The First...

3 Metal e bocas não combinam


Notas iniciais
Olha só quem revolveu voltar a vida do submundo chamado final de período :D Mas falando sério, desculpem a demora. Eu tava atolada de trabalho pra entregar u.u but now it's all about freedom haha até março o// to amando minha faculdade no momento kk mas enfim, espero que gostem do capítulo e que comentem bastante, meus lindos... Boa leitura ^^

Ok, já tinha dado de situação embaraçosa, puxei a blusa para baixo e a calça para cima e saí andando dali o mais rápido que consegui sem correr. Resolvi ler a mensagem do Fefo para ver se eu parava com aquela agitação dentro de mim.

~*

“Falaê minha prima favorita e aniversariante do dia… 16 né Olí?? O tio Marcel disse q cê vai sair com a coisa 1 e a coisa 2 hahaha eii n faz essa cara, é brincadeira priminha. A culpa é sua q fez a gente assistir aquele filme quando moleque. Eu sei q suas amigas são legais, apesar da Ana alguma coisa ser chatinha, mas elas são suas amigas n minhas. De qualquer forma... manda um toque p mim avisando p onde cê vai p eu poder te dar um abraço e o seu presente e te apresentar p uns amigos meus, afinal família é p isso né priminha?? Hahaha deita e rola td mundo junto. Fica na paz pequena e parabéns... Ahh fala p traste q eu chamo de amigo fazer o favor de atender a porra do celular, valeu. Você é 1000” Felipe Prado para Olívia Luff

Ótimo. O mundo conspira para falar do Bento, só pode. E eu queria saber que merda eu estava pensando ainda pouco, ou melhor porque eu não estava pensando. É claro que aquele sorriso de menino travesso ajuda, mas é o Bento Molinari cacete, o garoto que olhou para mim com a pior expressão do mundo quando desafiaram ele a ficar comigo na sétima série por causa da porcaria de um aparelho que ainda fez o favor de cortar o lábio dele quando ele por sabe-se lá por qual motivo avançou de uma vez para me beijar antes de sair correndo da mesa que nem um pateta e eu voltar para casa chorando com as meninas e o meu primo no meu encalço... E eu gostava dele na época.

Flashback on

– Ana eu quero ir pra casa e assistir Buffy de novo ou talvez Cold Case... A Isabel nem gosta de mim. Ela só me chamou porque queria que eu trouxesse o Fefo comigo e ele já vem com o amigo dele – falei abrindo um sorriso ao falar do melhor amigo do meu primo, que segundo as meninas eu também posso considerar amigo.

– Ahh ta vendo, até sua paixão vem... — ela falou rindo.

– Fala baixo, Ziraldo. Você ficou doida?

– Ahh ta, ta bom. Mas para com essa de Ziraldo Olí, eu não sei desenhar... Poxa, isso acaba com a minha capacidade criativa, sempre que você fala isso eu me lembro da Maggie Grey. A professora da terceira série riu do meu quadro, isso tudo só porque a coitada da Maggie era calva... Pessoas calvas também merecem ser pintadas, senhorita Castanho – Ana começou a discursar como se a nossa professora da terceira série realmente estivesse ali. Não consegui me segurar, caí na gargalhada.

– Parou minha querida defensora dos fracos e calvos – falei ainda rindo – só vamos embora daqui antes que os meninos cheguem. A gente chama a Catê e vai lá pra casa fazer brigadeiro... Meu pai comprou sorvete ontem Ana – falei para ela, apelando para o doce.

– Jogada baixa essa sua Luff – ela falou cruzando os braços – vamos fazer assim... A gente fica até eu poder pegar um daqueles espetos de Marshmallow, aí a gente vai pra sua casa com a Catê me ajudando a trazer o resto dos doces dessa festa. Porque eu sei que você, dona Olívia, não vai sair catando docinhos comigo – ela falou, fazendo uma cara de tristeza.

– Isso, porque eu não sou morta de fome, Ana – falei rindo da cara dela.

– Meus amores, isso é uma festa... Sorriam – a Catarina chegou colocando os braços nos nossos ombros enquanto nos empurrava para mais dentro da casa – O seu primo tava te procurando Olí – ela falou virando o rosto para mim, fazendo os cachos grossos balançarem.

– Sabe Olívia, to achando sua ideia de brigadeiro e sorvetes muito atraente agora – a Ana falou e a gente riu.

