Notas iniciais
Oi, pessoas! O capítulo demorou bem mais do que deveria, principalmente por causa do ENEM e das mudanças no Nyah!. Mas finalmente, ele está pronto e devo acrescentar, TFOL está na RETA FINAL... Esperamos que aprovem!

(Lawliet)

— Light-kun- o som ecoou pelo recinto com tanta frieza que qualquer um que me visse, diria que o grande assassino era eu e não ele. – Nunca comemore uma vitória antes de ter a certeza de que todos os seus inimigos estejam mortos.

(...)

— Ozaru... Deveria ter te mantido trancado! – Light estava com dificuldade em achar alguma lógica de me ver ali como se nada tivesse acontecido.

— Você sempre coloca acontecimentos inesperados como falhas de terceiros. – apontei, dando outro passo. Nate estava na cama um pouco atordoado. Atrás de Kira, jazia Kaori.

O brilho dos seus olhos se transformou em duas órbitas vidradas. A boca entreaberta, o cabelo ruivo se perdendo na poça de mesma cor. Seu destino já fora selado no instante em que se tornara Portadora ou a minha intervenção ocasionou sua morte?

Um sentimento amargo agarrou meu coração e eu sabia que ela estava vagando no infindável Vazio por causa de Kira. Ele nunca se daria ao trabalho de abstê-la do Caderno salvando-a do Vazio se era muito mais prático fazer uma queima de arquivo tradicional. Arrependi-me de não ter seguido a idéia de Nate e prende-la no subterrâneo. Ao menos, ela ainda viveria. Mas não é como se eu tivesse tido algum tempo.

— Você não perdeu tempo em matá-la.

— Agradeça ao seu sucessor por isso. – falou com os olhos tomados por ódio, não pela morte dela, mas por mim.

Baixei o olhar até Nate, que não parecia querer se dar ao trabalho de negar. Mas eu não podia simplesmente ficar ali imaginando o que teria acontecido naquele cômodo, cada segundo perdido era fatal se tratando de Kira.

Então segui seu olhar e vi. Estava num canto entre Kira e o corpo de Kaori. Era um pequeno espaço forrado de sangue. Percebi uma elevação mínima no meio do posseiro e eu soube que debaixo daquilo o Death Note jazia esquecido momentaneamente por seu Shinigami.

Rapidamente fitei Nate. Seu olhar urgente gritava uma única ação:

PEGUE-O!

Pegar o caderno seria um problema á menos. Mas passar por Kira não. O espanto inicial dele havia tomado lugar para algo que se assemelhava á exasperação. Cada músculo parecia estalar de fúria, as mãos apertadas em punhos estalavam como metal devido ás garras. Era como se uma sombra o atravessasse e se fixasse naquele olhar demoníaco.

E então, num milésimo em que quase imperceptivelmente fitei Nate para confirmar ou desprezar sua ideia (pretendia decidir naquele curtíssimo período de tempo), Kira percebeu a troca camuflada de olhares e se lembrou do caderno agora revestido de sangue. Antes mesmo de ele fazer menção de pegar seu Death Note, eu me joguei do mesmo jeito que tentaria derrubar uma porta das dobradiças. Suas costas bateram na parede. Livros e mangás despencaram da estante ao lado. Apesar do baque, ele continuou de pé. Dois metros nos separavam, medida que podia ser encurtada em mini milésimos por ele, o que dificultava minha situação. Agachei e peguei o caderno logo após a queda do primeiro livro.

Olhei para cima e o vi sem ação. O seu rápido passo foi congelado por minha voz.

— Um movimento em falso, e eu destruo essa sua arma mais rápido do que pensa.

Surpreso, ele parou automaticamente. Ele estava em minhas mãos? De repente, aquilo pareceu bem mais divertido do que destruir o Death Note ali mesmo. Levantei-me com ele apertado fortemente em meus dedos. O sangue os manchou de estranha maneira quase confortável. Pingos pincelaram minhas calças e pés, assim como a imóvel Kaori.

