The Fire Tears

4 The Blueberry's Secret


Notas iniciais
OLÁ DE NOVO e-e bom, eu esperei muito tempo por alguns reviews, e vieram os da minha sis amada

–-- Camilla Stroker ---

Sair do dormitório depois do toque de recolher não foi difícil, o difícil foi subir aquela infinidade de escadas sem fazer barulhos ou sem arfar nem uma vez sequer. Qualquer ruído ali poderia significar ser pega pelo zelador e levar algumas semanas de detenção e, pior, perder toda a história que a loira tinha para contar. Continuei me arrastando pelas paredes com toda a agilidade que podia usar no momento, e toda a delicadeza que eu definitivamente não possuía. Estava indo até bem, quando tropecei no pé de uma armadura, levando-a toda para o chão.

– Ah, vocês devem estar de brincadeira com a minha cara! – soltei uma dúzia de pragas antes de sair correndo, subindo mais um lance de escadas e chegando ao lugar marcado com todo o estilo Camilla Stroker.

Amanda e Julia já tinham se levantado, e agora estavam com as varinhas em punho. Ergueram as sobrancelhas ao me encararem, e eu gesticulei de todas as formas possíveis para que fossem abrindo a porta, infelizmente foi inútil e eu tive que usar o resto do meu fôlego para explicar-lhes o que havia acontecido.

– Cacete, Lia, abre aí antes que o Sr. Filch resolva aparecer. – murmurou Amy, empurrando a loira.

Três passadas depois, nos vimos todas dentro de uma sala aconchegante e tão meiga que eu juro, só podia ter vindo da imaginação da nossa Blondie. As paredes eram em um tom de creme, uma lareira estava acesa no canto mais afastado da sala circular e, logo na frente dela, alguns pufes rodeando uma pequena mesa. Nas paredes algumas janelas que davam para o lago e o céu noturno estrelado. Alguns cobertores, não sei exatamente para que, já que a sala estava em uma temperatura completamente confortável.

– Trouxe a comida? – perguntou Amanda, imediatamente.

– Credo, deixa de ser morta de fome, Amy. – brinquei.

– Ah, vai se foder, Teen Wolf. – respondeu, fazendo-nos rir. – Mas e aí, trouxe?

– E alguma vez eu desapontei vocês quanto a isso?

Tirei uma sacola de dentro da mochila que carregava, e pude ver os olhos de Amy a seguindo com gosto. Caminhei até os pufes e coloquei-a na mesa de centro, me afastando logo em seguida. A grifina atacou-o vorazmente, tirando o que havia dentro e separando em pilhas todo o conteúdo.

– O que é isso, Mandy?

– Estou separando o que me interessa e o que pode ficar para vocês. – respondeu simplesmente.

– Vamos nos acomodar? – sugeriu Lia, indicando os pufes. – Querem ou não ouvir a história?

– Queremos, é por isso que estamos aqui. – ocupei o pufe que estava de costas para a lareira e de frente para a porta, enquanto as meninas ficavam cada uma de um lado. – Temos muito para discutir, estou certa?

– Não sei, pode estar. – brincou Amy, colocando duas varinhas de alcaçuz na boca de uma vez só.

– Ai Amanda, olha os modos.

– Desculpa mommy. – a ruiva revirou os olhos. – De qualquer forma, comece a contar. Acho que a Cah vai ter um treco ou vai acabar roendo os dedos quando as unhas acabarem.

Mostrei-lhe o dedo do meio, e recebi um olhar furioso da loira em troca.

– Anda, Lia, que eu estou ficando impaciente.

Nos aproximamos mais da grifina, que suspirava profundamente antes de começar a contar sua história.

– É importante que entendam que não são muitas as pessoas que sabem disso, então isso precisa ficar entre nós mesmo. Não contem nem para as suas sombras, ok?

– Ok.

– Ouviu, sombra? Nada de ouvir atrás das portas, xô... – brincou Mandy, arrancando-nos gargalhadas.

– Ótimo. Na noite que chegamos, a professora me chamou em um canto, com os meus irmãos, porque meu pai mandou-nos uma carta, e devíamos lê-la junto com a diretora, então já imaginam a gravidade da situação. Ele disse que precisava de ajuda para encontrar algo sem chamar muita atenção, e disse que isso estaria aqui em Hogwarts, mas não poderia colocar os aurores aqui, chamaria muita atenção.

– Acabou sobrando pra vocês. – comentei.

– Exato. – Lia pegou um bolo de caldeira e o enfiou todo na boca.

– E o que ele quer que encontrem? – perguntou Mandy.

– O que foi roubado no Gringotes.

Alguns minutos de silêncio enquanto absorvíamos aquilo.

– Algo foi roubado afinal... Por isso os duendes estavam tão tensos. – suspirei.

