The Flavor Of Life

8 Toya e Kureno - revelações - parte II


“Não pode ser... Ele... Ele...”.

A dor era tão grande que Keitaro não saia se ira suportar. Se sentiu ódio? Claro que sim. Se quis matar Tora naquele exato momento? Talvez. Mas o que mais o angustiava era o fato de que ainda o amava. Olhar os dois e se lembrar dos encontros que tiveram e perceber que Toya não o pertencia, que talvez nunca o pertencera.

- Kei...

Toya desvencilhou-se de Kureno e o pior lhe veio em mente.

- Keitaro! – O professor foi em sua direção – Não é o que você está pensando...

- Não me diga nada... – Keitaro virou-se.

- Espere! – Toya correu para alcançá-lo.

Mas o garoto não parou.

- Por que seu rosto está vermelho? Não me diga que... Foi o Kitano?

- CALA A BOCA – Keitaro gritou ainda sem manter o contato visual – Olha o que você fez! Pare de falar no Kitano. O que você fez...

As lágrimas rolaram livres por seu rosto.

- Eu posso explicar Keitaro...

- NÃO! VOCÊ NÃO PODE!

- Eu gosto de você – Gritou o outro, exasperado – EU AMO VOCÊ!

- HOJE... Hoje é a última vez que vou ouvir sua voz, Toya – virou-se para o professor – Seu amigo Kureno poderá ouvir e apreciar suas declarações de amor falso.

- Por favor Keitaro...

As últimas palavras do professor saíram abafadas. Keitaro tampou os ouvidos e saiu correndo. Toya fez menção de segui-lo, mas Kureno o agarrou.

- Deixe o garoto ir Toya.

- COMO?- gritou – DEPOIS DO QUE O KITANO FEZ VOCÊ QUER QUE...

- Sim, eu quero. Ele precisa esfriar a cabeça. Kitano deve ter falado coisas pra ele.

- Preciso explicar o que aconteceu Kureno.

- E que pensa em dizer?

- A verdade.

~

Keitaro dirigiu-se automaticamente ao metrô. Tinha certeza de que seu rosto estava manchado de lágrimas e ainda vermelho. Tinha certeza que várias pessoas o olhavam. Mas não se importava com elas. Porque na sua mente só havia uma pessoa. E ela ocupava todo o espaço. Toya.

~

A luz fraca que entrava pelo quarto fez com que Keitaro acordasse. Pelo visto sua febre diminuíra durante a noite. Tateou em busca do rádio relógio. 12:30. Não conseguiu se lembrar que dia era, ou há quanto tempo não ia à escola.

- Olá, que bom que veio.

Era a voz de sua mãe. Bem fraca atrás da porta como se não quisesse acordar alguém.

- Não sei se ele já acordou, mas você pode tentar, o quarto dele é logo naquele corredor.

Keitaro esperou alguns segundos até ouvir uma batida leve na porta. Esperou mais um pouco e ela se abriu.

- Kei...

...

- Gabriel? – O garoto, ainda deitado apertou os olhos contra a claridade. Seus olhos estavam inchados e seus cabelos despenteados, mas Gabriel sorriu para o amigo.

- Posso entrar?

- Pode...

Gabriel fechou a porta ao passar. Sentou no chão perto à cama de Keitaro.

- Faz dois dias que não vai à aula, fiquei preocupado – o amigo concordou com a cabeça — Sua mãe falou que estava com febre...

...

- Obrigado por vir.

Gabriel olhou o amigo. Mesmo com ar cansado e doente ele parecia bonito, meigo.

- Não foi nada.

Keitaro se levantou e se juntou à Gabriel.

- Obrigado também por aquele dia... Na sala do Kitano.

- É sobre isso que eu queria falar Kei. Fiquei muito preocupado com o que aconteceu.

- Não quero falar nisso...

- Precisamos falar disso Kei. O professor Toya anda muito preocupado, o que está acontecendo?

- Eu... Eu acho melhor não te meter nisso Gabriel. Gosto muito de você, talvez se você soubesse... Isso poderia estragar nossa amizade.

- É você e o Toya? Você pode me contar, você sabe disso.

- Não quero tocar no nome dele de novo Gabriel, por favor – seus olhares se encontraram.

- Então...

As mãos de Gabriel percorreram o rosto de Keitaro. Sentiu seu rosto quente e delicado. Sentiu que devia protegê-lo. Seu coração batia forte. Pode sentir que o de Keitaro também batia assim. Sussurrou alguma coisa. Se aproximou e encostou seus lábio nos do amigo.

- Gabriel...

- Me desculpe Keitaro... Eu gosto tanto de você. Não me dê um susto desses de novo...

Gabriel abraçou Keitaro fortemente e esse o retribuiu. Keitaro não tinha forças para raciocinar o que seria certo ou errado. Não tinha vontade de resistir a nada, muito menos aos afagos do amigo. Encostou-se em seu ombro sem demora.

- Gabriel, talvez o que estamos fazendo seja errado, afinal... – Keitaro ergueu os olhos para olhar o amigo.

- Não me importo... Desde que você esteja bem. Desde que volte a sorrir.

Keitaro sentiu-se protegido nos braços de Gabriel, sentiu que poderia ser algo bem maior que uma amizade. Aquele beijo, também roubado não o fez tremer, não o fez sentir-se mal, pelo contrário, foi bom, confortante. Mas não estava certo. E se no final acabasse em decepções como outras vezes. Acabou não pensando mais nisso. Fechou os olhos e permaneceu ali.

~

Mais um dia e Keitaro já não tinha sinais de febre. Combinou com Gabriel que iria à aula. Um pouco mais animado arrumou seu material, que o amigo havia lhe entregado, e foi para o colégio. Meio distraído passou por um homem sem notar muito sua presença, mas alguns segundos depois percebeu que o conhecia. Kureno.

- Olá Keitaro.

O garoto desviou-se sem olhar o sujeito, já com a raiva invadindo sua alma.

Mas o homem pousou suas mãos em seu ombro e o menino acabou se virando para se desvencilhar de Kureno, mas se surpreendeu com os olhos dele. Eram gentis, um bem escuro e outro de um cinza meio claro. “Como os olhos enganam” pensou Keitaro fechando a cara.

- Precisamos conversar Keitaro.

- Sobre o que? – Perguntou Keitaro hostilmente.

- Venha comigo.

Notas finais
A qualidade desse capítulo é beeem duvidosa, ainda mais depois de tanto tempo se escrever, né? Vocês mereciam um capítulo melhor, mas eu realmente não estou com o estado piscológico favorável pra isso, ok? Gomen. Ah tbm devo umas explicações né? Escrevi boa parte dessa história durante a viagem, quando voltei não tinha tempo nem mesmo de ligar o computador, resultato, mais de um mês sem fic. Agradeço os comentários e espero que não tenha ficado tão ruim. see ya o/