The Fallen Of Light
14 DESCOBERTA
Notas iniciais
Tomara que vocês não tenham se cansado de esperar esse capítulo! Ele ficou bem intenso, esperamos que gostem.
Mais uma vez, obrigada pelos comentários. Vocês são incríveis.
Boa leitura e até breve!
Kira devia estar um tanto surpreso com a “falha” do caderno. Não... o termo correto seria furioso.
E eu?
Só observando, e adorando tudo o que via.
(...)
Havia dado início ao meu único plano. Sem mortes, Kira nunca conseguiria retornar. Ele não teria escolha senão desistir. Afinal, o que ele faria na Terra se seu Death Note não funcionasse?
Mas no meu íntimo, eu sabia que não seria tão simples. Como Yagami mesmo havia provado, o orgulho não deixaria que ele desistisse facilmente.
Inclinei-me em direção à mesinha do imenso quarto de Nate e me servi de uma xícara de café.
Near simplesmente me observava – ele deveria saber que eu estava raciocinando, tentando deduzir o que Kira faria a seguir. Não me agradava ser interrompido.
Qual seria sua atitude em relação às mortes que não aconteceram? Provavelmente, ligaria o ocorrido com minhas espionagens, que infelizmente ele já havia descoberto – não que isso o fizesse acreditar em meu retorno.
Para Yagami, não havia mais L, e sim Nate. Portanto, eu apostava todos os doces que o garoto de cabelos brancos havia conseguido para mim no fato de que Light viria até o QG, em busca do verdadeiro nome de Near. E então, bastaria Kaori botar os olhos no menino e ele estaria fora do jogo. Simples.
Virei-me e fixei meus olhos em Nate.
– Light virá até aqui. Provavelmente, ele já relacionou os atuais acontecimentos a você.
– Eu sei. – ele suspirou.
Olhei em direção à TV, que estava ligada no telejornal. A dúvida sobre o retorno de Kira era a principal notícia. Sempre a mesma coisa...
Nate, como sempre, brincava com suas miniaturas de madeira no meio da cama. Nos últimos dois dias em que cancelamos as mortes, ele havia se acostumado tanto com a minha presença que não perguntava mais nada sobre minha situação atual e o mundo ao qual pertencia. Isso era um alívio – já havia dito coisas demais pro meu bem.
Desde minha aparição, Near ficava o tempo todo comigo no andar de cima, ora anulando nomes, ora premeditando os próximos passos de Kira.
Alguns agentes estavam se perguntando o por que do afastamento de seu principal detetive, e isso me preocupava. Eles não poderiam pensar que Nate não estava ligando para os últimos acontecimentos. Precisavam confiar no garoto. Isso era essencial.
Pensando no que fazer para resolver o pequeno problema, me levantei.
– Onde você vai? – Nate perguntou ao notar meu movimento.
– Buscar açúcar, ou não consigo tomar café. Como sabe, sem café, sem raciocínio – sorri.
N foi em direção à mesa e pegou a xícara. Deu um único e pequeno gole, depois depositou a xícara no lugar onde estava.
Ele quase cuspiu tudo.
– Está horrível, L! Doce demais! Não entendo porque quer mais açúcar!
Olhei para ele, incrédulo.
– Nunca coloque doce e horrível na mesma frase novamente, garoto.
Ele revirou os olhos e voltou sua atenção aos bonecos, e eu saí dali.
Voltando à sala principal do QG, percebi que os agentes pareciam entediados. Após minha visita, instruí Nate a dizer que o prédio estava à disposição de todos, e que cada um poderia fazer suas próprias investigações como achassem apropriado. Mas parecia que sem o melhor detetive do grupo, eles não conseguiam prosseguir. Simplesmente observavam uns aos outros, como se em algum momento um deles daria a ideia que todos tanto buscavam.
Depois de conseguir os cubinhos de açúcar que salvaria meu café, me dirigi ao quarto de Nate.
Algo me fez parar.
Senti uma presença. Uma presença de origem espiritual. Não era um fantasma ou outro Anjo – se fosse eu saberia.
Um instinto se apoderou de mim, e me vi correndo.
Estava de frente ao quarto, a porta estava entreaberta. Algo me dizia para não entrar.
Preocupado, foquei minha atenção em Nate. Ele ainda brincava, distraído, de costas para mim. E perto dele, o observando, estava ele.
Light Yagami.
(...)
A vontade que tinha era a de atravessar o quarto e atacar cada ponto sensível de Light. Ele precisava pagar de alguma forma todos os seus crimes. Mas tudo o que fiz foi continuar observando.
Sabia que não daria mais tempo.
Nate River – era esse o nome que devia estar brilhando acima da cabeça de meu sucessor, bem visível para Yagami.
E agora, o que deveria fazer?
