The Feeling

4 IV – Touch Me


Foi complicado conseguir uma audiência com um comitê da ONU composto por diversos secretários para conseguir realizar o que a loira tanto queria, porém, com a ajuda dos Vingadores que assinaram o Tratado de Sokovia, ela teve sucesso e, até então, tudo estava seguindo de acordo com o futuro que visualizou. Tiveram de viajar para os EUA, pois tudo aconteceria por lá, então, durante toda a viagem de volta ao país, Katherine organizou parte do conteúdo de defesa que tinha reunido quando a oportunidade surgiu.

Enquanto a engenheira se concentrava no plano que tinha de colocar em prática, Bucky encontrava-se tenso diante daquela situação. Ele definitivamente não desejava ser preso e, embora quisesse sumir no mundo mais uma vez, uma parte de si estava ligado a loira de uma forma que não compreendia muito bem ainda. Kath parecia mexer com um lado dele que estivera adormecido há muito tempo. E o moreno simplesmente não estava sabendo lidar com aquilo.

Como tinham de esperar duas semanas e meia até a audiência, os quatro supostos fugitivos acabaram por ficar na base atual dos Vingadores, onde a loira começou a admirar tudo que havia ao seu redor assim que colocou os pés dentro do prédio. Seus olhos brilharam ao observar cada detalhe, assoviando baixo em seguida.

— Stark deve ter contratado os melhores engenheiros e arquitetos para construírem essa sede. — Murmurou impressionada ao ajeitar sua mochila no ombro. — Nota 10 para eles, sem sombra de dúvidas. — Ela sorria de orelha a orelha, logo capturando um movimento com seu olhar e virou o rosto, vendo o momento em que Visão se aproximou deles com simpatia refletida em seu rosto.

— Sejam bem-vindos a residência dos Vingadores. Sr. Stark ainda está fora, então serei eu quem apresentará o lugar a... — Uma mulher morena de olhos azuis desceu as escadas, os encarando com certa curiosidade. — Wanda, pensei que me esperaria na cozinha. — O tom dele foi discretamente repreensivo, mas também havia um carinho bastante explícito ali.

— Você iria matá-los de tédio se continuasse falando. — Brincou a feiticeira, não conseguindo burlar o forte sotaque russo antes de encarar os dois desconhecidos. — Sou Wanda Maximoff, mas até onde sei, você já deve saber disso. — A morena comentou ao focar em Kath, que sorriu da melhor forma suave que conseguiu.

— Que lindo, estão espalhando minha capacidade pelo mundo. — E revirou os olhos, claramente divertida. — Sou vidente sim, mas isso não que dizer que sei de tudo. A propósito, sou Katherine Von Strucker e ele, Bucky Barnes. — Vira com clareza quando Wanda começou a examinar o soldado com atenção demasiada.

— Já vi você em algum lugar... Não vi? — Questionou a mais recente integrante daquele grupo de heróis, deixando o moreno desconfortável diante de uma pergunta que até sabia responder, mas não desejava fazê-lo no momento.

— Acho que não, garota. — Ele foi o mais evasivo possível, não dando oportunidade da Maximoff realizar qualquer observação a mais sobre o assunto. — Quero descansar. Onde ficam os quartos? — Indagou com seriedade, logo encarando Visão diretamente, que fez um sinal com uma das mãos para que os dois o seguissem, coisa que ambos fizeram de perto.

Andando até um elevador, o ser completamente sintético levou-os ao andar dos quartos, não demorando muito para indicar os que ficariam durante aquelas duas miseras semanas. A parte boa era que estariam perto um do outro, pois os cômodos eram próximos. A parte ruim era exatamente essa proximidade, já que parecia estar nascendo algo entre eles que ainda não tinham ideia de como definir. Apenas sabiam que era algo bom.

Katherine analisou o quarto com um sorriso suave de aprovação e, antes que qualquer um falasse com ela, fechou a porta com seu calcanhar, suspirando assim que teve a devida privacidade. Pegaria o resto de seus pertences mais tarde, pois além de desejar evitar o convívio forçado, ainda tinha coisas para terminar.

Como, por exemplo, sua própria defesa.

...

Bucky encontrava-se em seu quarto sem conseguir adormecer. Sua cabeça estava inquieta, e era tantas informações rondando-a que não conseguia definir qual delas era a verdadeira prioridade. Enquanto deixava um programa qualquer rodar na TV, seus pensamentos voaram instantaneamente a loira que, àquela altura, já deveria estar dormindo. Uma vez adentrara seu apartamento tarde da noite e a encontrara encolhida como uma bola sobre sua pequena cama enquanto ressoava baixinho, murmurando palavras ininteligíveis vez ou outra.