– É... Acho que não foi pelo fato de tudo estar bem que não recebi uma carta hoje de manhã. – concordou Amanda, suspirando comigo. – Meu pai deve estar com algumas dificuldades no trabalho.

– É provável. – Lia acenou com a cabeça.

– E o que eles roubaram afinal?

– Então, Chummy... Eles roubaram um livro.

Mais alguns minutos de silêncio.

– Ah pelo amor de Deus, é só ir numa livraria qualquer e comprar outro. – a ruiva revirou os olhos.

– Se fosse fácil assim você acha que teriam guardado ele no Gringotes? Do tipo: Ah, claro, vamos gastar com uma segurança extra só pra alguém ir numa livraria qualquer e comprar um igual. – ironizei, pegando uma tortinha da pilha de comida e dando uma mordida.

– É, esse é o problema, existe mais uma única cópia.

– E ela está aqui?

– É... Bem-Vindos ao depósito, Hogwarts, não tem lugar para guardar alguma coisa? Mande para cá, damos um jeito. Horcruxes, livros, diários, bruxos das trevas... Hogwarts, sua melhor escolha.

– Meu Deus, Lia! – gargalhei.

– Sobre o que é o livro? – perguntou Mandy, depois de se recuperar da gargalhada escandalosa.

– Não sei.

– O título? – arrisquei.

– O Mundo Sobre O Mundo. – respondeu. – Não fui eu que escolhi o título, não me olhem torto.

Desviei o olhar para as chamas que crepitavam alegremente na lareira. Sobre o que poderia ser um livro com esse título? Absolutamente nada me ocorria no momento, não estava no meu melhor momento de criatividade, mas mesmo que estivesse parecia ser algo muito alternativo.

– Então, temos que procurar saber mais sobre ele. – comentou Amanda, colocando nossos pensamentos em palavras. – Argh, mais um ano na biblioteca.

– Ei, da última vez nós conseguimos o que queríamos. – ralhou a loira. – Teve um pequeno preço, alguns cabelos a menos na cabeça, mas mesmo assim.

– Depois de anos e anos de estudos, pesquisas, tentativas que quase nos mataram... – acrescentei. – Só viemos tentando desde os onze anos...

– E pesquisando desde o sete, Camilla. – Amanda revirou os olhos. – São oito anos de pesquisas incansáveis, meu Deus, devíamos ganhar um prêmio.

– Pelo menos nós conseguimos. – Julia ainda mantinha a visão pelo lado positivo da coisa.

– É... Conseguimos vírgula, ainda temos que fazer o encantamento. A poção... Será que é doloroso?

– Ai, Amanda, credo... Nem quero pensar nisso. Seja um pouco mais otimista.

– Qual é, Cherry, vai dizer que você não pensa que dói?

– Meu maior problema não é doer, é fazer a poção de forma errada e aí matar alguém. – respondeu Lia. – Por que é que eu tive que ficar com essa função mesmo?

– Porque você é a melhor aluna da classe de poções. – dei de ombros.

– Se vocês estudassem também seriam.

– Exato, mas não estudamos, então a Cah tem razão, você faz.

– Legal... Tanto faz, vemos isso depois, agora devemos dormir. E não contem pra ninguém o que ouviram aqui.

– Nunca.

Nos esgueiramos com cuidado para fora da Sala Precisa, e cada uma tomou o seu rumo. Havia dado três passos no corredor que me separava das meninas quando ouvi uma voz que me fez pular.

– Ora, ora, ora... – murmurou perigosamente. – O que as senhoritas estão fazendo fora de suas camas?

– Boa noite, Sr. Mikaelson, é... Estávamos...

– Não quero ouvir explicações Srta. Miller. – cortou o professor Kol.

– Mas...

– Detenção, para as duas, durante toda a semana. E agora direto para o dormitório, amanhã direi o horário e o local onde deverão se apresentar...

Parei de ouvir para correr na direção do dormitório da Lufa-Lufa antes que levasse um sermão do mais velho, e só parei de correr o mais silenciosamente que pude quando cheguei nas escadas que levavam as masmorras. É... Um início de ano não é completo sem algumas intrigas logo no primeiro dia.

[...]

– Srta. Stroker? Detenção... – o professor Mikaelson se interpôs em meu caminho no momento que entrava no Salão Principal para o almoço.

– Mas... O que?!

– Ontem eu encontrei suas amigas andando pelos corredores a noite e tenho certeza de que foi apenas uma questão de tempo para que não te pegasse andando junto, portanto... Detenção.

Minha boca se abriu com um estalo, e a surpresa não me permitiu formular uma frase coerente, mas com certeza produziria algumas dezenas de palavras não adequadas para serem usadas na frente de um professor, se o meu bom senso não tivesse impedido-as de sair.

– Tudo bem... O senhor não tem prova alguma...

