The Fallen Of Light
22 SANGUE
Notas iniciais
Esse capítulo está cheio de surpresas. Meu Deus, como foi complicado descrever uma cena. Logo entenderão, tenho certeza de que saberão qual é.
Enfim, boa leitura e até a próxima >.
(Near)
Mesmo eu sendo um sucessor, para mim, alguns métodos de L eram um tanto questionáveis. Me apresentar a um possível assassino e mais tarde me acorrentar a ele não seriam atitudes que eu tomaria em seu lugar.
Eu estava preocupado com ele. Ter saído com o shinigami sem nenhuma precaução não foi uma boa ideia.
Olhei para o relógio fixo na parede do quarto de hospital. Os dois haviam saído há exatos 33 minutos.
Eu estava com um mau pressentimento. Descendo da cama com alguma dificuldade, segui até a porta e fitei o corredor vazio, pensando se seria sensato voltar ao meu quarto. Era um tanto conveniente ter uma ala hospitalar no Q.G, mas mesmo assim, eu não sabia se estava bem o suficiente para caminhar.
34 minutos.
Eu estava angustiado. Porque Light e L estavam demorando tanto? O que será que estava acontecendo?
Decidi ir a meu aposento, quem sabe assim me sentia mais calmo.
(...)
Andei devagar, pois ainda me sentia um pouco fraco.
Quando cheguei ao quarto, a primeira coisa que vi foi Kira, o que me fez pensar no que ele poderia ter feito para Lawliet não estar lá.
Aquela ausência era gritante.
- Mortos são bem silenciosos – comentei.
O rosto de Yagami estava resplandecente.
- Vou considerar isso um elogio – ele sorriu. Mal sinal.
- O que fez com ele? – meu nervosismo interno foi escondido pela seriedade em minha voz.
- Está preocupado com seu anjo da guarda?
- O que fez com L? – repeti, surpreendendo-me com meu tom ameaçador.
- Destruí sua alma. Assim como nos velhos romances portugueses. Um bom motivo para se comemorar. Não acha, Near?
Não era nenhum bobo. Hoje mesmo, L havia me contado sobre como estava se sentindo fraco, devido às suas visitas ao M.S. Ver Yagami com porte de vitorioso transformava a tal “trégua” numa farsa ainda maior.
Eu não queria acreditar naquilo. L havia morrido... denovo? De um jeito ainda pior?
“Você disse que iria voltar...”
- Parece que consegui te deixar sem palavras. – o shimigami fitou o pedaço de bolo em cima do criado, que L jamais terminaria. – Me diga onde meu detetive favorito escondia seu Death Note e eu o deixarei viver.
Kira o havia destruído e ainda descobrira nossos métodos? Eu simplesmente não compreendia.
Havíamos subestimado Raito.
Nada do que L fez adiantou. Nada do que Mello e eu fizemos adiantou.
Nada.
(...)
- Vai me dizer, Near? – sua voz tinha um tom maligno, como se ele soubesse que eu não tinha saída.
Eu não tinha nenhuma chance de vencer um shinigami em uma luta. Mesmo se tivesse, eu não sabia lutar. A menos que essa luta fosse intelectual.
De repente, pensei em Lawliet e em seus incansáveis esforços de parar Kira. Ele havia sacrificado sua própria alma para derrotá-lo. Eu podia fazer o mesmo.
- Eu nunca vou ajudar você. – foi minha resposta.
Raito pareceu um tanto divertido. Encurtou a distância entre nós.
- Preciso dizer que você não tem saída? Acho que não.
- Prefiro morrer a te ajudar.
- Eu não estou brincando, criança. Se não me der o Death Note...
- E eu muito menos. Se você me matar, o máximo que pode acontecer é eu me tornar um fantasma. Será um tanto divertido assombrar seus portadores ingênuos. – forcei um sorriso.
O shimigami me agarrou pela gola da camisa. Seus dentes trincaram.
- Yagami, você nunca encontrará o segundo caderno. Serei um fantasma cheio de segredos, isso eu prometo.