Recordava-se também que havia ficado observando-a durante muito tempo, como se aquilo lhe trouxesse uma tranquilidade que não conseguiria caso retornasse ao seu próprio. Aquele poder sobre o soldado que ela nem sabia que continha era o que acabava por perturbá-lo, pois não tinha a mais remota ideia de como prosseguir daquele ponto. Parecia, definitivamente, que estava prestes a cair pelo precipício que era aquele sentimento estranho, que floresceu sem que notasse, e em tão pouco tempo de convivência.

Estava tão absorto em sua própria mente que sobressaltou-se quando um grito agudo alcançou seus ouvidos, fazendo-o se erguer da cama abruptamente e sair de seu quarto a uma rapidez alarmante, logo percebendo que os gritos vinham do quarto em que Katherine deveria estar adormecida. O moreno entrou no cômodo, pois a porta encontrava-se escancarada e havia três pessoas tentando contê-la sobre a cama enquanto Wanda insistia em tentar acordá-la da forma errada.

Andando para o outro lado do cômodo, Barnes empurrou Sam para o lado, logo firmando seu joelho no colchão para, em seguida, levar a mão de metal em direção ao rosto da loira com certo cuidado e aproximar seu rosto do ouvido de Kath.

— Não é real, garota. Acorde! — E afastou-se para encarar Steve, que estava do lado oposto ao seu com confusão refletida em seus orbes azuis. — Soltem-na! Ela vai acordar em alguns segundos e não será nem um pouco bonito. — Avisou com sua voz repleta de certeza assim que se sentou na beira, dando a entender que aquela não era a primeira vez que tal coisa ocorria.

Aos poucos, cada um soltou os membros da loira, que sugou o ar repentinamente e abriu os olhos assustada ao erguer-se com rapidez, se segurando com firmeza no braço metálico do soldado, logo recostando seu rosto no mesmo, tentando controlar sua respiração enquanto encolhia-se ao lado do corpo dele como uma criança que acabara de ter um pesadelo.

Bucky encarou seu amigo com seriedade, sacudindo a cabeça e fazendo um discreto sinal com a cabeça para que todos eles saíssem dali, já que Kath parecia sentir a presença das pessoas quando estava naquele estado. Ela havia contado aquilo ao soldado quando o mesmo presenciou a primeira crise depois que a mulher recuperou a capacidade de prever o futuro e, até mesmo, o poder de modificá-lo caso pudesse.

Cada um que estivera presente momentos antes, saiu do cômodo em silêncio, logo dando para se ouvir a porta se fechando devagar. Ele identificou com sua audição sussurros se afastando pelo corredor e, assim que tudo se acalmou, sua mão livre começou a passar pelos cabelos ondulados da loira gentilmente, soltando um suspiro baixo em seguida. Barnes sabia com perfeição o que era acordar assustado, temendo perder sua mente para as coisas ruins que lhe perturbavam o sono. Até mesmo achava que era por aquele motivo que se sentia tão confortável junto de Katherine... Mas havia algo mais.

— Eram tantos gritos que quase enlouqueci com eles. — Murmurou a loira de repente, recostando-se um pouco mais em Bucky enquanto lágrimas começavam a escorrer por sua face. — Fumaça por todos os lados, corpos ensanguentados, tanto sofrimento... — Ela fechou seus olhos com força, tentando esquecer as imagens horríveis que ainda lhe rondavam a mente. — Como você faz para esquecer tudo que já viu?

Ele sacudiu a cabeça de leve antes de se afastar apenas para que pudesse ver o rosto de Kath.

— Não esqueço. — Erguendo sua mão, o moreno limpou os rastros finos de lágrimas das bochechas dela, demorando mais que o necessário naquele gesto tão simples. — Tive que aprender a lidar com eles. — Seus olhos colidiram com os orbes brilhantes e ainda marejados da vidente, parecendo tão frágil diante de si que, a única coisa que lhe passou por sua mente, foi distraí-la de tudo que a atormentava no momento, então Bucky simplesmente... A beijou.

Não soube muito bem de onde aquela vontade de sentir os lábios dela contra os seus surgiu, porém, ele se surpreendeu quando constatou quão macios e suaves eram. Katherine ficou ali, parada, sem conseguir mexer um único músculo de seu corpo por sua mente estar uma zona pela simples ação do moreno, afinal, não pensou que a proximidade de ambos iria tão longe a ponto de desejar algo além.

