The Fate Never Fails.
2 Work
Acordei as 6:30 da manhã, já que teria que chegar mais cedo na redação, fiz minha higiene matinal e tomei um bom banho pra acordar, estava mais cansada do que o normal. O mundo estava junto com o Universo, totalmente sobre minhas costas.
Ouvi meu celular tocar, mamãe, apenas ignorei e voltei a me concentrar na roupa. Atlanta havia se tornado meu inferno particular a cada dia que passava, antes, porém, era a cidade dos sonhos.
Peguei a combinação– que provavelmente Julie havia deixado -, e comecei a me arrumar. Era triste perceber o quanto teria que deixar para trás, e seguir em frente.
Quem saiba um dia eu consiga... Ao meu olhar no espelho, constatei que a roupa me caíra bem. Fazia algum tempo que não me sentia confortável com saias, muito menos saltos...
–Ok, chega de drama, tá na hora da volta por cima, ou pelo menos a meia-volta, você consegue, Maddie — falei para meu reflexo, mentalizando que tudo sairia bem.
Precisava sair.
xX
Desci até o hall e cumprimentei Peter, que era o novo porteiro do prédio, quando sai na rua me perguntei qual seria o meio de transporte escolhido, metrô ou talvez ônibus?
Metrô, certeza
Cheguei na redação e cumprimentei todos até chegar na minha mesa e assim que sentei olhei para a mesa vazia do Centro, ou seja, a mesa do chefe.
Que no caso é a mesa de Elliot.
Já mencionei o quanto é horrível trabalhar no mesmo lugar de seu ex-namorado? Pois bem, Elliot foi um antigo caso antes de Derek, o odiava pelas insinuações, que continuaram vigorantes mesmo após eu engatar em um lance firme..
Liguei o computador e quando ele acendeu a tela ouvi múrmuros começarem, as garotas beijariam até os pés de Elliot, se ele mandasse.
Aquilo chegava ao extremo do ridículo.
Ele se sentou, olhou a sala até chegar a minha mesa, o cumprimentei fazendo um gesto com a cabeça e ele retribuiu do mesmo jeito. Ótimo, conseguia atuar com classe.
Estava dando um foda-se para essa merda de trabalho, se eu não dependesse da porra desse dinheiro, com certeza estaria dormindo, me afundando na depressão que era quase por direito minha.
Infelizmente, não posso me dar esse luxo.
Eu não teria muita coisa hoje, acabei terminando a matéria que iria para a revista e para o site ontem, então só editei mais alguns detalhes e mandei para a revisão, para depois postar. Elliot me considerava uma assistente dele e eu sempre o ajudava em tudo que podia, principalmente por ser o chefe, ele tinha alguns trabalhos bem extensos e tinha que supervisionar tudo... Então eu dava uma forcinha com alguma coisa ali e aqui.
Isso claro, me rendia uma grana, que no planejamento futuro, era para ser do meu apartamento junto com...
Porra.
Preciso parar de pensar nele!
xX
Assim que o relógio marcou a hora do almoço desci para ir ao meu restaurante favorito no mundo todo.
Burger King. Claro, digamos que eu não almoce todos os dias nele, mas pelo menos duas vezes ao mês, não sou gulosa, porque como pouco e mesmo se comesse bastante um lanche daqui vale pela comida de um dia inteiro pra mim.
Comi lentamente e aproveitando bem e mesmo devagar acabei rápido, voltei para o escritório que no momento estava vazio, sentei na minha cadeira e lembrei que tinha esquecido minha câmera aqui, é uma profissional. Me lembro de quando tinha apenas 16 anos e, meu primo me dera uma profissional, que acabará de ser lançada. Desde então sou apaixonada por fotografia. Comecei a ver as fotos que tinham e em cada uma que passava falava algo sobre mim, principalmente sobre a bela vista do meu apartamento, me rendia ótimas fotografias. Aúltima em si foi a que eu mais me arrependi de tirar.
Nela continham ele e Annabella, sua irmã, que eu sempre considerei mais que apenas uma cunhada. Ela conversava animadamente com ele, que parecia impaciente olhando o relógio, depois disso pelo que eu me lembre ele me chamou para ir embora, porém disse que iria mais tarde, precisava esperar alguém...
Ele bateu o carro, causando morte imediata.
Foto maldita.
Apaguei e quando reparei tinha alguém na minha mesa, olhei para cima e vi olhos azuis, de Elliot, sobre mim.
–Oi — falei meio desconfortável com os olhares dele.
–Ah, oi, bem... Preciso de ajuda para algumas coisas, tenho que fazer a tradução de uma entrevista mas não entendo muito bem e os cantores são brasileiros então achei que você poderia ajudar — falou e eu continuei olhando fixamente pra ele.
– Lima? – me chamou pelo sobrenome me fazendo acordar pra vida.
–Ah... Posso sim, agora? — ele assentiu, me entregou o gravador e partiu em direção a sua mesa de chefe, mas claro, como nada poderia ser perfeito, virou com um sorriso irônico em seu rosto.
–Vejo que não está usando all star hoje — continuei o olhando séria, paciência não estava comigo hoje.
–Vejo que o que estou usando ou deixo de usar não interessa a você — ergueu uma sobrancelha, claro, ele não esperava pela minha resposta. Larguei a merda do gravador em minha mesa, e continuei olhando fotos.
Tinham algumas/várias de mim e Derek fazendo caretas e sorrindo feito bobos. Bobos apaixonados que juraram serem sempre só os dois, mesmo que qualquer coisa os atrapalhasse.
E olha, atrapalhou. Irônico, não?
Sorri nostálgica olhando a foto em que eu apertava suas bochechas e lhe dava um selinho, meu melhor amigo havia tirado aquela e desde sempre foi minha favorita, por falar nisso...
Merda.
–Elliot — me aproximei de sua mesa e ele arqueou as sobrancelhas de um jeito que perguntava o que eu queria — Eu vou precisar sair mais cedo, posso levar o gravador e traduzir em casa? Eu mando por e-mail, tudo bem pra você? — perguntei meio receosa.
–Isso seria pelo motivo?...
Merda.
–Tenho algumas contas para acertar, ainda sobre o velório de Derek– minha voz fraquejou, tendo uma recaída rápida. Não estava nem de longe mentindo, mas isso seria coisa rápida.
Meu objetivo era sair daquele lugar.
–Ok, pode sim, sei que ainda está abalada pela perda dele, mas que isso não vire um hábito! — advertiu.
–Obrigada e tchau — fui indo para trás antes que falasse algo que me arrependesse, coloquei o gravador dentro da minha bolsa e peguei minha câmera, guardando-a dentro do case e levando comigo. Assim que cheguei no Hall, minha respiração se aliviou.
Poderia finalmente voltar para casa.
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