Com a respiração entrecortando e me desestabilizando, observei Light caminhando ao redor da cama, observando fugaz.
O que eu não conseguia entender era o porque de Kira não ter ido embora. Ele já havia descoberto o que queria, não tinha mais nada a fazer naquele quarto! Sua expressão era quase divertida, como se ele estivesse prestes a realizar uma travessura.
Do bolso da calça, Yagami tirou um pequeno pedaço de papel. Foi aí que eu entendi o que ele estava prestes a fazer.
(...)
BAM.
É claro. Ele não se sentiria satisfeito se não se mostrasse para Near.
– Nate River – Light Yagami disse, e Nate congelou. – Enfim nos encontramos novamente.
Lutando contra a raiva e a vontade de entrar no lugar, prestei atenção em N, que se levantava e olhava para Kira.
– Eu sabia que você viria. – foi só o que o menino disse.
Light pareceu desapontado. Com certeza, não esperava que Nate reagisse de forma tão natural com sua aparição.
– Você não me parece nem um pouco surpreso. – ele disse, friamente.
Nate deixou escapar de seus lábios um sorriso travesso.
– Estou mais acostumado com aparições do que você poderia supor. Além do mais, era óbvio que você viria atrás de mim. – N se abaixou, capturou um boneco de madeira e apontou-o para Light.
– Quer um?
Sem qualquer sobreaviso, Light bateu a mão no boneco e o lançou pelos ares. A raiva percorria suas íris vermelhas.
– O que fez com meu Death Note, detetive de quinta? – questionou perigosamente.
– Você acha mesmo que diria à você?
N não devia ter dito isso. A fúria de Yagami triplicou, fazendo com que agarrasse o detetive pela gola da camisa.
– Eu não sei como, Near – ele destacou o nome com nojo – mas você trocou os cadernos. Eu quero o verdadeiro de volta. Agora.
– Seria fisicamente impossível uma troca sem que você percebesse, Kira. – N riu, e eu tive medo do que isso provocaria em Light — E eu aqui achando que você era esperto o bastante para descobrir o que aconteceu...
Foi o bastante. Light lançou Nate pelos ares, e o garoto caiu após uma colisão violenta contra a parede, esbarrando num castelo de cartas.
– ME DIGA O QUE FEZ COM O CADERNO! – Yagami gritou, completamente fora de si.
Near se levantou com dificuldade. Sua boca sangrava, mas ele não se calou.
– E se eu não disser? Vai escrever meu nome?! Ah, é. Você não pode, não é, Light? – ele gargalhou. – Shinigamis inferiores precisam de humanos, e sua humana não conhece o meu rosto. Que pena!
Em uma velocidade inumana, Light cortou a distância que os separava e o pegou pelo pescoço. Bateu com força a cabeça de N na parede.
– Em minha vida humana, nunca matei pessoas da maneira tradicional, mesmo que precisasse. De alguma forma, isso acabaria concretizando as suspeitas de L. Sabia que seria preso, e isso me atrapalharia. Mas hoje... as circunstâncias são outras. Posso te matar aqui e agora, e sabe o que vai me acontecer? NADA!
Pasmo, notei que as unhas de suas mãos transformaram-se em garras enormes. Inesperadamente, deslizou seu dedo indicador entre os claros fios de cabelo de Nate. Em poucos segundos, um filete de sangue escorria, manchando seus cabelos e descendo pela face, como uma lágrima silenciosa.
Aquilo já havia passado dos limites.
Entrei no quarto. Se para me manter no anonimato precisasse da morte de Nate, havia chegado a hora de me revelar.
Caminhei em direção à eles. Light estava tão focado em machucar N que não percebeu minha entrada. O shinigami havia erguido sua garra, e sabia que dessa vez um único golpe bastaria. Nate estaria morto.
O garoto sangrava pelas narinas. Sua camisa estava salpicada de vermelho. Como se recebesse a morte de bom grado, fechou os olhos.
“Você não vai morrer!”, eu quis gritar.
Rapidamente, me lancei para cima de Yagami e o joguei contra a parede, fazendo-o cair de joelhos. Com o contato, ele foi obrigado a largar N, que rolou no chão e caiu inconsciente.
Ao se levantar, Light procurou a origem de tamanha força. E como não podia deixar de ser, seu olhar insistente e perigoso pousou em mim.
Satisfeito, vi a incredulidade e o choque cruzar seu rosto.
Uma troca de olhares intensa se fez entre nós. O único barulho que se ouvia era o do coração de Nate, que jazia no chão. Uma atmosfera inquietante nos envolveu.
O silêncio foi estranhamente prolongado. As íris carmesim de Kira estavam estáticas. Minha face estava livre de qualquer emoção.
Olhos chocados contra olhares vazios. Fogo contra gelo.
– Light-kun... Há quanto tempo. — foi o que saiu de meus lábios.
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