The Feeling
6 VI – We Are Inhumans

Um mês se passou e Katherine, aos poucos, foi ajeitando tanto sua vida, quanto a dos outros ao seu redor.
Oliver, Bucky, Sam e Steve resolveram morar na casa que os irmãos conseguiram recuperar graças a Edwin. Ele tinha quatro quartos certos, já que Kath dormia com seu soldado, coisa que não deixou Ollie muito contente, mas teve de relevar para não brigar com o companheiro da mais nova. Todos ajudaram a restaurar a casa, dando aspectos de nova à mesma e deixando a loira contente com o resultado esplêndido que eles chegaram, sentindo-se mais que satisfeita por tê-los residindo debaixo de seu teto.
De certa forma, ela estava adorando cuidar dos quatro homens que viviam fazendo barulho e discutindo com frequência em diversos cômodos da casa, pois eles lhe passavam certa tranquilidade que nada no mundo conseguia explicar – embora ela se irritasse consideravelmente quando Sam começava a discutir com Barnes e vice-versa. Ser a única mulher em meio a eles a fazia sentir-se reconfortada de forma estranha, mas a fazia feliz.
O único detalhe que estava incomodando-a era o segredo que ainda guardava com muita insistência de seu irmão. O loiro insistia que era perigoso espalhar algo tão importante para pessoas que mal conheciam, porém, ela os conhecia mais do que seu próprio irmão, pois mesmo sendo sangue de seu sangue, não tinha a mais remota ideia do que ele realizara quando estivera sendo controlado pela HYDRA. Sabia que contar o deixava deprimido, mas Kath era sua irmã. A única pessoa no mundo que o entenderia.
Tentando descobrir uma forma de resolver parte daquela situação, a vidente teve a ideia perfeita – mesmo que aquilo deixasse Ollie furioso.
Em uma visita a sede dos Vingadores, ela pediu para conversar com Steve e Tony a sós em uma de suas salas de reuniões, coisa que ambos aceitaram um tanto quanto desconfiados. Assim que se encontraram no interior do mesmo, a loira virou-se para eles mais animada que o habitual.
— Preciso mostrar algo a vocês, mas jurem por suas vidas que só dirão a Oliver quando tudo estiver feito. — Quase implorou a eles com as mãos juntas e bem próximas ao seu rosto. — Ah, e precisamos do quinjet. O lugar é aqui nos EUA, só que não dá para ir de carro. Infelizmente. — O patriota cruzou os braços contra o peito, a encarando com extrema seriedade e ela coçou a nuca. — Eu tenho um segredo que só vou poder contar quando estivermos nesse lugar. Depois vocês verão a merda que dará em seguida que, a propósito, apenas eu terei de lidar, então... — Soltando um suspiro, viu a troca de olhares entre os heróis, que logo se focaram nela.
— Onde? — Um sorriso surgiu nos lábios de Kath, embora estivesse um tanto nervosa.
Agora era tudo ou nada.
...
A loira lhes disse coordenadas de um local muito bem protegido, fazendo-os desconfiar ainda mais das intenções da mulher, que estava despreocupada demais com tudo aquilo. Katherine sabia o que os esperava, ao contrário dos dois homens, e aquele singelo detalhe os deixava profundamente receosos com o que os esperava naquele local. Com seu celular, ela conseguiu passar por alguns firewalls de segurança e abrir o teto do, aparente, enorme armazém.
Enquanto desciam, viu quando Tony franziu o cenho confuso e Steve encarou cada canto sem compreender o que significava todas as aeronaves, quinjets e, principalmente, o grande avião que estava pousado no saguão.
— Impressionados, meninos? — Questionou Katherine assim que pousaram, atraindo o olhar do bilionário para si de imediato.
— O que é aqui? — Sem dizer nada, fez um sinal para que o loiro baixasse a rampa antes de ficar em pé, logo andando em direção a mesma enquanto Rogers fazia o que havia pedido.
Ela desceu dali com extrema tranquilidade, sendo seguida pelos dois homens e atraindo diversos olhares em suas direções, embora a mulher estivesse mais focada em revelar o que era do que na situação em que se encontravam. Não demorou muito para que um dos agentes de Phill Coulson os interceptasse e, infelizmente, o cara era enorme, assim como muito mal encarado.
— Você deve ser Mack Mackenzie. — Kath o examinou com atenção. — Poderia nos levar ao diretor, por gentileza? Precisamos conversar diretamente com ele. — E cruzou os braços, mirando-o com certa provocação em seus orbes esverdeados.