– Eu não preciso de provas, Srta. Encontre-me hoje às 19 horas, em minha sala. – dizendo isso, o mais velho se afastou.

Segui na direção da mesa da Grifinória sob olhares intrigados e cochichos aos quais não dei a mínima atenção. Não demorei para localizar a ruiva e a loira, que estavam na frente dos gêmeos e da Bejuk mais nova, entre Alex e Danielle, rumei com passos decididos, e cutuquei-as.

– ... E é por isso que você não pode entrar no time da casa, Laila... – finalizaram Aaron e Keaton, com sorrisos idênticos.

– Isso não faz o mínimo sentido. – cortou Lia, revirando os olhos para os irmãos. – Só entenda que a escola se responsabiliza por você, então não querem que nada te aconteça, se você entrar no time tão nova, a probabilidade é grande. Alunos do sétimo ano não tem noção do quão frágil você é.

– Eu prefiro a explicação dos nargules apesar de não fazer idéia do que são. – Amy deu de ombros, fazendo-nos rir.

– Pergunte a Nina, ela vai ter prazer de responder. – gargalhou Aaron, levando um tapa da irmã, que sacudiu a cabeça com pesar. – Desculpe. Laila, fique longe do campo no sábado, e poupe-se de um vexame como o do Keaton.

A mais nova encarou-o, curiosa, e eu segui seu olhar, esperando para ver como Keaton iria se explicar sobre ter sido expulso do campo de Quadribol durante seu primeiro ano de escola.

– Muito tempo. – o loiro deu de ombros. – Nunca fui alguém que gosta de seguir regras.

Amanda riu e virou-se para me encarar.

– E aí, Cah, o que nos trás de novo?

– Detenção. – respondi amargamente.

– De quem? – Lia arregalou os olhos. – Já, Cammie?

– Não, Chummy, o Mikaelson me parou agora e me disse que estou de detenção.

– Por motivo nenhum? – interferiu Laila.

– Ele alega que eu devia estar com vocês ontem à noite... Mas não tem prova nenhuma.

– Ah! – Aaron sorriu de canto. – Isso que dá, vocês três serem trigêmeas milanesas, sempre acham que estão juntas.

– Milanesa? – ergui uma sobrancelha.

– É... Que nascem grudadas.

– Siamesas, Aaron. – corrigiu Lia delicadamente, enquanto o resto de nós caia na gargalhada e o mais velho sorria envergonhado. – De qualquer forma, ele não tinha o direito de fazer isso, sem prova alguma.

– É, foi o que eu disse!

– É justo sim! Nós nos fodemos, ela se fode junto, melhores amigas até o fim.

Revirei os olhos para a ruiva, que tinha um sorriso convencido no rosto.

– Que amiga legal. – Keaton pontuou e em seguida virou-se para entrar em uma conversa animada com o gêmeo, enquanto Laila saia da mesa com a amiga e rumava para o Saguão.

– E agora, quando vou fazer o meu dever de Transfiguração? A Professora Cho vai arrancar minha garganta.

– Faça como eu, use seus tempos livres. – respondeu Lia, que havia tido essa aula um período antes do meu.

– Mas tempos livres são pra descansar. – choraminguei.

– Teve dever de transfiguração? – Mandy nos encarava. Não dissemos uma palavra, então tomou-a como afirmativa, agarrando no braço da loira. – E você vai nos emprestar o seu, não é?

– Nem morta... – respondeu a outra. – Vocês precisam estudar, os NOM’s vem ai, e eu não posso fazê-los pra vocês.

– Mas Lia... – suspirei. – São três páginas de relatório.

Julia encarou o nada durante uns segundos, até voltar a nos olhar.

– Eu faço a introdução, nada mais. Dou uma olhada nos seus rascunhos e pronto. Agora vai almoçar, Chummy, antes que leve outra detenção. O Mikaelson já está olhando para cá de novo.

Assenti feliz, seguindo para a mesa da Lufa-Lufa, ansiosa para uma refeição digna de Hogwarts. Ocupei meu lugar ao lado de Jack, a quem contei toda a história da detenção. Como um digno melhor amigo, ele riu de mim até que terminasse de comer seu prato de comida. Continuamos conversando sobre assuntos aleatórios, até o sinal tocar para a próxima aula.

– Temos o que agora? – perguntei.

– Pieterse, com a Grifinória. Eu tenho que procurar a Mel e a Babi, antes que me deixe de lado outra vez, para sentar-se com as suas amigas. – reclamou Jack, fazendo-me rir. – A menos... Que prefira sentar com o seu melhor amigo hoje?

– É uma boa opção... – sorri, enquanto descíamos as escadas em direção à sala de Poções, nas masmorras.

Notas finais
É isso aí, povo... Meus capítulos armazenados estão acabando... Anyway, espero vocês na próxima, e espero reviews. Beijos beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.