E ela percebera, naquele simples beijo, que sentia uma forte atração por James Buchanan Barnes que não poderia ser saciada apenas com um toque suave de suas bocas. Mas seu maldito corpo não parecia ouvi-la, para sua irritação.

Ambos se encararam assim que o soldado afastou-se alguns centímetros, tornando nítido a energia estática que existia entre os dois, embora apenas tenham notado naquele instante. Quando Kath precisou de apoio, era ele quem estava lá para fornecê-lo. Ele.

— Eu... — Bucky a impediu de continuar, colocando o polegar gélido contra seus lábios, conseguindo ser mais gentil com aquela mão que com a outra ao tocar seus lábios. A textura do metal contra sua pele a fez pensar em tantas coisas que até fechou seus olhos, aproveitando-o mais do que pensara ser possível.

— Amanhã. — Foi a única coisa que Bucky falou antes de beijar o topo da cabeça de Kath e erguer-se da cama, logo saindo dali para, a seguir, fechar a porta atrás de si.

A mente da mulher estava a mil, tentando organizar seus pensamentos confusos e seu coração repleto de incertezas. Era aquilo que ela realmente queria? Ter alguém com a mente tão ferrada quanto a sua? Ter um relacionamento que pode não durar anos ou décadas?

De fato, a vidente parecia não ter a resposta para nenhuma daquelas perguntas, nem queria ver o próprio futuro. Katherine queria construir o seu sem saber o que aconteceria no dia de amanhã. Queria surpresas e emoções; alegrias e tristezas.

Ela, no fim das contas, queria ser normal para apreciar melhor sua vida e as coisas que tinham nela, mas havia coisas que não voltariam mais. Foi por aquele motivo que, decidida, se levantou da cama, andou até a porta e a escancarou, indo até o quarto de Bucky.

O soldado foi pego completamente de surpresa quando Katherine adentrou o cômodo como um furacão, mas o que mais o deixou pasmo foi as palavras que lhe disse antes de qualquer outra coisa.

— Uma coisa que aprendi vendo o futuro é que não apreciamos a vida como deveríamos e, aqueles poucos que o fazem, sempre dizem que não é o bastante. — Pronunciou ao se aproximar dele, mirando o fundo de seus olhos. — Quero ser uma dessas poucas pessoas. E você?

Bucky pareceu entrar em conflito sobre o que deveria ou não fazer, mas uma parte sua queria aquilo. Muito. E foi por tal motivo que, de uma hora para outra, seu braço esquerdo havia cercado a cintura da loira e erguido seu corpo, logo colocando-a contra a porta enquanto saboreava os lábios de Kath com uma fome incomum.

Ela gemeu contra a boca do soldado ao sentir seus seios esmagados contra o peito do mesmo. A mão livre de Barnes subiu por baixo da blusa fina que a mulher utilizava, alcançando um dos seios para acariciá-los com o polegar, tendo como reação o aperto das pernas da vidente entorno de sua cintura. Puxando o lábio inferior dela com os dentes, começou a descer beijos quentes e chupões pelo pescoço da loira, que arqueava seu corpo contra o dele.

Havia um fogo entre eles que os consumia mesmo sem terem chegado a cama. O moreno somente conseguia registrar que queria tê-la ali, então começou retirando a camisa dela, assim como a calça de moletom junto com sua calcinha – que foi a parte mais difícil dada à forma que estavam.

Depois, foi a vez de Bucky despir-se o mais depressa que conseguiu para voltar a sua loira, que pegara seu rosto assim que o ergueu, encarando com uma intensidade que parecia ir além de qualquer coisa, incluindo ambos. Juntando suas faces até ter suas testas juntas, ele a ergueu apenas o suficiente para conseguir encaixar a ponta de seu membro no centro úmido de Katherine.

Ela mordeu com força seu lábio inferior, cravando as unhas nos ombros de seu homem enquanto o sentia preenchê-la com lentidão. Já fazia algum tempo que não tinha alguém, então demorou um tempinho para conseguir se acostumar com a invasão, mas não pronunciou absolutamente nada, pois Kath queria aquilo mais do que tudo e, como a maioria das coisas em sua vida, não tinha a mais remota ideia de onde havia surgido aquela vontade que apenas crescia dentro de si conforme o sentia cada vez mais perto.

Assim que o soldado se encontrou completamente em seu interior, ele recostou o corpo da loira melhor contra a parede, logo afastando o quadril para realizar a primeira estocada, ouvindo um gemido contido da vidente instantaneamente e sentindo certa satisfação com aquilo.