Sem falar absolutamente nada, o moreno seguiu até uma porta, onde colocou sua mão em um painel, que leu seus dados antes de se abrir em frente a eles. Andaram em silêncio por um longo corredor, cruzando com um amplo laboratório, detalhe que deixou a loira encantada pelos objetos que haviam ali, em seu interior. Mack os levou até uma escada, subindo-a com certa rapidez antes de parar em frente a uma porta, logo batendo com os nós dos dedos na mesma.
— Entre! — Uma voz autorizou de seu interior depois de alguns segundos, sendo aberta em seguida por Mack, que sinalizou para o local enquanto os dois heróis encontravam-se paralisados do lado de fora, achando que era uma peça que a loira estava pregando em ambos.
— Vamos lá, garotos. Coragem! — Ela os atiçou antes de adentrar a sala de Coulson, sorrindo em cumprimento assim que o homem o encarou sem entender o que estava acontecendo, mas sua expressão mudou ao mirar quem adentrara atrás da mulher. — Não surtem, pelo amor de Deus! Tudo tem sua explicação. — Kath pediu ao recostar-se na mesa mais próxima trazendo o olhar do diretor em sua direção.
— Quem é você? — A vidente arqueou a sobrancelha, olhando de soslaio a garota que se mantinha ali, quieta em seu canto, antes de focar-se na pergunta.
— Meu nome é Katherine. Sou filha de Alice Lacviek, uma Inumana como sua hacker. — Revelou com displicência, colocando uma das mãos no bolsos de seus jeans. — Eu e meu irmão também somos, embora não deseje explicar o acidente que ocorreu para que nos tornássemos como todos os outros. — Ao sentir o olhar de Steve sobre si, ela o encarou ao dar de ombros. — Todos nós recebemos tais dons de alguma forma. O meu foi com um cristal derivado de um Divina... — O chão tremeu de leve repentinamente, deixando a todos em alerta, mas principalmente Kath.
— Que merda foi isso? — Soltou Stark com o cenho franzido e aparentemente estressado.
— Oliver. — Ela respondeu simplesmente antes de sair correndo, retornando pelo mesmo caminho que veio e abriu aquela maldita porta com certo esforço, logo alcançando o saguão e, consequentemente, seu irmão furioso.
A habilidade dele era sentir onde as pessoas que se importava estavam e ter a capacidade de surgir onde esse indivíduo se encontrava. Embora fosse bem prático em alguns momentos, a loira estava achando aquele poder irritante naquele momento em questão.
— Você nunca me ouve, não é mesmo?! — Rosnou ao se aproximar da irmã, que não parecia muito preocupada com sua fúria. — O que tem na cabeça, afinal?
— Phill Coulson foi salvo com sangue Kree, seu completo idiota! — Exclamou estressada, colocando o dedo indicador de sua mão direita no centro do peito de Ollie. — Ele tem Inumanos ao seu redor que são seus agentes, não testes insignificantes para descobrir do que somos feitos. — A vidente baixou sua mão, encarando-o com suavidade. — Eles nos compreendem, irmão. Não vão nos usar como a HYDRA fazia, aqui é diferente.
Os dois se encararam por um longo tempo. Katherine pedia-lhe compreensão com seu olhar apaziguador enquanto Oliver se acalmava até conseguir respirar fundo para que pudesse se concentrar no que ocorria ao seu redor, notando a plateia que tinham ali.
— Podem voltar a fazer o que quer que seja, por que aqui não tem porra nenhuma de importante para vocês! — Fingiu-se de irritado, logo vendo todos os humanos se agitarem para que pudessem se dispersar. — Eu adoro isso. — Sua irmã não conseguiu controlar a riso que saiu de si antes de se virar, vendo que Phill olhava-os interessado, assim como sua agente, Tony e Steve.
— Temos muita história para contar, maninho. — Comentou Kath ao cruzar seus braços contra o peito.
O loiro soltou um suspiro dramático.
— Você começa. — E a encarou, não conseguindo reprimir o sorriso que surgiu em seu rosto antes de pousar o braço esquerdo nos ombros dela. — Só não se esqueça dos detalhes bombásticos. Deixe-me impressionante. — A vidente sacudiu a cabeça e passou a mão por seu rosto, não conseguindo deixar de acompanhar seu irmão, abrindo-a um dos seus melhores sorrisos.
Aos poucos, as coisas estavam se organizando.
Finalmente, ela pensou aliviada.
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