça negra que se dissipava no ar lentamente.

Pedaços de rocha caíram na lava e alguns outros voavam de volta com um chiado.

Ele dobrou as pernas e num impulso voou até o outro lado.

Daniel tapou minha boca e meu nariz com suas mãos escamosas, cheias de garras e dourada.

— Não respire — ele advertiu.

Assenti, assustada.

Sabia que Seth era um dragão venenoso, só não sabia que…

Bem, que era tão venenoso assim sem nem fazer um esforcinho.

A aura em volta de Seth era totalmente densa e eu sentia minha pele queimar como se a própria lava embaixo de nós tivesse me tocando.

Daniel me afastou do irmão.

Agora Pedrita estava encurralada: Daniel atrás e Seth em sua frente.

Meu pai aproveitou a distração para se soltar das correntes com um grunhido nada humano e as arrancou de seus braços com as mãos.

Os demônios tentaram contê-lo, mas Delaryon simplesmente os parou com as mãos.

E num movimento leve, suas cabeças foram arrancadas do corpo e o sangue negro jorrava.

Os olhos de Pedrita demonstraram desespero.

Ela olhou para as sombras em busca de socorro, mas não havia mais ninguém ali.

Todos fugiram.

Meu pai riu.

— Ninguém seria tolo o suficiente para enfrentar os dois irmãos dragões — ele disse.

Seus olhos vermelhos encaravam a demônio com ódio.

— Mais pessoas de onde eu vim tem o mesmo propósito! — ela disse, olhando freneticamente para os lados — já é hora de você assumir o trono!

Meu pai torceu a boca.

— Eu decido quando assumir o trono — disse.

E eu vi algo que provavelmente não deveria — ou queria — ter visto.

Meu pai — sim, o meu pai que lavava louças com avental feminino e se preocupava com minhas amizades na escola — arrancou um dos braços de Pedrita (usados por ela para se defender do ataque).

E o mordeu.

Profundamente.

Eu podia ver o sangue escorrendo.

Daniel abriu uma de suas asas e tapou minha visão.

Fiquei estática, ainda segurando a respiração e temia não conseguir continuar o fazendo.

Insisti em assistir a tudo através de uma parte em que a asa de Daniel era tão fina e macia que eu podia enxergar o outro lado.

Seth decidiu acabar com aquilo de uma vez.

Agarrou Pedrita com as grandes garras de dragão e com sua boca gigantesca arrancou a cabeça da guardiã.

Ela gritou, mesmo quando sua cabeça rolou no chão.

Amaldiçoou Delaryon em alguma língua que eu não sabia traduzir, mas pelo tom de voz usado e pelo nome pronunciado eu sabia do que se tratava.

Seth se irritou com o falatório e pisou no corpo inerte com uma das patas gigantescas.

Ouvi um creck.

Seth, não se contentando apenas com isso, baforou seu veneno no corpo e Daniel completou cuspindo fogo.

Não aguentei mais segurar a respiração.

Uma inalada curta foi o suficiente para eu me sentir zonza.

E desmaiar.

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— Ela está acordando — ouvi uma voz comemorar.

— Shhh, não fica em cima — ouvi Yukina chegar mais perto.

Senti vontade de rir.

Abri os olhos e enxerguei tudo embaçado.

— Selene? — Seth surgiu, preocupado.

Me sentei e esfreguei os olhos.

Olhei para os meus braços.

Estavam cheios de feridas, descascando.

— O veneno fez isso — Iria disse — você teve a sorte de sobreviver, seu sangue já estava quase todo envenenado.

Minha visão se estabilizou e me senti faminta.

— Imaginei que sentiria fome depois de um dia inteiro dormindo — Yukina disse — já volto!

A japonesa baixinha saiu pela porta do quarto e trombou com outra pessoa.

Daniel desviou e entrou, sendo seguido por Liam.

— Ele queria vê-la — resmungou o dragão dourado e saiu.

Não me surpreendi com sua reação, ele provavelmente pensava que fora um incômodo me salvar.

— Selene — Liam chamou, colocando a mão na minha testa — você está bem?

— Sim, só um pouco zonza — respondi.

— Isso é porque você foi envenenada, dã — Iria revirou os olhos — ainda tem muito no seu organismo.

Os olhos de Liam demonstravam preocupação ao extremo.

— Eu posso sugar um pouco do veneno — ele disse — se você concordar.

— Não há necessidade disso — Daniel interferiu, surgindo novamente na sala.

Ele estava com as sobrancelhas juntas, parecendo irritado.

— Ao menos assim o corpo dela irá criar certa imunidade a Seth — ele explicou — encare isso como um treinamento.

Liam cruzou os braços e encarou Daniel.

Pude sentir em nossa conexão seu desejo de matá-lo e o quanto ele se controlava para não voar no pescoço de alguém ali.

— Eu concordo com Daniel — confessei — não posso simplesmente ficar incapacitada cada vez que Seth tiver que lutar em sua forma verdadeira, eu quero ajudar.

Seth sorriu de lado, charmoso e bagunçou meus cabelos.

— Essa é minha Selene — disse, se aproximando do meu rosto — sempre querendo ficar cada vez mais pertinho de mim.

Revirei os olhos e o afastei com as mãos.

Yukina voltou com um saco gigante que tapava sua visão e Iria colocou o pé em seu caminho para rir da baixinha tropeçando.

Mas a lobisomem se esqueceu com quem estava lidando: Yukina desviou facilmente e ainda fuzilou a morena com olhos de gato.

— Só pra testar — Iria mentiu e desviou o olhar.

Yukina abriu o saco e de dentro tirou várias coisas.

Várias mesmo.

Presunto, mussarela, peito de peru, pães de forma, uma garrafa com suco natural e até mesmo um saco de Doritos tamanho grande.

Ela fez um sanduíche com tudo aquilo e encheu um copo grande com suco.

— Coma tudinho! — disse, me entregando.

— Er… Obrigada? — eu disse.

Yukina sorriu.

— Vamos, vamos todo mundo deixar nossa elfa diabinha em paz! — ela bateu o pé.

Seth saiu resmungando e Iria foi de bom grado.

Daniel e Liam continuavam se fuzilando com os olhares numa briga silenciosa e saíram juntos.

A bruxa me deu um abraço apertado.

— Fique bem, Sel — ela disse — durma, já é madrugada e precisa se recuperar.

Antes que eu pudesse engolir o resto do sanduíche para lhe responder, a baixinha já tinha saído e fechado a porta atrás de si.