The Flavor Of Life
11 Capítulo 11
Notas iniciais
- Kitano!!!- Keitaro gritou. Talvez por instinto.
- Fique fora disso! – gritou Kitano em resposta.
O tempo parecia ter parado. Ninguém se movia. Kitano estava fora de si e a raiva que guardou por todo aquele tempo parecia consumi-lo de uma só vez aquela tarde.
- Kitano, você não precisa disso – Kureno tentou persuadi-lo.
- Cale a boca! Quero ouvir da boca daquele filho da mãe que se arrepende! – Kitano sacudiu a arma.
Toya olhou para Keitaro. E não foi preciso palavra alguma para que o garoto o perdoasse e pedisse perdão. Sentiu seu coração apertar, talvez se tivesse acreditado em Toya nenhum deles estaria naquela sala, nenhum deles correria perigo.
- Kitano... – chamou o professor, cansado.
- Mandei... Ficar quieto – falou ameaçadoramente – Foi culpa sua... Toji... Você o matou!
- Não... Ele fez...
Kitano apertou o gatilho acertando o teto. Aya, apoiada no ombro de Gabriel, e Keitaro gritaram ao mesmo tempo.
- Mais uma vez e a próxima será na sua cabeça!
A sala voltou a ficar silenciosa.
- Vou... Vou buscar ajuda! – Aya fez menção de sair da sala correndo.
- Ninguém Sai... Ninguém entra! Essa história termina hoje, aqui. Vai se arrepender por ter tirado meu filho de mim.
Toya respirou fundo, o medo que já o invadira agora tomava cada pedacinho do seu corpo, paralisando seu cérebro, suas pernas e seus braços. Sentiu que acabava ali, sentiu que não iria escapar. Sentiu toda felicidade dos últimos dias escorrendo entre os dedos.
- Já disse... Kitano... – uma lágrima escorreu em seu rosto – Eu e seu filho... não tivemos nada.
- São suas últimas palavras?- os olhos de Kitano também se encheram d’água. Suas mãos trêmulas apertaram ainda mais o revolver.
- Kitano! – Kureno, desesperado, tentou mais uma vez – O que vai ganhar se matá-lo??? Você será preso! Sua vida vai acabar!
Kitano virou o rosto lentamente para encarar o outro.
- A minha vida acabou... No momento em que perdi meu filho.
Suas palavras pareciam a sentença. Sem mais discussões, sem mais choro ou lágrimas. Mais uma vez apontou a arma para o rosto de Toya, tremendo mais do que em qualquer momento de sua vida. “Tudo acaba hoje... Tudo”.
- Mais alguma coisa a dizer, Toya? – Uma lágrima escorreu em seu rosto enrugado e cansado.
- Você não sente... Raiva de mim Kitano. Você sente raiva é do mundo... No fundo você sabe que eu não matei seu filho. Eu sei que sabe – Toya o olhava nos olhos – Mas se o que quer é me matar vá em frente. Sei que existem pessoas que se lembrarão de mim... Assim como você se lembra do Toji...
- Do... Do que está falando – As pernas de Kitano cambalearam.
- Toji te amava Kitano... Mas ele não agüentou mais, queria que tudo fosse diferente, mas não seria. E foi isso que ele me disse antes de morrer, que você era bom o suficiente para entender o que ele sentia por você.
Toya suspirou fundo tentando achar forças em algum lugar para poder continuar.
- Kitano... Não consigo ver em você nada do que Toji me disse aquela tarde...
Kitano abaixou a arma. Seus olhos se arregalaram como se o que ouvia não fosse verdade.
- O que está dizendo? Está louco?? Você o viu no dia, sabia que ele iria se matar! Por que não fez nada? Por que não me disse? Por que ele contou pra você e não pra mim?? É fácil dizer que ele me amava, mas não é fácil aceitar que ele se foi! Não me diga o que ele queria...
- Kitano – Kureno tentou se aproximar.
“NÃO ME PESSA PRA ENTENDER O QUE ELE FEZ! EU ERA PAI DELE!! NÃO É CERTO QUE EU O ENTERRE! PORQUE EU MORRERIA POR ELE SE PRECISASSE!... Eu... morreria... se precisasse”
Kitano mirou o chão, como se estivesse resolvido de que ali seria seu túmulo. Um som impossível de se distinguir veio das sombras que seu rosto produzia em seu peito. Apreensivo Keitaro pensou em pular em cima do professor para tentar pegar sua arma, mas seus planos foram interrompidos pelo que mais parecia um choro. Kitano estava chorando. Mas não eram muitas as lágrimas que escorriam. Eram seus gritos que faziam todos os ossos de Keitaro estremecerem. Kitano fechou os olhos como se assim pudesse ver alguma coisa, mas o que lhe aparecia era a escuridão, nada mais.
- Ele era meu filho... – Caiu de joelhos ainda chorando e gritando. Lembrou-se do dia em que seu filho e sua mulher morreram. Ele não chorou, não gritou. A dor que sentia naquele momento era a dor que sentiu naquele dia, mas era mais viva, era mais forte.
Kureno chegou mais perto para pegar a arma caída no chão, mas Toya ergueu a mão para impedi-lo. Aya afundou seu rosto ainda mais no ombro de Gabriel. Kureno ficou parado onde estava como Toya o havia pedido. Keitaro, assustado, se aproximou dos dois caídos no chão.
- Apenas... não se esqueça dele – Toya sussurrou para Kitano, cujos gritos e lágrimas reduziram-se a soluços quase mudos.
Toya olhou rapidamente para Kureno e logo depois em direção aos dois que se encontravam na porta. O amigo entendeu que deveria levá-los para fora da casa o quanto antes. Assim o fez. Gabriel demonstrou certa resistência, sem tirar os olhos de Keitaro, mas aceitou. Na sala só restaram os três, Toya, Keitaro e Kitano.
- Pode vir aqui me ajudar Kei? – Toya perguntou tentando um sorriso, que ainda assim era bonito.
- Cl-Claro! – sorrindo correu até o professor oferecendo o braço como apoio. Deram alguns passos e Keitaro olhou para o outro professor ainda caído no chão – Mas... e...
- Não podemos mais ajudá-lo Kei...
- Mas e a arma? Ele pode tentar alguma coisa... – sussurrou.
- Ele tem uma escolha a fazer – olhou triste – como seu filho teve. Só espero que ele faça a certa – Seu braço cruzou as costas de Keitaro e o conduziu até a saída.
Só fora da casa Keitaro respirou aliviado. Seus olhos se incomodaram desacostumados com a claridade.
- Obrigada Keitaro.
- Pelo que? Não pude fazer nada... Tive medo de que você morresse. Prometa que nunca mais vai se meter em problemas, ta?
- Por que está chorando? Está tudo bem – Toya sorriu – Estou aqui...
- E se não estivesse? – perguntou indignado.
Toya segurou Keitaro mais forte em seus braços.
- Eu sempre vou estar... E isso é uma promessa – beijou-o.
Notas finais
Tenho outra história em pensamento, mas não sei se coloco aqui para não acontecer o que aconteceu com essa...
kissu pessoas, nos vemos por aí o/
Fale com o autor