The Feeler

1 O Pesadelo de Lady Dala


O Pesadelo de Lady Dala

Tudo começa com um simples passeio.

Entre todos os reluzentes palácios que se avista...

Como as aves de porte diferente que sobrevoam o ar limpo,

A natureza atrai olhares, as flores brotam;

Que linda beleza esquecida por tanto em limbo.

Os animais dançam, bailam e ariscam.

E o pó dourado faz com que o sonho não se acabe...

Um mundo está azul, livre, nu;

E a dona ainda estica-se em teu chalé divinal.

À beira da estrada uma pulga observa...

A queda de uma antiga monarca.

E aí tudo muda...

O ritmo impressiona ouvidos preparados,

E a sinfonia não toca mais lentamente, e as aves se afastam.

Como tudo muda, o tempo muda, ela muda...

Não se pode enxergar mais palácios ou tronos,

São só animais perdidos em meio ao vazio e zonzos.

Ó minha rainha, isso tanto configura.

Um trono deposto, uma mulher sem poder...

É a vítima que te faz sentir culpada?

Ou a culpa deixou-te despir vítima?

Ó rainha dos campos de centeio, apanhaste-os?

Colhereis do chão duro que seca mesmo com tuas lágrimas frias...

Ó tão piedosa rainha, vês-te que este não és mais teu sonho...

Agora és teu pior pesadelo, na sinfonia pagã e lúdica.

Percebe-te agora o duro ardor de intitular-se digna?

Ó minha rainha, tu não és mulher que antes cínica;

Déspota esclarecida que deposta teu humilde rei?

Sutil pesadelo da noite, sutil semelhança ao dia.

Os escravos sempre as colhem como margaridas...

E teu pequeno desespero que te cala durante a madrugada,

É a realidade da vida em dia daqueles que tem de cumprir tuas palavras.

~Gabriel.