The Fog Fall

2 The Survivors


A luz do sol invadiu seus olhos através dos vidros da máscara. Olhou em volta. Tinha vegetação ainda de pé. Algumas árvores caídas. Mas estava ali. Sua casa, destruída. Caminhou por cima dos entulhos, uma sensação estranha se apoderando de seu corpo. Mais perguntas em sua cabeça. Sentiu-se fraco. Os medidores de radiação mostravam que ainda não podia ficar ali sem roupas especiais. Caminhou. Nenhum rastro de vida por ali, além das plantas. A casa era um pouco afastada da cidadezinha, por isso teria que caminhar até chegar lá. Mesmo não podendo sentir nenhum cheiro, podia imaginar o odor podre da morte pairando por ali.

Caminhou por algum tempinho, até alcançar a cidade. As ruas estavam desertas. Os prédios acabados. Na porta de um casebre, um homem sentado, provavelmente um soldado, pois estava armado e coberto até os dentes. Sorriu por dentro da máscara, Aquilo podia ser sua esperança. Correu até o homem.

— Senhor? — disse, se aproximando devagar. O homem não se moveu.

Andou devagar em sua direção, e o puxou pelo ombro. Sufocou um grito. Através das lentes quebradas dos óculos que usava podia se ver a carne podre. Havia sido pego pela radiação. Álvaro respirou fundo. Não era tempo para frescuras, sabia que encontraria muitos daqueles ainda.

Pegou o fuzil que o soldado tinha em mãos e sua munição e os equipou. Em uma das botas, uma faca de lançamento. E no bolso, uma carteira com dinheiro, que se somou ao que já tinha, e identificação. Fernando Dior. Que Deus o tenha. Pegou a identificação que não tinha foto, poderia usar aquela identidade, além o colar com duas chapas de ferro, que o identificava como soldado. No coldre, outra pistola, que foi levada. Precisava se prevenir. Deveria ter algum motivo muito forte para os pais não terem o levado na primeira viagem, e seja lá qual fosse, estaria preparado. Depois de tudo pronto, puxou o cadáver para um monte de folhas secas.

Agora, até que encontrasse seus pais, seu nome era Fernando. Como a mãe disse, em tempos de crise, as pessoas não eram confiáveis. Terminou de cobrir o cadáver, e continuou andando pela rua deserta.

Entrou em algumas casas. Todas vazias. As lojas, destruídas ou saqueadas. Em alguns lugares encontrava restos de cadáveres, afetados pela radiação. Alguns pareciam que tinham sido atacados por animais selvagens. Estranho. Enquanto procurava, acabou pegando alguns objetos que julgara interessante ou talvez fosse precisar no futuro: Um canivete suíço, algumas jóias, uma câmera Polaroid que não funcionava. Talvez pudesse consertá-la mais tarde. Mas, nenhum rastro de vida por ali.

Quase perdeu as esperanças, quando escutou um estouro. Um tiro, pensou. Correu na direção. Do estrondo. Vinha do posto de gasolina. Parou a alguns metros. Uma discussão dentro do escritório. Então ainda tinha gente na cidade! Ficou em dúvida se aproximava ou não. Optou por ir. Talvez não tivesse outra chance.

Bateu na porta, que estava entreaberta. Silêncio.

— Quem vem lá, e o que você quer? — uma voz disse do outro lado da porta. Escutou o barulho de armas sendo destravadas.

— Meu nome é Fernando Dior! Eu quero ir para Cuppertown, sabem como faço?

A porta se abriu num supetão. Um homem alto, gordo, de cabelos loiros, pele muitíssimo clara e barba por fazer se postou na frente. Álvaro pode notar, que o rosto e braços do homem estava repleto de feridas, provavelmente causados pela exposição à radiação. O homem encarou Álvaro dos pés a cabeça, Torceu um pouco o nariz, e abriu passagem.

— Entra logo. ‘Tá quase ficando de noite.