Os punhos de Kira estavam tão fechados que poderiam se quebrar.

— Eu não sei como você... Voltou – cuspiu – Mas isso não mudará nada.

— Então porque está tão nervoso?

Balançou levemente a cabeça como se não acreditasse no meu atrevimento.

— Destrua o caderno. – disse sem rodeios.

Esforcei-me para não aparentar confusão.

— Como é?

— O Rei Shinigami não se importará em me fornecer outro caderno já que ele esta se beneficiando com as mortes. Vou conseguir outro assim como uma nova Portadora. Como eu disse, nada vai mudar. — deu de ombros.

Aquela certeza absoluta de superioridade que eu odiava vindo dos lábios dele ressoava por cada canto de minha mente como minas explosivas. Outro caderno e outra Portadora seriam perfeitos para ele; a matança recomeçaria dum ponto onde ele já saberia sobre mim, o que faria com que Kira não perdesse tanto tempo imaginando quem estaria tramando contra ele. Mas eu tinha carta na manga.

Eu tinha uma Espada que matava Demônios e Shinigamis tão facilmente quanto Death Notes matavam Seres Humanos. Simples.

“Mas eu nem sei como invocar a lâmina!”

Eu não podia ficar simplesmente parado com um pentagrama queimando enquanto Kira dizia com todas as letras que O Rei estava do lado dele e que eu não podia fazer nada quanto á isso.

Não... Eu tinha que fazer algo.

Encostei o Death Note no coração

Estendi o braço com a palma pálida virada para ele. Lentamente, eu a fechei me concentrando.

E então, todo o sangue espalhado pelo chão ardeu literalmente em chamas. Entre mim e Kira, elas ondularam numa dança energética e destrutiva. Era melhor que todos os indícios de a garota ter sido Kira fossem apagados do que a mídia se apoderar dos fatos e causasse ainda mais sofrimento para a família dela, coisa que certamente aconteceu com a do atual Shinigami que não se importava com mais nada.

Com a distração momentânea de Light, Near desceu da cama e contornando o fogo, pretendia esgueirar-se até mim. Kira desligou-se da surpresa do sangue ter-se convertido nas chamas e numa súbita ira, agarrou-o pelo ombro e o lançou pelo quarto. Ele rolou pelas labaredas e bateu numa cômoda. Kira avançou, dessa vez na minha direção.

— Me parece que não importa quantas vezes eu me livro de você... – as palavras dele eram baixas e combinavam com o crepitar do véu avermelhado que o rodeava sem perigo. – Você sempre acaba voltando... Como se fosse um pesadelo particular.

—É. – guardei o caderno dentro da blusa– Ás vezes, eu também penso isso de você.

Muitas vezes.

(...)

Se minha constante presença não o tivesse exposto á tanta energia espiritual, Nate seria bem mais agredido pelo fogo que passara á navegar em ondas pelo cômodo todo, deixando rastros de cinzas e uma escuridão anormal para uma manhã.

Eu nunca havia visto Kira com um olhar tão... Perdido. Seus olhos carmesins refletiam a dança das chamas como se estivesse numa outra dimensão, onde ele tentava imaginar que nada daquilo acontecia realmente. Mas eu estava lá de verdade, o que contrariava uma certeza que ele construíra tão enfaticamente.

Num barulho que se assemelhava ao incêndio, as asas negras surgiram. Em meia batida de coração ouvi uma lufada de ar ao primeiro bater de asas e um choque que me fez atravessar a porta de vidro ainda fechada. Minha solidez recente fez o vidro em estilhaços. Num instinto que não se perdia facilmente, meus braços protegiam meu rosto da chuva de cacos.

Ainda de pé, olhei em sua direção.

— O fato de um nunca morrer de verdade te deixa desesperado, não é mesmo?