– Deixa de ser criança Ana... O Felipe não é tão ruim e aposto que ele já roubou algum brigadeiro da mesa do bolo – falei rindo e avistando os meninos sentados numa mesa de canto junto de outras pessoas, eu paralisei vendo o sorriso do Bento, recheado de dentes brancos que nem a camisa polo que ele usava. Olhei para baixo, prestando atenção no que eu estava vestindo e já não me achei mais tão bem vestida. Pensando que aquele vestido rodadinho azul e as sapatilhas verdes eram infantis demais para alguém como ele reparar em mim, fora que o meu sorriso estava longe de ser tão bonito quanto o dele porque boca de metal nunca foi atrativo em ninguém. Agora mais que nunca eu queria estar em casa.

– Ei... Calma amiga. A gente só ta indo cumprimentar eles, Olívia – a Catarina falou, de frente para mim. Agora estávamos nós três paradas no meio da passagem.

– Vai, desabafa. Qual o problema? – a Analu disse, cruzando os braços.

– Ele nunca vai olhar pra mim – abaixei a cabeça, eu detestava o jeito que eu ficava quando estava perto dele – eu quero ir pra casa Meninas.

– Tem certeza? – perguntaram as duas quase ao mesmo tempo, me fazendo rir, mas elas me olhavam sérias.

– Tenho – falei, me virando para sair dali.

–Olí-linda – escutei a voz do Felipe gritando atrás de mim e fechei os olhos desejando que tivesse sido alucinação – Aonde você tava indo priminha? – ele falou já me abraçando por trás, me fazendo rir. Ele sempre foi um irmão para mim, meu melhor amigo.

– Pra casa. Eu já cumpri meu papel nessa festa... A Isabel já tem seu presente, então eu já posso ir. Arrivederci... – disse me soltando, indo para a porta onde as meninas esperavam de braços cruzados.

– Nada disso Olívia... Fica com a gente, eu até guardei lugar pra você e pro coisa 1 e coisa 2 – ele disse fazendo cara de pobre coitado.

– Já te disse pra não chamar minhas amigas assim, Fefo. Não tem graça – disse dando um tapa no braço dele e rindo – Estou comovida com a sua sensibilidade, priminho e fico realmente feliz que você tenha gostado tanto assim do filme favorito do meu irmão de três anos – falei apertando a bochecha dele e rindo ainda mais da careta que ele fez.

– Viu? Você ta rindo. Fica só um pouquinho, Olí. A gente acompanha você em casa depois. Prometo que vou me comportar com as meninas...

– Olívia, quero meu sorvete – a Ana chegou falando, acompanhada da Catê.

– Boa noite coisas – o Felipe falou olhando para elas.

– Felipe, você prometeu...

– Se você ficar. Eu ainda não escutei você dizendo que vai ficar, priminha – ele falou abrindo um sorriso maroto.

– Olívia, você não precisa ficar se não quiser – a Ana falou me olhando sério e a Catarina confirmou.

– Só até Marshmallows, aí a gente vai – falei e os três abriram um sorriso.

– Vamos sentar – o meu primo disse e saiu nos puxando. Chegamos na mesa e só duas garotas que eu não sabia quem eram acenaram para gente, nos cumprimentando. O Bento e o garoto com quem ele estava conversando não desviaram do papo que estavam tendo, pelo visto a conversa era boa. O Felipe sentou do lado desse garoto que eu não sabia o nome e eu sentei numa cadeira de modo que a Catê ficasse de um lado e a Ana do outro, e ela acabou ficando do lado do Felipe na outra ponta; o que me fez rir, mas eu parei assim que percebi que estava sentada de frente para o Bento e que ele estava olhando pra mim enquanto eu estava rindo. Eu detestava meu sorriso, o aparelho aparecia mais que a minha boca, parecia que ele tinha iluminação própria. Desviei o olhar e mordi o canto da boca de nervoso, queria não estar ali – Olívia, eu acho que você não conhece o pessoal. Aquelas são a Marisa – ele falou apontando para uma garota loirinha dos olhos castanhos, que abriu um sorriso em resposta – e a Fernanda – apontou para a menina ao lado que tinha os cabelos castanhos presos num rabo de cavalo – Esse aqui é o Matheus – ele disse apontando para o garoto que tinha covinhas enquanto sorria pra gente e uma falha acima da sobrancelha esquerda. Sem duvida resultado de uma queda, mas os olhos castanhos dele sem duvida chamavam atenção de tanto que eles brilhavam – ele estuda comigo.