Barnes fez aquilo mais uma vez, sempre dando um intervalo cada vez mais curto entre ambas e mantendo sua boca sobre a pele dela, arrastando seus lábios por onde alcançava ou atiçando-a com mordidas que com certeza a deixariam marcada quando aquilo tudo terminasse, mas naquele momento, tal detalhe pouco importava.

Katherine estava completamente a mercê do que muitos diriam ser um assassino sem alma, mas ela sabia a verdade que poucos pareciam crer. E era por aquele singelo, porém importante motivo, que a mulher o abraçou com força contra seu peito enquanto ele lhe dava prazer. A loira até beijava o rosto, a boca ou os ombros – principalmente o que fazia junção com o braço de metal –, porém, cada vez que Bucky colidia com sua pélvis, sua mente perdia o rumo de seus pensamentos, focando apenas em cada terminação nervosa que ele tocava em seu interior.

Quanto mais rápido o moreno se movia, mais Kath o marcava com suas unhas, detalhe que nem era registrado por Barnes, pois estava afundado demais nas palavras “mais, por favor” que tanto saía dos lábios carnudos de sua mulher, e ele estava obedecendo da melhor forma possível.

Ele a apertava com força contra si, cuidando para não machucá-la enquanto apreciava ao máximo uma das mãos dela em seus cabelos, puxando-os um pouco da raiz. Estava sentindo-a se apertar contra seu membro, assim como o suor escorrer pela pele de ambos, então se empenhou em estimular os pontos que tinha certeza que a trariam direto à borda, coisa que aconteceu quando a loira gemeu alto, apertando-o de tal forma que acabou gozando junto a ela.

Ele sugou a respiração com força, sentindo-se jorrar todo no interior de Katherine e firmou sua mão livre na parede para não desequilibrar, seu coração batendo descompassado enquanto afundava o rosto contra os cabelos da vidente, se inebriando com o perfume dela ao aproveitar aquele momento raro de tranquilidade.

Os lábios de Kath o surpreenderam ao realizar uma trilha de beijos em sua pele, afastando os fios que haviam colado em seu rosto para subir sua boca aos poucos, logo beijando cada pálpebra antes de descer pelo seu nariz e alcançando a parte que mais desejava.

Dessa vez, tudo ocorreu mais lentamente. Ambos se concentraram no gosto da boca um do outro, seguiram um ritmo que lhes era desconhecido e familiar ao mesmo tempo. Havia um sentimento ali, sem dúvida alguma. Um que foi se construindo sem que ninguém percebesse, nem mesmo os dois.

— Agora é a minha vez, não? — Ela sussurrou contra os lábios de Bucky antes de erguer seus orbes esverdeados, contendo certa malícia neles e fazendo-o comprimir de leve as sobrancelhas antes de deixar que um sorriso tomasse sua face.

— O que está passando por essa sua cabeça, hein? — Questionou ao subir a mão pelo tronco dela lentamente antes de afastá-la da porta, começando a andar em direção à cama devagar, pois constatou que, a cada passo que dava, Kath mordia com discrição seu lábio inferior.

— Eu tomo as rédeas agora, Bucky Barnes. — A maneira como ela disse seu nome pareceu comandar uma parte bem especifica de seu corpo, e os olhos do soldado dilataram de leve ao entender aos poucos o que sua linda vidente falara. — Sente na beirada da cama e deixe-me fazer o resto. — Sussurrou, logo mordiscando gentilmente o queixo dele de forma provocativa.

Ele acabou fazendo exatamente o que a loira lhe pediu, não demorando muito para que Katherine o colocasse de costas sobre a cama e o beijasse lascivamente enquanto começava a mover seu quadril da maneira mais lenta possível, conseguindo arrancar um discreto gemido do moreno. A vidente sorriu contra os lábios dele, logo puxando o inferior com seus dentes para, em seguida, descer mordidas leves pelo pescoço de Bucky, assim como chupões, sem nunca deixar de se movimentar.

Sentiu-o ficar excitado novamente quase que de imediato antes de sentir o metal frio subir por suas costas, logo entrelaçando os dedos nos fios da nuca e dominando a boca dela com extremo fervor, fazendo-a gemer assim que investiu contra Kath de surpresa, reprimindo o sorriso que desejava revelar ao acariciar a coxa da mesma. Ainda lhes era estranho ter aquele contato, assim como a sensação de estarem fazendo o certo.

Aquela relação era a coisa mais correta que os dois tinham até então. E a única que teriam durante muito tempo.