The Figther
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Bom sem mais delongas aí está o capítulo 5!
Boa leitura!
Estava em um corredor escuro, e andava em direção a um pequeno ponto de luz, que estava bem à minha frente, e que se distanciava mais de mim a cada passo que eu dava. Eu estava estranhamente angustiado, como se soubesse exatamente o que encontraria, se conseguisse alcançar aquela luz. E certamente não seria nada agradável. Mas mesmo assim, eu não conseguia parar de andar, de perseguir aquela luz; a sensação era a de que, se eu parasse, a escuridão seria pior.
De repente, a luz ficou mais forte e mais veloz. Um medo irracional tomou conta de mim, e em seguida me vejo correr em infundado desespero, sempre a perseguir a luz, que insistia em fugir do meu alcance. Foi nesse momento também que percebi que estava no meio de um sonho. Um pesadelo, na verdade. Por isso a sensação de saber exatamente pra onde a luz me guiaria; porque não importava como fosse o começo, o fim era sempre igual, mas nem por isso menos horrível.
E então, sem nenhum aviso, a luz parou e se apagou, mergulhando tudo na mais profunda escuridão. Eu estava ofegante, e completamente aterrorizado. Sentia-me trêmulo, mal conseguia firmar minhas pernas; o ar parecia carregado com todos os sentimentos ruins existentes: Dor. Desespero. Angustia. Tudo misturado, formando uma densa camada do mais perfeito pânico. E então aconteceu. Num segundo, estava tudo escuro, no segundo seguinte, tudo estava claro, e eu me encontrava no mesmo cenário de sempre: o terceiro andar da mansão dos Fisher. Essa é sempre a parte em que tento inutilmente acordar. Mas é impossível. Meu corpo não me obedece, e minhas pernas se movem para frente, como que por vontade própria. E lá estava. O punhal ensanguentado, jogado no chão. Alguns metros mais á frente, estava a última porta do corredor do lado esquerdo. Lá estava a poça de sangue, escorrendo por debaixo da porta. Dirigi-me até lá, e mais uma vez abri aquela maldita porta. E lá estava também, o meu melhor amigo, Stefan, banhado em seu próprio sangue, com a garganta cortada, e os olhos vidrados e sem vida.
Acordei atordoado e com a respiração acelerada. Não conseguia identificar onde estava. Sentei-me sobre a confortável cama em que me encontrava, e olhei em volta. Só então me lembrei de onde estava. Mansão dos Fisher. Agora tinha uma explicação, para o pesadelo ter sido, tão mais real, do que qualquer outro. Reparei que havia escurecido. Acho que dormi por muito mais tempo do que desejava. Olhei para um relógio, que estava em um criado mudo ao lado da cama, e este marca 4:45h da manhã. Eu havia dormido o resto da tarde, e praticamente a noite toda. Fiquei mais alguns minutos deitado, até que resolvi levantar. Eram 5:00h, Carmy se levantaria dali a alguns minutos; saí do quarto e fui em direção a cozinha, me servi de um copo d’água, e sentei junto a bancada, repousei minha cabeça sobre o mármore frio, aquilo realmente ajudava a clarear os pensamentos. Eu precisava de um ponto de onde partir. O assassinato de Stefan tinha sido muito bem premeditado, disso eu tinha certeza. Mas nenhum crime é perfeito. Tem que haver alguma ponta solta. O assassino tem que ter deixado algum rastro. Mas eu preciso me concentrar no mais importante: como minhas impressões digitais foram parar naquele punhal? Eu tenho certeza que não encostei nele, quando o encontrei jogado no chão. Eu precisava ver aquele punhal; precisava lembrar-me onde mais o tinha visto. Porque eu certamente já tinha visto aquele objeto. Disso eu tinha certeza; mas não me lembrava de ter encostado em qualquer objeto ao menos parecido com aquele. Outra coisa que não se encaixava, era o que Stefan foi fazer no escritório do pai. Ele nunca se atrevia a sequer pisar no terceiro andar, era ainda mais improvável, que ele entrasse naquele escritório; eu cheguei a pensar que ele pudesse ter sido posto lá depois de morto, mas logo descartei essa hipótese. Como alguém, depois de tê-lo matado, conseguiria carrega-lo escada acima sem que ninguém notasse, uma vez que o saguão estava lotado, e o único acesso ao terceiro andar era pela escada, localizada bem no meio do saguão? E também não havia nenhum rastro de sangue pela casa, a não ser no escritório do Sr. Fisher, se o assassino o tivesse arrastado até lá, com certeza haveria uma trilha de sangue todo o caminho até lá. Não, Stefan entrou naquele escritório com suas próprias pernas. Mas o que seria tão importante, para que ele fosse até lá?