Durante alguns segundos ele me encarou, decidindo o que faria comigo. Eu não tinha nenhuma esperança de escapar com vida daquilo. O que eu sabia é que jamais permitiria que as mortes se duplicassem. Devia isso à L.
- Espero que não tenha medo de altura, garotinho. – Raito disse.
Foi rápido demais.
Num instante, ele ainda segurava minha camisa, e no outro havia sumido. Senti uma forte pancada na cabeça e a inconsciência veio ainda mais rápido que a dor.
(...)
Para minha extrema surpresa, acordei numa cama imensa e confortável. Abri os olhos e fitei o teto, com uma imensa dor de cabeça. Me esforçando ao máximo para não fechar os olhos novamente, observei o cômodo em que estava.
Uma linda garota estava sentada ao meu lado. Ela se inclinou para mim e me olhou, um tanto admirada.
- Então você é Near. – ela sussurrou.
Aí então as coisas fizeram sentido.
Finalmente, havia conhecido Kaori Yaoshii.
Porque Light havia me trazido à ela se ele mesmo podia me matar?
Sentei-me com alguma dificuldade e notei o shimigami me observando seriamente.
O quarto estava iluminado pela luz matutina, o que fez meus olhos arderem.
A jovem e o shinigami se entreolharam, como se tivessem conversando mentalmente. Ela me olhou incerta e se levantou, colocando-se ao lado de Raito. Estava com o Death Note em mãos.
Light entregou-lhe uma caneta preta.
- Comece o show, minha querida. – Ele ficou atrás dela, apoiando suas mãos nos ombros da garota. Light a puxou gentilmente, aumentando a distância entre eu e eles, como se tivesse receio de que eu chutasse o caderno maldito.
O Death Note foi aberto, a caneta precisamente apoiada. Os olhos dourados de Yaoshii observavam com atenção cada mínimo detalhe de meu rosto. Estava ela hesitando, afinal?
Foi então que eu quebrei o silêncio.
- Você vai controlar minha morte. Irá me fazer dizer a localização do segundo caderno contra minha vontade. – me dirigi a Raito. – É isso que você pediu para ela escrever abaixo do meu nome.
- Ryuuzaki deveria ser orgulhoso de pirralhos inteligentes como você – ele piscou pra mim, o que me deu náuseas.
Olhei para Kaori, perguntando-me o que o desgraçado tinha dito à ela.
- Ele está enganando você. – disse, suplicante.
- Tente outra coisa, albino. L já tentou isso. Ela sabe que ganhará mais ficando ao meu lado. – e se dirigiu à ruiva. – Raiden ainda está vivo. Eu posso autorizar sua morte. Você escolhe. Ainda quer vingança pela morte de Aiko? Não me interessa o beijo que teve com L. Eu te perdôo.
Beijo?
Eu não sabia sobre o que eles estavam falando, mas tinha certeza absoluta de que era algo muitíssimo importante para a garota. Assim que ele pronunciou essas palavras, ela se virou pra mim, e em seus olhos não havia mais curiosidade, e sim determinação.
Ela apertou a caneta.
- Kaori, ele jamais te perdoaria. Você vai morrer logo depois de mim. Me escute.
- JÁ CHEGA! – berrou Yagami, e se virou para a garota. – Acabe com ele.
Minha mente ferveu, buscando alguma saída.
E então, eu me lembrei.
- Espere! – ela tirou os olhos da página e me olhou, insegura.
Do meu bolso, tirei um pequeno pedaço de papel dobrado. Peguei uma caneta vermelha no criado mudo ao lado da cama.
- Esse é um jogo pra ser jogado à dois. – sorri.
(...)
Nunca pensei em matar ninguém. Quando tirei aquele minúsculo pedaço do Death Note, havia jurado a mim mesmo que era só por mera precaução. Mas os acontecimentos tomaram rumos inesperados.
Ambos ainda me fitavam, completamente surpresos.
Pousei a caneta no papel, desafiante. Depois de alguns segundos, Light decidiu se pronunciar.
- Então é esse seu plano? Cancelar a própria morte?
Sorri levemente.
- É claro que não. É o nome dela que escreverei. – comentei.