Seus passos fizeram um som trepidante nos cacos. Atrás dele, eu via as labaredas quase lambendo o teto. Num canto, Nate estava meio agachado com o rosto selvagem pingando suor, tentando manter-se o mais afastado do calor mortal.

— Isso é muito prepotente vindo dos lábios de um homem morto.

Veio até mim num rápido vulto e me esquivei quase tarde demais, podendo sentir o roçar rasgante das penas no meu braço. Antes que ele se virasse, agarrei-lhe as asas e o lancei através do cômodo com um boneco de pano. Olhei para baixo e me vi segurando um punhado de penas macias. Ergui uma das mãos e a abri. As penas estavam se dissolvendo num pó brilhante e esbranquiçado, como areia fina e encantada. Deixei-o cair no chão e vi que era a mão no qual se encontrava o pentagrama.

Hum, talvez...

Corri para dentro e o vi parado em meio ás chamas. Atravessei a parede encalorada e senti uma sensação morna ao meu redor. Um milésimo depois, Light desferia vários socos de pura raiva. Uma ira puramente humana. Meus braços estavam erguidos para suportarem os golpes que certamente rachariam concreto. Preguei os pés onde estava, mas isso não impediu que a rajada de força me fizesse recuar alguns passos.

A força descomunal aumentava a cada soco. Quando me vi, estava no chão observando-o acima, parado como se refletisse sobre as piores torturas para detetives. Minhas palmas estavam pregadas no chão e ao invés de encará-lo friamente como pretendia, meus olhos se desviaram para o que restara da garota. Light seguiu o meu olhar. Agachou-se e sussurrou:

— Você ainda quer beijá-la, Lawliet?

Lentamente, meu rosto se virou e não consegui deixa-lo menos chocado.

— Você é um monstro. – cuspi.

—Não, eu não sou um monstro. — disse – E se fosse, certamente não seria o único aqui.

Balancei levemente a cabeça e o encarei tentando dissolver a imagem dela da minha cabeça.

"Aquilo é só um corpo. A verdadeira Kaori está muito longe daqui..."

— Matar deuses da morte não é um tipo de crime que me tornaria um monstro. – falei e antes que ele pudesse comentar qualquer coisa, eu o agarrei pelo pescoço com minha mão marcada.

Desde o ponto que minha pele o tocou, uma teia de rachaduras se desenhou como cicatrizes vivas ao longo do pescoço e parte do começo do tórax. E é claro, a chuva de areia brilhante jorrou da pele rachada. Seus olhos se arregalaram, a boca entreaberta e estática. Parecia ter perdido a capacidade de falar.

Do mesmo jeito que fiz o fogo, eu o terminei. As chamas obedeceram o fechar da minha mão livre e sumiram levando consigo quaisquer resquícios do Retorno de Kira ter começado naquele quarto. Tudo cheirava á cinzas e as paredes enegreceram terrivelmente. O estado de Light me fez questionar se ele sentia a mesma coisa que eu no Mundo Shinigami, só que pior. Pegou meu pulso com ambas as mãos tentando afastá-lo, mas eu apenas forcei ainda mais.

Eu deveria ficar lá esperando e ele desfaleceria? O pentagrama não estava só sugando-lhe sua energia, mas ferindo seu corpo astral. Seria assim tão fácil? Fiquei olhando para ele como se á qualquer momento ele pudesse virar o jogo.

— L... – no fio de voz, as emoções eram confusas.

As cicatrizes espalharam-se pelos braços e pela barriga. O pó caiu no chão iluminando lindamente o tapete mórbido das cinzas. Olhei para Near com respiração ofegante. Peguei o caderno e o joguei para ele.

— Livre-se dele e, por favor, não rasgue pedacinhos para si mesmo. – um pouco sem jeito, ele ficou bastante interessado na capa manchada.

— O que vai fazer em relação á Kira? – perguntou displicente como se perguntasse o que eu tomaria no café da manhã.