Assim que entrou na sala, notou que tinha mais duas pessoas. Um, tinha porte atlético e alto, mas não podia dizer mais nada sobre ele, pois estava coberto com uma roupa igual a sua. O outro era um japonês, de cabelos espetados, tinha as mesmas feridas que o homem gordo. Sua pele estava queimada pela exposição ao sol.

— De onde você veio. Fernando? — Perguntou o homem gordo após o garoto colocar a mochila e o fuzil em cima de uma bancada. Os dois homens que estavam na sala o encararam, ariscos.

— De um abrigo aqui perto.

— O militar, debaixo da ex-casa do coronel?

— É.

— Tinha uma família lá, o que aconteceu com eles? O que você estava fazendo lá?

— Sou um amigo da família — mentiu. Só precisava convencer alguém a levá-lo para seu destino, se possível. — Eles foram pra Cuppertown, e eu preciso chegar até lá, pra encontrar com eles. Tem alguma forma de vocês me ajudarem?

O homem gordo pareceu refletir por um segundo.

— Eu posso te levar lá. Mas, tudo tem pagamento, O que você tem pra dar?

— Tenho dinheiro...

— Pfftz... — o homem soltou uma gargalhada — Isso não vale nada, cara. Sinto muito.

— Sei lá. — Álvaro encarou os dois homens desesperado, esses nem pareciam dar atenção para a negociação — Tem armas, tem bugigangas que eu achei na cidade, tem um pouco de comida e...

— Pera aí, você disse comida? O que você tem de comer? — dessa vez, os olhares da sala recaíram sobre si.

— Dois enlatados e umas barras de cereal.

— Tá ótimo. Partimos ao amanhecer. Prazer, Fritz. — ele esticou a mão e Álvaro retribuiu o cumprimento. — Aqueles dois são Rato — apontou para o japonês — e Oz — apontou para o homem na roupa especial.

— Então, seu nome não é Fritz, certo? — perguntou, mais como um comentário.

— Da mesma forma que o seu não é Fernando, Fernando Dior é o nome do soldado filho da mãe que matou um colega meu. — se Fritz pudesse ver o rosto de Álvaro, poderia notar a surpresa dele. — Somos espertos, cara. Já reviramos essa merda toda. Mas você fez bem em pegar a identidade dele. O cara é influente pras bandas que você quer ir.

— Ok, então. — se recostou em um caixote. Rato raspava uma faca em um pedaço de madeira, na pretensão de mantê-lo fino — E por que só vamos de manhã? Tem algum problema de noite?

— Qual é a tua? Saiu do coma, é? — “Quase isso...” Pensou Álvaro — Tem uns negos que sobreviveram à radiação. Só que estão terríveis. Sabe, não tão pensando direito. Comem tudo o que vêem pela frente, atacam qualquer um sem pensar. São uns animais. Só saem de noite, por que a radiação solar queima demais a pele deles.

Álvaro refletiu por alguns segundos. Será que era por isso que os pais partiram sem ele? Era uma explicação bastante plausível.

— Posso passar a noite aqui? — perguntou. Era de certa forma inconveniente voltar para o abrigo, tendo em vista que estava quase anoitecendo. Mas não estava com cansado, ou com sono. Muito pelo contrário, se sentia revigorado.

— Só se for fazendo vigia noturna com o Oz. Malandro aqui não tem folga.

— Beleza. — Oz se levantou, e foi para um canto, onde tinha várias armas entulhadas. Álvaro optou pelo fuzil que pegara de Fernando. Não fazia idéia de como se atirava, Mas não tinha escolha. Ou aprendia na marra, ou morria na boca dessas feras que passeavam por aí.

Notas finais
Baah, aqui se encontra o capítulo dois. Uma coisa que eu quero avisar (isso, é, se tiver alguma alma viva lendo isso) é que alguns caps tão sujeitos a modificações. Nada grave que afete a história, mais erros que notei enquanto relia.* Como a história se passa nos Estados Unidos (para onde as bombas estavam apontadas, segundo a wikipédia) o apelido original seria Rat. Mas, eu sou chata, e decidi traduzir;