–Oi meninas – ele fez questão de dizer, o que fez as meninas abrirem um sorrisão. Pelo visto, eu não iria embora tão cedo.

–Prazer – eu disse – essas são minhas melhores amigas...

– Ou coisa 1 e coisa 2, como eu chamo – o Felipe disse fazendo todos na mesa rirem, menos as meninas que fecharam a cara e eu que o fuzilei com o olhar, o que fez o sorriso dele morrer – ta bom, já parei...

– Como eu ia dizendo... Essas são Analu – disse apontando para minha amiga de olhos azuis e cabelos clarinhos, quase loiros, ainda sem a mecha azul candy do lado esquerdo e sem o piercing no nariz – e Catarina – falei mostrando a morena de olhos verdes – e meu nome é Olívia – falei abrindo um sorriso sem dentes. Ficamos conversando ali por um bom tempo naquela mesa, as meninas saíram para dançar com as amigas. O Matheus era engraçado e eu ficava rindo o tempo todo das implicâncias do Felipe e da Ana, mas em nenhum momento eu conversei diretamente com o Bento.

– Gente, o que vocês acham da gente jogar verdade ou desafio? – Catê perguntou quando a mesa ficou meio em silêncio. Eu consegui sentir minhas bochechas esquentando, porque eu tinha medo desse jogo e ele naquela hora tava meio que triplicado, porque eu sabia que isso era armação.

– Eu topo – o Matheus falou olhando diretamente pra Catê.

– Eu com toda certeza tô dentro – o Fefo disse rindo.

– Ainda não liberaram meus marshmallows, então por mim tanto faz – Analu disse dando de ombros, mas os olhos dela tinham um brilho de quando ela apronta. A única coisa que eu pensei era que estava ferrada.

– Ah... Pode ser – o Bento falou olhando pra mim diretamente pela segunda vez naquela noite. Eu continuei calada, sem me manifestar.

– Então Olí-Olí, vamos? – a Catarina me perguntou.

– Não, obrigada. Eu to tranquila – falei me levantando – to com sede, vou pegar uma bebida. Alguém quer?

– Ah Olívia, deixa de besteira. É só uma brincadeira amiga – a Analu falou franzindo o cenho.

– Eu não quero – disse decidida – ninguém vai querer? – perguntei de novo, desconversando.

– Eu quero – o Bento disse.

– Qual refri você quer? – perguntei sem olhar para ele, com as bochechas quentes.

– Deixa de ser folgado marmanjo – o Felipe disse – vai você com ela lá dentro pegar o seu refri e aproveita e pega uma garrafa vazia pra gente girar. Ahh... Traz uma cheia também pra gente beber – ele terminou rindo e piscando um olho pro amigo que o olhava irritado. A mesa explodiu em risos, mas eu continuei quieta.

– Eu só vou com ela porque sei que a Olívia não vai aguentar trazer tudo sozinha e o primo pateta dela é um inútil que não ajuda em nada – ele levantou rindo, parando do meu lado. Meu coração parecia uma escola de samba de tanto barulho que fazia, ele nunca me chamou pelo primeiro nome, sempre quando falava comigo era Luff isso ou Luff aquilo. Adorei ouvir ele me chamando pelo primeiro nome, era quase como naqueles filmes que o cara fala o nome da garota meio que pra testar se é isso mesmo – Vamos? – ele perguntou.

– Ok – falei ainda sem olhá-lo e segui o caminho de cabeça baixa. O aparelho estava incomodando, tinha ido à revisão dois dias atrás, o que me fazia ficar passando a língua por cima de modo irritante. Chegamos ao balcão de bebidas e coloquei um copo de Sprite para mim e me assustei ao ver o Bento colocando no copo dele o mesmo refrigerante que eu. Não conheço ninguém que goste de refrigerante de limão. Ele abriu um sorriso para mim e foi para parte de trás do balcão, o que me deixou confusa a medida que abaixava e sumia da minha vista, mas que logo se tornou uma gargalhada quando ele levantou com a tampa da garrafa no olho e a garrafa na mão.

