The Fallen Of Light
15 AMEAÇA
Notas iniciais
Amamos os reviews, arigatou.
Mas poxa... vocês quase mataram a gente por deixarmos o capítulo em hiatus! AUSHAUSHAUSHAUHS
Pois bem, ele está aqui agora! kkkkk
Boa leitura, e obrigada por nos deixar viver c:
OBS: Desculpem-nos por eventuais erros, não tivemos tempos de revisar.
– Light-kun... Há quanto tempo.
(...)
(LIGHT)
A voz penetrante decaiu pelo recinto instaurando-se em minhas entranhas de maneira pertinente. Sua figura pálida e estranha fazia meus olhos gritarem a irrealidade daquela situação. Eu o via, mas minha mente atormentada começou a criar milhares de incredulidades, que juntas, confundiam cada parte de mim.
Ele não podia ser real.
Meus olhos estavam me enganando. Era uma mera ilusão. O verdadeiro L não mais existia! Explicações e mais explicações intercalavam-se com raciocínios falhos, mas a lógica era apenas uma: L estava lá.
Em meio ao desespero, fiz diversas tentativas de escapar de meu transe, mas parecia completamente impossível. O silêncio e o choque faziam uma mistura desagradável em minha face. Minha respiração desnecessária se tornou entrecortada.
Como ele...justo ele, estava lá?
Numa lenta caminhada, minha alucinação diminuiu a distância entre nós. Seus olhos ônix me fitavam, desafiando-me. Os cabelos azulados serpenteavam com a leve brisa que provinha da janela, e suas roupas simples reluziam timidamente. Era o mesmo L que imaginei ter assistido minha morte...
Seus passos quietos pararam.
Automaticamente, retrocedi. O som ecoou no enorme quarto, quebrando o enorme silêncio.
— O que foi, Light? – perguntou o detetive. Um sorriso brincou em seus lábios. — Não acredita em fantasmas?
E então, tudo pareceu se encaixar. A espionagem, a mensagem, a falha do caderno... A única coisa que podia me ajudar resolver tais mistérios de maneira coerente era L. Como eu não colocava a existência dele como algo possível, minha equação ficava bagunçada com vários números soltos e o resultado, longe de ser real. Mas com o detetive na igualdade, tudo se encaixava de modo quase assustador.
Formulei vários tipos de respostas para a assombração, mas as palavras simplesmente se escondiam antes que eu pudesse pronunciá-las.
O que mais me chocava era saber que L estava morto. Havia ido em seu enterro, não havia maneiras possíveis dele ter sobrevivido. Foi aí que me lembrei de algo que Kaori me disse logo que a conheci: “Você morreu, mas mesmo assim, está aqui, não está? Nada atrapalharia L de retornar.” Ela tinha a resposta esse tempo todo... e eu não enxergava.
Lembrei-me também dos detalhes da mensagem escrita sobre a mesa da garota:“Você sabia, Light Yagami, que anjos apreciam morangos?”
Por inúmeros momentos, refleti sobre seu conteúdo. Só agora percebia que a resposta para essa questão estava ali, explícita, me encarando com olhos enigmáticos de panda.
— Você... É um Anjo. – sussurrei, pasmo.
Mesmo sabendo que estava certo, não conseguia acreditar naquilo tudo.
Colocou o polegar no lábio inferior, e olhou em direção à Near, que estava inconsciente aos seus pés, coberto de sangue. Fitou-me.
- Eu achava que você era mais inteligente, Yagami. Pensei que me descobriria antes. Mas não. – tombou levemente a cabeça para o lado — Será que seu raciocínio ficou na sepultura junto ao seu corpo?
Minhas mãos se fecharam em punhos. Sua voz grave e irônica fez com que um ódio tamanho tomasse conta de mim.
— Ryuuzaki... – adicionei escárnio na voz — Você nunca admitiu o fato de ter perdido, não é?
A expressão dele não se alterou, continuou fria como gelo.
- Você não é a melhor pessoa do mundo para falar de derrotas. Afinal, você está morto. Derrota e morte combinam perfeitamente. Pelo menos no seu caso.
Eu mal conseguia acreditar em como ele era hipócrita falando daquele jeito.
- Eu te matei. Você é a última pessoa que irá me atrapalhar em ...- ele me cortou.
— Quer dizer que não estou te atrapalhando em nada? – fingiu decepção – Bem... Estou desapontado. Então acho que vou ser obrigado a me esforçar mais.
Cerrei os dentes. Desejei matá-lo.
Ele se virou, caminhou até uma mesinha e pegou um cupcake. Como se fosse a coisa mais normal do mundo sentou-se na cama escorando a costas na cabeceira e o mordiscou. Fiquei aos pés da cama branca, o encarando.
- Deve ser terrível para Kira não matar ninguém.- comentou entre uma mordida, como se o próprio não estivesse diante de si.
Tentei pensar em um jeito de descobrir o ponto fraco do novo – e não menos irritante – L. Se Shinigamis aumentassem o tempo de vida de um humano, eles morriam. Mas como Anjos podiam morrer?
Vendo L sentado devorando um doce e me atirando deboches, eu daria tudo para descobrir. O olhando fixamente, coloquei um joelho na cama.
“Ah, L, como eu quero te matar!”
Era realmente uma pena ele já estar morto... Mas isso não diminuiria o prazer que eu sentiria quando o espancasse e o sufocasse com aquele cupcake enjoativo. Pus as mãos no colchão, me preparando para atacá-lo. Foi então que, ao parar de me focar em como pegá-lo, olhei para ele.
Mas... como... Onde ele estava?!
