The Figther
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Boa leitura!
Os policiais me conduziram até uma sala, onde me desalgemaram, e me entregaram uma muda de roupas, aparentemente novas, para que me trocasse; não sabia quem tinha levado as roupas, afinal, depois que me acusaram de matar Stefan, toda a cidade me tem como um assassino, nem meus próprios pais acreditaram na minha inocência.
Quando acabei de me trocar, e me senti estranho naquelas roupas. Uma calça jeans azul escuro, uma camisa branca de mangas compridas e uma jaqueta de couro preta. Sapatos sociais também pretos. Ao que parecia a moda tinha mudado muito nos dezessete anos em que fiquei preso. Dezessete anos. Dezessete longos e dolorosos anos. Durante todo esse tempo eu só pensei em uma coisa: Justiça. No momento em que aquele juiz pronunciou a palavra “culpado” naquele tribunal, no dia 30 de julho de 1995, eu me fiz um juramento; não só a mim, também jurei por Stefan; jurei que descobriria o culpado. Que pegaria quem tirou sua vida de forma tão fria, e o jogaria nesse inferno que eu viria a enfrentar em seu lugar. Dezessete anos não esfriaram minha sede de justiça. Apenas a tornaram mais forte e abrasadora.
Depois de vestido, entreguei aos policiais o uniforme de preso; senti uma emoção estranha por tirar aquele uniforme do corpo. Foi o primeiro gosto de liberdade que tive em muito tempo. Poderia agora vestir a roupa que eu quisesse; esse pensamento pode parecer bobo a você, mas um cara pode pirar, quando tudo que pode usar é uma calça bege e uma camiseta branca, no verão, e uma calça bege grossa e uma camiseta branca grossa e de mangas compridas no inverno. Os policiais me conduziram a secretaria do presídio, onde deixamos nossos pertences quando chegamos; eu não tinha muita coisa, apenas um relógio de pulso, obviamente ultrapassado e que não funcionava mais, e um colar de prata com um pingente também de prata, tinha gravado nele uma data. O aniversário de Stefan; ele tinha um também, idêntico ao meu, com a data do meu aniversário nele. Compramos esses colares de um cigano, um mês antes de eu embarcar para Califórnia, quando tinha quatorze anos, onde passei um ano com meu pai, que tivera que se mudar pra lá por um ano, por causa do trabalho, gravamos nossos aniversários nele para que não nos esquecemos do aniversário um do outro, o que fazíamos todo ano. Aqueles colares viraram um tipo de símbolo da nossa amizade. Pedi a mãe de Stefan, que o enterrasse com o dele, pois não pude comparecer ao velório de meu amigo, porque os policiais apareceram com um mandado de prisão contra mim naquela mesma manhã.
Os policiais ainda me escoltaram até o portão, um deles disse alguma coisa a um outro policial que ficava em uma pequena sala ao lado do portão, era o “porteiro” da prisão, como costumávamos chamá-lo. Ele então pressionou um botão e o portão destravou. Meu coração se acelerou nesse momento. Eu finamente, finalmente estaria livre. Mantive meus olhos bem abertos e atentos; tinha medo que tudo sumisse e eu acordasse com o som do despertador da prisão, como já tinha acontecido tantas vezes antes. Mas era real dessa vez. Um dos policiais que me escoltavam se adiantou para o portão e o abriu para que eu saísse, passei rapidamente, ainda com aquela sensação de se eu não saísse logo, acordaria deitado no beliche de cima da cela 404.
Quando passei o policial me desejou boa sorte. Não respondi, nem olhei para trás enquanto descia pela rua muito bem asfaltada que levava a rodovia; quando cheguei aqui, essa era apenas uma estrada de terra lamacenta. Sorri ao chegar ao fim da rua. Tive meu primeiro vislumbre da cidade. Eu devia esperar que enquanto tudo mudava, St. Vervelleen permaneceria exatamente igual. Em dezessete anos tudo que mudara na cidade foram os carros, que eram visivelmente mais modernos, e a cor do prédio da prefeitura, que agora era amarelo desbotado. Quando fui preso tinha acabado de ser repintado.
Um milhão de pensamentos invadiam minha cabeça nesse momento, mas um em particular estava me incomodando: eu não tinha pra onde ir. Vervelleen tinha apenas um hotel, mas o problema é que eu tinha apenas alguns trocados, o que ganhei com alguns pequenos bicos que fiz enquanto estava na prisão. Provavelmente não pagava nem um mês de diária no hotel. Se me deixassem entrar lá; não sei se já mencionei, mas ninguém esquece de nada em Vervelleen. O que quer dizer que ninguém deixaria o cara que matou o melhor amigo passar nem na calçada em frente a sua casa, quanto mais se hospedar no seu hotel.
Fui tirado de meus devaneios quando um carro preto simples com vidros escuros parou do outro lado da rua, uma mulher de cabelos loiros desceu do carro e veio em minha direção. Ela usava um sobretudo preto até os joelhos, meia calça e sapatos de salto também pretos. Ela aparentava não ter mais de cinquenta anos de idade, era magra e esguia, e me olhava com um pequeno sorriso nos lábios. Foi então que a reconheci; quando olhei em seus olhos e vi o mesmo tom de verde dos olhos de Stefan. Aquela era Keira Fisher, mãe de Stefan.
Notas finais
Ah e se por acaso tiver algum fantasminha por aí, por favor apareça! Eu juro que eu não mordo!
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