– Pra você – ele disse me estendendo a tampa verde-limão da Sprite de dois litros seca na sua mão, levantei minha palma para ele depositar o objeto ali. E eram momentos como esse que sempre me fizeram acreditar em romance, o velho e diabético romance. Por isso, quando o polegar e o indicador dele roçaram na minha palma, o meu coração foi a mil.

– Obrigada – respondi, fechando a mão em volta da tampinha e mordendo a parte interna da minha bochecha.

– B! Você veio... – um vulto loiro passou correndo, trombando em mim e fazendo o pequeno objeto saltar da minha mão, abraçando o garoto na minha frente que rapidamente mudou a expressão despreocupada para uma que eu não conseguia encaixar com o garoto que me deu a tampinha que agora eu juntava do chão – fiquei te procurando um tempão, minha mãe quer te conhecer, bobo – ela disse se agarrando ao pescoço do garoto.

– Isabel – ele falou olhando para ela – eu tava com o Felipe...

–Ahh ta – ela disse se soltando dele e notando que ele não estava compenetrado nela. Ele estava olhando, bom, para mim e Isabel percebeu isso, pelo menos eu acho que aquele olhar fulminante poderia ser a linguagem de biscate para: “tire os olhos, ele é meu”, mas quem sou eu para saber de algo, certo?

– Então eu to voltando pra não deixar ele sozinho – ele disse se virando para ela, que abriu um falso sorriso inocente, e avançou para dar um beijo na bochecha dela, o que a mesma desviou tornando o ato num selinho. Abaixei o olhar e resolvi sair dali.

– Ahn... Eu to indo gente. Isabel, agradeça a sua mãe por mim e diga pra ela que a mamãe vem aqui semana que vem para as reuniões delas. Feliz aniversário. Tchau Molinari e obrigada por isso – falei levantando minha mão e mostrando a tampinha.

– Claro, querida, e obrigada – ela falou e se aproximou me abraçando – até a escola, amiga – ela falou se afastando e se enganchando no garoto de blusa branca parado ao nosso lado que olhava para aquela situação tão confuso quanto eu. Desde quando eu era amiga da Isabel Carnevalli?

– Ahn... Certo, até – disse, acenando e pronta para dar a volta e sair dali.

– Você não ia esperar os parabéns Luff? E eu acho muito difícil o Felipe te deixar ir sozinha e antes do jogo... – o Bento disse.

– O jogo... ohh droga. É, to voltando pra mesa. Sem chance de as meninas me deixarem ir antes disso... – falei resmungando e pegando meu caminho de volta. Mas isso não impede que eu consiga escutar eles conversando, Isabel querendo saber do que a gente estava falando e dizendo que não ia deixar ele participar daquele jogo sem ela e blá, blá, blá. As meninas levantaram as sobrancelhas ao mesmo tempo quando chegamos a mesa e o meu primo só soltou uma gargalhada, que eu não entendi bem o porquê, mas ok.

– To vendo que isso vai ser interessante – ele falou ainda rindo enquanto pegava a garrafa com o Bento – Prontos? – todos afirmaram e eu fiquei calada – Olí?

– Nah.. eu to bem aqui, valeu – disse bebendo meu refrigerante.

– Três rodadas e a gente vai... Por favor amiga? – a Catê disse.

– Eu realmente não tenho escolha né?

– Nem um pouco – a Analu respondeu minha pergunta com os olhos azuis brilhando.

– Vamos logo pessoal, daqui a pouco minha mãe me acha e eu não vou mais poder participar – a Isabel disse.

– Ok, beleza. Mas antes de começar eu vou logo avisando – o Matheus disse – mentir é pecado.

– Cara, larga de ser gay – o Fefo disse rindo.

– Ahh dê licença... – o Bento falou pegando a garrafa da mão do amigo e girando a mesma. Ela foi rodando e rodando e eu ficando nervosa com o perigo daquela roleta russa apontar para mim. Ela caiu com a Catê para responder e o Matheus perguntando. Eu suspirei aliviada e os olhos da Catarina brilharam ao fixa-lo no garoto que faria a pergunta e eu reparei em alguma coisa aí, mas fiquei quieta.

– Verdade, desafio, nota ou situação, Catarina? – ele perguntou arqueando a sobrancelha e soltando um sorriso torto. Ela suspirou ao meu lado por esse ato e respondeu verdade, que gerou um muxoxo nos outros garotos e na Analu – Ok... Ahn, você ficaria com alguém aqui? – soltei um riso no final da pergunta, o que fez os olhares de todos na mesa se voltarem para mim e eu me segurando, ao sentir um cutucão na perna por debaixo da mesa, para não soltar uma gargalhada com a reação da minha amiga – e então, Catarina?