Fiquei pensando se eu esperaria ou tentaria convocar a Lâmina de verdade, o que infelizmente, eu não sabia fazer. Talvez se eu...

Então senti uma dolorosa fisgada no pulso e no braço. Light, usando uma última dose de força de vontade, perfurou-me com as garras. Com o pentagrama e a transformação do fogo terem usado uma parte da minha energia, eu não podia esperar que eu fosse o mesmo Anjo impenetrável de pouco tempo atrás. Ele afundou ainda mais e o aperto que eu fazia com esforço no seu pescoço se desfez completamente. Tratei de fazer a primeira coisa que achei sensata:

— Nate, saia daqui agora!

Ele girou os calcanhares e partiu em direção á porta. Vi apenas Light transformar-se num vulto negro e aparecer diante de Nate acompanhado por escuras penas que se soltaram com a corrida. Nesse curtíssimo meio tempo, três cortes paralelos haviam surgido no meu tórax, deixados com cortesia por Kira antes de ir à porta. Tímidos feixes de luz branca escaparam deles e me perguntei se era daquilo de que eu era feito interiormente.

Levei uma mão ao ferimento, saltei de pé e fui em direção aos dois. Ainda podia ver lucidamente as penas se movendo no ar empoeirado como se eu estivesse em câmera lenta. Light já havia tomado o caderno e virou-se á mim, sabendo de antemão da minha proximidade.

Sem se dar o trabalho de olhar para trás, ele pressionou Near contra a parede. A mão aberta contra o coração parecia um toque leve, mas eu sabia que qualquer grama de força á mais poderia significar um segundo corpo naquele quarto. Segurei-me antes que voasse de encontro á eles e estragasse tudo. As cinzas agora voavam por causa dos meus passos. Rodearam-me até quando parei e o olhei friamente, não sabendo se aquela seria a emoção correta.

— Incrível como em questão de segundos você põe tudo á perder... – comentou num crescente bom humor. – Um péssimo exemplo para o seu sucessor aqui. Na verdade, é uma pena essa lealdade absurda entre vocês, ele ganharia muito mais como meu Portador.

Ele jogou as palavras livremente e tive certo esforço em fingir que elas em nada me atingiram. Como ele conseguia colocar tanto absurdo numa única frase!?

— Ao dizer ganhar muito mais, você se refere á passar a eternidade no Vazio?

— Não se ele for esperto.

— Pessoas espertas não se tornam seus aliados.

Ele sorriu num divertimento repentino.

— Sempre com uma boa resposta. – disse apertando o caderno contra o peito. Ele estava certo quanto ao fato do Rei poder dar outro Death Note caso ele perdesse o seu. Mas certamente, Kira preferia não arriscar.

Minha mão ainda pousava sobre os cortes que reluziam entre meus dedos. Light estreitou os olhos e um sorriso leve, porém insano, formou-se em seu rosto. Eu poderia chegar perto rápido o suficiente para me atracar com ele e pegar o caderno, mas eu sabia que nesse meio tempo Nate sofreria certas... Conseqüências. E Kira pressionando o tórax do garoto como se quisesse arrancar o coração palpitante e esmagá-lo na minha frente não me trazia nenhum tipo de conforto.

O ódio sombreava o olhar cinza-escuro de Near tão obscuramente quanto o meu. Precisava fazer alguma coisa e rápido, mas como se o garoto estava tão... Perto da morte?

Mas não seria melhor provocar uma morte do que deixar um mundo inteiro à mercê de Kira? A lógica parecia sorrir para esse pensamento ignorando a maior parte de mim que teimava em repulsá-lo.

— Não importa quantas vezes você volte, L. No fim a minha Justiça sempre vai vencer e você é descartado do jogo. Simples assim.

Notas finais
Sim, o próximo capítulo será o ÚLTIMO e mais do que nunca a opinião de vocês é muito importante, então Reviews são bem-vindos :)