Mas havia também, o que na minha opinião era a maior lacuna, em torno do assassinato de Stefan: o motivo do crime. Porque queriam Stefan morto? A minha suspeita, era de que Stefan sabia de algo muito importante; algo que pudesse deixar alguém muito encrencado; de fato, quando fui julgado, o promotor (que era sempre o delegado da cidade, e que, naquela ocasião, parecia estranhamente empenhado em me jogar na prisão) não soube explicar muito bem o motivo de eu querer meu melhor amigo morto; o argumento por ele usado foi que eu era apaixonado pela Sam, e que jamais aceitaria que ela se casasse com outro; o juiz acabou aceitando esse argumento, mais pelo fato de que minhas digitais estavam na arma do crime, que pelo próprio argumento em si.
Bem talvez fosse esse meu ponto de partida; se eu conseguisse descobrir porque mataram meu amigo, talvez conseguisse chegar ao assassino. Se conheço bem a Sra. Fisher, tenho quase absoluta certeza de que ela não teve coragem de sequer entrar no quarto de Stefan, da mesma forma que agiu quando seu marido, Sr. James Benjamin Fisher, morreu a anos atrás; acho que talvez eu deva fazer uma visita ao quarto de Stefan, provavelmente tudo estará exatamente como ele deixou, então é possível que exista alguma coisa que possa me levar a dar um passo a frente em minha missão.
— John, querido, o que faz aqui sozinho tão cedo? – me sobressaltei ao ver a Sra. Fisher, estava tão imerso em minhas divagações que nem percebi que ela havia se levantado.
— Oh, bom dia Sra. Fisher, eu acordei já faz um tempo, bem eu dormi o dia todo, e praticamente a noite também, seria estranho se eu acordasse muito tarde, então me levantei e vim pra cá, e estou aqui pensando um pouco na minha vida e o que vou fazer de agora pra frente.
— Bem, saiba que pode ficar aqui pelo tempo que quiser, eu não me importo, você pode tentar arrumar um emprego na cidade, se você quiser claro, e continuar morando aqui, comigo, você será sempre bem vindo nessa casa.
Nesse momento pensei se não seria bom contar a ela sobre meus planos, mas alguma coisa me impediu, foi quase como um aviso, de que se eu quisesse continuar com meus planos, deveria ficar calado.
— Obrigado Sra. Fisher, mas não vou ficar por muito tempo, acho que vou esperar eles desbloquearem aquela pequena quantia que tenho por trabalhar na prisão, e penso em ir embora. Talvez eu vá pra Londres, posso trabalhar como técnico em informática, talvez eu faça uma faculdade, eu não sei, tudo que sei é que uma hora terei que sair daqui.
A Sra. Fisher assentiu e sorriu, e disse apenas:
— Você sabe o que é melhor pra você, mas é como disse, se precisar de alguma coisa, você pode me pedir, e eu te ajudarei.
— Obrigado.
Nesse momento Carmy entrou na cozinha, e com um sorriso divertido disse:
— É as coisas estão mesmo mudadas, John Richard Bailey acordou cedo! Acho que estou mesmo ficando velha!
Comecei a rir, e elas me acompanharam, e ainda rindo eu disse:
— Não é você que está velha Carmy, quem está velho sou eu; e como o bom velho que sou, estou morrendo de fome!
— Quer que eu te faça outro lanche daquele? – perguntou Carmy e, sem esperar resposta já estava pegando os ingredientes.
— Você me conhece bem, se um dia eu dizer que não quero um lanche de presunto desses, é porque definitivamente não estou bem!
Todos rimos, tomamos café da manhã ali, nós três juntos, e notei, que pela primeira vez em muito tempo, eu me senti um pouco mais leve; mas um pouco apenas, pois enquanto comia, tomei a decisão de que, na primeira oportunidade que tivesse, iria investigar o quarto de Stefan.
Notas finais
Bom até mais, e se tiver algum fantasminha aí, comente please, não me deixem forever alone!
XOXO
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