– Se eu ficaria com alguém dessa mesa? – ela repetiu e rodou o anel de flor no dedo indicador, um claro sinal de nervosismo – é, eu acho que sim – respondeu por fim, baixando o olhar.

– Quem seria? – o Matheus perguntou quase como se não conseguisse refrear a pergunta.

– Nada disso, seu Matheus – Analu falou, balançando negativamente o indicador, pegando a garrafa e entregando para a Catê – uma pergunta por vez – ela completou, recebendo um olhar agradecido da nossa amiga à medida que ela rodava a garrafa pet. E novamente aquele medo de cair em mim e bem, dessa vez caiu para eu responder para a Isabel.

– Verdade, nota, situação ou desafio, querida? – ela perguntou com um sorriso e eu respondi verdade também e o meu primo começou a reclamar que a gente só escolhia verdade.

– Quando for você, você escolhe desafio cabeção, mas agora é a vez da Olí e não a sua, então calado cabeça oca – Analu falou e todos começaram a rir.

– Então Olívia, minha pergunta é muito simples... Você é b.v.? – ela perguntou e eu senti minhas bochechas queimarem de vergonha. Isso é pessoal. Levantei o olhar e percebi o olhar curioso do Molinari, antes de reponder que sim, eu nunca tinha beijado ninguém antes – Ai que coisa mais... Fofa – Isabel comentou no final ao me entregar a garrafa. Eu preferi não comentar nada, ao invés disso girei a garrafa e ela caiu virada para o Felipe responder e a Catê perguntar.

– Desafio, nota, situação ou verdade, Felipe?

– Eu vou querer situação, coisa 1 – ele falou abrindo um sorriso sem dentes.

– Ok... Hum, se você tivesse direito a sete minutos no céu com alguém dessa roda, quem você escolheria? – Catarina perguntou.

– Deixa eu pensar... – ele falou passando a mão no queixo como um daqueles mafiosos – apesar de eu admitir que a minha prima além de engraçada, é gostosa – ele falou, e eu quase pude sentir meus olhos saltarem das orbitas como naquelas animações antigas, fora que o refrigerante quase que desceu pelo buraco errado – a Olívia é uma irmã pra mim, então ela ta fora – ele concluiu piscando pra mim, o que até me fez soltar uma risada – seguindo. Também temos você Catê que também é gostosa, não me leve a mal, mas você é morena. Vê, o problema é que eu não sou muito fã de morenas e você também é um pouco delicada pra mim, por isso você também é uma irmãzinha, entende? – ele perguntou e continuou sem esperar por uma resposta – No caso, sobram duas potenciais candidatas nessa mesa – ele disse e todos na mesa riram, menos a Ana que olhava para a pobre da Catariana com uma promessa de morte declarada – temos nossa linda aniversariante e o Ben, também mais conhecido como coisa 2 – ele disse e a mesa inteira explodiu em risos, menos, é claro, a Analu – o que eu acho que deixa bem claro uma coisa... Eu tenho um certo fraco por loiras, mas minha querida prima que aqui se encontra – ele disse fazendo graça novamente – vive dizendo que eu também tenho um fraco por encrencas e desafios, então isso também significa que você estaria fora da disputa Isa – ele disse fazendo cara de triste. Eu não conseguia me aguentar de tanto rir. Nessa filosofia toda, o Felipe não só admitiu que a Ana o atraía de alguma forma, coisa que é quase meu mantra até hoje, como também chamou a Isabel de fácil na cara dela e a anta não percebeu.

– Você deu esse discurso digno de Pero Vaz de Caminha pra dizer que quer passar a mão em mim? – A roda inteira ficou em silêncio, enquanto a Analu arqueava a sobrancelha direita em desafio.

– Não é como se eu tivesse muitas opções aqui – ele respondeu dando de ombros e a minha amiga loira caiu na gargalhada.

– Você é ridículo – ela falou ainda rindo.

– Ahh... dá licença e passa essa garrafa pra cá porque eu já respondi essa porcaria de pergunta – o Felipe falou, girando a garrafa que parou virada pro Bento perguntar e a Ana responder, que disse que queria nota.