BAM.
Como um raio e sem que eu me desse conta, L se chocou contra mim e eu fui jogado no chão. Antes mesmo de tentar levantar, estava preso. Em cima de mim, segurou meus braços no chão com uma força desumana. Tentei me soltar, mas o efeito que suas mãos albinas aparentemente frágeis tinham nos meus antebraços era descomunal.
Se inclinou, olhando-me no fundo dos olhos
– A raiva faz de você vulnerável – falou. – Ainda não aprendeu isso?
Tentei erguer as costas, mas falhei. Ele era mais forte do que parecia.
- SAIA DE CIMA DE MIM! – gritei.
O aperto em meus braços triplicou.
- Eu vou te falar uma coisa, Light – seu tom era autoritário, o que me surpreendeu – Seu Death Note agora é inútil. Nenhuma morte vai ocorrer e você não tem mais nada pra fazer aqui. A não ser que queira passar os próximos anos como o amiguinho imaginário de Kaori, pegue sua agendinha e volte ao Mundo dos Shinigamis. Vá embora.
É. O detetive estava mesmo furioso. E também sonhava bem alto.
- Você deveria saber que eu nunca desistiria. – balancei de leve a cabeça, o reprovando.
- Eu sei disso muito bem. Mas eu também sei que se permanecer nesse Mundo, nada vai mudar. Vou dizer de novo pra ficar claro: Seu Death Note é inútil. Sem mortes, sem Novo Mundo. Não é ótimo?
Um sorriso debochado serpenteou em suas feições.
Nunca pensei que meu ódio se elevaria à um nível tão absurdo. E o pior de tudo, era saber que ele estava certo. Sem o caderno, meu planos não se concretizariam. O que eu poderia fazer em relação à isso?
Absolutamente nada.
Naquele momento, era como se L estivesse num pedestal e eu, em pé no chão imundo, sendo atingido por discursos de vitória, enquanto me limitava à ouvi-lo. E quanto mais olhava para seus olhos acima dos meus, mais eu via a vitória intrínseca neles.
Meu ódio rasgava-me por dentro. L estava vencendo... E eu não gostava nem um pouco da familiaridade daquela situação.
“Porque você não morre, seu detetive fracassado?”
Foi quase imperceptível, mas eu notei. Por um ínfimo instante, suas íris se moveram para Near, ainda desmaiado perto da parede. Depois, se voltaram para mim, com a mesma sensação de superioridade de antes. L escondia muito bem a preocupação que sentia pelo garoto.
E então, quando minhas esperanças já eram escassas, uma ideia se formou. Uma ideia simples, mas ao que parecia, eficaz.
(...)
— Você só se revelou quando viu que Near seria morto. O que me faz pensar que ele é importante para você. – disse à L, e se ele ficou confuso com meu comentário, não demonstrou.
— Todos os meus pupilos são importantes para mim.
Sorri.
- Sabe, Ryuuzaki, devo admitir que foi muito esperto. Você ficava escondido, me espionando das sombras e sabendo de antemão todos os meus passos e prevendo minhas ações. – ele me ouvia com atenção, mas eu percebia um leve franzir de cenho, confuso e, ao mesmo tempo, tentando demonstrar frieza. – Era um perfeito modo de me deter, mas agora eu sei de tudo. Você mesmo destruiu seu disfarce. E eu tenho certeza que se mostrar não foi nenhum tipo de plano. Ou seja, você deixou a razão de lado e se apegou às emoções. Quem é o fraco aqui?
— Eu não tenho fraquezas. – o detetive contrapôs, estupefato. — O único motivo de eu ter me revelado foi que seria bem inconveniente ter que arrumar outro sucessor. Foi uma decisão rápida, porém lógica.
Minha expressão se divertiu.
— Você mente muito mal, L.
- Eu não estou mentindo.
- Você havia me dito antes que se importava com ele – tentei confundi-lo.
— Só porque me importo, não quer dizer que vou abandonar a lógica e abraçar as emoções. As emoções enfraquecem as pessoas.
“Você nunca esteve tão certo, detetive.”
- Então, você não se importaria se ele morresse. Muito menos, se as crianças da Wammy’s House fossem para o túmulo com ele, não é?
Em silêncio, ele parecia analisar minha sentença, como se buscasse o verdadeiro sentido por trás dela. Senti seu aperto diminuir.
- O que as crianças têm a ver com nossa atual situação, Kira? – não pude deixar de notar o fio de ameaça presente em sua voz baixa. Um sorriso gentil escapou de meus lábios.
- Se os nomes forem escritos e ninguém morrer de novo... Eu queimo aquele orfanato junto com todos aqueles mini gênios. E depois, eu mato Near com minhas próprias mãos. Isso sim seria... interessante.
Dessa vez, o silêncio se prolongou por minutos. Por dentro, eu me sentia radiante. Enfim, tinha encontrado o ponto fraco de L. Logo, me ergueria das ruínas e o derrubaria de seu pedestal.
Devia estar tão imerso em pensamentos que, quando inverti nossas posições, nem sequer cogitou lutar. O prendi no chão e olhei seu rosto.
Pouco a pouco, uma fúria crescente o atingiu, mas não se debateu, não gritou... Apenas me encarou. Seus olhos de panda se estreitaram de forma ameaçadora e suas olheiras escuras e esfumaçadas colocariam medo em qualquer um. Mas eu era Kira.
Diante de sua raiva, continuei sorrindo.
– Não. Toque. No. Orfanato – ele guinchou, mas pude ouvir o desespero em sua voz.
“Bingo.”
Notas finais
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