Raito arregalou os olhos. Tinha certeza de que, por essa, ele não esperava.
Olhei para Kaori. Seu rosto estava em pânico. Eu odiava fazer aquilo, mas tinha certeza de que L iria me querer vivo.
- Você... Você não pode! – a jovem mal conseguia disfarçar o nervosismo.
- Mas é claro que eu posso. – tentei soar despreocupado. – Tenho seu nome, rosto e uma certa antipatia por Kira. Por favor, não diga que não posso.
Dessa vez, quem se dirigiu a mim foi o próprio Kira.
- Eu sei que você não tem coragem de matar, Near. – desafiou, tentando se mostrar bem com a situação.
Eu não sabia se ele estava certo ou não. Sustentei o olhar da garota e me perguntei o que L faria em meu lugar. A memória de sua morte me atravessou, num rápido flash.
Light não se importou em se livrar dele. Porque eu deveria me importar em matar sua aliada?
Se Kira não existisse, L estaria vivo. Se Kaori não existisse, ele ao menos existiria. Eu não podia simplesmente cogitar a ideia de voltar atrás; a caneta em minha mão parecia exigir ser usada.
- Não me subestime, Light. Ela não tem o sangue frio de escrever seu belo plano abaixo de meu nome sabendo que em quarenta segundos estará morta.
- Eu achei – a voz dele saiu ríspida – que você respeitasse os princípios de seu antecessor, mas pelo que vejo, estava errado.
- L não está mais aqui. – não consegui camuflar meu desapontamento. – Ele nunca mais vai voltar... E o mínimo que posso fazer é me livrar daqueles que contribuíram para sua morte.
- Então é isso? Você só quer se vingar?
Eu o ignorei.
- Você vai se arrepender, Kira.
- L disse a mesma coisa, e olha só o que aconteceu com ele.
- Ele foi melhor que você, entenda isso. Nunca será melhor que ele.
Minhas palavras pareceram provocar o efeito que eu gostaria. Seus olhos flamejantes fitaram meu rosto, e suas garras se fecharam em punho.
- Não ouse me desafiar, pirralho. – ele me ameaçou, rangendo os dentes. – Não sabe do que eu sou capaz.
- Parece que você não me entendeu, Raito. Eu irei matar Kaori, se me obrigar. Ela escolheu seu destino, não é minha culpa.
Light olhou para Yaoshii. Ele tinha plena consciência de que eu não voltaria atrás.
Antes que pudesse me arrepender, comecei a escrever.
Kaor...
- Realmente. Você não tem ideia do que eu sou capaz. – Sua voz era baixa, mas a extrema frieza era bem audível. Levantei os olhos e notei que sua mão direita havia se transformado em garras negras.
Por um curto instante, pensei que ele saltaria sobre mim e me mataria. Mas não.
Num átimo, as afiadas garras foram encravadas no abdômen de Kaori Yaoshii. A cor fugiu de seu rosto, e os olhos chocados arregalaram-se.
O Death Note caiu de suas mãos. Chocado, vi a jovem olhar para Light. Uma lágrima brotou em seu rosto. Mágoa, dor, revolta... Eram tantos os sentimentos contidos naquele momento.
- Light... Porq... – Mas ela não terminou a frase. Ela perdeu a capacidade de falar quando o shinigami retirou suas mãos de dentro dela, fazendo com que uma rajada de sangue despencasse em cima do caderno no chão.
Suas pernas se enfraqueceram e ela tombou para trás.
- Você nunca deveria ter me traído. – ouvi ele sussurrar, acariciando seu belo rosto. — Eu realmente sinto muito por isso.
E então, ele beijou a testa da garota morta.
Eu estava completamente sem fala. Não conseguia acreditar na cena que havia visto.
Como ele pôde?
Kira a deitou ao lado da poça de sangue e então me olhou satisfeito, como se tivesse feito um bom trabalho. Não havia mágoa nenhuma em seu rosto.
- Você é a pior pessoa que já conheci. – cuspi.
- Agora acredita em mim, criança? Posso fazer qualquer coisa. Ou me dá o caderno, ou terá um destino pior do que ela.
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