– Aninha linda, qual a nota que você da pra esse traste que eu chamo de amigo? – ele perguntou e abriu um sorriso de lado quando ela cruzou os braços – e não vale mentir – ele completou também cruzando os braços, ainda segurando o sorriso.

– Apesar de ser cabeça oca, tarado, matraca e egocêntrico – a Ana falou contando nos dedos – acho que eu daria uns nove ponto dois, porque a gente ta falando de físico, né? – minha amiga terminou olhando somente para o Bento, como se eles tivessem conversando sozinhos, mas eu sei que fez isso para tentar esquecer que o meu primo estava escutando ela dizer que ele era bonito.

– Quer dizer que Analu Zirard me acha gostoso? É isso mesmo produção, Analu finalmente começou a usar lentes de contato?

– Não é sua vez de perguntar priminho – eu disse quando vi que a situação tava começando a esquentar pro lado dele – então fica quietinho e passa essa garrafa pra Ana – meu primo olhou para a loira que estava sentada do meu lado, que se encontrava com uma expressão assassina, e não pensou duas vezes antes de entregar o objeto que foi novamente girado, parando no Matheus para perguntar à Isabel que foi desafiada a deixar o Felipe com o pescoço arrepiado, pedido que ela prontamente aceitou com um sorriso de Joker na cara. Acho que ela ficou uns dois ou talvez quatro minutos beijando e chupando o pescoço do castanho que só ria da situação e da cara fechada que Analu adquiriu e ele notou. Depois dessa presepada toda, de um roxo recém-adquirido na base do pescoço dele e de uma alegação de calafrio, a garota voltou a se sentar crente de ter feito a melhor coisa que podia ser feita. Mas antes mesmo que a garrafa fosse girada novamente, a mãe dela apareceu exigindo que a Isabel levantasse a bunda dela dali e que fosse ajudar na festa porque a mãe dela não era escrava, o que só gerou uma rodada de risos depois que a menina sumiu de vista. E uma nova rodada começou com o Bento respondendo e a Ana perguntando.

– Nota, desafio, situação ou verdade, B? – a Ana perguntou.

– Desafio – ele respondeu.

– Haha... Vingança – ela disse, abrindo um sorriso que sinceramente me deu medo e que fez o coitado do garoto arregalar os olhos e soltar um xingamento – Eu desafio você a tirar o b.v. da Olívia aqui e agora – ela disse olhando fixamente para ele.

– O quê? – eu quase gritei e então olhei para o garoto sentado à minha frente apavorada com o que aconteceria e ele tinha uma cara meio verde enquanto olhava fixamente pra mim boca como se tivesse algumas daquelas gosmas verdes do desenho do Martin Mistery, que eu gostava de assistir quando mais nova, emplastando a região dos meus lábios por completo, o olhar e a cor dele foram como se eu sentisse um baque de rejeição. Abaixei a cabeça, constrangida por aquela situação e comecei a morder o lábio inferior já que era mais fácil fazer isso do que incorporar um avestruz e enterrar minha cabeça no chão, quando uma boca encostou com tudo na minha provocando uma dor na região, que deixou o gosto de sangue na minha boca resultado mais uma vez da maravilhosa lata de metal que eu tinha presa nos meus dentes. Eu só me dei conta do que tinha acontecido quando o vi se afastando à passos largos da mesa. E então chegou o pânico e eu comecei a me perguntar que merda tinha acabado de acontecer, só me lembro de estar voltando para casa chorando, ainda sem entender nada, com as meninas tentando me fazer parar com aquilo para evitar uma situação com o meu pai, que apesar dos esforços a das tentativas de me fazer rir das birras do Felipe com a Analu, me viu de olhos inchados e aquilo pareceu ter dado um fervor maior que o normal por uma semana nos seus discursos inflamados sobre garotos e como a situação mostrava que eu ainda era a criança do papai. O Bento apareceu na escola no dia seguinte com um corte no lábio, parecido com o que eu mesma tinha conseguido, e a primeira coisa que consegui pensar foi: “porcaria de aparelho que me assombra”.

Flashback off

– Olívia!? – escutei uma voz conhecida chamando meu nome e de repente tinham dedos estralando na frente do meu rosto – Ana, acho que a Olí perdeu a capacidade de fala depois de passar tanto tempo sozinha com o Clark – a falação continuou.

Notas finais
Então... alguma sugestão?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.